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TIRADENTES NO PLANO ESPIRITUAL

12 de out de 2010




TIRADENTES
Mensagem recebida em 21 de abril de 1937,

Dos infelizes protagonistas da Inconfidência Mineira, no dia 21 de abril de todos os anos, aqueles que podem excursionar pela Terra volvem às ruínas de Ouro Preto, a fim' de se reunirem entre as velhas paredes da casa humilde do sítio da Cachoeira, trazendo a sua homenagem de amor à personalidade do Tiradentes.
Nessas assembléias espirituais, que os encarnados poderiam considerar como reuniões de sombras, os preitos de amor são mais expressivos e mais sinceros, livres de todos os enganos da História e das hipocrisias convencionais.
Ainda agora, compareci a essa festividade de corações, integrando a caravana de alguns brasileiros desencarnados, que para lá se dirigiu associando-se às comemorações do proto mártir da emancipação do País.
Nunca tive muito contato com as coisas de Minas Gerais, mas a antiga Vila Rica, atualmente elevada à condição de Monumento Nacional, pelas suas relíquias prestigiosas, sempre me impressionou pela sua beleza sugestiva e legendária. Nas suas ruas tortuosas, percebe-se a mesma fisionomia do Brasil dos Vice-Reis. Uma coroa de lendas suaves paira sobre. as suas ladeiras e sobre os seus edifícios seculares, embriagando o espírito do forasteiro com melodias longínquas e perfumes distantes. Na terra empedrada, ainda existem sinais de passos dos antigos conquistadores do ouro dos seus rios e das suas minas e, nas suas igrejas, ainda se ouvem soluços de escravos, misturados com gritos de sonhos mortos, do seu valoroso heroísmo. A velha Vila Rica, com a névoa fria dos seus horizontes, parece viver agora com as suas saudades de cada dia e com as suas recordações de cada noite.
Sem me alongar nos lances descritivos, acerca dos seus tesouros do passado, objeto da observação de jornalistas e escritores de todos os tempos, devo dizer que, na noite de hoje, a casa antiga dos Inconfidentes tem estado cheia das sombras dos mortos. Aí fui encontrar, não segundo o corpo, mas segundo o espírito, as personalidades de Domingos Vidal Barbosa, Freire de Andrada, Mariano Leal, José Joaquim da Maia, Cláudio Manuel, Inácio Alvarenga, Dorotéia de Seixas, Beatriz Francisca Brandão, Toledo Pisa, Luís de Vasconcelos e muitos outros nomes, que participaram dos acontecimentos relativos à malograda conspiração. Mas, de todas as figuras veneráveis ao alcance dos meus olhos, a que me sugeria as grandes afirmações da pátria era, sem dúvida, a do antigo alferes Joaquim José da Silva Xavier, pela sua nobre e serena beleza. Do seu olhar claro e doce, irradiava-se toda uma onda de estranhas revelações, e não foi sem timidez que me acerquei da sua personalidade, provocando a sua palavra.
Falando-lhe a respeito do movimento de emancipação política, do qual havia sido o herói extraordinário, declinei minha qualidade de seu ex-compatriota, filho do Maranhão, que também combatera, no passado, contra o domínio dos estrangeiros.
- "Meu amigo - declarou com bondade -, antes de tudo, devo afirmar que não fui um herói e sim um Espírito em prova, servindo simultaneamente à causa da liberdade da minha terra.
Quanto à Inconfidência de Minas, não foi propriamente um movimento nativista, apesar de ter aí ficado como roteiro luminoso para a independência da pátria.. Hoje, posso perceber que o nosso movimento era um projeto por demais elevado para as forças com que podia contar o Brasil daquela época, reconhecendo como o idealismo eliminou em nosso espírito todas as noções da realidade prática; mas, estávamos embriagados pelas idéias generosas que nos chegavam da Europa, através da educação universitária. E, sobretudo, o exemplo dos Estados Americanos do Norte, que afirmaram os princípios imortais do direito do homem, muito antes do verbo inflamado de Mirabeau, era uma luz incendiando a nossa imaginação.
O Congresso de Filadélfia, que reconheceu todas as doutrinas democráticas, em 1776, afigurou-se-nos uma garantia da concretização dos nossos sonhos. Por intermédio de José Joaquim da Maia procuramos sondar o pensamento de Jefferson, em Paris, a nosso respeito; mas, infelizmente, não percebíamos que a luta, como ainda hoje se verifica no mundo, era de princípios. O fenômeno que se operava no terreno político e social era o desprezo do absolutismo e da tradição, para que o racionalismo dirigisse a Vida dos homens. Fomos os títeres de alguns portugueses liberais, que, na colônia, desejavam adaptar-se ao novo período histórico do Planeta, aproveitando-se dos nossos primeiros surtos de nacionalismo. Não possuíamos um índice forte de brasilidade que nos assegurasse a vitória, e a verdade só me foi intuitivamente revelada quando as autoridades do Rio mandaram prender-me na rua dos Latoeiros."
- E nada tendes a dizer sobre a defecção de alguns dos vossos companheiros? - perguntei.
- "Hoje, de modo algum desejaria avivar minhas amargas lembranças. . . Aliás, não foi apenas Silvério quem nos denunciou perante o Visconde de Barbacena; muitos outros fizeram o mesmo, chegando um deles a se disfarçar como um fantasma, dentro das noites de Vila Rica, avisando quanto à resolução do governo da província, antes que ela fosse tomada publicamente, com o fim de salvaguardar as posições sociais de amigos do Visconde, que haviam simpatizado com a nossa causa. Graças a Deus, todavia, até hoje, sinto-me ditoso por ter subido sozinho os vinte degraus do patíbulo." - E sobre esses fatos dolorosos, não tendes alguma impressão nova a nos transmitir?
E os lábios do Herói da Inconfidência, como se receassem dizer toda a verdade, murmuraram estas frases soltas:
- "Sim. . . a Sala do Oratório e o vozerio dos companheiros desesperados com a sentença de morte... a Praça da Lampadosa, minha veneração pelo Crucifixo do Redentor e o remorso do carrasco. . . a procissão da Irmandade da Misericórdia, os cavaleiros, até o derradeiro impulso da corda fatal, arrastando-me para o abismo da Morte..."
E concluiu:
- "Não tenho coisa alguma a acrescentar às descrições históricas, senão minha profunda repugnância pela hipocrisia das convenções sociais de todos os tempos."
- É verdade - acrescentei -, reza a História que, no instante da vossa morte, um religioso, falou. sobre o tema do Eclesiastes - "Não atraiçoes o teu rei, nem mesmo por pensamentos." E terminando a minha observação com uma pergunta, arrisquei:
- Quanto ao Brasil atual, qual a vossa opinião a respeito?
- "Apenas a de que ainda não foi atingido o alvo dos nossos sonhos. A nação ainda não foi realizada para criar-se uma linha histórica, mantenedora da sua perfeita independência. Todavia, a vitalidade de um povo reside na organização da sua economia e a economia do Brasil está muito longe de ser realizada. A ausência de um interesse comum, em "favor do País, dá causa não mais à derrama dos impostos, mas ao derrame das ambições, onde todos querem mandar, sem saberem dirigir a si próprios." Antes que se fizesse silêncio entre nós, tornei ainda:
- Com relação aos ossos dos inconfidentes, vindos agora da África para o antigo teatro da luta, hoje transformado em Panteão Nacional, são de fato autênticos esqueletos dos apóstolos da liberdade? .
- "Nesse particular - respondeu Tiradentes com uma ponta de ironia -; não devo manifestar os meus pensamentos. Os ossos encontrados tanto podem ser de Gonzaga, como podem pertencer, igualmente, ao mais miserável dos negros de Angola. O orgulho humano e as vaidades patrióticas têm também os seus limites... Aliás, o que se faz necessário é a compreensão dos sentimentos que nos moveram a personalidade, impelindo-nos para o sacrifício e para a morte. ..”
Mas, não pôde terminar. Arrebatado numa' aluvião de abraços amigos e carinhosos, retirouse o grande patriota que o Brasil hoje festeja, glorificando o seu heroísmo e a sua doce humildade.
Aos meus ouvidos emocionados ecoavam as notas derradeiras da música evocativa e dos fragmentos de orações que rodeavam o monumento do Herói, afigurando-se-me que Vila Rica ressurgira, com os seus coches dourados e os seus fidalgos, num dos dias gloriosos do Triunfo Eucarístico; mas, aos poucos, suas luzes se amorteceram no silêncio da noite, e a velha cidade dos conspiradores entrou a dormir, no tapete glorioso de suas recordações, o sono tranqüilo -dos seus sonhos mortos.
Fonte: Extraído do livro Crônicas do além túmulo, Francisco C. Xavier/ Humberto de Campos
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JUDAS ESCARIOTES NO PLANO ESPIRITUAL




