Vídeo de divulgação da História e o Espiritismo

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Mediunidade Social ( Artigo que percorre a história)

24 de mai de 2010

  MEDIUNIDADE SOCIAL
 Autor: Eugenio Lara
 Conforme a definição de Allan Kardec, o “Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos, e de suas relações com o mundo corporal.” (1) Essas relações ocorrem através de um processo de comunicação entre espíritos desencarnados e encarnados, classificado pelo Espiritismo de mediunidade. Para o fundador do Espiritismo, mediunidade é a capacidade que todos os seres humanos possuem de sentir a influência dos seres desencarnados. “Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns.” (2)
 Essa faculdade se manifesta nas relações interexistenciais e é a responsável pela interação entre os dois mundos, o físico e o extrafísico. A mediunidade surge com o próprio ser humano, é inerente, indissociável, um atributo intrínseco de nosso psiquismo, cujos registros existem desde a pré-história. Todas as grandes religiões da humanidade, em todas as civilizações da Antiguidade, em todos os livros sagrados, da Bíblia ao Alcorão, nos Vedas e nos Upanishades, no Bagavhad Gita, no Livro de Mórmon, no Livro dos Mortos do antigo Egito, dentre outros, observa-se a influência dos Espíritos no mundo corporal.
Com as pesquisas realizadas no século passado, hoje os estudiosos do Espiritismo admitem essa influência, não somente pela via natural, tradicional, na interação comunicacional entre um determinado Espírito e o médium, mas também através de aparelhos eletrônicos, a chamada Transcomunicação Instrumental (TCI), que ao lado da Transcomunicação Mediúnica (TCM), constituem um conjunto de fenômenos inseridos no universo do Processo de Comunicação Mediúnica (PCM).
Segundo a teoria desenvolvida por Kardec em suas experimentações, evidenciada pelas investigações metapsíquicas e parapsicológicas, essa interação entre as duas dimensões ocorre em função da existência de uma matéria sutil, o fluido cósmico universal, conceito semelhante ao prana dos orientais, mais adequadamente definido como energia cósmica, cujas propriedades ainda pouco conhecemos.
É através da manipulação dessa energia que os Espíritos podem influir no mundo corporal e, em contrapartida, os encarnados conseguem obter efeitos impressionantes quando manipulam a energia vital (uma modificação da energia cósmica), cuja fonte se encontra na Natureza, especialmente nos chamados médiuns de efeitos físicos, estabelecendo influenciações na dimensão extrafísica, paralela a nossa. Essa forma de energia, ainda pouco conhecida, “desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela.” (3)
 Além da mediunidade, a reencarnação é um outro portal que permite a influência dos Espíritos no mundo físico. De modo que, segundo a teoria espírita, a mediunidade e a reencarnação são as duas únicas formas de que os Espíritos podem se servir para influir na matéria.
A influência espiritual não se dá somente nas relações interpessoais. Ela ocorre em nível coletivo, social, o que nos leva a pensar a mediunidade em parâmetros que extrapolam as relações localizadas, individuais, seja em um nível eticamente positivo (a inspiração), como também nos processos obsessivos. Allan Kardec admitiu a tese de que a obsessão pode se dar em nível coletivo. “O que um Espírito pode fazer com um indivíduo, vários Espíritos podem fazer com vários indivíduos simultaneamente, dando à obsessão um caráter epidêmico. Um legião de maus Espíritos pode invadir uma localidade, e aí manifestar-se de diversas maneiras. Foi uma epidemia desse gênero que castigou a Judéia no tempo do Cristo.” (4)
 MEDIUNIDADE E SOCIOLOGIA
 O conceito de mediunidade, aplicada no campo sociológico, se alarga, se amplia ao ponto de termos de acrescentar um adjetivo, a fim de qualificar essa modalidade fenomenológica ainda desconsiderada pelas ciências sociais. Mediunidade social foi a expressão cunhada pelo filósofo portenho Humberto Mariotti (5) , em seu livro Parapsicologia e Materialismo Histórico (6) , a partir de estudos por ele realizados sobre a monumental obra Espiritismo Dialético, do também portenho Manuel S. Porteiro. (7)
Mariotti, amiúde mais poeta do que filósofo, vê na mediunidade social o campo propício para a manifestação superior de Espíritos extremamente elevados, o que em sua visionária concepção, daria origem ao que denominou de Espiritocracia. Segundo ele, a mediunidade social seria uma nova faculdade mediúnica, “por meio da qual os fenômenos sociais, políticos e econômicos serão elucidados pelos Grandes Seres, que se comunicarão com a alma do povo para expressar ao Homem e ao Cidadão o verdadeiro significado da existência e das questões sociais.” (8)
A Espiritocracia, conforme o conceito do eminente filósofo portenho, seria uma forma extremamente avançada de democracia mediúnica, onde os tribunos espíritas, através da mediunidade social, realizariam um movimento de intensa transformação ética e comportamental no seio da sociedade, cuja conceituação se constitui numa superação do que Allan Kardec denominou de Aristocracia Intelecto-Moral. (9)
Segundo Mariotti, “a História sempre foi movida pela mediunidade social”, que abrangerá “tanto a tribuna e o orador, como as massas. Em certos momentos, os povos desenvolvem um tipo de mediunidade coletiva, por meio da qual se produzem as revoluções históricas, como a francesa e a russa.” (10)
O Espiritismo, na sua visão, é o único espiritualismo “que possui caracteres mediúnicos; por conseguinte, é ele que deverá dirigir-se aos povos, para que desenvolvam suas qualidades psíquicas e metapsíquicas.” (11)
O pensador espírita francês Léon Denis é também um dos partidários da idéia de que o mundo dos Espíritos não é uma dimensão estática, estagnada e parada no tempo e no espaço. Para ele, “as almas dos mortos não são entidades vagas, indefinidas, como alguns acreditam, pois, atingindo as altas camadas da hierarquia espiritual, elas se convertem em poderes notáveis, em centros de atividades e de vida capazes de exercer uma ação sobre a humanidade terrestre.” (12)
“Pela sugestão magnética, podem influir sobre aquele que escolheram, fazendo nele germinar a idéia matriz e incitá-lo ao ato decisivo que vai coroar sua obra.
“É dessa forma que os invisíveis se envolvem nos atos dos vivos, para a concretização do bem e o cumprimento da justiça eterna”. (13)
Esse envolvimento ativo dos Espíritos, citado por Léon Denis, ocorre, por exemplo, durante os conflitos bélicos, nas guerras. Kardec incluiu essa questão em O Livro dos Espíritos:
541. Durante uma batalha, há Espíritos assistindo os combates e amparando cada um dos exércitos?
“Sim, e que lhes estimulam a coragem.”
“Os antigos figuravam os deuses tomando o partido deste ou daquele povo. Esses deuses eram simplesmente Espíritos representados por alegorias.”
542. Estando, numa guerra, a justiça sempre de um dos lados, como pode haver Espíritos que tomem o partido dos que se batem por uma causa injusta?
“Bem sabeis haver Espíritos que só se comprazem na discórdia e na destruição. Para esses, a guerra é a guerra. A justiça da causa pouco os preocupa.”
543. Podem alguns Espíritos influenciar o general na concepção de seus planos de campanha?
“Sem dúvida alguma. Podem influenciá-lo nesse sentido, como com relação a todas as concepções.”
544. Poderiam maus Espíritos suscitar-lhe planos errôneos com o fim de levá-lo à derrota?
“Podem; mas, não tem ele o livre-arbítrio? Se não tiver critério bastante para distinguir uma idéia falsa, sofrerá as conseqüências e melhor faria se obedecesse, em vez de comandar.”
545. Pode, alguma vez, o general ser guiado por uma espécie de dupla vista, por uma visão intuitiva, que lhe mostre de antemão o resultado de seus planos?
“Isso se dá amiúde com o homem de gênio. É o que ele chama inspiração e o que faz que obre com uma espécie de certeza. Essa inspiração lhe vem dos Espíritos que o dirigem, os quais se aproveitam das faculdades de que o vêem dotado.” (14).
A intervenção dos Espíritos no mundo corporal é um tema extremamente importante no Espiritismo, ao ponto de Kardec dedicar-lhe um capítulo inteiro em O Livro dos Espíritos , cujo mecanismo será analisado em sua obra posterior, O Livro dos Médiuns.
Essa intervenção pode ser oculta ou manifesta, quando evidenciada pelos fenômenos de efeitos físicos. Sofremos a influência dos Espíritos diariamente, a todo instante. Ela se dá em nível individual e coletivo, de modo espontâneo e desorganizado. Ou então, de forma planejada e dirigida, a partir de um projeto, de uma ação coordenada visando determinado objetivo.
O conflito de idéias, de classes, que ocorre em nosso mundo, também existe no mundo dos Espíritos. Por afinidade, grupos de pessoas se aglutinam em torno de uma idéia, formando partidos, movimentos, organizações voltadas para o bem-estar ou para o mal. O crime organizado não existe somente em nosso mundo. Da mesma forma que organizações humanitárias extrafísicas atuam de forma decisiva nos processos sociais, conforme descreve o Espírito André Luiz através da mediunidade de Chico Xavier.
A influência é mútua. Ela é interativa, e não se dá de forma tão unilateral como parece ser quando lemos essa outra pergunta de O Livro dos Espíritos:
459. Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?
“Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.” (15)
Há quem sustente que nosso mundo é um reflexo do mundo dos Espíritos. Trata-se de uma concepção metafísica, mística, cujos fundamentos estão bem distantes da boa lógica e do bom senso. No entanto, são dois lados de uma mesma moeda. Vivemos em um grande ecossistema (físico e extrafísico) que interage, se interpenetra, mas que na forma, no formato, em sua construção, está sujeito ao nível evolutivo, ao progresso das idéias, ao desenvolvimento tecnológico, a tal ponto que poderíamos, inclusive, inverter a formulação contida nessa questão. Não seriam os homens que dirigem os Espíritos, muito mais do que eles imaginam? Afinal, quer queira ou quer não, a decisão humana, em última instância, estará sempre restrita ao exercício do livre-arbítrio.
JOANA D’ARC E OS ESPÍRITOS
Na história da humanidade, a trajetória de Joana d’Arc (1412-1431) é uma das mais emblemáticas quanto à intervenção dos Espíritos no processo social.
Camponesa simples, analfabeta, criada dentro do,s princípios do catolicismo, Joana começou a ouvir vozes e ter visões a partir dos 12 anos de idade. Na primeira visão, viu uma grande luz e em seguida a aparição de santos. O arcanjo São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida foram as entidades que lhe revelaram uma missão: a de libertar os franceses do jugo inglês.
Esse fato ocorreu durante a Guerra dos Cem Anos, entre Inglaterra e França, que se prolongou por mais de um século (1337 a 1450) e marca uma fase da transição entre o feudalismo e o capitalismo.
Sob a inspiração dos Espíritos, Joana d’Arc convence o rei Carlos VII de sua missão, que lhe outorga o título de “chefe de guerra”, isso com apenas 17 anos. Vestida com uma armadura de guerreiro, espada e um estandarte, lidera um exército de homens envolvidos por seu magnetismo, pela influência dos Espíritos e confiantes na vitória. Joana toma a cidade de Orléans (1929) e as principais bases dos inimigos ingleses. Foi o prenúncio da definitiva expulsão dos ingleses, que somente se daria em 1450, com a vitória final de Carlos VII e a retomada da Normandia.
Mesmo tendo sido ferida em Paris, traída, presa, julgada e queimada como herege pelos ingleses, como uma bruxa, Joana tornou-se um símbolo de liberdade e do patriotismo francês, algo que na época não era muito claro, pois a idéia de nação ainda não estava bem desenvolvida entre os franceses.
