Vídeo de divulgação da História e o Espiritismo

.

.

Seja bem vindo

Seja bem vindo

Mapa

free counters

Total de visualizações de página

Seguidores

A NOITE DE SÃO BARTOLOMEU

31 de jul de 2010

Caro leitor, estamos preparando vários materiais para serem postados no blog. Um dos assuntos que será abordado é “A Noite de São Bartolomeu”, uma Chacina que deixou grandes marcas no reinado de Catarina de Médicis.

Conforme trecho extraído do livro “O espinho da insatisfação”, de Newton Boechat da pagina 33 a 47, editora FEB diz que:
“A noite de São Bartolomeu” foi um movimento fanático, imediatista, cruel que em nome de Deus, se cometeram as mais inomináveis barbaridades, desencadeando causas que se prologaram em séculos de provações para Espíritos que, na calada da noite, interferiram brutalmente no destino de milhares de protestantes huguenotes, aprisionando-os, primeiramente, numa cilada, usando como isca de atração o casamento de Henrique de Navarra (Protestante) com Margarida de Valois (Católica filha da rainha Catarina de Médicis conhecida também como Margot, a Rainha Mãe que determinava energicamente sobre seu filho frágil Carlos IX.).
A corte francesa não se conformava com a hegemonia espanhola, que se plasmava cada vez mais, evidenciando-se no Vaticano, e promovendo-se por toda Europa.
De há muito, discreta coletividade de nobres e conselheiros de Catarina e ela mesma elaboravam planos sinistros para eliminar do solo Francês o que chamavam de “A PESTE”. Avolumou-se a corrente evangélica não somente em Paris, mas na França toda, alentada pela figura austera e firme do Almirante Gaspar de Coligny , que era conselheiro e amigo de Carlos IX”

Eu acredito que esse trecho do livro deva ter despertado a curiosidade no fiel leitor sobre essa fantástica e tenebrosa história.
Eu comprometo-me futuramente a contar sobre ela de uma forma detalhada. Enquanto isso, apreciem um material extraído da Revista Espírita, setembro de 1858, material de  Allan Kardec, de fatos espirituais  acontecidos posterior a chacina da noite de 23 e 24 de agosto de 1572.

Boa Leitura e reflexão
 Luciano Dudu.

REVISTA ESPIRITA 1858
 OS GRITOS DE SÃO BARTOLOMEU

De Saint-Foy, em sua História da ordem do Espírito Santo (edição de 1778), cita a passagem seguinte tirada de uma coletânea escrita pelo marquês Cristophe Juvenal dês Ursins, tenentegeneral de Paris, pelo fim do ano de 1572, e impresso em 1601.

“Em 31 de agosto (1572), oito dias depois do massacre da São Bartolomeu, eu havia jantado no Louvre, na casa da senhora de Fiesques”. O calor foi muito grande durante todo o dia.
Fomos nos sentar sob a pequena parreira do lado do rio para respirar o fresco; de repente, ouvimos no ar um ruído horrível de vozes tumultuosas e gemidos misturados com gritos de raiva e furor; permanecemos imóveis tomados de medo, nos olhando de tempo em tempo, sem força para falar. Esse barulho durou, creio quase uma meia hora. O certo é que o rei (Charles IX) o ouviu, ficou apavorado, não dormiu mais durante o resto da noite; entretanto, dele não falou no dia seguinte, mas notava-se que ele parecia sombrio, pensativo e desvairado.

“Se algum prodígio deve não achar incrédulos, é este, atestado por Henri IV”. Esse Príncipe, disse d'Aubigné, livro l, cap. VI p. 561, nos contou várias vezes, entre seus mais familiares e particulares cortesãos (e tenho várias testemunhas vivas de que não nos contou nunca sem se sentir ainda tomado de pavor), que oito horas depois do massacre de São Bartolomeu, viu uma grande quantidade de corvos empoleirar-se e grasnar sobre o pavilhão do Louvre; e que na mesma noite, Charles IX, duas horas depois de se ter deitado, saltou de sua cama, fez levantarem-se os do seu quarto, e os mandou procurar, por ouvir no ar um grande barulho de vozes gementes, em tudo semelhante à que se ouviu na noite dos massacres; que todos.
Esses diferentes gritos eram tão surpreendentes, tão marcados e tão distintamente articulados, que Charles IX, crendo que os inimigos de Montmorency e de seus partidários os surpreenderam e os atacavam, enviou um destacamento de seus guardas, para impedir esse.
Novo massacre; esses guardas narraram que Paris estava tranquila, e que todo esse barulho que se ouvia estava no ar.”.

Nota. - O fato narrado por de Saint-Foy e Juvenal dês Ursins tem muita analogia com a história do fantasma da senhorita Clairon, relatado em nosso número do mês de janeiro, com a diferença de que neste, um único Espírito se manifestou durante dois anos e meio, ao passo que depois da São Bartolomeu parecia haver deles uma quantidade inumerável que fez ressoar o ar durante alguns instantes somente. De resto, esses dois fenômenos têm, evidentemente, o mesmo princípio que os outros fatos contemporâneos da mesma natureza que reportamos, e deles não difere senão pelo detalhe da forma. Vários Espíritos interrogados sobre a causa dessa manifestação, responderam que era punição de Deus, coisa fácil de se conceber.

Fonte: Revista Espírita de 1858, Allan Kardec.


COMUNICAÇÃO MEDIÙNICA : VOLTAIRE E FRÉDÉRIC

17 de jul de 2010

                                                                                           foto de Voltaire
  1. Conversas familiares de além túmulo- Voltaire e Frédéric
Revista Espírita, agosto de 1859

 
Diálogo obtido por intermédio de dois médiuns servindo de intérpretes à cada um desses dois Espíritos, na sessão da Sociedade de 18 de março de 1859.
Questões preliminares endereçadas a Voltaire.

1. Em que situação estais como Espírito?
R. Errante, mas arrependido.

2. Quais são as vossas ocupações como Espírito?
R. Eu rasgo o véu do erro que, em minha vida, acreditava ser a luz da verdade.

3. Que pensais de vossos escritos em geral?
R. Meu Espírito estava dominado pelo orgulho; depois, eu tinha uma missão de arrojo a dar a um povo na infância; minhas obras são dela as conseqüências.

4. Que direis, em particular, de vossa Jeanne D'Arc?
R. Esta foi uma diatribe; fiz mais ruim que isso.

5. Quando vivo, que pensáveis de vosso futuro depois da morte?
R. Eu não acreditava senão na matéria, vós bem o sabeis, e ela morre.

6. Éreis ateu no verdadeiro sentido da palavra?
R. Eu era orgulhoso; eu negava a divindade por orgulho, é do que sofro e do que me arrependo.

7. Gostaríeis de conversar com Frédéric, que também consentiu em responder ao nosso apelo. Essa conversa seria instrutiva para nós. –
R. Se Frédéric o quer, eu estou pronto.

Voltaire. - Vedes, meu caro monarca, que reconheço meus erros e que estou longe de falar como nas minhas obras; outrora dávamos o espetáculo de nossas torpezas; agora somos
obrigados a dar o de nosso arrependimento e do nosso desejo de conhecer a grande e pura verdade.

Frédéric. - Eu vos acreditava menos bom do que não o sois realmente.

Voltaire. - Uma força que somos obrigados a adorar, e reconhecer toda soberana, força nossa alma a proclamar para aqueles que talvez abusamos, uma doutrina toda oposta àquela que professamos.

Frédéric. - É verdade, meu caro Arouet, mas não finjamos mais, é inútil, todos os véus caíram.
Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/re/1859/08e-conversas-familiares.html (1 of 4)7/4/2004 09:11:13




                                                        Foto do Rei Frédéric II da Prussia

  2- COMUNICAÇÃO MEDIÚNICA DE VOLTAIRE
Titulo : Os dois Voltaire
(Sociedade Espírita de Paris; grupo Fauchorand. - Médium,Sr. E. Vézy.)

