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YVONE PEREIRA COMO SE PROCESSA A PSICOGRAFIA

28 de out de 2010


Material extraído do livro Pelos Caminhos da Mediunidade Serena.

Apesar de Yvone do Amaral Pereira, ser conhecida no movimento espírita desde o ano de 1955, somente em 1972 a imprensa espírita publicaria uma entrevista sua. È que ela era arredia a qualquer publicidade. Não gostava de falar de si mesma, muito menos da sua mediunidade. Quando entrevistada pedia que as perguntas lhe fossem dadas com antecedência para evitar quaisquer exageros. A primeira que trazemos, aqui, é também a primeira entrevista concedida por ela. Publicada na Revista Internacional do Espiritismo, de maio de 1972, revela detalhes sobre a recepção dos livros mediúnicos, a interferência do médium nas comunicações e a relação existente entre parapsicologia, psicologia e espiritismo dentre outros assuntos. 








RIE- Possui apenas o dom da psicografia ou faz alguma outra coisa dentro do espiritismo?


Yvone Pereira 

– Possuo vários outros dons mediúnicos, inclusive o de cura, o qual pôs a serviços da doutrina espírita e do próximo desde a minha juventude. De tudo já realizei um pouco, como médium e como espírita. Atualmente, porém, como médium, limito-me à psicografia, à oratória, à colaboração na imprensa espírita, ao esperanto, à correspondência doutrinária e há um pouco de assistência social nos meios espíritas. Possuo também a faculdade de efeito físico (materializações), mas, não me interessando por esse gênero de trabalho espírita, não a utilizo.


RIE- Que pretende para a vida espiritual? Ou já se afinou com ela?


Yvone Pereira 

– Nenhum de nós poderá fazer projetos para a vida espiritual. Nosso futuro em além – túmulo depende das ações praticadas durante a vida terrena, ou seja, dos méritos ou deméritos adquiridos neste mundo. Nada posso pretender, portanto, da outra vida. Cabe-me apenas esperar pela justiça e a misericórdia de Deus. Não resta dúvida, porém, de que vivo mais da vida espiritual do que da vida material, há muitos anos.


RIE- A psicologia e a parapsicologia podem explicar cientificamente os fenômenos de psicografia?


Yvone Pereira

– Não, porque propositadamente os investigadores contrários à tese espírita não querem explicá-los, assim como a nenhum outro fenômeno espírita. Fecham os olhos para não ver, tudo atribuído ao inconsciente , quando o maior livro de parapsicologia até agora é O livro médiuns , de Allan Kardec, tal a declaração de um erudito espírita brasileiro.

O fenômeno da psicografia é mediúnico, carecendo sempre de um agente espiritual independente do médium. Não havendo esse agente, isto é, o espírito comunicante, deixará de haver psicografia. O mais que os senhores parapsicólogos têm feito é apontar fenômenos de animismo, ou seja, fenômenos produzidos pelo espírito do próprio médium e não por um espírito desencarnado. Nesta última hipótese, a parapsicologia pára, quando deveria continuar.

Os espíritas foram os primeiros a observar os fenômenos produzidos pelo animismo e nunca se sentiram diminuídos por eles. Trata-se de fenômenos belíssimos, de grande valor, provando não só a existência da alma e suas poderosas forças, mas ainda a vontade soberana dela, sua independência e lucidez fora dos limites corporais, sua ação, seu poder particular conferido pela natureza.

Essa questão vem sendo esclarecida, desde os primórdios do espiritismo, pelos ilustres pesquisadores e sábios psiquiatras europeus e norte americanos, e também por vários observadores brasileiros.

Qualquer espírita, ainda que pouco versado em matéria de mediunidade, e desde que não se deixe cegar pelo fanatismo, poderá realmente distinguir o fenômeno espírita do fenômeno anímico, porquanto eles são absolutamente diferentes. A parapsicologia, pois, não explica a psicografia, como não explica nenhum outro fenômeno espírita de que participe o espírito desencarnado, visto que prefere encobri-los.


RIE- O psicografo interfere na qualidade literária da mensagem?