JUDAS ESCARIOTES
Mensagem recebida em 19 de Abril de 1935

Silêncio augusto cai sobre a Cidade Santa. A antiga capital da Judéia parece dormir o seu sono de muitos séculos. Além descansa Getsêmani, onde o Divino Mestre chorou numa longa noite de agonia, acolá está o Gólgota sagrado e em cada coisa silenciosa há um traço da Paixão que as épocas guardarão para sempre. E, em meio de todo o cenário, como um veio cristalino de lágrimas, passa o Jordão silencioso, como se as suas águas mudas, buscando o Mar Morto, quisessem esconder das coisas tumultuosas dos homens os segredos insondáveis do Nazareno.
Foi assim, numa destas noites que vi Jerusalém, vivendo a sua eternidade de maldições. Os espíritos podem vibrar em contacto direto com a história. Buscando uma relação íntima com a cidade dos profetas, procurava observar o passado vivo dos Lugares Santos. Parece que as mãos iconoclastas de Tito por ali passaram como executoras de um decreto irrevogável. Por toda a parte ainda persiste um sopro de destruição e desgraça. Legiões de duendes, embuçados nas suas vestimentas antigas, percorrem as ruínas sagradas e no meio das fatalidades que pesam sobre o empório morto dos judeus, não ouvem os homens os gemidos da humanidade invisível.
Nas margens caladas do Jordão, não longe talvez do lugar sagrado, onde Precursor batizou Jesus Cristo, divisei um homem sentado sobre uma pedra. De sua expressão fisionômica irradiava-se uma simpatia cativante.
- Sabe quem é este? – murmurou alguém aos meus ouvidos. – Este é Judas.
- Judas?!...
- Sim. Os espíritos apreciam, às vezes, não obstante o progresso que já alcançaram, volver atrás, visitando os sítios onde se engrandeceram ou prevaricaram, sentindo-se momentaneamente transportados aos tempos idos. Então mergulham o pensamento no passado, regressando ao presente, dispostos ao heroísmo necessário do futuro. Judas costuma vir à Terra, nos dias em que se comemora a Paixão de Nosso Senhor, meditando nos seus atos de antanho...
Aquela figura de homem magnetizava-me. Eu não estou ainda livre da curiosidade do repórter, mas entre as minhas maldades de pecador e a perfeição de Judas existia um abismo. O meu atrevimento, porém, e a santa humildade de seu coração, ligaram-se para que eu o atravessasse, procurando ouvi-lo.
-O senhor é, de fato, o ex-filho de Iscariot? – Sim, sou Judas – respondeu aquele homem triste, enxugando uma lágrima nas dobras de sua longa túnica. Como o Jeremias, das Lamentações, contemplo às vezes esta Jerusalém arruinada, meditando no juízo dos homens transitórios...
- É uma verdade tudo quanto reza o Novo Testamento com respeito à sua personalidade na tragédia da condenação de Jesus?
- Em parte... Os escribas que redigiram os evangelhos não atenderam às circunstâncias e às tricas políticas que acima dos meus atos predominaram na nefanda crucificação. Pôncio Pilatos e o tetrarca da Galiléia, além dos seus interesses individuais na questão, tinham ainda a seu cargo salvaguardar os interesses do Estado romano, empenhado em satisfazer as aspirações religiosas dos anciãos judeus. Sempre a mesma história. O Sanedrim desejava o reino do céu pelejando por Jeová, a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra.
Jesus estava entre essas forças antagônicas com a sua pureza imaculada. Ora, eu era um dos apaixonados pelas idéias socialistas do Mestre, porém o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador. Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar e Jesus não obteria nenhuma vitória. Com as suas teorias nunca poderia conquistar as rédeas do poder já que, no seu manto de pobre, se sentia possuído de um santo horror à propriedade. Planejei então uma revolta surda como se projeta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secundário e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e enérgica como a que fez mais tarde Constantino Primeiro, o Grande, depois de vencer Maxêncio às portas de Roma, o que aliás apenas serviu para desvirtuar o Cristianismo. Entregando, pois, o Mestre, a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável e, ralado de remorsos, presumi que o suicídio era a única maneira de me redimir aos seus olhos.
- E chegou a salvar-se pelo arrependimento?
- Não. Não consegui. O remorso é uma força preliminar para os trabalhos reparadores.
Depois da minha morte trágica submergi-me em séculos de sofrimento expiatório da minha falta. Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado. Vítima da felonia e da traição deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV. Desde esse dia, em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentido na fronte o ósculo de perdão da minha própria consciência...
- E está hoje meditando nos dias que se foram... - pensei com tristeza.
- Sim... Estou recapitulando os fatos como se passaram. E agora, irmanado com Ele, que se acha no seu luminoso Reino das Alturas que ainda não é deste mundo, sinto nestas estradas o sinal de seus divinos passos. Vejo-O ainda na Cruz entregando a Deus o seu destino...
Sinto a clamorosa injustiça dos companheiros que O abandonaram inteiramente e me vem uma recordação carinhosa das poucas mulheres que O ampararam no doloroso transe... Em todas as homenagens a Ele prestadas, eu sou sempre a figura repugnante do traidor... Olho complacentemente os que me acusam sem refletir se podem atirar a primeira pedra... Sobre o meu nome pesa a maldição milenária, como sobre estes sítios cheios de miséria e de infortúnio. Pessoalmente, porém, estou saciado de justiça, porque já fui absolvido pela minha consciência no tribunal dos suplícios redentores.
Quanto ao Divino Mestre – continuou Judas com os seus prantos – infinita é a sua misericórdia e não só para comigo, porque se recebi trinta moedas, vendendo-O aos seus algozes, há muitos séculos Ele está sendo criminosamente vendido no mundo a grosso e a retalho, por todos os preços em todos os padrões do ouro amoedado...
- É verdade – concluí – e os novos negociadores do Cristo não se enforcam depois de vendê-lo.
Judas afastou-se tomando a direção do Santo Sepulcro e eu, confundido nas sombras invisíveis para o mundo, vi que no céu brilhavam algumas estrelas sobre as nuvens pardacentas e tristes, enquanto o Jordão rolava na sua quietude como um lençol de águas mortas, procurando um mar morto.