Sou bem eu, mas não mais aquele Espírito zombador e cáustico de outrora; o pequeno reizinho do século dezoito, que comandava, pelo pensamento e o gênio, a tantos grandes soberanos, hoje não tem mais sobre os lábios aquele sorriso mordaz que fazia tremer inimigos, e mesmo amigos! Meu cinismo desapareceu diante da revelação das grandes coisas que eu queria tocar e que não as soube senão no além-túmulo!
Pobres cérebros tão estreitos para conterem tanta maravilha! Humanos, calai-vos, humilhai-vos, diante do poder supremo; admirai e contemplai, eis o que podeis fazer. Como quereis aprofundar Deus e seu grande trabalho? Apesar de todos esses recursos, vossa razão não se choca diante do átomo e o grão de areia que ela não pode definir?
Usei minha vida, eu, a procurar e a conhecer Deus e seu princípio, minha razão nisso se enfraqueceu, e cheguei, não a negar Deus, mas sua glória, seu poder e sua grandeza. Eu
me explicava esse desenvolvimento no tempo. Uma intuição celeste me dizia para rejeitar esse erro, mas não a escutava, e me fiz apóstolo de uma doutrina mentirosa... Sabeis por
quê? Porque no tumulto e no fracasso de meus pensamentos, que se entrechocavam sem cessar, não via senão uma coisa: meu nome gravado no frontão do templo de memória das
nações! Não via senão a glória que me prometia essa juventude universal que me cercava e parecia provar com suavidade e delícias o suco da doutrina que eu lhe ensinava. No entanto, impelido por não sabia quais remorsos de minha consciência, quis parar, mas era muito tarde; como uma utopia, todo o sistema que abraça vos arrasta; a torrente segue
primeiro, depois vos leva e vos quebra, tanto sua queda é, às vezes, violenta e rápida. Crede-me, vós que estais aqui à procura da verdade, encontrá-la-eis quando tiverdes
destacado de vosso coração o amor às lantejoulas, que fazem brilhar, aos vossos olhos, um tolo amor-próprio e um tolo orgulho. Não temais, no novo caminho que caminhais,
combater o erro e abatê-lo quando se levantar diante de vós. Não é uma monstruosidade enaltecer uma mentira contra a qual não se ousa se defender, porque se fez discípulos que vos precederam em vossas crenças?
Vós o vedes, meus amigos, o Voltaire de hoje não é mais aquele do século dezoito; sou mais cristão, porque venho aqui para vos fazer esquecer minha glória e vos lembrar o que
eu era durante minha juventude, e o que eu amava durante minha infância. Oh! Quanto gostava de me perder no mundo do pensamento! Minha imaginação, ardente e viva, corria os vales da Ásia em conseqüência daquele a quem chamais Redentor... Gostava de correr nos caminhos que ele percorrera; e como me parecia grande e sublime esse Cristo no meio da multidão! Acreditava ouvir sua voz poderosa, instruindo os povos da Galiléia, mas margens do lago de Tiberíades e da JudéiaL. Mais tarde, nas minhas noites de insônia, quantas vezes me levantei para abrir uma velha Bíblia e dela retirar as santas páginas! Então, minha cabeça se inclinava diante da cruz, esse sinal eterno da redenção que une a Terra ao céu, a criatura ao Criador!... Quantas vezes admirei esse poder de Deus, se subdividindo, por assim dizer, e do qual uma centelha se encarna para se fazer pequeno, vindo dar sua alma no Calvário para a expiação!... Vítima augusta, da qual neguei a divindade, e que me fiz dizer dela, no entanto:Teu Deus que traíste, teu Deus que blasfemas, Por ti, pelo universo, está morto nesses próprios lugares!
Sofro, mas expio a resistência que opus a Deus. Tinha por missão instruir e esclarecer; primeiro o fiz, mas a minha luz se extinguiu em minhas mãos na hora marcada para a luz!...
Felizes filhos dos séculos dezoito e dezenove, é a vós que está dado ver luzir a luz da verdade; fazei que vossos olhos vejam bem sua luz, porque para vós ela terá raios celestes
e sua claridade será divina!

VOLTAIRE.

 
Filhos, deixei falar em meu lugar um dos vossos grandes filósofos, principal chefe do erro; quis que viesse vos dizer onde está a luz; que vos pareceu ele? Todos virão repetir-vos:
Não há sabedoria sem amor nem caridade; e dizei-me, que doutrina mais suave para ensiná-lo que o Espiritismo? Não saberia muito vo-lo repetir: o amor e a caridade são as
duas virtudes supremas que unem, como o disse Voltaire, a criatura ao Criador. Oh! Que mistério e que lugar sublime! minhoquinha, verme da terra que pode se tornar de tal modo
poderoso, que sua glória tocará o trono do Eterno!...

SANTO AGOSTINHO.

ALLAN KARDEC

Fonte : Revista Espírita , Allan Kardec
  

3- BIOGRAFIA DE VOLTAIRE
 
François-Marie Arouet em sua reencarnação como Frances por volta de 21/11 de 1694 ate seu desencarnio em 30 de maio de 1778, foi um grande homem, foi um grande escritor, tinha um grande conhecimento da filosofia iluminista francesa , Defendia a liberdade religiosa e livre comercio.. Foi conhecido com pseudonome de Voltaire,um grande escritor , produziu milhares de cartas , aproximadamente dói mil livros e panfletso, peças de teatros , poemas, Um homem com senso de justiça ,era adepto da reforma social na época, apesar que tais defensores não eram bem vistos , quem emaculasse a censura era considerado Persona não grata.
Acabou usando de suas obras literárias para fazer crítica a Santa Madre Igreja e outras instituições daquele país. Ele influenciou através de suas escritas , o meio político sócio econômico da época, pois foi considerado um dos grandes pensadores do iluminismo , que posteriormente influenciou alguns pensadores da Revolução Francesa. Ele não tolerava injustiça de qualquer espécie, principalmente as religiosas e políticas. Devido a seu temperamento e comportamento acabara exilado da França. Foi um dos grandes adeptos da Liberdade de Expressão. Sua corrente de pensamento acabou criando tendências como o Liberalismo, fez com que ele tornasse conselheiro de Monarcas.. Ele tinha uma grande preocupação com a polução. Destacou-se como conselheiro de Fredercio II da Prússia que era um líder esclarecido. Entrou para a vida social como Maçom, que teve apoio de Benjamin Franklin . Voltaire defendia pena justos a acusados, que independente de qualquer pena cometida, o réu deveria ter um julgamento justo,e que a pena deveria ser igualitária independente da classe social Defendia convicções de que todo governo deveria ser racional, lógico e dirigir uma nação com leis igualitárias para seus súditos. Voltaire transformou-se num perseguidor ferrenho dos dogmas, da igreja católica, deixando evidente a todos que talvez poderia ter mudado de comportamento com relação a fé cristã que possuía.

Citaremos uma famosa citação de Voltaire publicada em uma renomada revista francesa , em abril de 1778, páginas 87-88, , ele diz o seguinte:
"Eu, o que escreve, declaro que havendo sofrido um vômito de sangue faz quatro dias, na idade de oitenta e quatro anos e não havendo podido ir à igreja, o pároco de São Suplício quis de bom grado me enviar a M. Gautier, sacerdote. Eu me confessei com ele, se Deus me perdoava, morro na santa religião católica em que nasci esperando a misericórdia divina que se dignará a perdoar todas minhas faltas, e que se tenho escandalizado a Igreja, peço perdão a Deus e a ela. Assinado: Voltaire, 2 de março de 1778 na casa do marqués de Villete, na presença do senhor abade Mignot, meu sobrinho e do senhor marqués de Villevielle. Meu amigo."

  Seu desencarnio foi em 30 de Maio de 1778, na época de sua morte ele recebeu varias homenagens de revistas principalmente desta, onde enumerava suas qualidades morais, de justiça e igualdade. Ele citado pela revista francesa da seguinte forma :
 "o maior, o mais ilustre e talvez o único monumento desta época gloriosa em que todos os talentos, todas as artes do espírito humano pareciam haver se elevado ao mais alto grau de sua perfeição".
Voltarie foi sepultado na abadia de Scellieres. Em 2 de junho, mesmo tendo sido perseguido alguns dogmas da Igreja católica, posteriormente seus restos mortais foram transferidos para o Panteão de Paris, lugar onde era levado os restos mortais de figuras ilustres da época. Sua cripta , é de frente ao seu inimigo Rousseau e possui os seguintes dizeres:
"Aos louros de Voltaire. A Assembléia Nacional decretou em 30 de maio de 1791 que havia merecido as honras dadas aos grandes homens".
Voltaire foi um grande homem, teve um grande compromisso com o povo Francês, conseguiu levar grandes mudanças como a liberdade de imprensa , reformas no sistema político econômico Frances, revisão da justiça criminal da França, revisão tributaria junto ao clero e nobreza.

 
Frase de Voltaire:

Devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas que pelas respostas.
Encontra-se oportunidade para fazer o mal cem vezes por dia e para fazer o bem uma vez por ano.
Os infinitamente pequenos têm um orgulho infinitamente grande.
Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.
Que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu.
Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males.
Só se servem do pensamento para autorizar as suas injustiças e só empregam as palavras para disfarçar os pensamentos.

A alma é uma fogueira que convém alimentar, e que se apaga dado que não se aumente.