O filósofo espírita francês Léon Denis foi um grande admirador dessa formidável heroína. Joana d’Arc, Médium é uma de suas obras mais eloqüentes. Nela, o Druida de Lorena analisa a vida e o martírio dessa excepcional médium, segundo os princípios espíritas. “Joana d’Arc era, pois, um intermediário de dois mundos, um médium poderoso. Por isso foi martirizada, queimada. Tal, em regra, a sorte dos enviados do Alto”. (16)
Até hoje, os fenômenos de vidência, audiência, premonição e clarividência que faziam parte da vida de Joana, desde a pré-adolescência, não são aceitos pelos historiadores. Muito menos a decisiva intervenção dos Espíritos naquela delicada fase da história humana, pois tais acontecimentos contribuíram para que surgisse um contexto propício à vindoura Revolução Francesa, em 1789. (17)
Em uma reunião anual da Academia Americana de Neurologia, realizada em 1990, as pesquisadoras Lydia Bayne e Elizabeth Foote-Smith, da Universidade da Califórnia, em São Francisco, concluíram que a inspiração, as vozes e as visões de Joana eram na verdade uma forma rara de epilepsia. Segundo essas perspicazes cientistas, o ataque epiléptico ao invés de se dar por meio de convulsões, manifesta-se na forma de delírios, de alucinações. Joana sofria então de Apoplexia Parcial Complexa. (18) Cabe lembrar que o médium Francisco Cândido Xavier também foi considerado um epilético por neurologistas e parapsicólogos de batina.
O fato é que essa humilde camponesa, influenciada por vozes e visões, comandou exércitos na Idade Média, numa época em que ser mulher e, ainda mais, guerreira, não era algo comum e muito bem aceito pela sociedade da época, tanto que foi queimada como bruxa. Somente em 1455 a corte eclesiástica reverteu o processo inquisitorial que a incriminou. De mulher-demônio, tornou-se santa, canonizada somente em 1909 pela mesma igreja que a queimou em praça pública. O caso Joana d’Arc até hoje intriga os historiadores. Nenhuma das diversas correntes da História deu conta dessa questão.
Allan Kardec também, como Denis, se interessou por Joana d’Arc. Chegou a comentar na Revista Espírita (1858) uma polêmica obra psicografada pela médium Ermance Dufaux, intitulada A Vida de Joana d’Arc (Ditada por Ela Mesma) (19).
 A médium, que foi colaboradora do fundador do Espiritismo, recebeu a densa obra, repleta de informações históricas, com apenas 14 anos. “Sabemos que os incrédulos farão sempre mil e uma objeções; mas para nós, que vimos a médium operar, a origem do livro não pode ser posta em dúvida”, (20) afirmou Kardec a respeito do interessante livro, lançado em 1858.
RELEITURA DA HISTÓRIA
Mesmo com todas as dificuldades de comprovação do fenômeno mediúnico, a ação dos Espíritos no processo histórico é um componente fundamental para o entendimento de determinados fatos. A partir do conceito de mediunidade social é possível fazer uma releitura da história, amparada não somente na análise da fenomenologia mediúnica, como também em informações advindas dos Espíritos, segundo uma metodologia adequada, conforme os mesmos parâmetros que nortearam Allan Kardec em seus estudos sobre a mediunidade.
Segundo Léon Denis, a intervenção dos Espíritos ocorre de tempos em tempos na vida dos povos, “como nos tempos de Joana d’Arc. As mais das vezes, porém, a ação que exercem permanece obscura, primeiro para salvaguarda da liberdade humana, e, sobretudo, porque, se é indubitável que elas desejam ser conhecidas, não menos certo é quererem que o homem se esforce e se faça apto a conhecê-las.”
E prossegue o filósofo: “Os grandes fatos da História, devidos à intervenção delas, são comparáveis às aberturas que se produzem de súbito entre as nuvens, quando o tempo está sombrio, para nos mostrarem o céu profundo, luminoso, infinito, claros esses que, entretanto, logo se cerram, porque o homem ainda não se acha bastante maduro para apanhar e compreender os mistérios da vida superior.” (21)
Afirma Manuel S. Porteiro que “desde os séculos mais antigos, os mortos têm chamado a atenção dos vivos e já era hora de a ciência dar-se por advertida. Por absurdos ou inverossímeis que pareçam os fenômenos espíritas, não deixam, no entanto, de serem certos e naturais como toda outra manifestação da Natureza e do Espírito que a anima.” “O demônio de Sócrates, a diva de Plotino, a ninfa de Numa, deixaram de ser personagens mitológicos para converterem-se, à luz do Espiritismo, em gênios protetores ou em espíritos vinculados à vida de certos homens, por afetos ou outras diversas razões, capazes, em certos casos, de ser vistos e ainda fotografados, como a Katie King de William Crookes, a Estela de Livermore, a Yolanda de Elisabeth D'Espérance, o Joey de Alexandre Aksakof e o Vicente do dr. Imoda.” (22)
Há uma infinidade de situações provocadas pelos Espíritos que ainda não foram devidamente analisadas pela historiografia oficial. A epopéia do Êxodo, com a libertação do povo judeu por Moisés, sob a inspiração e ação extrafísica de Jeová, o espírito familiar protetor dos hebreus, adotado pelo cristianismo como um Deus universal — o “Senhor dos Exércitos”, que fulminou Sodoma e Gomorra e eventualmente enviava anjos (Espíritos) aos patriarcas, como aquele que lutou corporalmente com Jacó e o que ajudou Tobias a curar seu pai da cegueira, até o evento mediúnico do Pentecostes, um marco na propagação do cristianismo, registrado no Atos dos Apóstolos.
A ação de Krishna e de Espíritos nas tradições descritas no MahaBarata; na cultura céltica, cujos guerreiros eram respeitados pela sua coragem, pela sua fúria. Eles não temiam a morte (os celtas eram reencarnacionistas) e contavam com o auxílio dos guerreiros celtas desencarnados, evocados pelo druida, um mago, poderoso médium iniciado nos mistérios dos fenômenos da natureza.
A Cabana do Pai Tomás, célebre obra escrita pela norte-americana Harriet Beecher Stowe, em 1852, foi uma contundente denúncia da escravatura e serviu como fonte de inspiração para o abolicionismo norte-americano, que culminou com a Guerra da Secessão. Essa obra, um dos grandes clássicos da literatura mundial, foi considerada pelo grande escritor russo Leon Tolstoi como “uma das grandes produções da mente humana”. Pelos relatos da escritora, a obra foi obtida em transe mediúnico, nos moldes semelhantes às obras recebidas pelo médium Chico Xavier. (23)
Alguns anos depois o célebre presidente dos Estados Unidos, Abraão Lincoln, realizaria sessões mediúnicas na Casa Branca, fato esse que até hoje não foi devidamente esclarecido. (24)
Não poderia ficar de fora o que Arthur Conan Doyle chamou de “invasão organizada”. Num espaço de dez anos (de 1848 a 1858) ocorreu uma ação intensa dos Espíritos por meio de fenômenos de poltergeist, raps, materializações etc., em todo o mundo, notadamente na Europa e América do Norte. A América Latina também não passou incólume. No Brasil, principalmente no Ceará, a imprensa registrou o que se convencionou chamar de mesas girantes. De 31 de março de 1848, quando se iniciaram os célebres fenômenos de Hydesville com as irmãs Fox, nos Estados Unidos, até a fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em 1858, o mundo foi invadido pela ação dos Espíritos, em um processo antecipado pelas revelações pessoais do profeta e clarividente sueco Emmanuel Swedenborg, pelo sensitivo escocês Edward Irving e os poderes psíquicos do norte-americano Andrew Jackson Davis.
Enfim, muitos são os fatos históricos a espera de uma releitura à luz do conceito de mediunidade social e dos princípios espíritas. A evolução do ser humano, da sociedade e da história passa necessariamente pela interação entre o físico e o extrafísico, através do fenômeno mediúnico e do fenômeno palingenésico.
Artigo escrito por:
Eugenio Lara, arquiteto e jornalista, é membro-fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc), do Instituto Cultural Kardecista de Santos (ICKS) e um dos coordenadores do site Pense - Pensamento Social Espírita.
Notas
(1)   KARDEC, Allan, O Que é o Espiritismo, preâmbulo in Iniciação Espírita, Edicel, 5ª edição, 1979, trad. Joaquim da Silva Sampaio Lobo – São Paulo-SP (Grifo meu).
(2)    KARDEC, Allan, O Livro dos Médiuns, cap. XIV, item 159, pg. 203, FEB, 62ª edição, 1986, trad. J. Herculano Pires – Rio de Janeiro-RJ.
(3)    KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos, 1ª parte, cap. II, q. 27, FEB, 76ª edição, 1995, trad. Guillon Ribeiro – Rio de Janeiro-RJ.
(4)    KARDEC, Allan, Obras Póstumas, 1ª parte, III. A Criação, § 7º Da Obsessão e da Possessão, pág. 45, Edicel, 2ª edição, 1979, trad. Sylvia Mele Pereira da Silva – São Paulo-SP.
Dentro desse critério, podemos considerar o nazismo como um movimento de histeria coletiva, uma obsessão social.
(5)    Humberto Mariotti (1905-1982), poeta, escritor, jornalista, conferencista e intelectual espírita portenho. Foi presidente da Confederação Espírita Argentina (em 1935/1937 e 1963/1967) e também vice-presidente da Confederação Espírita Pan-Americana (Cepa) em duas gestões. Escreveu, dentre outras obras: Dialéctica y Metapsíquica; El Alma de los Animales a Luz de la Filosofia Espírita; En Torno al Pensamiento Filosofico de J. Herculano Pires; Victor Hugo, el Poeta del Más Allá; Los Ideais Espíritas en la Sociedad Moderna.
(6)    Essa obra, editada na Argentina em 1963, foi traduzida pelo filósofo e jornalista J. Herculano Pires nos anos 60 com o nome O Homem e a Sociedade Numa Nova Civilização (Edicel) e relançada com o título original em 1983 pela mesma editora. Ela foi lançada inicialmente no Brasil em plena ditadura militar, daí a mudança estratégica do nome da obra, a fim de evitar problemas com a censura e a repressão ideológica.
(7)    Manuel S. Porteiro (1881-1936), pensador espírita argentino, considerado o fundador da sociologia espírita. Foi presidente da Confederação Espírita Argentina (1934-1935). Escreveu os livros Espiritismo Dialectico (disponível gratuitamente no site PENSE – Pensamento Social Espírita - www.viasantos.com/pense em edição virtual e lançada no Brasil por iniciativa do Centro Espírita José Barroso em 2002, com tradução de José Rodrigues), Concepto Espirita de la Sociologia, Origen de las Ideas Morales e Ama y Espera.
(8)    MARIOTTI, Humberto, Parapsicologia e Materialismo Histórico, 2ª parte, cap. XIX, Edicel, 2ª edição, 1983, trad. J. Herculano Pires – São Paulo-SP.
(9)             Ver Obras Póstumas, Allan Kardec, 1ª parte, As aristocracias.
(10)             MARIOTTI, Humberto, Parapsicologia e Materialismo Histórico, 2ª parte, cap. XIX, pág. 151.
(11)                      MARIOTTI, Humberto, Ibidem
(12)                      DENIS, Léon, O Mundo Invisível e a Guerra, cap. II, pág. 21, Ed. CELD, 1ª edição, 1995, trad. José Jorge – Rio de Janeiro-RJ.
(13)                      DENIS, Léon, Ibidem.
(14)                      KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos, 2ª parte, cap. IX.
(15)                       KARDEC, Allan, Ibidem
(16)                       DENIS, Léon, Joana d’Arc Médium, cap. IV, pág. 67, 11ª edição, 1984, trad. Guillon Ribeiro, ed. FEB.
(17)                       A Revolução Gloriosa, na Inglaterra e a Revolução Norte-Americana também influenciaram decisivamente os ideólogos da Revolução Francesa.
(18)                       Joana d’Arc Ganha Diagnóstico, in O Estado de S. Paulo, 3/5/1990.
(19)                       Essa obra foi lançada no Brasil pela Editora do Lar da Família Universal (LFU) e pela DPL.
(20)                       KARDEC, Allan, Revista Espírita, 1858, pág. 30, trad. Júlio Abreu Filho, Edicel.
(21)                       DENIS, Leon, Joana d’Arc Médium, cap. IV, págs. 64 e 65.
(22)                       PORTEIRO, Manuel S., Espiritismo Dialético, pág. 5, Ed. PENSE, trad. José Rodrigues.
(23)                       MARIOTTI, Humberto, Victor Hugo, Espírita, item 15, Ed. Correio Fraterno, 1ª edição, 1989, trad. Wilson Garcia, São Bernardo do Campo-SP.
MAYNARD, Nettie Colburn, Sessões Espíritas na Casa Branca, 2ª edição, 1981, E