Fonte: Extraído do livro Crônicas de além tumulo, por Francisco C. Xavier/ Humberto de Campos
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SOCRATES NO PLANO ESPIRITUAL


SÓCRATES

Mensagem recebida em 7 de janeiro de 1937


Foi no Instituto Celeste de Pitágoras (1) que vim encontrar, nestes últimos tempos, a figura veneranda de Sócrates, o ilustre filho de Sofronisco e Fenareta.
A reunião, nesse castelo luminoso dos planos erráticos, era, nesse dia, dedicada a todos os estudiosos vindos da Terra longínqua. A paisagem exterior, formada na base de substâncias imponderáveis para as ciências terrestres da atualidade recordava a antiga Hélade, cheia de aromas, sonoridades e melodias. Um solo de neblinas evanescentes evocava as terras suaves e encantadoras, onde as tribos jônias e eólias localizaram a sua habitação, organizando a pátria de Orfeu, cheia de deuses e de harmonias. Árvores bizarras e floridas enfeitavam o ambiente de surpresas cariciosas, lembrando os antigos bosques da Tessália, onde Pan se fazia ouvir com as cantilenas de sua flauta, protegendo os rebanhos junto das frondes vetustas, que eram as liras dos ventos brandos, cantando as melodias da Natureza.
O palácio consagrado a Pitágoras tinha aspecto de severa beleza, com suas colunas gregas à maneira das maravilhosas edificações da gloriosa Atenas do passado.
Lá dentro, agasalhava-se toda uma multidão de Espíritos ávidos da palavra esclarecida do grande mestre, que os cidadãos atenienses haviam condenado à morte, 399 anos antes de Jesus-Cristo.
Ali se reuniam vultos venerados pela filosofia e pela ciência de todas as épocas humanas, Terpandro, Tucídides, Lísis, Ésquines, Filolau, Timeu, Símias, Anaxágoras e muitas outras figuras respeitáveis da sabedoria dos homens.
Admirei-me, porém, de não encontrar ali nem os discípulos do sublime filósofo ateniense, nem os juízes que o condenaram à morte. A ausência de Platão, a esse conclave do Infinito, impressionava-me o pensamento, quando, na tribuna de claridades divinas, se materializou aos nossos olhos o vulto venerando da filosofia de todos os séculos. Da sua figura irradiavase uma onda de luz levemente azulada, enchendo o recinto de vibração desconhecida, de paz suave e branda. Grandes madeixas de cabelos alvos de neve molduravam-lhe o semblante jovial e tranqüilo, onde os olhos brilhavam infinitamente cheios de serenidade, alegria e doçura.
As palavras de Sócrates contornaram as teses mais sublimes, porém, inacessíveis ao entendimento das criaturas atuais, tal a transcendência dos seus profundos raciocínios. À maneira das suas lições nas praças públicas de Atenas, falou-nos da mais avançada sabedoria espiritual, através de inquirições que nos conduziam ao âmago dos assuntos; discorreu sobre a liberdade dos seres nos planos divinos que constituem a sua atual morada e sobre os grandes conhecimentos que esperam a Humanidade terrestre no seu futuro espiritual.
É verdade que não posso transmitir aos meus companheiros terrenos a expressão exata dos seus ensinamentos, estribados na mais elevada das justiças, levando-se em conta a grandeza dos seus conceitos, incompreensíveis para as ideologias das pátrias no mundo atual, mas, ansioso de oferecer uma palavra do grande mestre do passado aos meus irmãos, não mais pelas vísceras do corpo e sim pelos laços afetivos da alma, atrevi-me a abordá-lo:
- Mestre - disse eu - venho recentemente da Terra distante, para onde encontro possibilidade de mandar o vosso pensamento. Desejaríeis enviar para o mundo as vossas mensagens benevolentes e sábias?
- Seria inútil - respondeu-me bondosamente -, os homens da Terra ainda não se reconheceram a si mesmos. Ainda são cidadãos da pátria, sem serem irmãos entre si.
Marcham uns contra os outros, ao som de músicas guerreiras e sob a proteção de estandartes que os desunem, aniquilando-lhes os mais nobres sentimentos de humanidade.
- Mas. . . - retorqui - lá no mundo há uma elite de filósofos que se sentiriam orgulhosos de vos ouvir! ...
- Mesmo entre eles as nossas verdades não seriam reconhecidas. Quase todos estão com o pensamento cristalizado no ataúde das escolas. Para todos os espíritos, o progresso reside na experiência. A História não vos fala do suicídio orgulhoso de Empédocles de Agrigento, nas lavas do Etna, para proporcionar aos seus contemporâneos a falsa impressão de sua ascensão para os céus? Quase todos os estudiosos da Terra são assim; o mal de todos é o enfatuado convencimento de sabedoria. Nossas lições valem somente como roteiro de coragem para cada um, nos grandes momentos da experiência individual, quase sempre difícil e dolorosa.
Não crucificaram, por lá, o Filho de Deus, que lhes oferecia a própria vida para que conhecessem e praticassem a Verdade? O pórtico da pitonisa de Delfos está cheio de atualidade para o mundo. Nosso projeto de difundir a felicidade na Terra só terá realização quando os Espíritos aí encarnados deixarem de ser cidadãos para serem homens conscientes de si mesmos. Os Estados e as Leis são invenções puramente humanas, justificáveis, em virtude da heterogeneidade com respeito à posição evolutiva das criaturas; mas, enquanto existirem, sobrará a certeza de que o homem não se descobriu a si mesmo, para viver a existência espontânea e feliz, em comunhão com as disposições divinas da natureza espiritual. A Humanidade está muito longe de compreender essa fraternidade no campo sociológico.
Impressionado com essas respostas, continuei a interrogá-lo:
- Apesar dos milênios decorridos, tendes a exprimir alguma reflexão aos homens, quanto à reparação do erro que cometeram, condenando-vos à morte?
- De modo algum. Méletos e outros acusadores estavam no papel que lhes competia, e a ação que provocaram contra mim nos tribunais atenienses só podia valorizar os princípios da filosofia do bem e da liberdade que as vozes do Alto me inspiravam, para que eu fosse um dos colaboradores na obra de quantos precederam, no Planeta, o pensamento e o exemplo vivo de Jesus-Cristo. Se me condenaram à morte, os meus juízes estavam igualmente condenados pela Natureza; e, até hoje, enquanto a criatura humana não se descobrir a si mesma, os seus destinos e obras serão patrimônios da dor e da morte. .
- Poderíeis dizer algo sobre a obra dos vossos discípulos? .
- Perfeitamente - respondeu-me o sábio ilustre -, é de lamentar as observações malavisadas de Xenofonte, lamentando eu, igualmente, que Platão, não obstante a sua coragem e o seu heroísmo, não haja representado fielmente a minha palavra junto dos nossos contemporâneos e dos nossos pósteros. A História admirou na sua Apologia os discursos sábios e bem feitos, mas a minha palavra não entoaria ladainhas laudatórias aos políticos da época e nem se desviaria- para as afirmações dogmáticas no terreno metafísico. Vivi com a minha verdade para morrer com ela. Louvo, todavia, a Antístenes, que falou com mais imparcialidade a meu respeito, de minha personalidade que sempre se reconheceu insuficiente. Julgáveis então que me abalançasse, nos últimos instantes da vida, a recomendações no sentido de que se pagasse um galo a Esculápio? Semelhante expressão, a mim atribuída, constitui a mais incompreensível das ironias. - Mestre, e o mundo? - indaguei.
- O mundo atual é a semente do mundo paradisíaco do futuro. Não tenhais pressa. Mergulhando-me no labirinto da História, parece-me que as lutas de Atenas e Esparta, as glórias do Pártenon, os esplendores do século de Péricles, são acontecimentos de há poucos dias; entretanto, soldados espartanos e atenienses, censores, juízes, tribunais, monumentos políticos da cidade que foi minha pátria, estão hoje reduzidos a um punhado de cinzas!. . . A nossa única realidade é a vida do Espírito.
- Não vos tentaria alguma missão de amor na face do orbe terrestre, dentro dos grandes objetivos da regeneração humana?
- Nossa tarefa, para que os homens se persuadam com respeito à verdade, deve ser toda indireta. O homem terá de realizar-se interiormente pelo trabalho perseverante, sem o que todo o esforço dos mestres não Passará do terreno do puro verbalismo.
E, como se estivesse concentrado em si mesmo, o,grande filósofo sentenciou:
- As criaturas humanas ainda não estão preparadas para o amor e para a liberdade...
Durante muitos anos, ainda, todos os discípulos da Verdade terão de morrer muitas vezes!
 E enquanto o ilustre sábio ateniense se retirava do recinto, junto de Anaxágoras, dei por terminada a preciosa e rara entrevista.

(1) Nome convencional para figurar os centros de grandes reuniões espirituais no plano Invisível. - O Autor Espiritual.

Fonte: Extraído do livro Crônicas do além túmulo – Francisco C. Xavier / Humberto de Campos.
Imagem – Google.