Yvone Pereira 

– Até certo ponto, sim. Se, na vida prática e em sua vida mental, ele age de forma a só atrair bons espíritos, necessariamente às comunicações recebidas serão de excelente qualidade. Se se afinar, porém, com espíritos ignorantes, medíocres, frívolos ou mistificadores, as mensagens recebidas (escrita ou verbal) serão suspeitas ou de má qualidade. Esse é um ponto doutrinário dos mais conhecidos e debatidos. Se o médium possuir cabedal intelectual também influirá, de certo modo, porque o agente comunicante encontrará facilidade em usar esse material e a obra sairá mais completa. Mas há médiuns iletrados, sem serem analfabetos, que produzem obras literárias de imenso valor.

O médium norte americano Andrew Jackson Davis, por exemplo, obtiveram várias obras literárias importantes, ente outras a Grand Harmony, que maravilhou o mundo; e o médium Thomas P James, também norte americano, um simples mecânico impulsionado pelo espírito do escritor inglês Charles Dickens, terminou o romance O mistério de Edwin Drood, que o autor deixava à meio, ao falecer. E de tal forma o conseguiu que não foi possível determinar o ponto em que termina a obra do escritor e começa a ação do médium. Outros psicógrafos existiram, como o português Fernando de Lacerda, que escrevia mediunicamente, em prosa e em verso, conversando com os amigos, com as mãos, acionado pelos escritores clássicos de Portugal. Às vezes, Fernando de Lacerda despachava com a Mão direita papeis da repartição em que trabalhava, enquanto psicografava com a esquerda paginas de Alexandre Herculano, Eça de Queirós, Camilo, etc. O mesmo sucedia ao médium brasileiro Carlos Mirabelli, de São Paulo, que psicografava com as duas mãos, também conversando, tese cientifica ou filosóficas, em línguas diferentes umas das outras. E apenas cito estes, que, certamente, não interferiram, de forma alguma, na qualidade ou não ação da psicografia. Médiuns desse tipo são porem, muito raros. O mais comum é haver influência do médium, sobretudo quando ele não observa uma disciplina rigorosa e não se empenha em bem compreender a mediunidade a fim de exercê-la criteriosamente. O médium muito intelectualizado, por sua vez, mantendo ideias e opiniões muito pessoais e preconceito às vezes inveterados, poderá influir bastante alterando o pensamento da entidade comunicante, produzindo o que denominamos “enxerto”.

Os espíritos elevados, que já se manifestam com obras de responsabilidade, preparam os seus médiuns longamente por vezes desde a infância, a fim de evitar tais ocorrências. De qualquer forma, o espírito comunicante utiliza o cabedal fornecido pelo médium. Poderá este psicografar assuntos muitos superiores à sua capacidade, mas sempre existirão certas expressões particularmente suas naquilo que produz. De outro modo, a qualidade da mensagem não depende apenas do médium, mas também do espírito que a fornece e até do ambiente em que exerça sua faculdade.

È trabalho penoso para ambos e assuntos complexos. O melhor meio de a palavra dos espíritos chegarem puras e de boa qualidade é procurar o médium moralizar-se, elevar-se espiritualmente, fazer-se humilde, reconhecer as próprias fraquezas e jamais se considerar excelente ou indispensável, além do dever de exercer o bem em toda parte. Eis como o médium poderá influir na mensagem que recebe.


RIE- Pode descrever um pouco do estado de espírito da pessoa no momento de psicografia?


Yvone Pereira

– Quase que de regra, esse fenômeno se verifica tão inesperadamente que o médium se surpreende e aturde, mormente se o fato vem espontaneamente, sem o preparo prévio das sessões de experimentação mediúnica. Se se trata, porém de psicografia já educada, com o médium responsável, ou da obtenção de um livro, por exemplo, quando já o médium recebeu devido às instruções de seu guia espiritual, se o se trata de um receituário, um conselho a particulares etc., esse estado (em mim, pelo menos) é de expectativa, de emoção, de profundo respeito e até de religioso temor, se assim me posso expressar. Às vezes, certa inquietação sobrevém, pois que, já empunhado o lápis, com a mão apoiada sobre o papel, o médium não tem a mínima ideia do que escreverá.

Fonte: Pelos caminhos da Mediunidade Serena/ Yvone do Amaral Pereira – 1ª Ed., 1ª reimp. – São Paulo, SP: Lachâtre, 2007, pag.27-31.

Imagem: Google
 



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Luciano Dudu