Oração do Pai Nosso - Monsenhor Horta




Caro leitor, essa oração foi psicografada pelo nosso saudoso Chico Xavier, entitulada Oração do Pai Nosso, ditada pelo espírito Monsenhor Horta. 
No inicio do blog, colocamos um vídeo do médium Raul Teixeira, recitando essa belíssima oração.

PAI NOSSO (2)
Pai Nosso, que estás nos Céus,
Na luz dos sóis infinitos,
Pai de todos os aflitos
Deste mundo de escarcéus.
Santificado, Senhor,
Seja o Teu nome sublime,
Que em todo o Universo exprime
Concórdia, ternura e amor.
Venha ao nosso coração
O Teu reino de bondade,
De paz e de claridade
Na estrada da redenção
Cumpra-se Teu mandamento
Que não vacila nem erra,
Nos Céus, como em toda Terra
De luta e de sofrimento.
Evita-nos todo o mal,
Dá-nos o pão do caminho
Feito da luz, no carinho
Do pão espiritual.
Perdoa-nos, meu Senhor,
De iniquidade e de dor.
Os débitos tenebrosos,
De passados escabrosos,
Auxilia-nos também,
Nos sentimentos cristãos,
A amar nossos irmãos
Que vivem longe do bem.
Com a proteção de Jesus,
Livra a nossa alma do erro,
Sobre o mundo de desterro
Distante da vossa luz.
Que vossa ideal igreja
Seja o altar da Caridade
Onde se faça a vontade
De vosso amor...