TAREFA MEDIUNICA - EMMANUEL



Mediunidade não é instrumento de mágica, com que os Espíritos Superiores adormeçam a mente dos amigos encarnados, utilizando-os em espetáculos indébitos para a curiosidade humana.
Realmente observamos companheiros que se confiam a entidades não aperfeiçoadas, embora inteligentes, efetuando o fascínio provisório de muitos,no setor das gratificações sentimentais menos construtivas, entretanto, aí temos apenas o encantamento temporário e nada mais.
Tarefa mediúnica, no fundo, é consagração do trabalhador ao ministério do bem.
O fenômeno, dentro dela, surge em último lugar, porque, antes de tudo, representa caridade operante, fé ativa e devotamento ao próximo.
Quem busque orientação para empresas dessa ordem, procure a companhia do Cristo, que não vacilou em aceitar a cruz para servir, dentro do divino amor que lhe inflamava o coração.
Ser medianeiro das forças elevadas que governam a vida é sintonizar-se com a onda renovadora do Evangelho, que instituiu o “amemo-nos uns aos outros”, qual Jesus se dedicou a nós, em todos os dias da vida.
A prosperidade dos sentidos superiores da alma não reside no artificialismo dos fenômenos transitórios e sim na abnegação com que o discípulo da verdade se honra em peregrinar com o Mestre do perdão e da humildade, da renúncia e da vida eterna, auxiliando, sem exceção, aos viajores do escabroso caminho terrestre.
Se pretendes um título na mediunidade que manifesta no mundo as revelações do Senhor, não te fixes tão-só na técnica fenomênica; rejubila-te com as oportunidades de servir, exprimindo boa vontade no socorro a todos os necessitados da senda humana; e, renovando os sofredores e os ignorantes,os perturbados e os tristes, sob o estandarte vivo de teu coração aberto para a Humanidade, abraça-os por tua própria família!
Depois disso, guarda a certeza de que te movimentas para a frente e para o alto, porque Jesus, o Divino Mestre, virá ao teu encontro, inundando-te a jornada de esperança, alegria e luz.
Emmanuel

Fonte: Extraído do livro Mediunidade e Sintonia – Francisco Candido Xavier / Emmanuel
Imagem – Google

EM TORNO DA MEDIUNIDADE / EMMANUEL



Ser médium não é simplesmente fazer-se veículo de fenômenos que transcendem a alheia compreensão.
Acima de tudo, é indispensável entendamos na faculdade mediúnica a possibilidade de servir, compreendendo-se que semelhante faculdade é característica de todas as criaturas.
Acontece, porém, que o homem espera habitualmente pelas entidades protetoras em horas de prova e sofrimento, para arremessar-se ao estudo e ao trabalho quase sempre com extremas dificuldades de aproveitamento das lições que o visitam, quando o nosso dever mais simples é o de seguir, em paz,ao encontro da Espiritualidade Superior, movimentando a nossa própria iniciativa, no terreno firme do bem.
A própria natureza é pródiga de ensinamentos nesse particular.
A terra é médium da flor que se materializa, tanto quanto a flor é medianeira do perfume que embalsama a atmosfera.
O Sol é o médium da luz que sustenta o homem, tanto quanto o homem é o instrumento do progresso planetário.  
Todos os aprendizes da fé podem converter-se em médiuns da caridade através da qual opera o Espírito de Jesus, de mil modos diferentes, em cada setor de nossa marcha evolutiva.
Ampara aos teus semelhantes e encontrarás a melhor fórmula para o seguro desenvolvimento psíquico.
Na plantação da simpatia, por intermédio de uma simples palavra, estabelecemos, em torno de nós, renovadora corrente de auxílio.
Não aguardes o toque de inteligências estranhas à tua, para que te transformes no canal da alegria e da fraternidade, a benefício dos outros e de ti mesmo.
Podes traduzir a mensagem do Senhor, onde quer que te encontres, aprendendo, amando, construindo e servindo sempre, porque acima dos médiuns dessa ou daquela entidade espiritual, desse ou daquele fenômeno que muitas vezes espantam ou comovem, sem educar e sem edificar, permanecem a consciência e o coração devotados ao Supremo Bem, através dos quais o Senhor se manifesta, estendendo para nós todos a bênção da vida melhor.
Emmanuel 

Fonte: Extraído do livro Mediunidade e Sintonia – Francisco C. Xavier/ Emmanuel

Imagem : Google

ORAÇÃO AO CÉU DO BRASIL - DITADO PELO ESP. D. PEDRO DE ALCÂNTRA



Espírito: D. Pedro de Alcântra
Médium: Francisco C. Xavier


 

Céu do Brasil, da gloria em que te estrelas,   


Na mensagem de paz ao mundo inteiro,

Guarda os astros sublimes do Cruzeiro

Por nossas avançadas sentinelas.

Recebe as nossas suplicas singelas

E derrama no solo brasileiro

As bênçãos do Divino Timoneiro,

Das quais, ditoso e lindo, te constelas!

Faze da terra, que nos abençoa,

Florão de amor e rutila coroa

Para o trono do bem, puro e fecundo.

E faze-nos, no imenso campo humano,

Servidores do Cristo Soberano

No iluminado coração do Mundo.



Fonte: Extraído do livro Chico Xavier Pede licença – Por Francisco C. Xavier e J. Herculano Pires

DESENCARNAÇÕES COLETIVAS - EMMANUEL


“Sendo Deus a Bondade Infinita, por que permite a morte aflitiva de tantas pessoas enclausuradas e indefesas, como nos casos dos grandes incêndios?”
(Pergunta endereçada a Emmanuel por algumas dezenas de pessoas em reunião publica, na noite de 28-02-1972, em Uberaba, Minas Gerais.).



Resposta de Emmanuel


Realmente reconhecemos em Deus o Perfeito Amor aliado a Justiça Perfeita. E o homem, filho de Deus, crescendo em amor, traz consigo a justiça imanente, convertendo-se, em razão disso, em qualquer situação, no mais severo julgador de si próprio. Quando retornamos da Terra para o mundo espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgata-los devidamente. E assim que, muitas vezes, renascemos no Planeta em grupos.
Compromissados para a redenção múltipla.
Invasores ilaqueados pela própria ambição, que esmagávamos coletividades na volúpia do saque, tornamos a Terra com encargos diferentes, mas em regime de encontro marcado para a desencarnação conjunta em acidentes Públicos. Exploradores da comunidade, quando lhe exauríamos as forcas em proveito pessoal, pedimos a volta ao corpo denso para facearmos unidos o ápice de epidemias arrasadoras. Promotores de guerras manejadas para assalto e crueldade pela megalomania do ouro e do poder, em nos Fortalecendo para a regeneração, pleiteamos o plano físico a fim de sofrermos a.Morte de partilha, aparentemente imerecida, em acontecimentos de sangue e lagrimas. Corsários que ateávamos fogo a embarcações e cidades na conquista de presas fáceis, em nos observando no Alem com os problemas da culpa, solicitamos o retorno a Terra para a desencarnação coletiva em olorosos incêndios, inexplicáveis sem a reencarnação.
Criamos a culpa e nos mesmos engenhamos os processos destinados a extinguir-lhe as consequências. E a Sabedoria Divina se vale dos nossos esforços e tarefas de resgate e reajuste a fim de induzir-nos a estudos e progressos sempre mais amplos no que diga respeito a nossa própria segurança. E por esse motivo que, de todas as calamidades terrestres, o homem se retira com mais experiência e mais luz no cérebro e no coração, para defender-se e valorizar a vida.
Lamentemos sem desespero quantos se fizeram vitimas de desastres que nos confrangem a alma. A dor de todos eles e a nossa dor. Os problemas com que se defrontaram são igualmente nossos. Não nos esqueçamos, porem, de que nunca estamos sem a presença da Misericórdia Divina junto às ocorrências da Divina Justiça, que o sofrimento e invariavelmente reduzido ao mínimo para cada um de nos, que tudo se renova para o bem de todos e que Deus nos concede sempre o melhor.

