Vídeo de divulgação da História e o Espiritismo

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1- EDUCAÇÃO E ESPIRITISMO A VIDA DE RIVAIL ( ALLAN KARDEC)

15 de jul de 2012


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Amigo leitor, em postagem anterior de nossa autoria, encontraremos no fim do artigo, uma citação do venerando espirito Emanuel que diz:

“Os acontecimentos de uma época fazem parte do processo evolutivo para os valores intelectuais do homem, a caminho das conquistas definitivas de sua personalidade imortal para toda Eternidade” (1)

Diante de inúmeras pesquisas, sobre a História do Espiritismo, realizada por nós outros, deparamos na maioria das vezes, relatos apenas de como foi codificado a Doutrina dos Espíritos, ficando de forma desprivilegiada “o universal cultural”, em que a figura do missionário Allan Kardec fazia parte.

Queremos agradecer a escritora Dra. DORA INCONTRI, por autorizar ao blog História do Espiritismo, para que realizássemos um estudo de seus livros e artigos, para compilarmos esta série de postagem sobre Pestalozzi.

Para compreendermos melhor como se processou, a codificação da Doutrina dos Espíritos voltaremos na história, há mais de um século antes de sua conclusão, onde tentaremos remontar como foi à preparação realizada pela Espiritualidade para que o fim do século XIX recebesse o Consolador Prometido através da invasão organizada dos Espíritos Superiores, compilada por Allan Kardec.