Assim seja.
Espírito :Monsenhor Horta
Médium; F.C. Xavier 
Livro: Parnasmo Além Túmulo.

Raul Teixeira - Oração Pai Nosso (Monsenhor Horta)

Vencer as tentações

20 de mai de 2010

LIVRO DOS ESPÍRITOS - Questão 909 

"Kardec interroga os Espíritos: “Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?
Resposta dos Espíritos Venerandos: “Sim, e, freqüentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é à vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!”

Comentários Luciano:

No mesmo capítulo do livro dos espíritos, que trata essa questão de número 909, eles dizem: “que o mal é a ausência do bem”. Pois bem, analisando essa frase concluímos que a criatura humana que não está fazendo o bem para alguém, permanece cristalizada na marcha evolutiva, perdendo a oportunidade de melhorar na condição de filho de Deus, praticando, com isso, o mal para si próprio.
Destarte, a reencarnação é o maior presente de Deus para os seus filhos. Mas será que estamos sabendo aproveitar essa dádiva?
Existe uma mensagem do Espírito Albino Teixeira psicografado por Chico Xavier, com o título de “Créditos Espirituais”. A mensagem faz as seguintes considerações: que uma hora tem sessenta minutos, um dia vinte quatro horas, um mês trinta dias e um ano trezentos e sessenta e cinco dias, e ele propõe que se fizermos um ato de bondade por dia a alguém, teremos, no final do ano, trezentos e sessenta e cinco créditos espirituais. A oportunidade de fazer o bem é vasta, mas será porque temos dificuldade em aproveitar? Os espíritos nos ensinam, na mesma obra, que o orgulho e o egoísmo são as maiores chagas que a humanidade possui.
Quando o indivíduo pensa mais em si próprio e esquece-se do próximo perde grandes oportunidades, mesmo em pequenos gestos diários em ajudar alguém, mas geralmente as pessoas não costumam ter tempo para as outras, mesmo aquelas  que ela convive direta ou indiretamente.
Em se tratanto de moradores de cidades maiores, a questão torna-se ainda mais delicada, pois os moradores de metrópoles, possuem um estilo de vida atribulado, com isso  a tendência é do ser humano desenvolver mais o senso de egoísmo, por não encontrarem tempo para os outros, isso está vinculado também com a falta de capacidade da criatura saber administrar seu tempo de forma adequada.
Outro fator que é um grande obstáculo é o "Medo". O Ser as vezes perde a oportunidade de auxiliar o próximo, por receio de sofrer algum tipo de violências urbana;em partes isso é compreensível, mas precisamos aprender a discernir e separar o joio do trigo.
Vivemos em função de adoração mitológica do famoso Deus Cronus, (aquele Deus que no mito é responsável pelo Tempo, daí derivou-se o nome cronômetro), assim vivemos correndo contra o tempo, na maioria das vezes não corremos ao nosso favor, não corremos em busca de fazer uma viagem interior para nos auto-descobrir, conhecer um pouco de nosso íntimo, fazer um balanço do que precisa ser mudado. Essa falta de vontade, de esforçar, está vinculada primeiramente a preguiça espiritual que trazemos, devido a nossa imaturidade espiritual, em nosso entendimento, alguns atenuantes que nos leva a crer que essa preguiça moral e espiritual não é consciente, são os distúrbios espirituais e psicológicos que o Ser carrega.
Não raro encontramos pessoas, com crise de pânico, mergulhadas em insegurança, medos, fobias, outros como: TOC – transtorno obsessivo compulsivo, dentre inúmeros não citados aqui.
  Não temos a pretensão de justificar a falta de esforços insignificantes do Ser Humano para o arrastamento ao mal, mas tentar compreender o que o leva o individuo a agir assim.
Estudando os atenuantes: O medo.
Quanto ao medo, encontramos no mundo dois tipos de pessoas: as que buscam prazer no que faz em suas vidas e as que evitam sofrimento. Como somos espíritos seculares, trazemos, em nosso íntimo, gravado em nosso espírito, refletido em nosso corpo espiritual e exteriorizado na mente material, grandes fobias, traumas, distúrbios psíquicos e espirituais de varias naturezas.
Citaremos aqui outro transtorno o TEPT, existe uma corrente da psicologia que estuda o lado material e psicológico desse problema em questão, o TEPT (transtorno de estresse pós-traumático). Esse transtorno é diagnosticado no caso de pessoas que passaram ou testemunharam algum tipo de fatalidade colocando sua vida em risco, ou de alguém próximo a ela. A criatura desenvolve medos e fobias porque em sua memória ficam registrados acontecimentos e fatos trágicos, dando asas à imaginação, criando hipóteses fatais que poderiam acontecer novamente com ela.
Podemos ir mais adiante levando em consideração que somos espíritos reencarnantes e que possuímos no âmago do ser, as gravações espirituais vivenciadas de outras vidas, seja de virtudes, defeitos e de situações de felicidade ou trágicas.
Esse transtorno que muitas das vezes não alcança a cura pode ter uma origem mais profunda do que apenas os fatos da vida presente, pode ter uma origem de transtornos de outra existência.
Conforme explica Leon Deni “sobre os escaninhos das memórias do espírito”:
“O corpo espiritual não retém somente a prerrogativa de constituir a fonte da misteriosa força plástica da vida, a qual opera a oxidação orgânica; é também ele a sede das faculdades, dos sentimentos, da inteligência e, sobretudo o santuário da memória, em que o ser encontra os elementos comprobatórios da sua identidade, através de todas as mutações e transformações da matéria”.
Fazendo uma comparação com os estudos da corrente psicológica do mundo de hoje que estuda o TEPT.
 Os psicólogos acreditam que a origem do transtorno seja apenas questões existenciais desta vida, mas se formos levarmos em conta as vidas pregressas. Estes transtornos podem estar vinculados a questões existências de outras vidas, mas que no presente, assume o papel de um novo personagem (persona em latim mascara) com outros moldes físicos, com outra roupagem, e com outra história de vida.
Mas este personagem pode de alguma forma receber influência das gravações de sua memória espiritual, de forma inconsciente, deixando vir à tona algum conflito existencial adormecido em seu cerne, podendo, assim, de alguma forma, exteriorizar algo vivenciado em outras vidas.
Com isso, por algum motivo, seja por instinto de conservação ou por outras situações, possivelmente a criatura, por receio e medo, talvez passe toda sua existência nula, não faz o mal, mas também não faz o bem, e deixa de aproveitar a oportunidade de seu progresso. Essa vida de neutralidade pode estar vinculada a grandes fobias e medo de mudar de consciência íntima; é uma questão muito complexa e que cabe mais atenção e estudo.
Quando tratamos da necessidade do auto descobrimento e as maiores dificuldades encontradas no ser humano para colocar em prática os ensinos de Sócrates “conhece a ti mesmo”, e também na pergunta acima citada dos poucos esforços que a criatura faz para melhorar, vamos denominar isso como preguiça psíquica e espiritual, parte desta mesmice pode estar vinculada a questões de outras existências se analisarmos a questão das reminiscências do passado que pode refletir em seu inconsciente.
Kardec trata sobre o do véu do esquecimento concedido por Deus para o espírito que acabara de nascer de novo, ou seja, não se lembra de suas vidas passadas.  Levando em conta sobre “o escaninho da memória” de que Leon Deni retrata que de certa forma pode mesmo de uma forma quase nula, mas deixar impressões espirituais de questões existenciais de outras vidas.
Fica para refletirmos será que o homem não esforça para si melhorar por motivos insignificantes ou será que os conflitos existênciais formam uma barreira maior que as muralhas da China que o impede de sair da cegueira da consciência adormecida e continua vivendo anestesiado nas crises existenciais. Em postagens futuras falaremos um pouco mais sobre a força de vontade , o controle do pensamento,  e como nos educar mentalmente para buscar livrarmos do arrastamento do mal.
Autor: Luciano Oliveira

Mediunidade Responsável

Artigo extraído do site : http://analisesespiritas.blogspot.com/
do bloqueiro : Anderson , Recife, Pernambuco Brasil

 

De maneira sistemática e contínua, vêm-se tornando comuns algumas pseudorrevelações alarmantes, substituindo as figuras mitológicas de Satanás, do Diabo, do Inferno, do Purgatório, por Dragões, Organizações Demoníacas, regiões punitivas atemorizantes, em detrimento do amor e da misericórdia de Deus que vigem em toda parte”. (Vianna de Carvalho [1])

Não é de hoje que o nosso movimento espírita se vê envolvido por pseudorrevelações de espíritos sistemáticos, presunçosos, escrevinhadores mesmo que, à conta de um palavrório técnico, com termos bem escolhidos e apoiados em palavras como Amor e Caridade, vêm se dedicando, de forma insistente, a tornar suas informações e opiniões pessoais em lei.