Fonte: Extraído do livro Chico Xavier pedi licença – Por Francisco Candido Xavier e J. Herculano Pires
Imagem Google

FILÓSFOS MÉDIUNS - ARTIGO ESCRITO POR J. HERCULANO PIRES




Vários leitores perguntam-nos se a resposta de Chico Xavier, no “Pinga Fogo” do Canal 4, sobre a possibilidade de terem sido médiuns os filósofos citados pelo Prof. João de Scantimburgo, e valida.  
Basta lembrar, no caso, a mediunidade conhecido de Sócrates, que se confessava amparada pelo seu “daemon” ou Espírito, ao qual sempre consultava. Seu discípulo Platão era médium vidente e oferece-nos, na República, o mito espírita da Caverna. Na Revista Espírita, de Kardec, ha importantes mensagens psicográficas de Platão. Modernamente temos o caso de Rene Descartes e dos seus famosos sonhos, através dos quais recebeu do Espírito da Verdade a orientação filosófica que o tornou o pai do pensamento moderno. Chico Xavier não recebeu mensagens de grandes filósofos porque a sua missão e no plano evangélico, mas basta ler o seu livro Emmanuel para se encontrarem respostas filosóficas e cientificas a problemas que foram propostos ao médium. Na Itália, através da tiptologia, foi recebido, ha alguns anos, todo um livro de Schopenhauer.

Fonte: Extraído do livro Chico Xavier Pede Licença – por Francisco C. Xavier e J. Herculano Pires.
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DIÁRIO DE UM MÉDIUM



Quando, por solicitação de amigos, penetramos o quarto de Alfredo Lúcio, para acudi-lo no processo de desencarnação, o diário que o tempo amarelecera estava aberto e podíamos ler, em trechos curtos, a história de sua experiência.

22 de Outubro – Nesta noite inesquecível de 22 de Outubro de 1928, faço. minha profissão de fé. Acompanhei reunião íntima no “Centro Espírita Vicente de Paulo”, na rua Tavares Guerra, 74, aqui no Rio, e pude ouvir a palavra de minha mãe que eu supunha morta. Ela mesma. Falava-me pelo médium, como se estivéssemos em nossa casa do Méier. Chorei muito. Estou transformado. Sou agora espírita. Peço a Deus me abençoe os votos solenes de trabalhar pela grande causa.

23 de Outubro – Tentei a mediunidade escrevente e consegui. Maravilhoso! A idéia me escorria da cabeça com a mesma rapidez com que a frase escrita me saía da mão. Recebi confortadora mensagem assinada por D. Amélia Hartley Antunes Maciel, a Baronesa de Três Serros, que foi companheira de infância de minha mãe. Aconselhou-me a aperfeiçoar a mediunidade, a fim de cooperar na evangelização do povo. Sim, sim, obedecerei...

24 de Outubro – Procurei o confrade Rr. Augusto Ramos, da Diretoria do "Vicente de Paulo”, na Ponta do Caju, e falei-lhe de meus planos. Encorajou-me. Foi para mim valioso entendimento espiritual. Quero servir, servir.

25 de Outubro – Congreguei vários irmãos no “Centro”, em animada conversação sobre os desastres morais. A imprensa está repleta de casos tristes. Suicídios, homicídios. Comentamos o imperativo da mediunidade apostólica. É muito sofrimento nascido da ignorância! Deus de Bondade Infinita, darei minha vida pelo esclarecimento doa meus irmãos em Humanidade!...

26 de Outubro – Avistei-me hoje com o Rr. Leopoldo, Cirne e sua estimada esposa, na residência deles próprios. Foram amigos de D. Amélia. Oramos. A baronesa comunicou-se, exortando-me ao cumprimento do dever. Convidou-me a estudos sérios. O Sr. Cirze falou-me, bondoso, quanto à necessidade do discernimento.

27 de Outubro – Continuo a trabalhar ativa-mente na psicografia...

10 de Novembro – O presidente de nossa casa espírita ponderou comigo que é importante não acelerar o desenvolvimento mediúnico. Entretanto, não concordei. A ignorância e a dor esperam por mensagens do Alto. Nas últimas seis noites, recebi páginas e página" do Espírito que se deu a conhecer como sendo Filon, de Atenas, desencarnado na Grécia antiga. Disse-me que tenho grande missão a cumprir...

2 de Dezembro – É tanta gente a falar-me sobre estudo, que deixei de freqüentar o “Centro”... Preciso trabalhar, trabalhar. Filon está escrevendo quatro horas diàriamente, por meu intermédio. Está preparando dois livros, através de minhas faculdades. Sim, ele tem razão. O mundo espera, ansioso, a evidência do Plano Espiritual!

1 de Janeiro – Entrei no Ano Novo psicografando...

29 de Janeiro – Apresentei ao Sr. Leopoldo Cirne os frutos de meu trabalho. Dois livros assinados pelo Espírito de Filon. Um romance e um manual de meditações evangélicas. O Sr. Cirne pediu-me procurá-lo na semana próxima.

5 de Fevereiro – Grande decepção! O Sr. Leopoldo Cirne falou-me francamente. Admite que eu esteja ludibriado. Reconhece as minhas qualidades mediúnicas, mas pede que eu estude, afirmando que os livros de Filou são fracos. Acha que é cedo para eu pensar em publicação de livros, que devo amadurecer em conhecimento e experiência para colaborar seriamente com os bons Espíritos. Despedi-me, desapontar...

6 de Fevereiro – Procurei o Dr. Guillon Ri-beiro, da Federação Espírita Brasileira, que me recebeu, cortês, em sua própria casa. Entreguei-1h os meus originais mediúnicos, rogando opinião.

20 de Fevereiro – Voltei ao Dr. Guillon Ri-beiro. Devolveu-me as mensagens, referindo-se, paternal, ao perigo das mistificações e à necessidade de critério, na apresentação de qualquer assunto espírita. Declarou que tenho promissora mediunidade, embora ainda muito verde, e asseverou que devo preparar-me à frente do futuro. Um rapaz, que se achava junto dele, falou em obsessão. Informou que um médium pode ser atacado, sem perceber, pela influência de Espíritos inferiores, assim como planta suscetível de ser assaltada por pragas silenciosas. Compreendi claramente que o moço me considerava obsidiado. Uma ofensa! Saí

revoltado. Começo a desiludir-me...

4 de Abril – Estou desolado. Ouvi hoje o Dr. Ignácio Bittencourt, pela quarta vez numa semana. Já tenho quatro novos livros do Espírito de Filon, mas o Sr. Bittencourt, que os leu, está do “contra”. Recomendou-me estudo. Deu-me conselhos. Parece que o homenzinho quer entrar em minha vida. Falou-me em reforma íntima, como se eu fosse um criminoso em regeneração...

6 de Abril – Conversei com D. Retília, médium experiente, em casa de D. Francisca de Souza, depois de reunião familiar. Parece que ela me viu na conta de uma pessoa irresponsável, pois ofereceu-me longa lista de instruções, explicando que preciso reajustar-me. E falou também na necessidade do estudo...

8 de Abril – Não agüento. Qualquer espírita que me encontra, ao invés de ajudar-me, só me fala em estudo e discernimento, em discernimento e estudo... Serei alguma criança? Arre com tanta ponderação!... Se mediunidade é serviço em que devamos atender as exigências de todo mundo, não nasci para ser cachorro de ninguém! Todos os espíritas se julgam com direito de me advertir e reprovar!... Sou um homem sensível... Não posso mais!... Via-se que o livro de notas fora abandonado por muitos anos. Entretanto, logo em seguida aos apontamentos mencionados, estava escrito em tinta fresca :

6 de Setembro de 1959 – O amado Jesus, quero abraçar agora a luz da mediunidade de que desertei, há mais de trinta anos! Quero cumprir a minha tarefa, Senhor! Perdoa-me o tempo perdido. Dá-me algum, tempo mais!... Preciso de mais tempo, Mestre! Socorre-me! Levanta-me as forças! Prometo servir à verdade durante o resto de minha vida!... Mas o veiculo orgânico de Alfredo Lúcio não conseguira esperar pela concessão, pois finda a nossa rápida leitura, mal tivemos tempo para ajudá-lo a sair do corpo, cujos olhos congestos se fecharam pesadamente para o sono da morte.