Há muito poucas repúblicas no mundo, e mesmo assim elas devem a liberdade aos seus rochedos ou ao mar que as defende. Os homens só raramente são os dignos de se governar a si mesmos.

Comunicação Mediúnica de J. Jacques Rousseau



(
Médium : Senhora Costel.)

Nota. O médium está ocupado com coisas muito estranhas ao Espiritismo; dispunha-se a escrever para assuntos pessoais, quando uma força invisível o constrangeu a escrever o que se segue, apesar de seu desejo de prosseguir o trabalho começado. É o que explica o início da comunicação:
"Eis me, embora não me chames. Venho falar-te de coisas muito estranhas às tuas preocupações. Eu sou o Espírito de Jean-Jacques Rousseau. Esperei por muito tempo a ocasião para me comunicar contigo. Escutai-me, pois. "Penso que o Espiritismo é um estudo todo filosófico das causas secretas dos movimentos interiores da alma, pouco ou nada definidos até aqui.
Explica, mais ainda que não descobre, horizontes novos. A reencarnação e as provas suportadas antes de chegar ao objetivo supremo, não são revelações, mas uma confirmação importante. Fui tocado pelas verdades que esse meio põe à luz. Digo meio com intenção, porque na minha opinião, o Espiritismo é uma alavanca que afasta as barreiras da cegueira. A preocupação das questões morais está inteiramente para criar; discutem-se a política que movimenta os interesses gerais, discute-se os interesses privados; apaixona-se pelo ataque ou a defesa das personalidades, aquelas que são o pão da alma, o pão da vida, são deixadas no pó acumulado pelos séculos.
Todos os aperfeiçoamentos são úteis aos olhos da multidão, salvo o da alma; sua educação, sua elevação são quimeras boas no máximo para ocupar os lazeres dos padres, dos poetas, das mulheres, seja no estado de moda, seja no estado de ensinamento.
"Se o Espiritismo ressuscita o Espiritualismo, retornará à sociedade o impulso que dá a uns a dignidade interior, a outros a resignação, a todos a necessidade de se elevar para o Ser".

 
Fonte: Revista Espírita de 1861;Allan Kardec;
http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/re/1861/08h-dissertacoes.html (9 of 12)12/4/2004 14:54:35.

 
Biografia de Jean-Jacques Rousseau 
 
Nasceu em :(Genebra, 28 de Junho de 1712 — Ermenonville, 2 de Julho de 1778) foi um filósofo genebrino, escritor, teórico político e um compositor musical autodidata. Uma das figuras marcantes do Iluminismo francês, Rousseau é também um precursor do romantismo.
Ao defender que todos os homens nascem livres, e a liberdade faz parte da natureza do homem, Rousseau inspirou todos os movimentos que visavam uma busca pela liberdade. Incluem-se aí as Revoluções Liberais, o Marxismo, oAnarquismo etc.
Sua influência se faz sentir em nomes da literatura como Tolstói e Thoreau, influencia também movimentos de Ecologia Profunda, já que era adepto da proximidade com a natureza e afirmava que os problemas do homem decorriam dos males que a sociedade havia criado e não existiam no estado selvagem. Foi um dos grandes pensadores nos quais a Revolução Francesa se baseou, apesar de esta se apropriar erroneamente de muitas de suas ideias.
A filosofia política de Rousseau é inserida na perspectiva dita contratualista de filósofos britânicos dos séculos XVII e XVIII, e seu famoso Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens pode ser facilmente entendido como um diálogo com a obra de Thomas Hobbes.
Filósofo suíço natural de Genebra, não chegou a conhecer a própria mãe, que faleceu após o trabalho de parto. Era filho do relojoeo calvinista Iirsaac Rousseau, cujo avô era um huguenote e tinha fugido da França. O pai de Rousseau morreu quando ele tinha 10 anos, de modo que ele teve uma juventude agitada. Ele morou em lugares diferentes e soube desde pequeno o que era ser explorado, deparando-se com a necessidade de trabalhar.
O menino Jean-Jacques aprendeu a ler e a escrever ainda muito novo, influenciado pelo pai. Mais tarde, fora aluno do Pastor Lambercier, de rígida disciplina moral e religiosa. Precisou trabalhar desde cedo e sentira o que significava ser maltratado.
Relatou, no fim de sua vida, o quanto gostava dos passeios pelos campos e bosques. Vaguear pela natureza era um grande prazer na vida do menino Rousseau.
Na adolescência, encontrando os portões da cidade fechados, quando voltava de uma de suas saídas, opta por vagar pelo mundo. Acaba tendo como amante uma rica senhora e, sob seus cuidados, acaba estudando música e filosofia. Longe de sua protetora, que agora estava em uma situação financeira ruim e com outro amante, ele parte para Paris.
Havia inovado muitas coisas no campo da música, o que lhe rendeu um convite de Diderot para que escrevesse sobre isso na famosaEnciclopédia. Além disso, obteve sucesso com uma de suas óperas, intitulada O Adivinho da Vila. Aos 37 anos, participando de um concurso da academia de Dijon cujo o tema era: "O restabelecimento das ciências e das artes terá favorecido o aprimoramento dos costumes?", torna-se famoso ao escrever respondendo de forma negativa o Discurso Sobre as Ciências e as Artes, ganhando o prêmio em 1750.
Após isso, Rousseau, então famoso na elite parisiense, é convidado para participar de discussões e jantares para expôr suas ideias. Ao contrário de seu grande rival Voltaire, que também não tinha o sangue azul, aquele ambiente não o agradava.
Rousseau tem 5 filhos com sua amante de Paris, porém, acaba por colocá-los todos em um orfanato. Uma ironia, já que anos depois escreve o livro Emílio, ou Da Educação que ensina sobre como deve-se educar as crianças.
O que escreve como peça mestra do Emílio, a "Profissão de Fé do Vigário Saboiano", acarretar-lhe-á perseguições e retaliações tanto em Paris como em Genebra. Chega a ter obras queimadas. Rousseau rejeita a religião revelada e é fortemente censurado. Era adepto de uma religião natural, em que o ser humano poderia encontrar Deus em seu próprio coração.
Entretanto, seu romance A Nova Heloísa mostra-o como defensor da moral e da justiça divina. Apesar de tudo, o filósofo era um espiritualista e terá, por isso e entre outras coisas, como principal inimigo Voltaire, outro grande iluminista. Em sua obra Confissões, responde a muitas acusações de François-Marie Arouet (Voltaire). No fundo, Jean-Jacques Rousseau revela-se um cristão rebelado, desconfiado das interpretações eclesiásticas sobre os Evangelhos. Sempre proferia uma frase: "Quantos homens entre mim e Deus!", o que atraía a ira tanto de católicos como de protestantes.
Politicamente, expõe suas ideias no Contrato Social. Procura um Estado social legítimo, próximo da vontade geral e distante da corrupção. A soberania do poder, para ele, deve estar nas mãos do povo, através do corpo político dos cidadãos. Segundo suas ideias, a população tem que tomar cuidado ao transformar seus direitos naturais em direitos civis, afinal "o homem nasce bom e a sociedade o corrompe".
Depois de toda uma produção intelectual, suas fugas às perseguições e uma vida de aventuras e de errância, Rousseau passa a levar uma vida retirada e solitária. Por opção, ele foge dos outros homens e vive uma vida de certa misantropia. Nesta época, ele dedica-se à natureza, que sempre foi uma de suas paixões. Seu grande interesse por botânica, o leva a recolher espécie e montar um herbário. Seus relatos desta época estão no livro "Devaneios de Caminhante Solitário".
Rousseau termina por falecer aos 66 anos, em 2 de julho de 1778, onde estava hospedado, no castelo de Ermenonville. Entretanto, até os dias de hoje, ele ainda é um provocador, que leva muitos a acreditarem na bondade natural do ser humano e de como a sociedade acaba destruindo essa bondade. E, por muitos, não é esquecido por sua forte crítica à propriedade privada, como causa da miséria entre as pessoas. Rousseau foi um iluminista à parte, talvez pelas suas próprias experiências desde a infância.

 
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Jacques_Rousseau

A RAINHA VITÓRIA I - MÉDIUM




Lê-se em lê Salut public, de Lyon, de 3 de junho de 1866, nas notícias de Paris: "Lord Granville, durante a curta permanência que vem de fazerem Paris, dizia, a alguns amigos, que a rainha Vitória se mostrava mais preocupada do que não a tinha visto jamais em nenhuma época de sua vida, com relação ao conflito austro-prussiano. A rainha, acrescentava o nobre lorde, presidente do conselho privado de S. M. britânica, acreditava obedecer à voz do defunto príncipe Alberto, dela não poupando nada, a fim de prevenir uma guerra que colocaria em fogo a Alemanha inteira. Foi sob essa impressão, que não a deixa, que escreveu várias vezes ao rei da Prússia, assim como ao imperador da Áustria, e que ela teria também dirigido uma carta autografada à imperatriz Eugénie, para suplicar-lhe juntar seus esforços aos seus em favor da paz."
 