Contam ainda com a ajuda de médiuns imprevidentes, muitos verdadeiros desconhecedores, ao que parece, dos mais básicos conhecimentos sobre os escolhos resultantes da comunicação entre os dois mundos e, que, fascinados, sabe-se lá por que motivos se fazem intérpretes e porta-vozes destas mistificações grosseiras, que tanto mal fazem ao Espiritismo e ao movimento espírita brasileiro, e, porque não, mundial.

O Espírito Vianna de Carvalho, no trecho citado acima, faz referência direta a personagens que, de forma contínua, somos ‘forçados’ a ver publicados em livros, divulgados em artigos de seus simpatizantes e, que ironia, até presentes em eventos espíritas de grande porte, alguns tentando abordar [ou deformar] a Ciência Espírita. Que tristeza!

Ele ainda afirma que a Doutrina Espírita, “fundamentada em fatos, estudada pela razão e lógica, não admite em suas formulações esclarecedoras quaisquer tipos de superstições, que lhe tisnariam a limpidez dos conteúdos relevantes, muito menos ameaças que a imponham pelo temor, como é habitual em outros segmentos religiosos” [1].

Até porque “certamente existem personificações do Mal além das fronteiras físicas, que se comprazem em afligir as criaturas descuidadas, assim como lugares de purificação depois das fronteiras de cinza do corpo somático, todos, no entanto, transitórios, como ensaios para a aprendizagem do Bem e sua fixação nos painéis da mente e do comportamento” [1].

Vianna ainda esclarece no mesmo artigo que “da mesma forma como não se deve enganar os candidatos ao estudo espírita, a respeito das regiões celestes que os aguardam, desbordando em fantasias infantis, não é correto derrapar em ameaças em torno de fetiches, magias e soluções miraculosas para os problemas humanos” [...] [1].

Reflexões bastante oportunas não? Até porque “a simples mudança mental já proporciona ao indivíduo a conquista do equilíbrio perdido, facultando-lhe a adoção de comportamentos saudáveis que se encontram exarados em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, verdadeiro tratado de eficiente psicoterapia ao alcance de todos que se interessam pela conquista da saúde integral e da alegria de viver” [1].

É por isso que José Herculano Pires, eminente escritor, jornalista e professor espírita, em texto introdutório inserido em A Gênese, adverte que “não é através de pretensas revelações mediúnicas de Espíritos e médiuns invigilantes e vaidosos, nem de videntes convencidos de suposta investidura missionária, [...] que se fará o progresso do Espiritismo. Por isso, os espíritas dotados de humildade suficiente para reconhecer a sua incompetência espiritual e intelectual para tanto, servem melhor à doutrina e a preservam das deturpações dos invigilantes” [2].

Semelhante conselho é dado por Kardec quando adverte que nunca será demais a prudência, quando se tratar da publicação de semelhantes escritos, pois as utopias e excentricidades que são abundantes nestes, chocam o bom senso, provocando uma impressão muito desagradável nas pessoas que se iniciam, dando uma falsa ideia do Espiritismo e de suas conseqüências, sem contar que dá armas aos adversários do Espiritismo para ridicularizá-lo.

Há entre estas publicações as que, sem serem más e sem provirem de um processo obsessivo, podem ser consideradas como imprudentes, intempestivas e inábeis.

Em conseqüência disto Herculano Pires afirma que é “muito comum este fato, que vem ocorrendo com espantosa intensidade no Brasil, em virtude da propagação da prática espírita sem o desenvolvimento paralelo do conhecimento doutrinário. Por toda parte aparecem publicações inoportunas, desviando a atenção do público dos problemas fundamentais do Espiritismo, excitando a imaginação e o orgulho de médiuns incultos que, ainda em desenvolvimento, se deixam empolgar pela vaidade pessoal, dando atenção aos elogios de companheiros menos avisados e sendo envolvidos por espíritos pseudossábios, sistemáticos, imaginosos. Todo cuidado é pouco neste terreno” [3] (Grifo nosso).

Vale ressaltar que estes Espíritos evitam os maus conselhos por saberem que seriam ignorados, de maneira que os mistificados os defendem sempre, afirmando: “pode ver que eles não dizem nada de mau”. Mas a moral é apenas um acessório, que só serve para iludir e conseguir ser aceito, pois o que mais desejam é dominar e impor as suas ideias, por mais absurdas que pareçam.

Cabe observar ainda que desde a década de 50 temos inúmeros alertas de diversos escritores espíritas, encarnados e desencarnados, sobre este fato e parece-me que o espírita brasileiro, ao invés de aceitar a existência deste problema e se apressar em corrigi-lo, prefere acreditar em um falso protecionismo espiritual, onde eles nos protegeriam de tudo, até de ter o trabalho de analisar os textos vindos do além; sem contar que cabe a nós, e não a eles, os espíritos, conforme nos ensinam passar toda e qualquer informação dos espíritos pelo crivo da razão e da lógica mais severa, no exercício da vivência espírita do dia a dia.

Até porque, “jamais a mediunidade séria estará à serviço dos espíritos zombeteiros, levianos, críticos contumazes de tudo e de todos que não anuem com as suas informações vulgares, devendo tornar-se instrumento de conforto moral e de instrução grave, trabalhando a construção de homens e de mulheres sérios que se fascinem com o Espiritismo e tornem as suas existências úteis e enobrecidas”.

E o antídoto para essa onda de pseudorrevelações é o conhecimento real, lúcido e profundo do Espiritismo. Além da conscientização de que, para que uma informação seja aceita e deixe de ser considerada mera opinião pessoal e se torne hipótese, ou mesmo um princípio, ela necessita ser legitimada pela universalidade do ensino, através de um verdadeiro consenso entre as informações dos Espíritos, por médiuns desconhecidos entre si, de forma espontânea ou mesmo provocada, através das esquecidas e ignoradas evocações, em grupos sérios, solidamente formados, e por médiuns seriamente conscientes de seus papéis como intérpretes, e não autores, das informações dos Espíritos, conforme estabeleceu o Codificador.

“Desse modo [encerra Vianna], utilizando-se da caridade como guia, da oração como instrumento de iluminação e do conhecimento como recurso de libertação, os adeptos sinceros do Espiritismo não se devem deixar influenciar pelo moderno terrorismo de natureza mediúnica, encarregado de amedrontar, quando o objetivo máximo da Doutrina é libertar os seus adeptos, a fim de os tornar felizes”.

Oportunas as palavras deste Espírito, tendo em vista de que vêm acrescentar mais peso às vozes de meros espíritas encarnados, simples mortais que tentam exercitar a atitude crítica em nosso movimento, submetendo ao cadinho da razão e da lógica todas as observações sobre os Espíritos e as suas comunicações.

Encerramos com uma mensagem do Espírito Erasto: “lembrai-vos, ainda, de que, quando uma verdade deve ser revelada à Humanidade, ela é comunicada, por assim dizer, instantaneamente, a todos os grupos sérios que possuem médiuns sérios, e não a este ou àquele, com exclusão dos outros” [4].
Ótimas reflexões e bons estudos!


Bibliografia


[1] Carvalho, Vianna de. Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 7 de dezembro de 2009, durante o período de realização do XVII Congresso Espírita Nacional, em Calpe, Espanha e publicado em Reformador, edição de março de 2010, p. 9 -11, cujo título é Terrorismo de natureza mediúnica.
[2] Kardec, Allan. A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Tradução de Victor Tollendal Pacheco; apresentação e notas de J. Herculano Pires. 21ª edição, São Paulo; LAKE, 2003, p. XIII.
[3] ______________. O Livro dos Médiuns. Tradução da 2ª edição francesa por J. Herculano Pires. São Paulo – LAKE, 2004, cap. XXIII, item 247, nota de rodapé, P. 222.
[4] ______________. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de J. Herculano Pires, 61ª edição. São Paulo – LAKE, 2006, cap. XXI, p. 265.

