Vídeo de divulgação da História e o Espiritismo

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COMUNICAÇÃO DE LAMENNAIS

14 de dez de 2010



             Revista Espírita Julho de 1865, França.

A religião espiritualista é a alma do cristianismo; não é preciso esquecê-lo. No meio do materialismo, do culto protestante e católico, o cardeal Wiseman usou proclamar a alma antes do corpo, o espírito antes da letra. Essas espécies de audácias são raras nos dois cleros, e é um espetáculo desabituado, com efeito, o ato de fé espírita do cardeal Wiseman. Seria estranho, de resto, que um espírito, assim cultivado, tão elevado quanto o do eminente cardeal tivesse visto no Espiritismo uma fé rebelde aos ensinos da mais pura moral do C ristianismo; Não saberíamos aplaudir mais, nós Espíritas, a essa confiança distanciada de todo respeito humano, de todo escrúpulo mundano. Não é um encorajamento a voz de um agonizante tão distinto? Não é um anúncio para o futuro? Uma promessa que com a boa vontade tanto pregada pelo Evangelho não há senão uma verdade contida na prática da caridade e da crença na imortalidade da alma? Outras vozes não menos sagradas proclamam cada dia nossa imortal verdade. É um Hosana sublime que cantam os homens visitados pelo Espírito, hosannah também puro, também entusiasta quanto o das almas visitadas por Jesus. Nós mesmos, almas em sofrimento, não afastamos de nós a lembrança que nos chega, e no purgatório que sofremos, escutamos a voz daqueles que nos fazem ver além. 

ditado por : LAMENNAIS. 

(Méd., Sr. A. Didier.)

Fonte: Revista Espírita, Julho de 1865, Allan Kardec, Editora Ide, 1ª edição. SP, Brasil 
Imagem: Google 






Traço Biográfico 

Felicité Robert de Lamennais 
Expoentes da Codificação 

Material extraído do site: http://www.espiritismogi.com.br/


Nascido em uma família burguesa, em 19 de junho de 1782, em Saint-Malo, na França, foi brilhante escritor, tornando-se uma figura influente e controversa na história da Igreja francesa. Com seu irmão Jean, concebeu a idéia de reviver o Catolicismo Romano como uma chave para a regeneração social. Chegaram a esboçar um programa de reforma em sua obra : Reflexões do estado da Igreja..., no ano de 1808.Cinco anos mais tarde, no auge do conflito entre Napoleão e o Papado, os irmãos produziram uma defesa do Ultramontanismo (Doutrina e política dos católicos franceses que buscavam inspiração na Cúria Romana, defendendo a autoridade absoluta do Papa em matéria de fé e disciplina). Este livro valeu a Lamennais um conflito com o Imperador, ocasionando sua fuga para a Inglaterra, rapidamente, no ano de 1815. Um ano depois, com seus 34 anos de idade, Lamennais retorna a Paris e é ordenado padre. Escritor fluente, político e filósofo, ele se esforçava para combinar a política liberal com o Catolicismo Romano, depois da Revolução Francesa. Por isso, já em 1817 publicou "Ensaios sobre a indiferença em matéria de religião considerada em suas relações com a ordem política e civil", além de uma tradução da "Imitação de Jesus Cristo". O Ensaio lhe valeu fama imediata. Nele, Lamennais argumentava a respeito da necessidade da religião, baseando seus apelos na autoridade da tradição e a razão geral da Humanidade, em vez do individualismo do julgamento privado. Embora advogasse o Ultramontanismo na esfera religiosa, em suas crenças políticas era um liberal que advogava a separação do Estado da Igreja, a liberdade de consciência, educação e imprensa. Depois da revolução de julho, em 1830, Lamennais, junto com Henri Lacordaire (Os expoentes da Codificação XVIII) e Charles de Montalembert, além de um grupo entusiástico de escritores do Catolicismo Romano Liberal, fundou o jornal "L'Avenir". Neste jornal diário, defendia Lamennais os princípios democráticos, a separação da Igreja do Estado, criando embaraços para si tanto com a hierarquia eclesiástica francesa quanto com o governo do rei Luís Felipe. O Papa Gregório XVI desautorizou as opiniões de Lamennais na Encíclica Mirari vos, em agosto de 1831. 
A partir de então, Lamennais passa a atacar o Papado e as monarquias européias, escrevendo o famoso poema "Palavras de um crente", condenado na Encíclica papal Singulari vos, em julho de 1834. O resultado foi a exclusão de Lamennais da Igreja. 
Incansável, ele se devotou à causa do povo, colocando sua caneta a serviço do republicanismo e do socialismo. Escreveu trabalhos como "O Livro do Povo "(1838) , "Os afazeres de Roma" e "Esboço de uma Filosofia". 
Chegou a ser condenado à prisão mas, já em 1848 foi eleito para a Assembléia Nacional, aposentando-se em 1851.Por ocasião de sua morte, em Paris, em 27 de fevereiro de 1854, não desejando se reconciliar com a Igreja, foi sepultado em uma cova de indigente. No Mundo Espiritual, não permaneceu ocioso, eis que em O Livro dos Espíritos, na pergunta de número 1009, se encontra uma mensagem de sua lavra, ilustrando a resposta. Nela, revela os traços da sua fé, concitando as criaturas a aproximar-se do bom pastor e do Pai Criador, combatendo com vigor a crença das penas eternas. Na mensagem que assina em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XI, item 15, ele se revela o ser compassivo, que conclama as criaturas a obedecer a voz do coração, oferecendo, se for necessário, a própria pela vida de um malfeitor. 