José Herculano Pires, em seu livro “O espírito e o Tempo”, abordando sobre a falange do Consolador, ele relata fatos históricos interessantes onde narra as primeiras experiências do Mestre Rivail com as mesas girantes. Pedimos licença para transcrever uma anotação de Allan Kardec, que está no mesmo livro, onde ele diz:
"Foi nessas reuniões que comecei os meus estudos sérios de Espiritismo, menos por meio de revelações, do que de observações. Apliquei a essa nova ciência, como o fizera até então, o método experimental. Observava cuidadosamente, comparava, deduzia consequências; dos efeitos procurava remontar às causas, por dedução e pelo encadeamento lógico dos fatos, não admitindo por válida uma explicação, senão quando resolvia todas as dificuldades da questão”. (2)
Ao refletirmos sobre esse trecho que foi anotado por Allan Kardec convidamos aos leitores amigos para analisar conosco: - Onde Allan Kardec aprendeu esse critério de analise tão lógico, sensato, racional para dirimir quaisquer dúvidas que surgissem nos fenômenos ditos, comunicações além - tumulo? Como ele conseguiu realizar todo trabalho de investigação dos fenômenos mediúnicos evidenciando fatos verídicos e fatos incorretos? Qual seria a bagagem intelectual que Allan Kardec recebeu para estar apto para tal trabalho?
Recorremos à pergunta 576 do Livro dos Espíritos onde Allan Kardec interroga os espíritos superiores:
Pergunta – Os homens que têm uma missão importante estão predestinados a ela antes de seu nascimento e tem consciência disso?
Resposta dada pelos espíritos foi: “Às vezes, sim, mas, na maior parte das vezes, o ignoram. Ao virem à terra, tem um vago sentimento a respeito; após o nascimento sua missão se desenvolve gradualmente, e de acordo com as circunstâncias. Deus os impulsiona no caminho em que devem cumprir os seus desígnios” (3)
Para exemplificarmos essa resposta, resolvemos citar um fato interessante, ocorrido na vida de Allan Kardec, quando ele ainda tinha duvidava sobre sua missão.
“(...) Em 12 de junho de 1856, os espíritos enviam uma comunicação direcionada a Rivail falando de seu compromisso, de sua responsabilidade, e que ele fora escolhido com a missão de ser o compilador encarnado do trabalho do Consolador Prometido. A princípio ele não tinha aceitado ainda esta tarefa como característica de uma missão pessoal e resolveu questionar o Espirito de Verdade, qual o seu compromisso diante de todo esse trabalho que se iniciava. Porém apenas em 1867, que a mensagem foi comentada, onde Allan Kardec comprova todas as previsões feitas pelo espírito comunicante (...)”.
Na comunicação o Espírito comunicante deixa claro, que Rivail tinha o livre arbítrio para assumir a missão ou não, em caso de desistência ou de falha no trabalho, outro espirito encarnado estaria pronto para assumir e substituí-lo, como prova de incentivo ao assumir o trabalho, os espíritos superiores se comprometeram a dar-lhe toda assistência necessária, para que seu trabalho fosse logrado com êxito, mas o advertiu que a tarefa seria árdua e difícil, não apenas no campo da publicação dos livros, mas que a mensagem trazida do Alto pela invasão organizada, iria fazer com que o codificador encontrasse muitos percalços e inimigos, e apenas a humidade e fé em Deus iria ajudar no êxito de sua missão (...) – (4)
Esta comunicação esta disponível para os meus amigos leitores, no Livro “Obras Póstumas”, Minha iniciação no Espiritismo: Minha missão.
No livro, “Nova Historia do Espiritismo”, o autor Dalmo Duque dos Santos, no capítulo intitulado “O investigador”, ele analisa pontos importantes da missão de Allan Kardec na codificação da doutrina dos Espíritos.
Pedimos licença para transcrever dois parágrafos que deixa evidenciado a importância da herança pedagógica na vida de Rivail / Allan Kardec:
(“...)” A missão de Allan Kardec, foi, essencialmente, um trabalho de comunicação, no aspecto técnico-científico, e muito acentuadamente no aspecto ideológico. Nos seus escritos encontramos sempre a preocupação com o formato da informação, a ser transmitida, com a linguagem, com a mídia a ser utilizada, com o publico alvo, bem como as repercussões e retorno dessas informações, das quais se autodenominava não um autor, mas um portador e membro de uma equipe.
No aspecto técnico percebe-se, claramente, não só sua habilidade de comunicador, herdada da Pedagogia, mostrando sempre um impecável ordenamento na organização e distribuição didática dos temas, mas também a sagacidade de um investigador a desvendar os paradigmas de uma nova ciência, cuja base filosófica, de consequências morais, deve ser informada de maneira adequada para a cética sociedade do seu tempo, e do futuro, aqui aparece seu aspecto ideológico” (5).
Em estudos minuciosos na obra Nova Historia do Espiritismo, o autor comenta na pagina 47 em diante, sobre o contexto político que a França do inicio do século XIX vivia, sobre o julgo de Napoleão Bonaparte aliada com a Igreja católica, trazendo um grande poder de dominação e retaliação no sistema educacional.
As famílias com ideais de liberdade absoluta, que tinham frescas em suas mentes as ideias de Voltaire, e que vislumbrava uma boa educação, enviava seus filhos para estudarem nos países vizinhos. No caso de Rivail sua família optou a envia-lo para Yverdon na Suíça sob a direção de J. H Pestalozzi.
(...) Mas a transferência do menino Rivail para Yverdon não foi um simples capricho de uma família burguesa, e sim uma necessidade ideológica
O pai de Rivail era maçom e a França estava agora sob o regime da intolerância da Concordata entre Bonaparte e Pio VII.
Após a revolução o clero se reerguera com todo fanatismo e sede de vingança contra o liberalismo. Todo o sistema educacional caíra nas mãos dos jesuítas. O ensino foi totalmente modificado; banindo-se do currículo disciplinas essenciais para a boa formação humanista, como o grego, a história, ciências morais e políticas
Comentaremos um pouco sobre o instituto educacional que Rivail frequentou:
(...) O famoso instituto, estruturado nas ideias do seu famoso diretor, teve influência marcante na formação intelectual e moral do jovem estudante Rivail.
Trabalho, solidariedade e tolerância não eram somente conceitos filosóficos de uso intelectual, mas princípios da prática educativa cotidiana (...).
(...) Rivail desenvolveu ali ainda mais sua habilidade para aprender novos idiomas, fator de grande enriquecimento da sua erudição e visão universalista que lhe seria muito útil na difusão do espiritismo, em outras culturas.
(...) Essa vocação para lidar com a diversidade cultural, numa época de nacionalismos radicais e exclusivistas, seria exercida com brilhantismo na Revista Espírita (6)
Referência bibliográfica
(1) – Consolador, O, Emmanuel (Espírito), Xavier, Francisco Cândido (autor), Ed FEB
(2) - Espírito e o Tempo, O, Pires, José Herculano (autor), Editora Paideia.
(4) Obras Póstumas Kardec, Allan (autor), Ribeiro, Guillon (tradutor), Ed. FEB
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2- PESTALOZZI O PAI ESPIRTUAL DE RIVAIL ( ALLAN KARDEC)