Seminário Perispírito

18 de mai de 2010

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17 de mai de 2010

Saiba o que é o Evangelho Segundo o Espiritsmo

16 de mai de 2010

Este livro foi publicado, inicialmente, com o título de Imitação do Evangelho. Kardec explica o seguinte: Mais tarde, por força das observações reiteradas do Sr. Didier e de outras pessoas, mudei-o para Evangelho Segundo o Espiritismo” . Trata-se do desenvolvimento dos tópicos religiosos de O Livro dos Espíritos, e representa um manual de aplicação moral do Espiritismo.
A 9 de agosto de 1863, Kardec recebeu uma comunicação dos seus Guias, sobre a elaboração deste livro. A comunicação assinalava o seguinte: “Esse livro de doutrina terá influência considerável, porque explana questões de interesse capital. Não somente o mundo religioso encontrará nele as máximas de que necessita, como as nações, em sua vida prática, dele haurirão instruções excelentes. Fizeste bem ao enfrentar as questões de elevada moral prática, do ponto de vista dos interesses gerais, dos interesses sociais e dos interesses religiosos”.
Em comunicação posterior, a 14 de setembro de 1863, declaravam os Guias de Kardec: “Nossa ação, principalmente a do Espírito da Verdade, é constante ao teu redor, e de tal maneira, que não a podes negar. Assim não entrarei em detalhes desnecessários, sobre o plano da tua obra, que, segundo os meus conselhos ocultos, modificaste tão ampla e completamente”. Logo adiante acentuavam: “Com esta obra, o edifício começa a libertar-se dos andaimes, e já podemos ver-lhe a cúpula a desenhar-se no horizonte”.
Estas comunicações, cuja leitura completa pode ser feita em Obras Póstumas, revelam-nos a importância fundamental de O Evangelho Segundo o Espiritismo, na Codificação Kardeciana. Enquanto O Evangelho dos Espíritos nos apresenta a Filosofia Espírita em sua inteireza e O Livro dos Médiuns, a Ciência Espírita em seu desenvolvimento, este livro nos oferece a base e o roteiro da Religião Espírita.
Livro de cabeceira, de leitura diária obrigatória, de leitura preparatória de reuniões doutrinárias, deve ser encarado também como livro de estudo, para melhor compreensão da Doutrina. A comunicação do Espírito da Verdade, colocada como prefácio, deve ser lida atentamente pelos estudiosos, pois cada uma de suas frases tem um sentido mais profundo do que parece à primeira leitura.
A Introdução e o Capítulo I constituem verdadeiro estudo sobre a natureza, o sentido e a finalidade do Espiritismo. Devem ser estudados atenciosamente, e não apenas lidos. Formam uma peça de grande valor para a verdadeira compreensão da Doutrina.
JOSÉ HERCULANO PIRES
Tradutor

Saiba o que é o Livro dos Espíritos

Com este livro surgiu no mundo o Espiritismo. Sua primeira edição foi lançada a 18 de abril de 1857, em Paris, pelo editor E. Dentu, estabelecido no Falais Royal, Galérie d’0rléans, 13. Três novidades, à maneira das tríades druídicas, apareciam com este livro: a Doutrina Espírita, a palavra Espiritismo, que a designava; e o nome Allan Kardec, que provinha do passado celta das Gálias.
A primeira novidade era apresentada como antiga, em virtude de representar a eterna realidade espiritual, servindo de fundamento a todas as religiões de todos os tempos: a Doutrina Espírita. Era, entretanto, a primeira vez que aparecia na sua inteireza, graças à revelação do Espírito de Verdade prometida pelo Cristo. A segunda, a palavra Espiritismo, era um neologismo criado por Kardec e desde aquele momento integrado na língua francesa e nos demais idiomas do mundo. A terceira representava a ressurreição do nome de um sacerdote druida desconhecido.
A maneira por que o livro fora escrito era também inteiramente nova. O Prof. Denizard Hippolyte Léon Rivail fizera as perguntas que eram respondidas pelos Espíritos, sob a direção do Espírito de Verdade, através das cestinhas-de-bico. Psicografia indireta. Os médiuns, duas meninas, Caroline Baudin, de 16 anos, e Julie Baudin, de 14, colocavam as mãos nas bordas da cesta e o lápis (o bico) escrevia numa lousa. Pelo mesmo processo, o livro foi revisado pelo Espírito de Verdade, através de outra menina, a Srtª Japhet. Outros médiuns foram posteriormente consultados e Kardec informa, em Obras Póstumas: “Foi dessa maneira que mais de dez médiuns prestaram concurso a esse trabalho”.
Este livro é, portanto, o resultado de um trabalho coletivo e conjugado entre o Céu e a Terra. O Prof. Denizard não o publicou com o seu nome ilustre de pedagogo e cientista, mas com o nome obscuro de Allan Kardec, que havia tido entre os druidas, na encarnação em que se preparava ativamente para a missão espírita. O nome obscuro suplantou o nome ilustre, pois representava, na Terra, a Falange do Consolador. Esta falange se constituía dos Espíritos Reveladores, sob a orientação do Espírito de Verdade e dos pioneiros encarnados, com Allan Kardec à frente.
A 16 de março de 1860, foi publicada a segunda edição deste livro, inteiramente revisto, reestruturado e aumentado por Kardec, sob orientação do Espírito de Verdade, que, desde a elaboração da primeira edição, já o avisara de que nem tudo podia ser feito naquela. Assim, a primeira edição foi o primeiro impacto da Doutrina Espírita no mundo, preparando ambiente para a segunda que a completaria. Toda a Doutrina está contida neste livro, de forma sintética, e foi posteriormente desenvolvida nos demais volumes da Codificação.
Escrito na forma dialogada da Filosofia Clássica, em linguagem clara e simples, para divulgação popular, este livro é um verdadeiro tratado filosófico que começa pela Metafísica, desenvolvendo cm novas perspectivas a Ontologia, a Sociologia, a Psicologia, a Ética, e estabelecendo as ligações históricas de todas as fases da evolução humana em seus aspectos biológico, psíquico, social e espiritual. Um livro para ser estudado e meditado, com o auxílio dos demais volumes da Codificação.
José Herculano Pires,
tradutor

Doutrina Espirita - Ciência, Filosofia e Religião - Artigo sobre Filosofia

Caro leitor: este artigo foi extraido do site:
http://compreendereevoluir.blogspot.com/  da blogueira Márcia que tenho admiração pelo seu trabalho.
Resolvi colocar em meu blog para ajudar a divugação do material do Sr. Jorge Cordeiro, trata-se um material muito interessante.



"O nome filosofia vem do grego e significa “amor à sabedoria”. A Filosofia, segundo o novo Dicionário Aurélio, “é um estudo que se caracteriza pela intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade (...)”.
O filósofo era na antiguidade o representante da busca pelo saber.  E o que ele estudava? No entender dos filósofos: “tudo”. A Filosofia é um estudo que tem por finalidade ampliar o nosso conhecimento da realidade, e tem por objeto de estudo o homem e o universo. A diferença entre a Filosofia e a Ciência é que enquanto a Ciência busca conhecer muito sobre um tema específico, a Filosofia avalia toda uma vastidão de conhecimentos para encontrar uma síntese desses fenômenos. A Filosofia pode também ser diferenciada pelo instrumento de pesquisa, pelo método e pela finalidade.
Enquanto a Ciência utiliza-se dos mais variados instrumentos, como, telescópios, microscópios, computadores, etc. A Filosofia utiliza basicamente a razão, o raciocínio puro, como instrumento de pesquisa da verdade.
O método em sua essência se utiliza da indução e da dedução. O primeiro, através dos fatos, descobre os princípios primeiros; o segundo ilumina os fatos com os princípios primeiros, para compreendê-los melhor.
A Filosofia não está voltada para fins práticos como a Ciência. Ela tem como único objetivo o conhecimento e por extensão, a verdade em si mesma.
Apesar de todas as coisas serem suscetíveis de pesquisa filosófica, alguns problemas são de preferência, estudadas pela Filosofia: a Lógica (se ocupa do problema da exatidão do raciocínio); a Epistemologia (o valor do conhecimento); a Metafísica (do fundamento último das coisas em geral); a Ética (a origem e natureza da lei moral, da virtude e da felicidade); A Teologia (da existência e natureza de Deus e das relações com os homens); a Estética (do problema do belo e da natureza e função da arte); e a Axiologia (o problema dos valores); Cosmologia (a constituição essencial das coisas materiais, da sua origem e de seu devir).

