Vídeo de divulgação da História e o Espiritismo

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5- PEDAGOGIA ESPÍRITA

15 de jul de 2012

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Há um fato muito interessante narrado por Dora Incontri:
No final do século XVIII, Pestalozzi escreveu a um amigo, de nome Nikolovius que era ministro da educação na Prússia dizendo:

“Que ele se sentia como a voz que clama no deserto, preparando a vinda de alguém que haveria de aparecer depois dele, porque ele entrevia a verdade, mas não conseguia alcança-la inteira.”

Conclui-se que tal fato foi um “rasgo um tanto profético para quem considera Allan Kardec como o portador de uma nova descoberta, codificação do Consolador Prometido”. No sentido de Pestalozzi estar mesmo preparando o caminho do menino Rivail, auxiliando em sua formação para que futuramente sua missão de codificar a doutrina dos Espíritos fosse lograda com êxito.

(...) “O espiritismo é uma proposta, cultural, filosófica, pedagógica sobre tudo, porque primeiro ele encara o homem como ser em permanente evolução”.

“Ele não é herdeiro de um pecado e nem está precisando de intermediação num possível projeto de salvação, ao contrário, estamos engajados num projeto de educação, porque nos somos espíritos em constantes aprendizados, e estamos indo para o caminho da perfeição, e o espiritismo reconhece no ser humano a jurisdição de si mesmo.
Ele é responsável pela sua educação e pela sua evolução, ele não depende de intermediações divinas hierárquicas, religiosas, nada, ele é responsável por si.

Então nenhuma doutrina religiosa, filosófica, cientifica reconhece tanta autonomia no homem quanto o espiritismo, porque essa autonomia não se limita também á vida terrena, e vai, além disso, transcende a autonomia espiritual para eternidade.
 O homem vai construído a si mesmo no decorrer das múltiplas vidas num projeto de educação transcendente, essa é a visão cósmica que o espiritismo propõe.
Kardec colocou implícita em toda obra espírita, essa visão pedagógica, quem estuda a obra Espírita com olhos pedagógicos, consegue notar que existe uma filosofia eminentemente pedagógica. Porém essa pedagogia se transfere para o infinito, a Pedagogia Espírita” (16)

(...) Como se vê, a Educação Espírita aparece no mundo seguindo as mesmas leis que presidiram ao aparecimento e desenvolvimento de todos os sistemas educacionais: Primeiro se formaram os núcleos sociais integrados por uma nova mundividência, depois se manifestaram as exigências de transmissão cultural. Essas exigências, pela sua própria especificidade, exigem por sua vez a teorização educacional que leva à elaboração da Pedagogia Espírita.

“Resta-nos afirmar que a Educação Espírita objetiva, sobretudo, uma forma de Educação Integral e Contínua, abrangendo ao mesmo tempo todo o complexo da personalidade do educando e todas as faixas etárias em que ela se projeta. Sendo o Espiritismo uma doutrina que abrange, em seus três aspectos fundamentais; a Ciência, a Filosofia e a Religião — todas as facetas do homem, visando necessariamente à unificação do Conhecimento, é evidente que a Educação Espírita só pode ser integral e contínua, indo de um extremo a outro da existência humana”.

“Ligada historicamente à linha rousseauniana da Educação Moderna, através de Pestalozzi, de quem Kardec foi discípulo e continuador, a Educação Espírita se entrosa naturalmente nas aspirações e nos objetivos da Pedagogia contemporânea”.