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A partir de agora falaremos de um grande vulto contemporâneo de Allan Kardec, que no meu ponto de vista foi uma peça fundamental para que o Professor Rivail tivesse a possibilidade de realizar o sério trabalho de codificar a Doutrina dos Espíritos. Refiro-me ao educador, Johan Heinrch Pestalozzi.
Dora Incontri no DVD “Kardec o Educador”, abordando sobre a vida de Rivail,
menciona citações de Herculano Pires:
"Pestalozzi pode ser considerado como o “Pai Espiritual” de Rivail, da mesma forma que Jean-Jacques Rousseau foi o pai espiritual de Pestalozzi.”.
Lembremos de um fato importante que encontramos em uma obra de Herculano Pires, quando ele fala do trabalho do pedagogo Rivail, que fora muito respeitado na área acadêmica, escreveu alguns livros, porém não deu continuidade nesta área, por ter começado a codificação da doutrina dos Espíritos, uma obra que muito o absorvia.
Veja um dos comentários de Herculano Pires, no livro Pedagogia Espírita:
“O próprio Kardec pretendia escrever uma Pedagogia Geral, como discípulo e continuador de Pestalozzi, que infelizmente não teve tempo de elaborar. Cabe-nos agora enfrentar a tarefa que o mestre deixou por fazer, tanto mais que a realizou em parte na própria Codificação”

TRAÇO BIOGRÁFICO

Pestalozzi é natural de Zurique, na Suíça, em 12 de Janeiro de 1746.Ele era filho de médico e neto de pastor protestante, de família de estirpe social e intelectual e protestante.
Aos cinco anos, órfão, ficou aos cuidados da mãe e de uma fiel criada. Sua família agora era composta pela mãe e por 4 filhos incluindo ele.
Pestalozzi era um sonhador, preocupava muito com a natureza humana e com os necessitados. Ainda estudante, já demonstrava interesse pela causa dos desamparados, participando sempre de movimentos de reforma política e social.
Estudou no o "ColIegium Carolinum”, onde estudou humanidades. Portanto, é igualmente errônea a opinião de que carecesse de educação elevada, posto ele mesmo o afirmasse repetidas vezes. No "Collegium" re­cebeu a influência de uma grande personalidade espiritual, seu professor Bodner, que o pôs em contato com as realidades econômicas e educacionais do povo. Inicia-se na atividade política e social, associando-se a uma sociedade patriótica liberal, depois dissolvida pelo governo (1) Ângela Mara de Barros.

Pestalozzi teve a oportunidade de estudar Filosofia, Direito e Teologia, após seus estudos tornou-se jornalista e escritor, mas apenas no Instituto de Yverdon que ele realmente encontrou o seu verdadeiro objetivo existencial como Educador.
Na Universidade de Zurique associa-se ao poeta Lavater num grupo de reformistas. Gastou parte de sua juventude nas lutas políticas, mas, em 1781, com a morte do amigo e político Bluntschli, abandonou o partido para dedicar-se à causa da educação.

Em um dos livros que escreveu o de nome “O canto do cisne”, ele afirma que” Emilio e o contrato social de Rousseau teve uma influencia decisiva em sua vida, causando grandes mudanças em sua forma de pensar até então.
Pestalozzi torna-se um grande seguidor das obras de Rousseau chega até batizar o seu filho com o nome de Hans Jakob (Jean Jacques). (7)

Pestalozzi conseguiu atingir o chamado Cristianismo essencial, sem rituais, sem dogmas, baseado na lógica, razão e na ética, dedicando toda sua vida em auxiliar a humanidade através da educação aliado a ensinamentos cristãos. (8)

Acreditava que:
(...) “O Cristianismo é pura moralidade, por isso é coisa da individualidade de cada ser humano e ainda: A missão final do Cristianismo, como está revelado na Santa Escritura e proclamado nas páginas da história, parece-me que está no objetivo de levar a cabo a educação da humanidade.
“Tendo como proposta cristã facilitadora a realização plena do Ser de forma autoconstrutiva. Ele entrevê um movimento evolutivo da história e da humanidade, que, não deterministicamente, mas a partir da liberdade humana, poderá levar a uma sociedade melhor(...)”. (8)

Consideramos Johann Hernich Pestalozzi, uma figura notável, que trouxe uma grande contribuição para formação de Rivail.
Podemos afirmar que ele fora um dos espíritos que indiretamente teve uma representatividade na codificação da doutrina dos espíritos, na condição de tutor espiritual de Allan Kardec.
Na condição de educador abriu os campos da intelectualidade para seu discípulo, que recebeu conhecimentos intelectuais necessários para aplicar o método racional e lógico para analise de tais comunicações, conseguindo assim trazer a lume a Doutrina dos Espíritos.