Este fato confirma aquele que publicamos na Revista Espírita, de março de 1864, página 85, sob o título de: Uma Rainha médium. Ali está dito, segundo uma correspondência de Londres reproduzida por vários jornais, que a rainha Vitória conversava com o Espírito do príncipe Alberto e tomava seu conselho em certas circunstâncias, como o fazia durante a vida deste último. Nós remetemos a esse artigo para os detalhes do fato e às reflexões às quais deu lugar. De resto, podemos afirmar que a rainha Vitória não é a única cabeça coroada, ou tocante à coroa, que simpatiza com as idéias espíritas, e todas as vezes que dissemos que a Doutrina tinha adeptos até sobre os mais altos graus da escala social, não exageramos nada. Freqüentemente, pergunta-se por que dos soberanos, convencidos da verdade e das excelência desta Doutrina, não se fazerem um dever apoiá-la abertamente com a autoridade de seu nome. É que os soberanos talvez sejam os homens menos livres; mais do que simples particulares, estão submetidos às exigências do mundo, e contidos, por razões de Estado, a certas reservas. Não teríamos nos permitido nomear a rainha Vitória a propósito do Espiritismo, se outros jornais não tivessem tomado a iniciativa, e uma vez que não houve para esse fato nem desmentido, nem reclamações, acreditamos poder fazê-lo sem inconveniente. Sem dúvida, dia virá em que os soberanos poderão se confessar Espíritas, como se confessam protestantes, católicos gregos ou romanos; à espera disto, sua simpatia não é tão estéril quanto se poderia crê-lo, porque, em certos países, se o Espiritismo não é entravado e perseguido oficialmente, como o foi o Cristianismo em Roma, ele o deve a altas influências. Antes de ser oficialmente protegido, deve-se contentar de ser tolerado, aceitar o que se lhe dá, e não pedir muito, de medo de nada obter. Antes de ser carvalho, não é senão caniço, e, se o caniço não se quebra, é que se dobra sob o vento.

Fonte: Revista Espírita 1864, pag. 85, Allan Kardec



Biografia da Rainha   Vitoria I do Reino Unido.

Foi rainha de 20 de junho de 1837 ate 22 de janeiro de 1901. Vitoria tinha o nome de Alexandrina Victoria, nasceu em 24/03/1819 no Reino Unido, morreu em 22 de janeiro de 1901, casada com Alberto de Saxe Coburgo- Gota.Oriunda da Casa de Hanôver, foi rainha do Reino Unido de 1837 até a morte, sucedendo ao tio o rei Guilherme IV. A incorporação da Índia no Império Britânico em 1877 conferiu a Vitória o título de Imperatriz da Índia. O reinado de Vitória foi o mais longo, até à data, da história do Reino Unido e ficou conhecido como a Era Vitoriana. Este período foi marcado pela revolução Industrial e por grandes mudanças a nível económico, político, cultural e social.

Vitória era filha do príncipe Eduardo, Duque de Kent e da princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld, sendo neta do rei Jorge III do Reino Unido por parte do pai. Baptizada com o nome Alexandrina Vitória, a família tratava-a informalmente como Drina. A então princesa Vitória de Kent tornou-se politicamente relevante com a morte em 1830 do tio Jorge IV, sucedido por Guilherme IV também sem filhos. Em 1837 sucedeu a Guilherme IV no Reino Unido, mas não em Hanôver onde vigorava a lei sálica que não permite que mulheres ascendam ao trono.Era descrita como ruiva e com marcantes olhos azuis.

Conta-se que Vitória estava apaixonada pelo primo, o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, e assim tomou a iniciativa de pedi-lo em casamento (visto que na época, ninguém poderia fazer tal pedido a uma rainha). Ele aceitou. Foi a primeira vez que se teve notícias de alguém casar por amor. Vitória era ousada e acrescentou ao traje nupcial algo proibido para uma rainha na época - um véu. Nascia aí um costume que atravessaria o tempo e daria a Vitória o reconhecimento de trazer para a nossa época o amor, para unir um homem e uma mulher. Em 10 de Fevereiro de 1840, Vitória casou-se com o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, o primo-irmão. O príncipe consorte morreu de febre tifóide em 14 de dezembro de 1861, devido às precárias condições sanitárias do Castelo de Windsor. Sua morte devastou Vitória, que ainda estava abalada pela morte da sua mãe Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld, em março daquele mesmo ano. Vitória estava profundamente ligada ao seu marido e ela caiu em depressão depois de ele morrer, com apenas 42 anos, pois ela havia perdido um marido dedicado e seu principal conselheiro confiável em assuntos de Estado. Ela guardou luto e usou preto até o fim de sua vida. Ela evitou aparições públicas e raramente pôs os pés em Londres, no ano seguinte. Sua solidão lhe valeu o nome de "Viúva de Windsor". No ano seguinte ela criou a Real Ordem de Vitória e Alberto para reverenciar seu casamento e seu falecido marido, o Príncipe Alberto. Até o final de 1860, ela raramente aparece em público, embora ela nunca negligenciasse sua correspondência oficial, e continuou a dar audiências a seus ministros e os visitantes oficiais, ela estava relutante em retomar uma plena vida pública.

no Mausoléu Frogmore, no Windsor Great Park. Vitória já reinava há 63 anos, sete meses e dois dias, o mais longo reinado de uma monarca britânico até então, tendo ultrapassado o seu avô, Seguindo um costume que manteve ao longo de sua viuvez, Vitória passou o Natal de 1900 na Osborne House, na Ilha de Wight. Morreu lá, devido à degradação da sua saúde, na terça-feira, dia 22 de janeiro de 1901, às seis e meia da noite, com 81 anos de idade. No leito da sua morte, ela estava acompanhada de seu filho, o futuro rei Eduardo VII, e seu neto mais velho, o imperador alemão Guilherme II. Como ela desejava, seus próprios filhos ergueram o caixão. Ela estava vestida com um vestido branco e o véu do casamento. Seu funeral foi realizado no sábado, 2 de fevereiro, e após dois dias, ela foi enterrada ao lado do Príncipe AlbetoJorge III. A morte de Vitória pôs fim ao poder da Casa de Hanôver no Reino Unido. Como o marido dela pertencia à Casa de Saxe-Coburgo-Gota, seu filho e herdeiro Eduardo VII foi o primeiro monarca britânico desta nova casa. Seu reinado foi tão importante para o Reino Unido, que ficou conhecido como Era Vitoriana. O Castelo de Balmoral foi adqirido em seu reinado.
O Palácio de Buckingham tornou-se residencia oficial da monarquia britanica com a ascensão da Rainha Vitória em 1837.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Vit%C3%B3ria_I_do_Reino_Unido
















Visão Espírita da Bíblia

12 de jul de 2010



 

Amigo leitor, tomamos a liberdade de publicar um trecho do Livro dos Espíritos, intitulado "Considerações e concordâncias bíblicas concernentes à criação",onde Kardec faz alguns apontamentos significativos a respeito da gênese e dos textos bíblicos.
O que motivou-me a fazer esta publicação foi uma sugestão de meu amigo Rodrigo  Gentil que reside em Niterói, RJ.Ele disse pra mim que semana passada este texto saiu em seu Evangelho no Lar, e que na mesma hora, ele lembrou-se de mim, por algum motivo.Como sabemos que o acaso não existe estamos realizando a postagem do referido texto e comprometo junto a vocês, que futuramente realizaremos um estudo a cerca da "Visão Espírita da Bíblia".
Boa leitura e reflexão e fique agora com o estimado Allan Kardec.