As teses fundamentais que integram a Doutrina Espírita encontram-se no “O Livro dos Espíritos”, as quais podem ser identificadas com as principais categorias filosóficas.
A Filosofia Espírita apesar de se encaixar dentro dessas categorias, não é propriamente um saber clássico. Em muitas de suas facetas ela é um assunto novo e vibrante. Primeiramente, o Espiritismo aborda um Universo dual, com um componente material e outro espiritual. Com isto se abre diante de nós toda uma gama de possibilidades de estudo. Neste Universo espiritual habitam espíritos, que são criados simples e puros, para evoluírem e aprenderem com seus próprios erros e experiências, trilhando um longo caminho até compreender a relação entre Deus e o Homem, alcançando uma harmonia entre o conhecimento, a moral e a inteligência. O espírito e o espiritual, certamente não fazem parte desta filosofia tradicional, por isso podemos falar de uma nova filosofia que se nos mostra: “a Filosofia Espírita”, possuidora de uma cosmologia, uma metafísica e uma ética próprias, apesar de baseada na ética cristã.
Para Jon Aizpúrua (2000) o Espiritismo é:
  • Uma filosofia deísta, porque reconhece a existência de Deus como força inteligente e causa primária de todas as coisas;
  • Uma filosofia espiritualista, porque afirma a existência do espírito como princípio independente da matéria, assim como sua sobrevivência após a morte;
  • Uma filosofia evolucionista, porque admite que a evolução é a lei que rege o Universo, presidindo todas as transformações, tanto de ordem física como de ordem espiritual;
  • Uma filosofia científica, uma filosofia racionalista e humanista, porque coloca o ser humano e as suas necessidades no centro de suas atenções.
Devemos nos lembrar que a Filosofia Espírita não é um alimento somente para o intelecto, mas também para a alma que sente e sofre, que presencia a alegria mas às vezes sucumbe à tristeza. Lembremos o que disse Kardec (1995, p.483):
“Mesmo os que nenhum fenômeno têm testemunhado, dizem: à parte esses fenômenos, há a filosofia, que me explica o que NENHUMA OUTRA me havia explicado. Nela encontro, por meio unicamente do raciocínio, uma solução racional para os problemas que no mais alto grau interessam ao meu futuro. Ela me dá calma, firmeza, confiança; livra-me do tormento da incerteza. Ao lado de tudo isto, secundária se torna a questão dos fatos materiais".


Autor: Jorge Cordeiro


Bibliografia:
Aizpúra, Jon (2000). Os fundamentos do espiritismo. São Paulo, CEJB. 
 Ferreira, Aurélio (1999). Novo Aurélio – século XXI. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira.   
Kardec, Allan (1995). O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro, FEB. 
Mondin, B. (1987). Introdução à Filosofia. São Paulo, Edições Paulinas.

DIA 13 DE MAIO - ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA

13 de mai de 2010

Artigo extraído do blog da Márcia.
http://compreendereevoluir.blogspot.com/2009/05/escravidao-no-brasil-vista-pela-otica.html




Dia 13 de Maio, comemora-se a data em que em 13 de maio de 1888 aboliu oficialmente a escravidão no Brasil.

O que poucos sabem é que há 140 anos, em 1869, no mesmo dia 13 de maio, dezenove anos antes da decretação da Lei Áurea, o confrade Antônio da Silva Neto, pioneiro do Espiritismo no Brasil, publicou o folheto “A coroa e a emancipação do elemento servil”, focalizando um tema que Allan Kardec havia examinado em sua primeira obra – O Livro dos Espíritos, questão 829.

Indagou Kardec: – Haverá homens que estejam, por natureza, destinados a ser propriedades de outros homens?

Os Espíritos lhe responderam: “É contrária à lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem. A escravidão é um abuso da força. Desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecerão todos os abusos.”

Como sabemos, a implantação da escravatura em nosso País coincidiu praticamente com o descobrimento, ou seja, poucos anos depois da chegada de Pedro Álvares Cabral às terras brasileiras iniciava-se aqui o sistema escravagista, analisado desta forma no cap. V do livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, de autoria de Humberto de Campos, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier:

“– Ismael (disse Jesus ao protetor espiritual do Brasil), asserena teu mundo íntimo no cumprimento dos sagrados deveres que te foram confiados. Bem sabes que os homens têm a sua responsabilidade pessoal nos feitos que realizam em suas existências isoladas e coletivas. Mas, se não podemos tolher-lhes aí a liberdade, também não podemos esquecer que existe o instituto imortal da justiça divina, onde cada qual receberá de conformidade com os seus atos.

“Havia eu determinado que a Terra do Cruzeiro se povoasse de raças humildes do planeta, buscando-se a colaboração dos povos sofredores das regiões africanas; todavia, para que essa cooperação fosse efetivada sem o atrito das armas, aproximei Portugal daquelas raças sofredoras, sem violências de qualquer natureza. A colaboração africana deveria, pois, verificar-se sem abalos perniciosos, no capítulo das minhas amorosas determinações.

“O homem branco da Europa, entretanto, está prejudicado por uma educação espiritual condenável e deficiente. Desejando entregar-se ao prazer fictício dos sentidos, procura eximir-se aos trabalhos pesados da agricultura, alegando o pretexto dos climas considerados perniciosos. Eles terão a liberdade de humilhar os seus irmãos, em face da grande lei do arbítrio independente, embora limitado, instituído por Deus para reger a vida de todas as criaturas, dentro dos sagrados imperativos da responsabilidade individual; mas, os que praticarem o nefando comércio sofrerão, igualmente, o mesmo martírio, nos dias do futuro, quando forem também vendidos e flagelados em identidade de circunstâncias.

“Na sua sede nociva de gozo, os homens brancos ainda não perceberam que a evolução se processa pela prática do bem e que todo o determinismo de Nosso Pai deve assinalar-se pelo ‘amai o próximo como a vós mesmos’.

“Ignoram voluntariamente que o mal gera outros males com um largo cortejo de sofrimentos. Contudo, através dessas linhas tortuosas, impostas pela vontade livre das criaturas humanas, operarei com a minha misericórdia. Colocarei a minha luz sobre essas sombras, amenizando tão dolorosas crueldades. Prossegue com as tuas renúncias em favor do Evangelho e confia na vitória da Providência Divina.”

Depois de registrar em seu livro a fala acima transcrita, Humberto de Campos (Espírito) descreveu as sucessivas provações que se abateram sobre Portugal e sua gente, que desse modo expiavam a dor imposta aos africanos escravizados, e por fim observou: “Os filhos da África foram humilhados e abatidos, no solo onde floresciam as suas bênçãos renovadoras e santificantes; o Senhor, porém, lhes sustentou o coração oprimido, iluminando o calvário dos seus indizíveis padecimentos com a lâmpada suave do seu inesgotável amor. Através das linhas tortuosas dos homens, realizou Jesus os seus grandes e benditos objetivos, porque os negros das costas africanas foram uma das pedras angulares do monumento evangélico do Coração do Mundo. Sobre os seus ombros flagelados, carrearam-se quase todos os elementos materiais para a organização física do Brasil e, do manancial de humildade de seus corações resignados e tristes, nasceram lições comovedoras, imunizando todos os espíritos contra os excessos do imperialismo e do orgulho injustificáveis das outras nações do planeta, dotando-se a alma brasileira dos mais belos sentimentos de fraternidade, de ternura e de perdão.” (Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, cap. V.)

O fato ora relembrado mostra-nos que as nações respondem também, coletivamente, pelos desmandos cometidos, um assunto que era conhecido mesmo antes de Jesus, como nos mostra o Antigo Testamento ao revelar a explicação dada por Jeremias aos seus conterrâneos que queriam saber por que os judeus se tornariam escravos dos babilônios.
fonte:
http://www.oconsolador.com.br
http://compreendereevoluir.blogspot.com/2009/05/escravidao-no-brasil-vista-pela-otica.html

SISIFO E A ASTÚCIA ( A Luz da Doutrina Espírita)

26 de abr de 2010

"LIVRO DOS ESPIRITOS QUESTAO 919-
Kardec interroga: Qual o meio mais prático e mais eficaz para se melhorar nesta vida, e resistir aos arrastamentos do mal?
Resposta dos Espiritos Venerandos:
- Um sábio da antiguidade vos disse: Conhece-te a ti mesmo. ( socrátes)."