(...)“As diferentes atividades do conhecimento humano se encadeiam pelos séculos. Com maior ou menor espaço de tempo, surgem os inovadores, homens que reflexionam sob influência de outros homens que marcam a história.Nós herdamos, em cada cultura, a ideia de pensadores que nos antecederam, por meio daqueles que se filiam às proposições anteriores, desenvolvendo-se ou contrapondo-se a elas” (9)


Referência bibliográfica

7;9)Em torno de Rivail, Maria Elisa Hillesheim, Bragança Paulista SP, Ed. Lachâtre.

(8) Pedagogia Espírita, um projeto brasileiro e suas raizes- Dora Incontri - Editora Comenius 

IMAGEM: GOOGLE
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3- A HERANÇA CULTURAL DE PESTALOZZI PARA KARDEC




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“(...)Existe uma herança cultural herdada por Rivail, além de Pestalozzi, relembramos a tradição filosófica protestante Europeia, com Jam Amos Comenius (1592-1670), discípulo de Jan Huss, considerado um revolucionário da educação”.

(...)“Comenius pregava uma educação para todas as camadas sociais e abominava os castigos baseados em temores as crianças”. (Dori Incontri / Kardec o Educador.)

Jean Jacques Rousseau (1772-1778), em sua obra clássica o Emílio ele propõe que “O homem nasce bom, mais tarde, por culpa da educação e da sociedade ele degenera”. e diz também que : “ Tudo é certo, saindo das mãos do criador, tudo degenera nas mãos do homem. Ele foi considerado o Copérnico da educação por essa obra.” (10)

HERANÇA CULTURAL

Existe uma ligação histórica de personagens e de ideias, referindo-se a uma herança cultural que Rivail recebe, de seus antecessores.
· “Comenius que viveu no século XVII, Rousseau que vivera no século XVIII, Pestalozzi que viveu no século XVIII e XIX e finalmente Allan Kardec que vivera no século XIX”. (11)

Após estudos minuciosos de tais personagens chegamos à conclusão, que realmente existe esta herança cultural, histórica, e um entrelaçamento de continuidade de ideias, e conseguimos perceber na Revista Espírita artigos escritos por Allan Kardec quando ele emite opiniões sobre determinados assuntos.

Realmente a influência de Comenius foi muito grande na vida de Rousseau, Pestalozzi e na vida de Rivail como educador.

“(...)Pestalozzi fora uma homem muito engajado em seu tempo, foi condecorado como membro honorário da Revolução Francesa, ele mantinha contato com vários filósofos e artistas como Fichthe, Goethe, e tinha uma grande participação na vida política da Europa. Ele era um visionário para sua época” (12)

“(...) Pestalozzi elabora em sua filosofia uma visão integral do homem no que tange a moral, intelectual e físico”.

“Pestalozzi resolve com suas economias adquirir uma fazenda em NEUHOF (1774-1779), para iniciar seu trabalho com crianças pobres em Neuhof, colocando em pratica sua filosofia pedagógica aos necessitados o objetivo era ensinar as crianças a lerem, escreverem, trabalharem, orarem, seu objetivo era acolher os desafortunados .
Ele acreditava que através da educação poderia desenvolver além de uma profissão uma formação moral correta, para aquelas pobres criaturas que muitas delas viviam na orfandade após as guerras e revoluções da época. O projeto da Fazenda- Escola tinha como meta:

Ele pretendia fazer com que ela se auto-sustentasse com base nas atividades desenvolvidas pelos seus alunos. Infelizmente ocorreram vários fatores que propiciaram que seu projeto viesse à falência como: doenças, problemas climáticos, falta de apoio dos políticos da região”.

Pestalozzi depara-se com sua ruína financeira a partir de então.