 
Considerações e concordâncias bíblicas concernentes à Criação

 
59. Os povos hão formado idéias muito divergentes acerca da Criação, de acordo com as luzes que possuíam. Apoiada na Ciência, a razão reconheceu a inverossimilhança de algumas dessas teorias. A que os Espíritos apresentam confirma a opinião de há muito partilhada pelos homens mais esclarecidos.
A objeção que se lhe pode fazer é a de estar em contradição com o texto dos livros sagrados. Mas, um exame sério mostrará que essa contradição é mais aparente do que real e que decorre da interpretação dada ao que muitas vezes só tinha sentido alegórico.
A questão de ter sido Adão, como primeiro homem, a origem exclusiva da Humanidade, não é a única a cujo respeito as crenças religiosas tiveram que se modificar. O movimento da Terra pareceu, em determinada época, tão em oposição às letras sagradas, que não houve gênero de perseguições a que essa teoria não tivesse servido de pretexto, e, no entanto, a Terra gira, mau grado aos anátemas, não podendo ninguém hoje contestá-lo, sem agravo à sua própria razão.
Diz também a Bíblia que o mundo foi criado em seis dias e põe a época da sua criação há quatro mil anos, mais ou menos, antes da era cristã. Anteriormente, a Terra não existia; foi tirada do nada: o texto é formal. Eis, porém, que a ciência positiva, a inexorável ciência, prova o contrário. A história da formação do globo terráqueo está escrita em caracteres irrecusáveis no mundo fóssil, achando-se provado que os seis dias da criação indicam outros tantos períodos, cada um de, talvez, muitas centenas de milhares de anos. Isto não é um sistema, uma doutrina, uma opinião insulada; é um fato tão certo como o do movimento da Terra e que a Teologia não pode negar-se a admitir, o que demonstra evidentemente o erro em que se está sujeito a cair tomando ao pé da letra expressões de uma linguagem freqüentemente figurada. Deverse-á daí concluir que a Bíblia é um erro? Não; a conclusão a tirar-se é que os homens se equivocaram ao interpretá-la.
Escavando os arquivos da Terra, a Ciência descobriu em que ordem os seres vivos lhe apareceram na superfície, ordem que está de acordo com o que diz a Gênese, havendo apenas a notar-se a diferença de que essa obra, em vez de executada milagrosamente por Deus em algumas horas, se realizou, sempre pela Sua vontade, mas conformemente à lei das forças da Natureza, em alguns milhões de anos. Ficou sendo Deus, por isso, menor e menos poderoso? Perdeu em sublimidade a Sua obra, por não ter o prestígio da instantaneidade? Indubitavelmente, não. Fora mister fazer-se da Divindade bem mesquinha idéia, para se não reconhecer a sua onipotência nas leis eternas que ela estabeleceu para regerem os mundos. A ciência, longe de apoucar a obra divina, no-la mostra sob aspecto mais grandioso e mais acorde com as noções que temos do poder e da majestade de Deus, pela razão mesma de ela se haver efetuado sem derrogação das leis da Natureza.
De acordo, neste ponto, com Moisés, a Ciência coloca o homem em último lugar na ordem da criação dos seres vivos. Moisés, porém, indica, como sendo o do dilúvio universal, o ano 1654 da formação do mundo, ao passo que a Geologia nos aponta o grande cataclismo como anterior ao aparecimento do homem, atendendo a que, até hoje, não se encontrou, nas camadas primitivas, traço algum de sua presença, nem da dos animais de igual categoria, do ponto de vista físico. Contudo, nada prova que isso seja impossível.
Muitas descobertas já fizeram surgir dúvidas a tal respeito. Pode dar-se que, de um momento para outro, se adquira a certeza material da anterioridade da raça humana e então se reconhecerá que, a esse propósito, como a tantos outros, o texto bíblico encerra uma figura. A questão está em saber se o cataclismo geológico é o mesmo a que assistiu Noé. Ora, o tempo necessário à formação das camadas fósseis não permite confundi-los e, desde que se achem vestígios da existência do homem antes da grande catástrofe, provado ficará, ou que Adão não foi o primeiro homem, ou que a sua criação se perde na noite dos tempos. Contra a evidência não há raciocínios possíveis; forçoso será aceitar-se esse fato, como se aceitaram o do movimento da Terra e os seis períodos da Criação. A existência do homem antes do dilúvio geológico ainda é, com efeito, hipotética. Eis aqui, porém, alguma coisa que o é menos. Admitindo-se que o homem tenha aparecido pela primeira vez na Terra 4.000 anos antes do Cristo e que, 1650 anos mais tarde, toda a raça humana foi destruída, com exceção de uma só família, resulta que o povoamento da Terra data apenas de Noé, ou seja: de 2.350 anos antes da nossa era. Ora, quando os hebreus emigraram para o Egito, no décimo oitavo século, encontraram esse país muito povoado e já bastante adiantado em civilização. A História prova que, nessa época, as Índias e outros países também estavam florescentes, sem mesmo se ter em conta a cronologia de certos povos, que remonta a uma época muito mais afastada. Teria sido preciso, nesse caso, que do vigésimo quarto ao décimo oitavo século, isto é, que num espaço de 600 anos, não somente a posteridade de um único homem houvesse podido povoar todos os imensos países então conhecidos, suposto que os outros não o fossem, mas também que, nesse curto lapso de tempo, a espécie humana houvesse podido elevar-se da ignorância absoluta do estado primitivo ao mais alto grau de desenvolvimento intelectual, o que é contrário a todas as leis antropológicas.
A diversidade das raças corrobora, igualmente, esta opinião, O clima e os costumes produzem, é certo, modificações no caráter físico; sabe-se, porém, até onde pode ir a influência dessas causas. Entretanto, o exame fisiológico demonstra haver, entre certas raças, diferenças constitucionais mais profundas do que as que o clima é capaz de determinar. O cruzamento das raças dá origem aos tipos intermediários. Ele tende a apagar os caracteres extremos, mas não os cria; apenas produz variedades. Ora, para que tenha havido cruzamento de raças, preciso era que houvesse raças distintas. Como, porém, se explicará a existência delas, atribuindo-se-lhes uma origem comum e, sobretudo, tão pouco afastada? Como se há de admitir que, em poucos séculos, alguns descendentes de Noé se tenham transformado ao ponto de produzirem a raça etíope, por exemplo? Tão pouco admissível é semelhante metamorfose, quanto a hipótese de uma origem comum para o lobo e o cordeiro, para o elefante e o pulgão, para o pássaro e o peixe. Ainda uma vez: nada pode prevalecer contra a evidência dos fatos.Tudo, ao invés, se explica, admitindo-se: que a existência do homem é anterior à época em que vulgarmente se pretende que ela começou; que diversas são as origens; que Adão, vivendo há seis mil anos, tenha povoado uma região ainda desabitada; que o dilúvio de Noé foi uma catástrofe parcial, confundida com o cataclismo geológico; e atentando-se, finalmente, na forma alegórica peculiar ao estilo oriental, forma que se nos depara nos livros sagrados de todos os povos. Isto faz ver quanto é prudente não lançar levianamente a pecha de falsas a doutrinas que podem, cedo ou tarde, como tantas outras, desmentir os que as combatem. As idéias religiosas, longe de perderem alguma coisa, se engrandecem, caminhando de par com a Ciência. Esse o meio único de não apresentarem lado vulnerável ao cepticismo.

Fonte: O Livro dos Espíritos, capítulo III, Criação, Considerações e concordâncias bíblicas a respeito da criação.


 

Entrevista com Divaldo P. Franco

9 de jul de 2010


Perg. 1)- Por que é desaconselhável o uso de músicas espíritas cantadas pelo público na fase de harmonização preparatória que antecede as palestras?

Divaldo - Embora a música, nas suas expressões superiores, seja um veículo de harmonização, o hábito de cantá-las, antes, durante ou depois das atividades espiritistas, pode dar início a uma prática ritual que será incorporada posteriormente ao Movimento Espírita, descaracterizando a elevada proposta de que se reveste a Doutrina libertadora.

 
Perg. 2)- Por que nas salas apropriadas ao passe magnético a claridade não se faz presente, senão através de lâmpadas coloridas?

Divaldo - Em face da irradiação dos raios caloríferos que consomem os fluidos, é conveniente manter-se um ambiente de penumbra, quando da aplicação dos passes, evitando-se, quanto possível, a exposição também de lâmpadas coloridas, no pressuposto de realizar-se ação cromoterapêutica.

 
Perg. 3) -A clonagem humana, bem como outras pesquisas científicas, poderão nas próximas décadas confirmar o fenômeno natural da palingenesia (reencarnação)? Como ficarão as religiões ditas materialistas?

Divaldo - Acredito que os diversos ramos das doutrinas científicas, à medida que penetram no âmago do ser humano, oferecendo recursos tecnológicos para tornar a vida mais digna de ser experienciada, seja através da clonagem ou de outros recursos que serão conquistados, mantendo-se o respeito pela bioética, lograrão confirmar a reencarnação em laboratório, conforme vem sucedendo com a psicologia e suas diversas escolas.
Penso que as doutrinas religiosas que, por enquanto, não aceitam a reencarnação, diante dos fatos, serão convidadas à sua aceitação ou sucumbirão por si mesmas.

 
Perg. 4)-No perispírito do desencarnado por suicídio fica algum vestígio de fluido vital?

Divaldo - Em razão de o suicídio interromper o fluxo da existência orgânica antes da consumpção do fluido vital, este permanece no perispírito, facultando a permanência das sensações físicas, acrescidas da agressão aplicada para interromper a vida...