Fonte: Extraído do livro Contos desta e doutra vida - Francisco C. Xavier / Esp Irmão X
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YVONE A PEREIRA - FALA SOBRE PSICOGRAFIA

11 de out de 2010


Fiel leitor, é com uma enorme satisfação que começaremos a postar no blog, entrevistas concedidas pela médium Yvone Amaral Pereira.
São assuntos interessantes, que eu tenho certeza que irá nos auxilair na  compreensão de assuntos relacionados a  mediunidade.A primeira postagem ela irá falar sobre mediunidade de psicografia e  de suas obras psicografadas.  Apreciem as entrevistas  de Yvone Amaral Pereira
Boa Leitura e reflexão.
Luciano Dudu

Material extraído do livro Pelos Caminhos da Mediunidade Serena.

Apesar de Yvone do Amaral Pereira, ser conhecida no movimento espírita desde o ano de 1955, somente em 1972 a imprensa espírita publicaria uma entrevista sua. È que ela era arredia a qualquer publicidade. Não gostava de falar de si mesma, muito menos da sua mediunidade. Quando entrevistada pedia que as perguntas lhe fossem dadas com antecedência para evitar quaisquer exageros. A primeira que trazemos, aqui, é também a primeira entrevista concedida por ela. Publicada na Revista Internacional do Espiritismo, de maio de 1972, revela detalhes sobre a recepção dos livros mediúnicos, a interferência do médium nas comunicações e a relação existente entre parapsicologia, psicologia e espiritismo dentre outros assuntos.
 

RIE- Ao receber a mensagem do além, para seus livros você fica consciente do que escreve ou só reconhece ao terminar? 

Resposta de Yvone Pereira:
  
A obtenção de um livro mediúnico é trabalho árduo, que mobiliza todas as forças mentais e psíquicas do médium a serviço do agente comunicante, pois é transmissão de pensamento a pensamento. Nem todos os médiuns têm a mesma característica para a recepção desse gênero de trabalho. No que me diz respeito, sofro transe pronunciado, embora não completo. Tenho consciência de mim mesma, mas de qualquer rumor exterior me poderá perturbar. Por essa razão, só escrevo altas horas da noite. Vou lendo o que escrevo como se tratasse de um folhetim que me apresentam. O impulso do braço é atordoamento é ligeiro sem ser veloz. Às vezes, ouço o murmúrio do ditado, como se o espírito comunicante falasse aos meus ouvidos, o que facilita a recepção. Se a obra é de difícil captação, como Memória de um suicida e Nas voragens do Pecado, o impulso vibratório do braço é menos rápido. Perco a noção do que me rodeia, mas não de mim mesma; somente me apercebo da tarefa que executo, por isso necessito de silencio e tranquilidade. Às vezes, vejo as cenas que estou descrevendo, mas só me inteiro do conteúdo da obra, verdadeiramente, depois da sua publicação.
 

RIE- Quantas obras já publicou e quais os seus autores?  

Resposta de Yvone:

Publicados tenho apenas onze, mas possuo várias inéditas, esperando oportunidade para virem a lume. Os autores são os espíritos de Adolfo Bezerra de Menezes, Camilo Castelo Branco, Charles, cujo sobrenome ainda eu desconheço, e Léon Tolstoi. Nessas onze obras, estão incluídas as duas constantes do volume “Nas telas do Infinito” e as duas constantes do volume” Dramas da obsessão”.
 
Nota de esclarecimento:
Além de referir-se, aqui, às obras de que melhor será tratado mais a diante, Yvonne também se referia ao livro “Sublimação", contendo contos dos espíritos Charles e Léon Tolstoi, que seria publicado no ano de 1973, um ano depois, portando da presente entrevista. Nas telas do infinito – é composta de duas novelas: “Uma história triste”, de Bezerra de Menezes, e “O tesouro do castelo”, de Camilo Castelo Branco. O livro “Dramas da obsessão” ditado pelo espírito Bezerra de Menezes, divide-se em duas histórias Leonel e os Judeus e A severidade da Lei.
 

RIE- Como e quando começou a psicografar?
 
Resposta de Yvone Pereira:
 
Aos doze anos de idade  eu já escrevia impulsionada pelos espíritos, sem, contudo, ter verdadeira noção do fenômeno. Sou criada em ambiente espírita desde o berço e por isso o fato nunca me impressionou. Sentia indomável impulso no braço e atordoamento, sem, no entanto, se verificar o transe, e isso fora mesmo de sessões práticas. Desejava parar de escrever e não conseguia. O fenômeno parece que se processava pela psicografia mecânica. E via o espírito comunicante, que se nomeava Roberto, afirmando ter vivido na Espanha, pelo século XIX. Nunca procurei desenvolver a mediunidade ou a provoquei. Apresentou-me ela, naturalmente, desde a infância. Apenas procurei imprimir-lhe o rumo conveniente, educando-me na moral evangélica e nas disciplinas recomendadas pela doutrina espírita. E comecei a psicografar livros ainda em minha juventude, recebendo o primeiro convite ao trabalho e as necessárias instruções do espírito Camilo Castelo Branco, que desde minha infância se revelou um grande amigo espiritual. Qualquer entidade que conceda uma obra psicografada convida o médium (não ordena) e fornece instruções. Sem esse convite será difícil, senão impossível, conseguir-se alguma coisa autêntica. Pelo menos é o que acontece comigo.
 

Fonte: Pelos caminhos da Mediunidade Serena/ Yvone do Amaral Pereira – 1ª Ed., 1ª reimp. – São Paulo, SP: Lachâtre, 2007, pag.24-26. Imagem: Google

YVONE AMARAL PEREIRA - BIOGRAFIA

7 de out de 2010


Amigo Leitor, para dar início uma nova série de postagens sobre mediunidade, trouxemos a biografia de Yvone Amaral Pereira, uma médium notável, que desempenhou um grande papel nas lides mediunicas com Jesus.  Em breve começaremos a postar entrevistas onde Yvone Amaral Pereira, fala sobre sua mediunidade, sua vida e suas obras mediunicas.
Convido a todos para apreciarem a biografia dessa grande tarefeira da Seara Espírita.
Um bom final de semana a todos.
Luciano Dudu

BIOGRAFIA
Yvonne do Amaral Pereira
(Rio das Flores, RJ, 24 de dezembro de 1900 — Rio de Janeiro, 9 de março de 1984 foi uma médium brasileira, autora de diversos livros psicografados.