Encontramos um fato marcante na vida de Pestalozzi, onde ele dá prova de sua grandiosidade espiritual, e seu desapego aos bens terrenos, após ter perdido todo seu dinheiro no investimento da fazenda de NEUHOF, ao ser abordado por um faminto necessitado que pedia esmola, ficou consternado com a situação, e como não tinha dinheiro nenhum para dar ao necessitado, ele tirou as fivelas de pratas de seu sapato e lançou mão ao mendigo, e resolveu atar seus sapatos com palha.(13)

Pestalozzi possuía uma pedagogia Filantrópica e o exemplo acima é uma exemplificação clara de seus atos perante o próximo.

Vamos encontrar um comentário de J Herculano Pires, quando ele fala da Pedagogia Filantrópica de Pestalozzi:

“As obras de assistência correspondem ao dever de fraternidade, que a Doutrina nos desperta, e não deveremos jamais descuidar delas”.
“Mais isso não impede, que cuidemos também da assistência educacional, lembrando-nos da Pedagogia Filantrópica de Pestalozzi, seguida por seu discípulo o Prof. Denizard Rivail, mais tarde como Allan Kardec”.

(...) “Diante a miséria que se encontrava, Pestalozzi foi acolhido por amigos, auxiliando com suas necessidades básicas, nesse ínterin ele teve tempo de escrever outra obra “O Crepúsculo de um eremita”.

O que o fez escrever o sugestivo título Crepúsculo de um eremita, acha em si mesmo a verdade e com a inteira segurança de sua própria identidade, dedica a vida à formação de crianças pobres e ricas, trabalhando por uma educação universal, igualitária e integral. E avisa: “a verdade pura, haurida do íntimo do nosso ser, é a mesma verdade de todos os homens.
 Ela será a verdade unificadora dos que lutam.” (PESTALOZZI, 83:8)

Depois de algum tempo Pestalozzi escreve sua obra mais conhecida Leonardo e Gertrudes, escrito em 04 tomos, que pode ser considerada um romance pedagógico, um romance onde narra a reforma gradual feita primeiro numa casa, depois numa aldeia, frutos dos esforços de uma mulher boa , educadora, religiosa e dedicada ( Gertrudes), o personagem Arner, tenta de todas as formas mudar o contexto social degredado da aldeia
Referência bibliográfica
10;11;12) DVD Allan Kardec - O educador/ Dora Incontri – Filme de Edson Audi
13;)Em torno de Rivail, Maria Elisa Hillesheim, Bragança Paulista SP, Ed. Lachâtre.
Imagem: Google

4- EDUCAÇÃO E ESPIRITISMO


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Compreendemos, através da história, o pensamento de Pestalozzi: a confiança dele em que as pessoas têm gostos em se tornarem boas, apesar das resistências às mudanças, a crença de que toda transformação moral deve partir do sentimento em direção ao bem .

A Revolução Francesa, que teria pouco depois influência direta na administração dos cantões suíços, vem trazer a Pestalozzi mais reflexões sobre as características da natureza humana- o exercício do poder constituído e os impulsos revolucionários das classes mais baixas. (14)

(...)O método de ensino de Pestalozzi :
· “A educação que Pestalozzi dava para as crianças era eficiente, ele tinha preocupação muito grande com a precisão das palavras, do entendimento, ele não queria ter alunos que papagaiassem ideias sem significado ele não gostava de verborragia, falar muita coisa e não falar nada, que ele considerava um falso conhecimento, um verniz de conhecimento sem essência.

  • Percebemos a aplicação desse método adotado por Allan Kardec, em alguns momentos da publicação da obra espírita, quando ele discute conceitos tradicionais como espiritualismo, alma, o que é de fato tais coisas, porque ele preocupava muito com a precisão de conceitos para não gerar ambiguidade ou distorções de entendimento, e nem polêmica, isso foi algo que ele aprendeu com PESTALOZZI.

  • Percebemos certa, familiaridade quando Kardec em sua obra afirma que os Espíritos Superiores falam de forma suscita sem rodeios.