 
Perg. 5)-As Casas Espíritas estão vivendo um momento muito difícil, devido a falta de "tarefeiros" para os trabalhos sociais. Como resolver este problema?

Divaldo - A função essencial da Instituição Espírita é a divulgação com a respectiva vivência dos postulados espíritas. Naturalmente que, nessa prática doutrinária, as atividades de natureza social têm cabida, em nome da caridade. No entanto, não se deve realizar o inverso, resultando normalmente na falta de cooperadores. Quando ocorre a transformação moral do indivíduo em razão do conhecimento espírita, de imediato surge um trabalhador do bem, da solidariedade e do socorro ao próximo.

 
Perg. 6)- O senhor acredita que as festas ditas pagãs, dentre elas o carnaval, nas próximas décadas estarão extintas?

Divaldo - Penso que não. Não é a festa, conforme se apresenta, que responde pelos descalabros morais que nela tem lugar. Antes é a criatura aturdida e primária que, onde se encontra, impõe as suas paixões primitivas, suas más inclinações. O mesmo fenômeno ocorre quando o indivíduo é portador de títulos de enobrecimento, tornando-se gerador de grupos sociais saudáveis. Acredito que os bacanais irão desaparecendo à medida que os seres humanos optarem por outros tipos de divertimentos e prazeres.

 
Perg. 7)- Falando de reencarnação de espíritos superiores, Kardec diz na nota do título "minha volta" (Obras Póstumas) que "... minha volta deverá ser forçosamente no fim deste século ou no princípio do outro". Perguntamos: Existe alguma informação do plano espiritual sobre a programação desta reencarnação do codificador no planeta Terra?

Divaldo - Ignoro qualquer informação a respeito do retorno de Allan Kardec ao proscênio terrestre, exceto aquelas que são discutidas na atualidade no Movimento Espírita...

 
Perg. 8)-Através da mídia mundial, crescem os debates sobre a eutanásia. Perguntamos: Em que condição chega o espírito que praticou a eutanásia ao mundo dos espíritos, e quais os resgates futuros?

Divaldo - O Espírito que foi vítima da eutanásia desperta no Além, amparado, a fim de se refazer do golpe sofrido, merecendo conforto e amparo digno. No entanto, quando a eutanásia foi solicitada por aquele que ora está desencarnado, o mesmo experimenta o prosseguimento das aflições de que se desejou libertar, na condição de suicida...

 
Perg. 9)-Qual é a diferença entre a distanásia e a ortanásia e haverá consequências diversificadas de conformidade com a visão espírita?

Divaldo - Conforme o Aurélio, distanásia é Morte lenta, ansiosa e com muito sofrimento, enquanto ortanásia é o contrário da eutanásia e consiste em atrasar a chegada da morte, por todos os meios possíveis. Alguns autores denominam-na ortotanásia e elucidam que são quase a mesma coisa, a distanásia e a ortanásia. Quando se pretende prolongar a vida com o objetivo de impedir a morte, impõe-se ao paciente sofrimentos desnecessários, que se prolongam após a desencarnação...

 
Perg. 10)- Qual é a finalidade maior do trabalho de um médium no plano espiritual através do seu desdobramento durante uma reunião mediúnica? Exemplo: Nos Domínios da Mediunidade - cap. 11 "Desdobramento em Serviço" (Médium Castro) - André Luiz, psicografia Chico Xavier.

Divaldo - A finalidade maior do trabalho de um médium, seja no plano físico ou fora dele, é dar prosseguimento ao ministério que abraça, estando sempre a serviço da Vida Maior, contribuindo em favor da renovação espiritual da humanidade.

 
Perg. 11)-Como ocorre o fenômeno da comunicação espiritual para os ouvintes de diversas nacionalidades, cada qual ouvindo em seu idioma pátrio, sendo a palestra proferida em um único idioma?

Divaldo - A linguagem dos Espíritos nobres é a do pensamento, sem a fonação de vocábulos. Em se tratando de ouvintes de Esfera elevada, embora o conferencista enuncie as palavras, a emissão da sua onda mental é captada por todos. Nas Regiões mais próximas da psicosfera terrestre, no entanto, o idioma nacional de cada povo ainda é preservado, em razão do atraso moral dos seus habitantes.

 
Fonte:
http://joannadangelis.blogspot.com/

 

 

O Jornal Paraná entrevista Divaldo P. Franco

8 de jul de 2010


Perg. 1)-O Paraná: Quais são os fundamentos da Doutrina Espírita? 

Divaldo: Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, na introdução da obra básica que se chama "O Livro dos Espíritos", estabelece os itens fundamentais que caracterizam a Doutrina: A crença em Deus; na imortalidade da alma; na comunicabilidade dos Espíritos; na reencarnação; na pluralidade dos mundos habitados e na ética moral apresentada na Doutrina de Jesus, conforme Ele e os Seus apóstolos a viveram nos primórdios do Seu apostolado. Como extensão, o Espiritismo tem como fundamento essencial a prática da caridade, dando-lhe uma abrangência que sai do paternalismo de oferecer coisas ao invés de libertar da miséria. O Espiritismo fundamenta a sua proposta dentro da ciência social. Ao invés de dar esmola, dê trabalho. Ao invés de oferecer o pão habitualmente, dê salário, porque através do salário o indivíduo dignifica-se e liberta-se daquela dependência emocional que o indignifica cada vez mais.

 
Perg. 2)O Paraná: Existem rituais no Espiritismo?

Divaldo: O Espiritismo, inicialmente, é o resultado de uma investigação científica, por isso mesmo dizemos que o Espiritismo é ciência, não uma ciência convencional, porque o material com que labora não obedece às leis das doutrinas físicas. Trabalhando com o espírito imortal, está sempre na dependência das suas reações psicológicas, das suas atitudes emocionais. Essa investigação científica, que é resultado da observação, ofereceu uma visão filosófica, e nessa proposta filosófica, o Espiritismo responde aos quesitos que perturbam o pensamento filosófico. Por efeito, tem uma ética moral. Nessa ética moral surge uma vertente religiosa, não do ponto de vista de uma religião constituída, que se caracteriza por um misticismo, por paramentos, por sacerdócio organizado, pelas expressões seitistas, ou que se permita caracterizar por uma forma ou fórmula de culto externo. É, portanto, uma doutrina destituída de toda e qualquer apresentação visual que tenha por meta impressionar. É uma Doutrina que leva o indivíduo a uma auto-reflexão a respeito da vida e das suas responsabilidades perante a consciência cósmica.

 
Perg. 3)O Paraná: Como o Espiritismo comprova a reencarnação?
 
Divaldo: Através das experiências de regressão de memória, chamadas ecminésia; das lembranças espontâneas; das revelações mediúnicas e das análises psicológicas da memória extracerebral. Sempre preocupou a psicologia o chamado "déjà vu", em que um indivíduo tem a sensação de já ter visto, de já ter ouvido, de já ter conhecido determinadas coisas. Carl Gustav Jung narrava que, nas suas viagens pela Europa, antes de chegar a determinado lugar, tinha a impressão nítida de que antes houvera estado ali. Conhecia detalhes, hábitos, cultura, e, ao chegar, para sua surpresa, verificava que aquela percepção era verdadeira. Naturalmente, ele teve uma explicação psicanalítica, que parecia concordar com a sua idéia da irradiação mental. Para nós, os espíritas, é uma reminiscência de ocorrências já experimentadas em encarnações anteriores, o que, por dilatação, vem explicar as simpatias, as antipatias, os ódios acendrados, as animosidades entre familiares. Ademais, a reencarnação pode ser constatada, conforme estabeleceu o Dr. Banerjee, parapsicólogo indiano, através, também, de um outro ângulo da chamada memória não cerebral. O conhecimento de idiomas, que a pessoa jamais teve a oportunidade de os estudar; as lembranças de vidas pregressas que fluem espontaneamente, e, ao mesmo tempo, a genialidade precoce. Embora nós acreditemos profundamente nas heranças de natureza genética; nos fenômenos denominados pelo próprio Jung como fenômenos de sincronicidade, em que as coisas acontecem por uma lei de sincronidade, há fatos históricos de crianças que se recordam ou se recordaram de haver vivido antes, ou também de ser possuidoras de um conhecimento que não tem nenhuma explicação, nem genética, nem de natureza psicossocial. Somente a lembrança da reencarnação é que as pode elucidar.

 
Perg. 4)O Paraná: Muitos acreditam no final dos tempos, a partir da virada para o próximo milênio. Como o Espiritismo encara isso?
 