“André Moreil, em sua Vida e Obra de Allan Kardec, mostra-nos que o Prof. Rivail não foi apenas discípulo de Pestalozzi, mas o continuador da obra educacional do mestre: "É interessante notar que a impressão das obras com-pletas de Pestalozzi termina exatamente no ano em que Rivail publicou a sua primeira obra, em 1824.
 Essa coincidência vem provar que uma tocha foi passada de mão para mão. Rivail iria trabalhar durante trinta anos para a educação da juventude francesa, antes de se consagrar, nos seus últimos quinze anos, aos Kardec resume os seis princípios fundamentais do sistema pestalozziano, que empregava em suas obras didáticas e empregará a seguir no ensino espírita:

1) cultivar o espírito natural de observação do educando, chamando-lhe a atenção para os objetos que o rodeiam.
2) Cultivar-lhe a inteligência, seguindo a marcha que possibilite ao aluno descobrir as regras por si próprio.
3) Partir sempre do conhecimento para o desconhecido, do simples para o composto.
4) Evitar toda atitude mecânica, fazendo o aluno compreender o alvo e a
razão de tudo o que faz.
5) Fazê-lo apalpar com os dedos e com a vista todas as realidades.
6) Confiar à memória somente aquilo que já foi captado pela inteligência.
Todos esses dados se encontram na introdução de seu Curso Prático de Aritmética.”

Moreil comenta:

“Os Princípios 3 e 5 parecem ter sido aproveitados palavra por palavra para a elaboração de O Livro dos Médiuns, o que prova a importância extraordinária da fase de Yverdun na vida do futuro fundador do Espiritismo ".
E cita esta observação de Henri Sausse, amigo, companheiro e primeiro biógrafo de Kardec:

"Foi nessa escola que se desenvolveu as idéias que deviam torná-lo um observador atento e meticuloso, um pensador prudente e profundo. princípios do Espiritismo. (17)

Traremos uma citação que evidencia bem a herança cultural que Allan Kardec recebeu de Pestalozzi:

(...) “A primeira característica de O Livro dos Espíritos, nem sempre percebida, é a sua forma didática. Não fosse Kardec um pedagogo, habituado à disciplina pestalozziana, e os Espíritos do Senhor não teriam conseguido na Terra um tão puro reflexo dos seus pensamentos. Mas a didática de Kardec nessa obra não se limita à técnica de ensinar. E uma didática transcendente insuflada pelo espírito, que mais se aproxima da Didática Magna de Comenius do que dos manuais técnicos dos nossos dias.(18)

(...)Kardec realizou o sonho de Pestalozzi: deu ao mundo uma forma viva de ensino que ao mesmo tempo informa e forma, instrui e moraliza. A dinâmica pedagógica de O Livro dos Espíritos teria impedido o desvirtuamento da Educação através do pragmatismo educacional, se porventura os pedagogos do século XX o tivessem encarado com isenção de ânimo e os cientistas, na sua maioria, não se tivessem deixado embriagar pelas teorias materialistas”.

(...) Concluímos : "Há uma Pedagogia Espírita", afirmando que a sua finalidade deve ser a formação das novas gerações para um mundo mais cristão. Este anseio não é somente nosso. Não somos apenas nós, os espíritas, que sentimos a necessidade. de preparar as novas gerações para um mundo novo e melhor.
 A Pedagogia moderna, a partir de Rousseau, e alcançando, em meados do século passado, o seu ponto culminante em Pestalozzi, mestre de Kardec, propõe-se precisamente essa tarefa. A educação do Emílio, em Rousseau, como a educação dos filhos de Gertrudes, em Pestalozzi, representam esforços concretos, e não apenas teóricos, no sentido de uma formação mais adequada do homem, para uma civilização mais humana. O que esse esforço representou, na renovação escolar em todo o mundo, é conhecido até mesmo pelos leigos em questões educacionais e pedagógicas.
 O Espiritismo é a doutrina da Educação por excelência.
 Essa doutrina não se contenta com a formação do cidadão, do gentil-homem, do erudito. Ela nos abre as perspectivas do infinito e pretende, como queria Pestalozzi, fazer de uma criatura um espírito universal, preparando-o para a eternidade. (19)

Referência bibliográfica
16) DVD Allan Kardec - O educador/ Dora Incontri – Filme de Edson Audi
(17;18;19) Pedagogia Espírita, Pires, José Herculano, Ed. Edicel
Imagem: google

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Luciano Dudu