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TRANSPLANTES SALVAM VIDAS

21 de set de 2010




Transplantes Salvam Vidas


Autor : José Lucas
Revista de Espiritismo nº. 34 - FEP

Doar órgãos após a morte física é uma atitude que salva vidas. São os transplantes que estão em foco. No entanto, pessoas há que exigem que os seus órgãos não sejam doados. Uma questão polêmica que ganhou atualidade com a nova legislação. Que pensa o espiritismo de tudo isto?
O decreto-lei nº 244794, de 26 de Setembro, que regula a doação de órgãos, põe em prática o regime de doadores potenciais, utilizando o método do consentimento presumido. Todos estão sujeitos a doar os órgãos após a morte do corpo, a não ser que declaremos expressamente que não queremos ser doadores.
Para esse efeito existe o RENNDA (Registro Nacional do Não Doador), em vigor desde 19 de Outubro de 1994, que agrega todos aqueles que não quiserem ser doadores de órgãos.
Em Portugal, há um ano, contavam-se cerca de 30.000 pessoas inscritas no RENNDA, uma média de 24 não dadores por 10.000 habitantes. Destes não-dadores, 55% são mulheres. Na globalidade, os nãos doadores são pessoas entre os 55 e os 74 anos, curiosamente, pessoas que à partida não reúnem condições para doar órgãos.
As prioridades em termos de doação de órgãos, em Portugal, são o rim, a córnea, o fígado e o coração. Presentemente existem cerca de 1.200 pessoas que estão à espera de um rim.
Nas Caldas da Rainha, apenas cerca de 70 pessoas se inscreveram no Centro de Saúde manifestando a sua indisponibilidade para doarem órgãos ou tecidos após a sua morte. No que respeita ao conceito de morte, para o Conselho Nacional de Ética o critério de morte só poderá ser o da morte cerebral.
Após estes dados, certamente muitas questões nos surgem, a maior parte delas do foro ético. Pessoas existem que defendem que a inscrição no regime de doadores deveria ser pela positiva e não pela negativa, isto é, quem quisesse doar inscrever-se-ia. Está mais que provado por toda a Europa que este regime não funciona, pois as pessoas mesmo que concordem com a doação de órgãos não se inscrevem, por negligência na maior parte dos casos. Como a maioria dos doadores são jovens falecidos em acidentes, é lógico é verificar que esses mesmos jovens não têm como perspectiva o desencarne, logo não se inscrevem. Geralmente as pessoas só se sensibilizam para estas questões quando passam por situações em que necessitam de um órgão.
E no caso de uma pessoa que é não doadora precisar repentinamente de um órgão? A resposta mais rápida seria que era "justo" que essa pessoa não recebesse o órgão. No entanto, o não doador, em caso de necessidade receberá sempre o órgão em causa, pois o RENNDA só é utilizado para colheita de órgãos e não para recepção dos mesmos.
Então o melhor é retribuir a oportunidade, ensejando a possibilidade dos seus órgãos serem úteis a alguém, salvando vidas, ao invés de se decomporem inutilmente numa campa de cemitério.
"O António esteve a comer cogumelos. Sentiu-se mal. Foi-lhe diagnosticada uma intoxicação por cogumelos venenosos. Necessitou de um transplante urgente do fígado, caso contrário desencarnaria (faleceria). Felizmente existiu alguém que não foi egoísta ao ponto de pedir para não doar órgãos. Havia um fígado disponível, foi transplantado e hoje leva uma vida normal". O António podia ser qualquer um de nós, uma situação que nos leva a meditar no valor da vida. Imaginemos agora que o António era de raça negra e o doador de raça branca, ou vice-versa. Já reparou que a doação de órgãos irá ajudar a valorizar a vida, desvalorizando os preconceitos rácicos e/ou sociais que porventura existissem?
Há quem advogue que não doa os seus órgãos ou não deixa que os retirem do seu familiar falecido, por uma questão de dignidade. Que importância tem um cadáver (que não é a pessoa, pois a pessoa, o espírito, desliga-se do cadáver quando se dá a morte do corpo físico, demandando outras paragens do plano espiritual) ir dissecada ou não para debaixo da terra? A dignidade e o respeito já nada têm a ver com esta situação. Tudo isto se insere no campo dos preconceitos muda-nos. Além disso, mesmo aquele que decidiu ser não doador para que o seu cadáver não seja retalhado após a morte, entra numa ilusão, pois mesmo que não lhe sejam retirados órgãos para doação ele será obrigatoriamente autopsiado, o que é praticamente a mesma coisa.
De duas uma: ou a vida continua após a morte do corpo físico ou não continua. Se continua, o desencarnado (falecido) sentir-se-á feliz no Além por saber que a sua última contribuição na Terra foi ajudar alguém a viver mais um pouco. Se a vida não continua, que importa à pessoa que morreu (que segundo o materialismo deixa de existir) que o seu cadáver seja dissecado ou não?
Precisamos despir-nos destes preconceitos, tendo em conta os parâmetros de maior generosidade, em termos espirituais.