Divaldo: Como uma superstição. Normalmente, através da história, a mudança de século sempre trouxe, particularmente na idade média, o fantasma do horror. Baseado em que, nessa mudança, a Terra se deslocaria do eixo, haveria uma erupção de epidemias, de terremotos, maremotos, de fenômenos sísmicos e, na virada do milênio, foi ainda mais apavorante, por causa desse mesmo critério supersticioso. Em todo o Evangelho, nos 27 livros que o constituem, não há nenhuma referência ao novo milênio. As observações, a respeito do "fim do mundo", estão no Apocalipse de João, quando ele dirá, através de metáforas e de imagens, de uma concepção de um estado alterado de consciência, que vê a transformação que se operaria na Humanidade. Mais tarde poderíamos colher outros resultados também no chamado sermão profético de Jesus, que está no evangelista Marcos, capítulo 13, versículo 1 e seguintes, quando Jesus saía do templo de Jerusalém e os discípulos, muito emocionados, dizem: - "Senhor, vede que pedras, vede que templo". E Jesus lhes redargue: - "Em verdade vos digo que não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada". Foram para o Getsêmani, no Horto das Oliveiras, e ali os amigos disseram: "Conta-nos quais serão os sinais que antecederão a isso". Ele narra uma série de fenômenos que certamente atingiriam a Terra. Aconteceu que, realmente, no ano 70, Tito teve a oportunidade de derrubar o templo de Jerusalém, que não foi mais reerguido, e no ano 150, na segunda diáspora dos hebreus, praticamente Jerusalém foi destituída da Terra, somente voltando a ter cidadania quando a ONU reconheceu o Estado de Israel com os direitos que, aliás, lhe são credenciados e que ele merece. Mas as doutrinas religiosas, com o respeito que nos merecem, que sempre se caracterizaram pelo Deus-temor ao invés do Deus-amor, por manterem as pessoas na ignorância e intimidá-las, ao invés de libertá-las pelo esclarecimento, estabeleceram que o fim do mundo seria desastroso, seria cruel, como se não vivêssemos perpetuamente num mundo desastroso e cruel, cheio de acidentes, de vulcões, de terremotos, de maremotos, de guerras, de pestes, etc. Para nós, espíritas, o fim do mundo será o fim do mundo moral negativo, quando nós iremos combater os adversários piores, que são os que estão dentro de nós: as paixões dissolventes; os atavismos de natureza instintiva agressiva; a crueldade; o egoísmo e, por conseqüência, todos veremos uma mudança da face da Terra, quando nós, cidadãos, nos resolvamos por libertar-nos em definitivo das nossas velhas amarras ao ego e das justificativas por mecanismos de fuga. Então o homem do futuro será um homem mais feliz, sem dúvida. Haverá uma mudança também da justiça social. Haverá justiça social na Terra, porque nós, as criaturas, compreenderemos os nossos direitos, mas acima de tudo, os nossos deveres, deveres esses como fatores decisivos aos nossos direitos. Daí, a nossa visão apocalíptica do fim dos tempos é a visão da transformação moral em que esses tempos de calamidade passarão a ser peças de museu, que o futuro encarará com uma certa compaixão, como nós encaramos períodos do passado que nos inspiram certo repúdio e piedade pela ignorância, então, que vicejava naquelas épocas.

 
Perg. 5)O Paraná: Qual a concepção do Espiritismo sobre o demônio?
 
Divaldo: A palavra demônio vem de daimon, anjo, espírito tutelar, e ela foi enunciada possivelmente com mais ênfase por Sócrates, que afirmava ser dirigido por um daimon. No caso de Sócrates, era um Espírito tutelar que o defendia do perigo. Mais tarde, traduzida ao latim, ela sofreu uma corruptela, para significar anjo mau, anjo perverso. Nós não temos uma concepção demoníaca de um ser eterno criado por Deus perpetuamente para o mal, que seria o diabo, Lúcifer. Essa dualidade do bem e do mal é uma dualidade psicológica e de colocação filosófica, isto porque o bem é tudo aquilo que nos promove, que nos dá vida, que nos estimula, e o mal é tudo aquilo que nos perturba, que nos impede o crescimento ético e moral. Daí, o demônio é um estado patológico, que está no indivíduo, e não fora dele. Por uma necessidade de afirmação, nós projetamos para fora, mas que está profundamente enraizado no ser. Não obstante, nós acreditamos que os indivíduos maus, primitivos, perversos, que se comprazem na prática do mal, pela sua própria constituição, depois que abandonam o corpo físico, continuam maus e perversos e se comprazem em perturbar as criaturas humanas que com eles se afligem. Daí, para nós, esses Espíritos seriam os demônios, transitoriamente, porque há uma fatalidade, que é o bem, que é a perfeição, que é a libertação de si mesmo.

 
Perg. 6)O Paraná: Qual a diferença dos santos da Igreja Católica e dos Espíritos cultuados pelo Espiritismo?
 
Divaldo: A Igreja Católica, no seu alogiário, estabeleceu que determinados indivíduos gozam de bem-aventurança. Através de um processo muito bem elaborado pelo Vaticano, pela Santa Sé, é estudada a vida de homens e mulheres abnegados, que deixaram pegadas luminosas. No passado, essa atividade era mais política do que religiosa, o que custava para os países, e ainda custa, uma alta soma em dinheiro para ter o nome dos seus bem-aventurados na lista dos candidatos a santos, a fim de que possam subir aos altares. Acredito que, de início, era uma atitude de muita honestidade para destacar as pessoas nobres, os mártires da fé, os que foram sacrificados. A Idade Média, que foi o grande milênio da ignorância, porque foi quase um milênio de trevas, modificou um pouco e de tal forma que, após o Concílio Ecumênico Vaticano Segundo, a própria Igreja reconheceu que muitos indivíduos que gozavam de beatitude da santificação sequer existiram, como São Jorge, aliás, o guia da Inglaterra; como São Cosme e São Damião, e outros tantos. Nós compreendemos perfeitamente e achamos natural que erros de tal monta hajam acontecido, como a perseguição a Galileu, a perseguição a Joanna d'Arc, a perseguição a Charles Darwin e a outros que, lentamente, a Igreja vem reconhecendo e atualizando dentro dos fundamentos da ciência e da lógica. Para nós, o que os católicos chamam santos são os Espíritos nobres, Espíritos puros. Nós não santificamos a ninguém. Cada um auto-santifica-se, graças ao trabalho de depuração espiritual, de resistência contra o mal, e então, pelos atos que realizou na Terra e pelo bem que continua realizando no Além, nós lhes damos o nome de Espíritos Bons, Anjos da Guarda, Espíritos Benfeitores, Espíritos Guias, que de alguma forma têm a mesma característica, embora não seja necessariamente a mesma coisa.

 
Perg. 7)O Paraná: A canonização, então, seria um ato mais político do que propriamente religioso?

Divaldo: É um ato político-cerimonial, vinculado à uma imposição teológica para destacar os membros que merecem maior consideração do alto clero e daqueles que estão vinculados a essa denominação religiosa. Desejamos deixar bem claro que para nós e respeitável, embora, para nós, não tenha maior significação.



Perg. 8)O Paraná: O Papa é intitulado e se auto-intitula o representante de Deus na Terra. Como o Espiritismo vê isso?
 
Divaldo: Como uma presunção, com todo o respeito que ele nos merece, principalmente um homem nobre, como o Papa João Paulo II, dentre outros igualmente nobres. Jesus disse que a única característica que nos podia tornar conhecidos é de que nos amássemos uns aos outros, e Ele próprio teve ocasião de dizer, ipsis verbis: "O filho do homem não tem uma pedra para reclinar a cabeça, embora as aves do céu tenham seus ninhos e os lobos tenham os seus covis". Ele nasceu em uma manjedoura, num lugar muito modesto, numa gruta. Morreu numa cruz e toda a sua trajetória foi muito simples. Sem nenhuma mística em torno do vulto do homem Jesus, vemos Nele um exemplo de auto-imolação. Então, alguém auto-eleger-se como representante de Deus, estando na sua condição de humanidade, sujeito às vicissitudes da arteriosclerose, das disfunções de natureza enzimática do cérebro - porque os neurônios cerebrais passam por várias transformações, por estados emocionais -, não deixa de ser um salto muito audacioso, porque ao representar Deus, de alguma forma, assume-Lhe a postura. Nós o consideramos o chefe da Igreja, o chefe político, o chefe ideológico, o chefe social, mas um cidadão, embora nobre, igual a qualquer um de nós.

Perg. 9)O Paraná: Existia ou ainda existe a chamada "mesa branca" no Espiritismo? Se existe, o Sr. Poderia nos explicar o que significa?
 