  •  No seu método de ensino ele procurava dar uma educação de uma forma que a criança formasse seu vocabulário, formasse ideias, conceitos a partir de uma experiência vivida na pratica, e sentida intimamente. Ele chamava isso de intuição. Ele achava que a pessoa apenas formava uma ideia correta, precisa de uma coisa, se ela tivesse percebido externa e internamente

  • Sobre a formação de vocabulário, percebemos claramente esse método adotado por Allan Kardec; no inicio da codificação, ele cria palavras para designar coisas como, por exemplo, o nome: ESPIRITISMO, PERISPIRITO.

  •  A criatura humana só é capaz de compreender o amor ao próximo, se ela conseguisse sentir isso. Pestalozzi, preocupava muito com que as palavras tivessem um conteúdo existencial”.( 15)

Referência bibliográfica
14)Em torno de Rivail, Maria Elisa Hillesheim, Bragança Paulista SP, Ed. Lachâtre.
15) DVD Allan Kardec - O educador/ Dora Incontri – Filme de Edson Audi
IMAGEM: GOOGLE

5- PEDAGOGIA ESPÍRITA

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Há um fato muito interessante narrado por Dora Incontri:
No final do século XVIII, Pestalozzi escreveu a um amigo, de nome Nikolovius que era ministro da educação na Prússia dizendo:

“Que ele se sentia como a voz que clama no deserto, preparando a vinda de alguém que haveria de aparecer depois dele, porque ele entrevia a verdade, mas não conseguia alcança-la inteira.”

Conclui-se que tal fato foi um “rasgo um tanto profético para quem considera Allan Kardec como o portador de uma nova descoberta, codificação do Consolador Prometido”. No sentido de Pestalozzi estar mesmo preparando o caminho do menino Rivail, auxiliando em sua formação para que futuramente sua missão de codificar a doutrina dos Espíritos fosse lograda com êxito.

(...) “O espiritismo é uma proposta, cultural, filosófica, pedagógica sobre tudo, porque primeiro ele encara o homem como ser em permanente evolução”.

“Ele não é herdeiro de um pecado e nem está precisando de intermediação num possível projeto de salvação, ao contrário, estamos engajados num projeto de educação, porque nos somos espíritos em constantes aprendizados, e estamos indo para o caminho da perfeição, e o espiritismo reconhece no ser humano a jurisdição de si mesmo.
Ele é responsável pela sua educação e pela sua evolução, ele não depende de intermediações divinas hierárquicas, religiosas, nada, ele é responsável por si.

Então nenhuma doutrina religiosa, filosófica, cientifica reconhece tanta autonomia no homem quanto o espiritismo, porque essa autonomia não se limita também á vida terrena, e vai, além disso, transcende a autonomia espiritual para eternidade.
 O homem vai construído a si mesmo no decorrer das múltiplas vidas num projeto de educação transcendente, essa é a visão cósmica que o espiritismo propõe.
Kardec colocou implícita em toda obra espírita, essa visão pedagógica, quem estuda a obra Espírita com olhos pedagógicos, consegue notar que existe uma filosofia eminentemente pedagógica. Porém essa pedagogia se transfere para o infinito, a Pedagogia Espírita” (16)

(...) Como se vê, a Educação Espírita aparece no mundo seguindo as mesmas leis que presidiram ao aparecimento e desenvolvimento de todos os sistemas educacionais: Primeiro se formaram os núcleos sociais integrados por uma nova mundividência, depois se manifestaram as exigências de transmissão cultural. Essas exigências, pela sua própria especificidade, exigem por sua vez a teorização educacional que leva à elaboração da Pedagogia Espírita.

“Resta-nos afirmar que a Educação Espírita objetiva, sobretudo, uma forma de Educação Integral e Contínua, abrangendo ao mesmo tempo todo o complexo da personalidade do educando e todas as faixas etárias em que ela se projeta. Sendo o Espiritismo uma doutrina que abrange, em seus três aspectos fundamentais; a Ciência, a Filosofia e a Religião — todas as facetas do homem, visando necessariamente à unificação do Conhecimento, é evidente que a Educação Espírita só pode ser integral e contínua, indo de um extremo a outro da existência humana”.

“Ligada historicamente à linha rousseauniana da Educação Moderna, através de Pestalozzi, de quem Kardec foi discípulo e continuador, a Educação Espírita se entrosa naturalmente nas aspirações e nos objetivos da Pedagogia contemporânea”.