Dona Yvonne, conhecida pelos familiares e amigos como "Tuti", foi uma das mais respeitadas médiuns brasileiras, foi autora de romances psicografados bastante conhecidos, dedicou-se por muitos anos à desobsessão e ao receituário mediúnico homeopático.
Filha de Manuel José Pereira Filho, um pequeno comerciante, e de Elizabeth do Amaral, foi a primeira de seis filhos do casal. A mãe já havia tido um filho de seu primeiro casamento.
Recém-nascida, com apenas 29 dias, teve um acesso de tosse que a sufocou, deixando-a em estado de catalepsia, em que se manteve por seis horas, tendo o médico e o farmacêutico da localidade chegado a atestar o óbito por sufocação. A família preparou o corpo da bebê para o velório, colocando-lhe um vestido branco e azul, adornando-a com uma grinalda, enquanto aguardava o pequeno caixão branco da praxe. Nesse momento, a sua mãe, retirando-se para o interior da residência da família, endereçou uma fervorosa prece a Maria de Nazaré, solicitando-lhe a intervenção, uma vez que, no íntimo, não acreditava que a filha estivesse morta. Momentos depois, a bebê acordou, chorando. Décadas mais tarde, foi explicado que o fenômeno, vivido naquela idade, correspondera a um resgate da médium, suicida por afogamento em encarnação anterior.
Yvonne cresceu em lar espírita e modesto, visitado em diversas ocasiões pela pobreza. O pai, homem de bom coração, desinteressado dos bens materiais, conheceu a falência comercial por três vezes, por favorecer os fregueses em prejuízo próprio. Posteriormente viria a tornar-se modesto funcionário público, cargo que ocupou até sua desencarnação, em 1935. Era comum a família abrigar pessoas necessitadas, vivências que marcariam a vida futura da médium, que afirmaria mais tarde, que desde cedo se desprendeu das vaidades do mundo, vivenciando as dificuldades do próximo.
Com quatro anos de idade, a menina já via e ouvia espíritos, os quais, por falta de conhecimento e maturidade, considerava como pessoas normais, encarnadas. Duas entidades lhe eram particularmente caras:
o espírito Charles, a quem considerava o verdadeiro pai terreno, devido a vivas lembranças de uma encarnação passada, em que esta entidade fora o seu pai carnal. Este seria um seu orientador espiritual durante toda a sua vida e atividade mediúnica.
o espírito Roberto de Canalejas, um médico espanhol em meados do século XIX, entidade pela qual nutria profundo afeto e com a qual mantinha estreitas ligações espirituais, com dívidas a saldar.
Os fenômenos que percebia perturbavam a jovem Yvonne, acometida de imensa saudade do ambiente familiar que desfrutara na encarnação anterior, na Espanha, que recordava com vívida clareza. Considerava os seus atuais familiares, principalmente o pai e os irmãos, como pessoas estranhas, assim como estranhava a casa e a cidade onde morava. Para a criança, o pai verdadeiro era o espírito Charles e a casa real, a da Espanha. Esses sentimentos conflituosos, assim como o afloramento das faculdades mediúnicas, faziam com que Yvonne apresentasse um comportamento considerado anormal por seus familiares, razão pela qual, até aos dez anos de idade passou a maior parte do tempo na casa da avó paterna.
Aos oito anos de idade, a menina viveu novo episódio de catalepsia, associado a desprendimento parcial. Certa noite, em desdobramento espiritual, percebeu-se diante de uma imagem do Senhor dos Passos, existente na igreja freqüentada pela família, pedindo socorro, pois sofria muito. A imagem, então, animando-se, dirigiu-lhe as palavras: Vem comigo minha filha: será o único recurso que terás para suportar os sofrimentos que te esperam. A menina, aceitando a mão que lhe era estendida pela imagem, subiu os degraus do altar e não se lembrou de mais nada.
Nessa idade teve o primeiro contato com um livro espírita. Posteriormente, aos doze anos, ganhou de presente do pai O Evangelho segundo o Espiritismo e o Livro dos Espíritos, obras doutrinárias fundamentais que a acompanharam pelo resto da vida, atuando como um bálsamo nas muitas horas difíceis. Aos treze anos de idade começou a freqüentar sessões práticas de Espiritismo, o que lhe dava grande alegria, uma vez que conseguia visualizar os espíritos comunicantes.
Yvonne teve como estudos apenas o antigo curso primário (atual primeiro segmento do ensino fundamental). Devido às dificuldades financeiras da família não conseguiu prosseguir nos estudos, o que lhe representou enorme provação, uma vez que amava o estudo e a leitura. Para auxiliar a família, e o próprio sustento, dedicou-se à costura e ao bordado, e ao artesanato de rendas e flores. Afastada do mundo em função da educação patriarcal do interior do Brasil à época, se o recolhimento favoreceu o seu desenvolvimento mediúnico, transformando-a, entretanto, em uma criança excessivamente tímida e melancólica. Tendo cultivado desde a infância o estudo e a leitura, completou a sua formação como autodidata, pela leitura de livros e periódicos. Aos dezesseis anos já tinha lido obras clássicas de Goethe, Bernardo Guimarães, José de Alencar, Alexandre Herculano, Arthur Conan Doyle e outros.
A partir dessa idade, fase da adolescência, a mediunidade tornou-se um fenômeno comum para Yvonne, que recebia a maior parte dos informes de além-túmulo, crônicas e contos em desdobramento, no momento do sono noturno. A sua faculdade apresentava-se diversificada, tendo se dedicado à psicografia e ao receituário homeopático, à incorporação, à psicofonia e ao passe, e até mesmo, em algumas ocasiões, aos efeitos físicos de materialização. Dedicou-se à atividade de desobsessão, alimentando um particular carinho pelos suicidas: muitas das entidades que teve oportunidade de assistir tornaram-se suas amigas ao longo dos anos. Atuou em casas espíritas nas cidades de Lavras (MG), Barra do Piraí (RJ), Juiz de Fora (MG), Pedro Leopoldo (MG) e Rio de Janeiro (RJ), onde residiu sucessivamente.
Foi assistida por entidades de grande reputação como o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, Bittencourt Sampaio, Camilo Castelo Branco, Frederic Chopin, Charles, Roberto de Canalejas e outras.
Um dos aspectos mais marcantes de sua atuação mediúnica foi a sua independência, que questionava com fundamento os entraves burocráticos que algumas casas espíritas impõem aos seus trabalhadores. Preferia seguir os preceitos da caridade evangélica, a qualquer hora e local em que fosse procurada pelos sofredores.
Esperantista atuante, trabalhou na sua propaganda e difusão, através de correspondência que mantinha com outros esperantistas, tanto no Brasil, quanto no exterior.

Homenagem
Quando dos dez anos de sua morte, a revista Reformador (março, 1994) publicou extensa matéria em memória da médium, de autoria de Augusto Marques de Freitas.
Ali, o articulista resumiu o sentimento que os espíritas dedicam-lhe: "A vida a a obra de Yvonne do Amaral Pereira ficarão gravadas para sempre no coração de todos nós e na História do Espiritismo."

Obra
A obra mediúnica de Yvonne Pereira monta a uma vintena de livros. Embora desde 1926 tenha recebido numerosas obras por meio da psicografia, somente decidiu publicá-las na década de 1950, após muita insistência dos mentores espirituais. Dentre as mais conhecidas destacam-se:
Memórias de um Suicida (Rio de Janeiro: FEB, 1955. 568p.) – ditado iniciado em 1926 pelo espírito Camilo Castelo Branco, completado posteriormente pelo espírito Léon Denis. Constitui-se num libelo contra o suicídio, descrevendo em sua primeira parte, os sofrimentos experimentados pelos que atentaram contra a própria vida. Na segunda e na terceira partes focaliza os trabalhos de assistência e de preparação para uma nova encarnação. Esta obra é considerada um marco na bibliografia mediúnica brasileira e o melhor exame sobre o suicídio sob o ponto de vista doutrinário espírita.

Nas Telas do Infinito – apresenta duas novelas: uma pelo espírito Bezerra de Menezes e outra pelo espírito Camilo Castelo Branco.

Amor e Ódio (Rio de Janeiro: FEB, 1956. 553p.) – ditado pelo espírito Charles, enfoca o drama de um ex-aluno francês do Prof. Rivail (Allan Kardec), o artista Gaston de Saint-Pierre acusado de um crime que não cometera. Após grandes padecimentos, recebe os esclarecimentos elucidativos por meio de um exemplar de O Livro dos Espíritos, à época em que este foi lançado pelo Codificador.

A Tragédia de Santa Maria (Rio de Janeiro: FEB, 1957. 267p.) – ditado pelo espírito Bezerra de Menezes, ambientado em uma fazenda de café em Vassouras (RJ).

Ressurreição e Vida (Rio de Janeiro: FEB, 1963. 314p.) – ditado pelo espírito Leon Tolstoi, compreende seis contos e dois mini-romances ambientados na Rússia dos czares.

Nas Voragens do Pecado (Rio de Janeiro: FEB, 1960. 317p.) - primeiro volume de uma trilogia ditada pelo espírito Charles, relata a trágica história do massacre dos huguenotes na Noite de São Bartolomeu (23 de Agosto de 1572), durante uma encarnação anterior da médium na personalidade de Ruth-Carolina de la Chapelle.