Divaldo: Todas as idéias novas sofrem as interferências das superstições e das colocações ópticas de todos aqueles que aderem. A colocação da palavra, do conceito "mesa branca", tem o atavismo afro-animista, em que os nossos irmãos, quando chegaram ao Brasil, trazendo as suas doutrinas africanistas, viram-se constrangidos a submetê-las ao talante da religião oficial e dominante. Como normalmente os altares eram forrados com toalhas muito brancas, artisticamente trabalhadas, eles procuraram diferenciar as suas realizações de culto em que se encontravam na intimidade das senzalas para adorar a Deus, daquela outra que tinha o altar coberto de toalhas alvas. Quando mais tarde se deram conta da Doutrina Espírita, eles passaram a diferençar entre o culto afro - as reuniões chamadas de roda ou de giro -, e aquelas que seriam mais elevadas, as mesas brancas. No Espiritismo, as nossas mesas são normalmente marrons, porque são envernizadas. Não existem toalhas; não existem adornos; não tem nada que caracterize e também não temos a presunção de que as nossas atividades sejam superiores àquelas que outros realizam em denominações variadas das suas crenças na Umbanda, na Quimbanda. Nós não temos senão o interesse de demonstrar que o Espiritismo está isento de qualquer expressão de culto e de qualquer colocação de natureza seitista. Daí, não existe nenhum ponto de contato entre a mesa branca ou não, não existe este conceito. É nada mais do que uma colocação atávica, de natureza supersticiosa.

Perg. 10)O Paraná: O que é médium ou mediunidade?
 
Divaldo: Allan Kardec, em "O Livro dos Médiuns", capítulo XIV, diz, ipsis verbis: "Todo aquele que sente a presença dos Espíritos em determinado grau, é, por isso mesmo, médium". A palavra médium foi criada por Allan Kardec, utilizando-se do verbete latino, para tipificar aqueles que serão instrumentos dos recursos que facultam a comunicação entre o chamado mundo espiritual e o chamado mundo material. A mediunidade é a faculdade da alma. A alma tem uma disposição que o organismo veste de células, para poder proporcionar um intercâmbio. Médiuns, por extensão, somos todos nós, porque estamos sempre no meio de energias diferentes, que estão em faixas vibratórias as mais distintas. No entanto, existem aqueles que são mais ricos, os chamados médiuns ostensivos, por intermédio de quem os fenômenos são muito mais imperiosos do que os convencionalmente mais sutis. Allan Kardec, então, dividiu esses médiuns em duas classes: aqueles que são os médiuns naturais, e aqueles que são os médiuns de prova; aqueles que são portadores de distúrbios, provocados pelos Espíritos, e aqueles que são dotados de uma faculdade límpida, cristalina. Isso é fácil de entender, porque, genericamente, todos somos seres inteligentes, pelo fato de sermos criaturas humanas. No entanto, existem os super dotados, como Goethe, Einstein, Machado de Assis, e existem aqueloutros, que temos o discernimento, porém muito limitado, embora todos estejamos tecnicamente como pessoas inteligentes. Daí, a mediunidade é a faculdade da alma que o corpo veste de células para o fenômeno, e ser médium é ter a capacidade de captar ondas, vibrações transpessoais que sejam transmitidas pelos Espíritos encarnados ou desencarnados.

Perg. 11)O Paraná: E a mediunidade só pode ser lapidada através do Espiritismo?
 
Divaldo: Seria, de certo modo, uma presunção de nossa parte achar que é só através. A metodologia, hoje, mais eficaz, é dada pelo Espiritismo, que se especializou. Não obstante, uma pessoa que se moralize, em qualquer lugar; uma pessoa que se autodescubra; uma pessoa que faça uma viagem psicológica interior, forrada de bons propósitos, pode muito bem apurar as suas faculdades psíquicas; entrar em contato com o mundo espiritual com muita facilidade. Por exemplo, Francisco de Assis. Ele era médium, porque ele era interexistente. Ele estava entre os dois mundos, o material e o espiritual, e o seu caráter cristalino fez com que ele se tornasse o maior êmulo de Jesus, o seu verdadeiro copilador. Emet Fox, um dos homens notáveis deste século, que é um livre pensador evangélico admirável, entre as suas muitas obras escreveu "O Sermão da Montanha", atualizando o pensamento de Jesus. Ele era um caráter diamantino que sintonizava com o psiquismo divino. E as suas obras, embora sejam de sua lavra cultural, são portadoras de uma mensagem transcendental extraordinária - de alguma forma, portanto, médium direto. Não obstante, quando se tem distúrbios psíquicos acentuados, na mediunidade de prova atormentada, o Espiritismo possui a melhor metodologia, porque oferece o estudo do sistema nervoso; os riscos da mediunidade; as técnicas de identificação daqueles que por ele se comunicam, e, ademais, demonstra a imensa gama de fenômenos de que ele é objeto, convidando-o a especializar-se nesta ou naquela modulação.

Perg. 12)O Paraná: Qual a mensagem que o Sr. deixa aos leitores de O Paraná?
 
Divaldo: "O ser humano vem conquistando espaço. Amplia-se o horizonte cósmico. A cada dia ele descobre a grandiosidade do infinito. As sondas espaciais trouxeram informações dantes jamais sonhadas. Os microscópios eletrônicos adentraram-se nas micropartículas, e quando o ser humano acreditou que estava com todas as respostas, ele desperta para constatar que está cheio de dúvidas. A ciência trouxe-lhe um número enorme de equações, aparentemente solucionadas. Mas, neste momento, existem mais de duzentas interrogações intrigantes para a ciência: Por que existe o Universo? Como o Universo auto fez-se? Fala-se do "Big-Bang", de que as partículas estavam condensadas e explodiram, mas isto já é um efeito. Como surgiram as partículas? Do nada. Qual é a força do nada? No campo da biologia as interrogações são ainda mais perturbadoras: como é que a célula inicial, o neuroblasto, ao dividir-se, pode apresentar células específicas para as cartilagens ou para o nervo ótico; para o neurônio cerebral ou para os cabelos; para a pele ou para a elasticidade cardíaca? Por que em um determinado momento a célula do dedo pára de crescer, ao invés de prosseguir ininterruptamente, como caberia à unha? A ciência dá-se conta, através dos seus mais eminentes investigadores, que este é um momento de perguntas: Por que existe a noite? Qualquer um de nós dirá: porque o Sol está ;do outro lado. Muito bem! E os bilhões de estrelas muito mais poderosas do que o Sol? Por que não iluminam a noite? Será que estão tão distantes que a sua luz ainda não chegou à Terra? Então, a engenharia genética, tentando copiar a natureza através dos clones e de outros inventos, ameaça o homem de respostas aberrantes. Mas, qual a solução? A viagem para dento. A criatura humana ainda não teve a coragem de autopenetrar-se. Faz uma viagem numa bólide espacial, mas tem medo de se autodescobrir. Quando o indivíduo fizer a viagem para dentro e perguntar-se "quem sou eu?" "por que estou aqui?", "qual é o objetivo essencial da minha vida?", a ciência lhe dará o contributo intelectual, mas ele descobrirá os valores morais, que servirão de ponte para endossar bem a ciência e encontrar-se consigo mesmo, o que equivale dizer com seu deus interno. Então, nossa mensagem de paz seria esta: Em qualquer conjuntura, seja você, caro amigo leitor, quem ame. Se não o amarem, se o martirizarem, se o afligirem, sem nenhum masoquismo, continue amando. Aquele que nos não compreende está de mal consigo mesmo. Nós, que já descobrimos a vida, somos como o Sol guardado numa lâmpada. E é necessário fazer com que a lâmpada que nos envolve seja transparente, para que a nossa luz, saia, não devendo permitir que o envoltório seja fosco e deixe nossa luz retira. Então, que sejamos nós aqueles que amamos e que não desistamos nunca. É verdade que aparentemente há prevalência do mal e dos maus. Há a dominação dos arbitrários, mas é transitória. A futura árvore tem que vencer a casca da semente, o sol a lustro, as pragas, as intempéries para poder perpetuar a espécie. Então, vale a pena amar porque quando nós amamos nós saímos da amargura que nos deram para participar da alegria que nós vamos dar".
Esta foi uma mensagem do Espírito Joanna de Ângelis para todos nós.

 
Fonte :
http://joannadangelis.blogspot.com/s

 

Leia com atenção

Leia com atenção

Nota de esclarecimento

As imagens contidas neste blog, são retiradas do banco de imagens da rede web.
Agradeço a todos que compartilham na rede tais imagens e até mesmo textos.
Caso haja algum problema de utilização em meu blog de algum material de sua autoria, entre em contato para que eu proceda a retirada.
Luciano Dudu