Comentários Luciano:
Hodiernamente, a mitologia grega vem servindo de inspiração para inúmeros estudos psicológicos, pois, através dela, os estudiosos estão utilizando os mitos de forma simbólica, comparando e identificando os personagens com as criaturas humanas e seus problemas comportamentais.
Nesse ínterim, a lenda de Sísifo vem mostrar, de forma clara, alguns pontos da imaturidade humana.
O primeiro observado é a astúcia, a capacidade da criatura humana de enganar, ludibriar o próximo, tirando vantagem da situação que vivência, tentando eliminar suas provas e suas responsabilidades perante o meio social e ao próximo, infringindo as Leis Divinas e até mesmo as Leis Civis, ele busca equacionar seus problemas de forma leviana, com intuito de tirar vantagem e sair ileso diante de atos irresponsáveis que ele cometerá.
Conforme assevera os Espíritos Venerandos, a única forma de corrigir uma falta é cumprindo a Lei da Justiça Divina, que é imutável, suprema, igualitária e justa para todas as criaturas.
O cumprimento de tal Lei tem o objetivo da reparação do mal cometido a alguém, ou a uma coletividade, mas o processo desta reparação é sistemático, passando por alguns estágios anteriores como: Faz mister que o indivíduo tome consciência da má ação cometida, que isso toque em seu íntimo, ao ponto dele sentir remorso, desencadeando o arrependimento que trará até certo desconforto. Dando continuidade ao processo, ele buscará de uma forma humana, sensata, prudente, reparar esse equívoco cometido por ele com intuito de encontrar a paz de espírito (consciência tranquila). Geralmente, todo esse processo traz para o individuo frustrações, amarguras, vergonhas, humilhação e dor moral, cuja é necessária para que o individuo não seja arrastado ao mesmo erro e iniqüidades, o que fortalece sua fé em Deus, o levando a rogar sempre pela não reincidência desta falta.
O individuo talvez não consiga resgatar o seu débito, em uma reencarnação, devido a sua falta de maturidade, pelo motivo de ainda estar em um estágio de consciência embrionário do processo evolutivo. Apesar de ser filho de nosso Pai Maior, às vezes podem faltar-lhe forças interiores, resignação, para passar a prova e se for dotado de uma fé cega dificultaria o ser a ter bom ânimo, e diante de todo processo quando ele chegar ao ápice das provaçoes, possivelmente ele fracassará e cairá no precipício das trevas interiores, por falta de uma fé raciocinada.
Como somos espíritos seculares, o ser equivocado tem toda sua eternidade para começar a galgar a evolução e enfrentar seus problemas frente a frente. Mesmo que a Deusa Tânato (a morte) ceifar sua vida , quando estiver desencarnado no Plano Espiritual (mesmo que sejam nas terras de Hades, umbrais da consciência), terá oportunidade de refletir perante as faltas cometidas, colocará na balança da VIDA, os pós e contras do que fez em sua jornada existencial, daí começa a grande maravilha do Ser, que sai da fase do período “Pré Mágico", para o período de aprendizado e crescimento.
Até mesmo na erraticidade (na vida pós morte), começará o seu questionamento e os porquês de tantas coisas que deveria ter evitado e não evitou, sentindo em seu intimo a necessidade de ser melhor a cada dia e começar a preparar exaustivamente por mais uma etapa de vida, para desta vez conseguir passar no Educandário da Vida, na Escola chamada Planeta Terra.
O espírito em auto descobrimento irá aprender juntamente com seus espíritos tutelares a melhor forma de enfrentar as provas de frente e aprender discernir o Joio do Trigo, será amparado com palavras de amor, bondade, de fortalecimento, que irão lhe auxiliar na sua preparação para mais uma nova jornada física e todo entusiasmado ele crê que conseguirá resgatar seus débitos tenebrosos de passados escabrosos. Ele será orientado pelos seus mentores que conquiste a serenidade e tranqüilidade, porque Deus o perdoará diante de suas faltas, concedendo-o a Dádiva da Reencarnação como instrumento benéfico de correção, para que consiga deixar de lado o HOMEM VELHO Sísifo para transformá-lo no HOMEM NOVO, um espírito condenado a Perfeição.
Autor: Luciano Oliveira

COMPLEXO DE SÍSIFO

19 de abr de 2010


Sísifo, foi um rei Grego que governava uma cidade chamada Corinto. Ele representava o tipo astuto, sábio e, em função das dificuldades que seu reino enfrentava, como falta de água, más colheitas, grande pobreza, um alto custo de vida, misérias.
Ele tinha um grupo de homens sobre seu comando que saqueava os viajantes que por lá passavam para socorrer as misérias da população que estava sob sua tutela. Ele mantinha-se informando de tudo que acontecia em sua cidade-estado, e ainda no Olimpo, morada dos Deuses. Ele soube do rapto da filha de Ásopo, que diante do desespero iria recompensar quem falasse do paradeiro de sua filha Egina. Sísifo procurou Ásopo e disse-lhe que ele tinha notícias de Egina. Contou-lhe que Zeus, o deus maior, raptara Egina, sua filha. Ele somente denunciou o Deus Supremo em troca de uma fonte na sua Corinto. Quando Ásopo foi procurar Zeus exigindo que lhe devolvesse sua filha, o Deus maior não teve como negar, mas exigiu que antes de devolver Ásopo contasse quem fora o seu delator. E Ásopo contou a Zeus que fora Sísifo. O Deus Supremo ficou irado e mandou "Tânato" que é a morte, para procurar Sísifo, trazê-lo e castigá-lo.
Sísifo com toda sua astúcia consegue enganar a morte exaltando sua beleza , enaltecendo-a, deixando-a confusa, dizendo ainda que iria presenteá-la com um belo colar de pérola e platina. A morte recebeu o presente de bom grato, ficando toda envaidecida. Sísifo colocou-o em seu pescoço, porém ela não sabia que era um presente de grego: não era um colar, mas sim uma coleira que aprisionou-a. A prisão da morte equacionou mais um problema de Sífiso.
Logo, ninguém morria o que irritou Hades (o Deus do Submundo, das esferas inferiores) porque seu mundo infernal estava se despovoando.
O Deus Marte, deus da Guerra, foi queixar-se junto a Zeus de que as pessoas não morriam diante das guerras, visto que Tânato estava presa e não tinha ninguém para buscar as pessoas.
Dessa forma, Zeus enviou Mercúrio/Hermes para resgatar a morte que estava aprisionada. Hermes fora escolhido por ser um Deus masculino que traria dificuldades para ser ludibriado por Sísifo.
Assim Hermes libertou Tânato e conseguiu pegar Sísifo, dando-lhe sua sentença de prisão inclemente e que seria levado para julgamento. Como o Rei do Corinto era muito esperto e conseguia safar-se de todos os problemas, ele pediu para Hermes que lhe concedesse a oportunidade de despedir de sua esposa antes de seu último suspiro quando a morte ceifaria sua vida. No momento que abraçara sua esposa de forma afetuosa cochichou em seu ouvido pedindo para que ela não fizesse Exéquias fúnebres a ele, e que não enterrassem seu corpo porque ele voltaria. Assim que morreu e foi levado até o Olimpo para Julgamento, em sua audiência com os deuses de imediato ele disse a Zeus:- Deus supremo misericordioso, eu aqui estou. Como vê, sou uma criatura frágil e também sou um Deus, então tenho direito as Exéquias fúnebres. Meu corpo ainda não foi sepultado na terra e como vê, eu estou sem meu Eidolon ( perispírito). Rogo voltar a Terra e receber todas as homenagens fúnebres de meus súditos e voltarei para o mundo mortos para viver aqui toda eternidade.
Dessa forma, foi concedido-lhe voltar e assim que retornou ao corpo terrestre, ele de imediato fugiu de Corinto juntamente com a mulher, EQUACIONADO MAIS UM DOS SEUS PROBLEMAS transitórios.
Sísifo deixou os Deuses irados, e desesperados. Em assembléia no Olimpo Zeus disse aos outros deuses para não preocuparem visto que ele enviaria desta vez um Deus inclemente impiedoso e duro, do qual Sísifo não poderia escapar mais uma vez. Onde Sísifo estiver e andar o Deus sempre estará com ele, o nome dele é TEMPO, provavelmente era a deusa Geras, já que Cronos, Deus do Tempo, estava aprisionado no Tártaro. Assim foi feito, com o passar dos anos ele envelheceu, a roupagem física ficou gasta, Sísifo adoeceu e morreu, e retornou para o mundo dos Deuses.
Após o seu desencarne, apresentou-se a Zeus, combalido, enverganhado pois havia mentido, triste, fragilizado, em desequilíbrio. Agora Zeus, diante do infeliz, sorriu Vitoriosamente. Havia chegada o momento máximo de sua entrega, e não iria desferir nenhuma punição injusta, mesmo diante de tantos erros cometidos por Sísifo.Então, Zeus levou-o a uma montanha, cujo acume havia uma região plana.
Zeus disse: Eu lhe darei a eternidade e você terá que rolar esta grande pedra montanha acima, até colocá-la no ápice e, assim que lograr seu objetivo, terá a liberdade de sua punição. Zeus chamou duas Erínias (fúrias, deusas menores com tridentes) e as ordenou que à medida que ele se cansasse na subida da montanha, que elas ferissem seu calcanhar de Aquiles para que ele não tivesse repouso e que ele não descansasse diante dessa punição que parecia simples.
Sísifo começou a empurrar à rocha montanha acima e quando chegou próximo ao cume, ela escorregou e voltou para eu ponto de origem. Com isso, ele voltou a empurrá-la e toda vez que se cansava, as fúrias feriam seus calcanhares com tridentes e ele deixava a pedra rolar montanha abaixo.
Conforme o mito, Sísifo continua até os dias de hoje tentando levar a pedra da base ao cume da montanha sem sucesso, sendo esse o seu carma para toda eternidade.
Na próxima postagem, faremos uma comparação do Complexo de Sísifo e a questão comportamental do ser humano à luz da doutrina espírita.
Autor: Luciano de Oliveira

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