“André Moreil, em sua Vida e Obra de Allan Kardec, mostra-nos que o Prof. Rivail não foi apenas discípulo de Pestalozzi, mas o continuador da obra educacional do mestre: "É interessante notar que a impressão das obras com-pletas de Pestalozzi termina exatamente no ano em que Rivail publicou a sua primeira obra, em 1824.
 Essa coincidência vem provar que uma tocha foi passada de mão para mão. Rivail iria trabalhar durante trinta anos para a educação da juventude francesa, antes de se consagrar, nos seus últimos quinze anos, aos Kardec resume os seis princípios fundamentais do sistema pestalozziano, que empregava em suas obras didáticas e empregará a seguir no ensino espírita:

1) cultivar o espírito natural de observação do educando, chamando-lhe a atenção para os objetos que o rodeiam.
2) Cultivar-lhe a inteligência, seguindo a marcha que possibilite ao aluno descobrir as regras por si próprio.
3) Partir sempre do conhecimento para o desconhecido, do simples para o composto.
4) Evitar toda atitude mecânica, fazendo o aluno compreender o alvo e a
razão de tudo o que faz.
5) Fazê-lo apalpar com os dedos e com a vista todas as realidades.
6) Confiar à memória somente aquilo que já foi captado pela inteligência.
Todos esses dados se encontram na introdução de seu Curso Prático de Aritmética.”

Moreil comenta:

“Os Princípios 3 e 5 parecem ter sido aproveitados palavra por palavra para a elaboração de O Livro dos Médiuns, o que prova a importância extraordinária da fase de Yverdun na vida do futuro fundador do Espiritismo ".
E cita esta observação de Henri Sausse, amigo, companheiro e primeiro biógrafo de Kardec:

"Foi nessa escola que se desenvolveu as idéias que deviam torná-lo um observador atento e meticuloso, um pensador prudente e profundo. princípios do Espiritismo. (17)

Traremos uma citação que evidencia bem a herança cultural que Allan Kardec recebeu de Pestalozzi:

(...) “A primeira característica de O Livro dos Espíritos, nem sempre percebida, é a sua forma didática. Não fosse Kardec um pedagogo, habituado à disciplina pestalozziana, e os Espíritos do Senhor não teriam conseguido na Terra um tão puro reflexo dos seus pensamentos. Mas a didática de Kardec nessa obra não se limita à técnica de ensinar. E uma didática transcendente insuflada pelo espírito, que mais se aproxima da Didática Magna de Comenius do que dos manuais técnicos dos nossos dias.(18)

(...)Kardec realizou o sonho de Pestalozzi: deu ao mundo uma forma viva de ensino que ao mesmo tempo informa e forma, instrui e moraliza. A dinâmica pedagógica de O Livro dos Espíritos teria impedido o desvirtuamento da Educação através do pragmatismo educacional, se porventura os pedagogos do século XX o tivessem encarado com isenção de ânimo e os cientistas, na sua maioria, não se tivessem deixado embriagar pelas teorias materialistas”.

(...) Concluímos : "Há uma Pedagogia Espírita", afirmando que a sua finalidade deve ser a formação das novas gerações para um mundo mais cristão. Este anseio não é somente nosso. Não somos apenas nós, os espíritas, que sentimos a necessidade. de preparar as novas gerações para um mundo novo e melhor.
 A Pedagogia moderna, a partir de Rousseau, e alcançando, em meados do século passado, o seu ponto culminante em Pestalozzi, mestre de Kardec, propõe-se precisamente essa tarefa. A educação do Emílio, em Rousseau, como a educação dos filhos de Gertrudes, em Pestalozzi, representam esforços concretos, e não apenas teóricos, no sentido de uma formação mais adequada do homem, para uma civilização mais humana. O que esse esforço representou, na renovação escolar em todo o mundo, é conhecido até mesmo pelos leigos em questões educacionais e pedagógicas.
 O Espiritismo é a doutrina da Educação por excelência.
 Essa doutrina não se contenta com a formação do cidadão, do gentil-homem, do erudito. Ela nos abre as perspectivas do infinito e pretende, como queria Pestalozzi, fazer de uma criatura um espírito universal, preparando-o para a eternidade. (19)

Referência bibliográfica
16) DVD Allan Kardec - O educador/ Dora Incontri – Filme de Edson Audi
(17;18;19) Pedagogia Espírita, Pires, José Herculano, Ed. Edicel
Imagem: google

Leia com atenção

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Luciano Dudu