Divaldo Franco opina
Que os transplantes salvam vidas, já todos sabemos. Que a doação de órgãos é um ato de altruísmo, também. Vamos ver o que pensa deste assunto uma personalidade do movimento espírita mundial, Divaldo Pereira Franco, conferencista de renome.
Tivemos com Divaldo Franco uma conversa sobre a doação de órgãos. Vejamos a sua opinião, nos horizontes que o espiritismo nos abre.

Pergunta JL- No que respeita à doação de órgãos, existe incompatibilidade perispiritual, isto é, entre o corpo espiritual do falecido e o daquele que recebe o órgão?

Divaldo Franco Responde - Na realidade não, porque o perispírito (corpo espiritual) receptor consegue adaptar as futuras células à sua própria organização. Muitas vezes, quando ocorre a rejeição, estamos diante da Lei do Carma, que funciona biologicamente, pois, se assim não fosse, a continuidade dos transplantes daria ao indivíduo a vida imortal na Terra, o que não é possível.

Pergunta J L - Então a rejeição que existe é apenas física?

Divaldo Franco Responde - Exatamente, é física, graças à necessidade da desencarnação (falecimento) do paciente, já que ninguém consegue ludibriar as leis divinas. O êxito, neste campo, invariavelmente, trata-se de uma moratória que a divindade permite seja dada ao receptor, a fim de prolongar a existência com finalidades nobres.
Pergunta JL- O espírito desencarnado (falecido) que ainda está ligado ao corpo sofre com a extracção dos órgãos, poderá ficar ressentido por fazerem isso ao "seu" corpo e envidar por uma perseguição? 
 
Divaldo Franco Responde: Na realidade não, porque aí entram as leis soberanas da misericórdia divina. Consideremos, no passado, os cadáveres de mendigos que eram levados para as faculdades de medicina, a fim de facultarem aos estudantes o conhecimento dos órgãos e as melhores técnicas cirúrgicas para o prolongamento da vida. Aqueles cadáveres eram de pessoas desconhecidas, invariavelmente, que se transformavam sem quererem, em benfeitores da humanidade. No caso da pessoa ser forçada a doar os órgãos, isto pode produzir-lhe um choque emocional, não contra quem vai receber, mas contra as leis, entrando inevitavelmente num bloqueio de consciência, e, pelo bem que vai fazer, mesmo sem o querer, recebe os frutos sempre que necessite desses benefícios que se transformam, para ele, em verdadeira graça de Deus. Só o facto de oferecer órgãos saudáveis a pessoas que estariam a encerrar a sua jornada terrena, já os faz dignos do amparo divino.
Quanto a sentir dores, a acompanhar o processo de sofrimento, é inevitável, tal como aconteceria também na inumação cadavérica, em que ficaria a acompanhar a disjunção molecular, ou na cremação, com o pavor, porque as sensações permanecem. É o que Kardec examina em "O Livro dos Espíritos" quando aborda a perturbação espiritual.

Pergunta JL - No caso das autópsias, o espírito também sofre? 

 
Divaldo Franco Responde - Muitos sofrem. Os sensualistas, os escravos dos prazeres terrestres, sentindo ainda os fluidos materiais, acompanham com horror as cenas, especialmente quando as autópsias são feitas num clima de ironia, de ridículo, de desrespeito pelo ser, por consequência, de desrespeito pelo cadáver. Os espíritos a eles vinculados agridem-se e agridem, desesperam-se e enlouquecem de dor, o que lhes aumenta por consequência o sofrimento.
Mais havia a dizer. Para uma melhor compreensão deste assunto remetemos o leitor para "O Livro dos Espíritos" e "O Céu e o Inferno", de Allan Kardec, que poderão encontrar nas principais livrarias do país.

Autor : José Lucas/Revista de Espiritismo» nº. 34 - FEP


Fonte: material extraído do site:
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/fep/transplantes-salvam.html
Imagem - Google 


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Luciano Dudu