O Cavaleiro de Numiers (Rio de Janeiro: FEB, 1976. 216p.) - segundo volume da trilogia, mostra a encarnação da médium, ainda na França, na personalidade de Berth de Sourmeville.

O Drama da Bretanha (Rio de Janeiro: FEB, 1974. 206p.) – terceiro e último volume da trilogia, ilustra como a médium, agora como Andrea de Guzman, não consegue suportar os embates de sua expiação e se suicida por afogamento.

Dramas da Obsessão (Rio de Janeiro: FEB, 1964. 209p.) – ditada pelo espírito Bezerra de Menezes, compreende duas novelas abordando o tema obsessão.

Sublimação (Rio de Janeiro: FEB, 1974. 221p.) – apresenta dois contos ditados pelo espírito Charles (um ambientado na Pérsia e outro na Espanha) e três contos pelo espírito Leon Tolstoi (ambientados na Rússia).


Como escritora, publicou muitos artigos em jornais populares, produção atualmente desconhecida, que carece de um trabalho amplo de recuperação. São ainda da autora:
A Família Espírita
 
À Luz do Consolador (Rio de Janeiro: FEB, 1997. ) - coletânea de artigos da médium na revista Reformador, originalmente entre a década de 1960 e a de 1980.

Cânticos do Coração (Rio de Janeiro: Ed. CELD. 1994. 2 v. 246 p.) - coletânea de artigos publicados no jornal Obreiros do Bem.
 
Contos Amigos

Devassando o Invisível (Rio de Janeiro: FEB, 1963. 232p.) – a autora, sob a supervisão de instrutores espirituais, desenvolve uma dezena de estudos sobre temas doutrinários, com base em fatos por ela observados e vividos no mundo espiritual.
 
Evangelho aos Simples

O Livro de Eneida
 
Pontos Doutrinários – reúne crônicas publicadas na revista Reformador.
 
Recordações da Mediunidade (Rio de Janeiro: FEB, 1968. 212p.) – a autora discorre sobre reminiscências de vidas passadas, arquivos da alma, materializações, premonição e obsessão.  
A Lei de Deus 
Nos primeiros dias de março do ano de 1984, Yvonne afirmara que não valeria a pena o trabalho de colocação de um marcapasso. Contudo, submeteu-se à cirurgia de emergência, à qual não resistiu, desencarnando. Retornou assim, ao Mundo Espiritual, uma das mais respeitáveis médiuns do Movimento Espírita Brasileiro, Yvonne do Amaral Pereira, às 22 horas do dia 9 de março daquele ano, após um longo período de atividades na causa espírita.
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NUM SÉCULO DE ESPIRITISMO - Mensagem 04/01/1960

5 de out de 2010

 
Reunião pública de 4/1/60
Questão nº 1

 

Num século inteiro de atividades, temos visto a Ciência procurando apaixonadamente as realidades do Espírito.
Provas indiscutíveis não lhe foram regateadas. E tantas foram elas que Richet conseguiu articular, com êxito,as bases clássicas da Metapsíquica, usando recursos tão demonstrativos
e convincentes quanto aqueles empregados na exposição de qualquer problema de patologia ou botânica. Sábios distintos, entre os quais Wallace e Zöllner, Crookes e Lombroso, Myers e Lodge, mobilizando médiuns notáveis, efetuaram experiências de valor inconteste.Entretanto, se nos vinte lustros passados a mediunidade serviu para atender aos misteres brilhantes da observação científica, projetando inquirições do homem para a Esfera Espiritual, é justo satisfaça agora às necessidades morais da Terra, carreando avisos da Esfera Espiritual para o homem. Se o primeiro século de Doutrina Espírita viu realizações admiráveis, desde os cálculos profundos da física nuclear aos rudimentos da Astronáutica, surpreendeu, igualmente, calamidades terríveis, como sejam: as guerras de conquista e rapinagem, nas quais os campos de prisioneiros foram teatro para os mais hediondos espetáculos de barbárie e degradação, em nome do direit o; a técnica na destruição de cidades em massa; as inquisições políticas, à feição das antigas inquisições religiosas, amordaçando a liberdade de consciência; a proliferação das indústrias do aborto, às vezes com o amparo de autoridades respeitáveis; a onda crescente dos suicídios; o delírio dos entorpecentes; o abuso da hipnose; o lenocínio transformado em costume elegante da vida moderna; o aumento dos chamados crimes perfeitos, com manifesta perversão da inteligência, e a percentagem assustadora das moléstias mentais com alicerces na obsessão. Desse modo, não nos basta apenas um “espiritismo científico”
que despenda indefinida quota de tempo averiguando a sobrevivência do ser, além do sepulcro.Embora a elevação de propósitos dos pesquisadores eminentes,que tateiam os domínios da alma, não podemos esquecer a edificação do sentimento. É assim que, repetindo as lições do Cristo para o mundo atormentado, não nos achamos simplesmente diante de um “espiritismo social”, mas em pleno movimento de recuperação da dignidade humana, porquanto, em verdade, perante o materialismo irresponsável, a sombrear universidades e gabinetes, administrações e conselhos, laboratórios e templos, cenáculos e
multidões, o Evangelho de Jesus, para esclarecimento do povo, tem regime de urgência.

Fonte: Item 1, Livro Seara dos Médiuns - Francisco C .Xavier/ Emmanuel
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SOLIDÃO - EMMANUEL




“O presidente, porém, disse: – mas, que mal fez ele? E eles mais clamavam, dizendo: – seja crucificado.” –(Mateus, 27:23.)


À medida que te elevas, monte acima, no desempenho do próprio dever, experimentas a solidão dos cimos e incomensurável tristeza te constringe a alma sensível.
Onde se encontram os que sorriram contigo no parque primaveril da primeira mocidade?
Onde pousam os corações que te buscavam o aconchego nas horas de fantasia? Onde se acolhem quantos te partilhavam o pão e o sonho, nas aventuras ridentes do início? Certo, ficaram...
Ficaram no vale, voejando em círculo estreito, à maneira das borboletas douradas, que se esfacelam ao primeiro contacto da menor chama de luz que se lhes descortine à frente. Em torno de ti, a claridade, mas também o silêncio... Dentro de ti, a felicidade de saber, mas igualmente a dor de não seres compreendido... Tua voz grita sem eco e o teu anseio se alonga em vão. Entretanto, se realmente sobes, que ouvidos te poderiam escutar a grande distância e que coração faminto de calor do vale se abalançaria a entender, de pronto, os teus ideais de altura? Choras, indagas e sofres... Contudo, que espécie de renascimento não será doloroso? A ave, para libertar-se, destrói o berço da casca em que se formou, e a semente, para produzir, sofre a dilaceração na cova desconhecida. A solidão com o serviço aos semelhantes gera a grandeza. A rocha que sustenta a planície costuma viver isolada e o Sol que alimenta o mundo inteiro brilha sozinho. Não te canses de aprender a ciência da elevação. Lembra-te do Senhor, que escalou o Calvário, de cruz aos ombros feridos. Ninguém o seguiu na morte afrontosa, à exceção de dois malfeitores, constrangidos à punição, em obediência à justiça. Recorda-te dele e segue... Não relaciones os bens que já espalhaste. Confia no Infinito Bem que te aguarda. Não esperes pelos outros, na marcha de sacrifício e engrandecimento. E não olvides que, pelo ministério da redenção que exerceu para todas as criaturas, o Divino Amigo dos homens não somente viveu, lutou e sofreu sozinho, mas também foi perseguido e crucificado.
Fonte: item 70, extraído do livro Fonte Viva- Médium Franciso C Xavier /Emmanuel, ed. FEB
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Leia com atenção

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Nota de esclarecimento

As imagens contidas neste blog, são retiradas do banco de imagens da rede web.
Agradeço a todos que compartilham na rede tais imagens e até mesmo textos.
Caso haja algum problema de utilização em meu blog de algum material de sua autoria, entre em contato para que eu proceda a retirada.
Luciano Dudu