Fonte : http://www.espiritismogi.com.br/biografias/felicite_robert.htm 
Imagem : Google 

COMUNICAÇÃO MEDIUNICA/ CARDEAL WISEMAN

13 de dez de 2010



Amigo Leitor, trouxe em meu blog uma comunicação mediúnica retirada da Revista Espirita, que fora ditada por um espírito que identificou-se como o Cardeal Wiseman. Ele fala sobre a Doutrina dos Espíritos. 
Boa Leitura e reflexão 
Luciano Dudu 
DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS. 
O CARDEAL WISEMAN. 

A Patrie, de 18 de março de 1865, relata o que segue:"O cardeal Wiseman, que acaba de morrer na Inglaterra, acreditava no Espiritismo.É o que prova o fato seguinte, que foi citado pelo Spiritualist magazine."Um bispo lançou a proibição sobre dois membros de sua Igreja, por causa de sua tendência ao Espiritismo. O cardeal levantou essa interdição e permitiu aos dois sacerdotes prosseguirem seus estudos e servirem de médiuns, dizendo-lhes: "Eu mesmo creio firmemente no Espiritismo, e não poderia ser um bom membro da Igreja, se tivesse a menor dúvida a esse respeito."Este artigo foi lido e comentado numa reunião espírita em casa do Sr. Delanne, mas hesitou-se em fazer a evocação do cardeal, quando ele se manifestou espontaneamente pelas duas comunicações seguintes.Vosso desejo de me evocar me trouxe para vós, e estou feliz em vir vos dizer, meus irmãos bem amados, sim, sobre a Terra, eu era Espírita convicto. Vim com essas aspirações que não havia podido desenvolver, mas que era feliz em ver desenvolver por outros. 
Eu era Espírita, porque o Espiritismo é o caminho reto que conduz ao verdadeiro objetivo e à perfeição; eu era Espírita, porque reconhecia no Espiritismo o cumprimento de todas as profecias desde o começo do mundo até nossos dias; eu era Espírita porque essa doutrina é o desenvolvimento da religião, esclarecendo os mistérios e a marcha da Humanidade até Deus, que é a unidade; eu era Espírita, porque compreendi que essa revelação vinha de Deus e que todos os homens sérios deveriam ajudar a sua caminhada, a fim de poder um dia se estenderem mão segura; eu era Espírita, enfim, porque o Espiritismo não lança anátema sobre ninguém, e que, a exemplo do Cristo, nosso divino modelo, estende os braços a todos, sem distinção de classe e de culto. Eis porque eu era Espírita cristão. Ó meus irmãos bem-amados! que graça imensa o Senhor concede aos homens enviando-lhes esta luz divina que lhes abre os olhos e fá-los ver, de maneira irrecusável, que além da túmulo existe bem uma outra vida, e, que em lugar do medo da morte, quando se viveu segundo os desígnios de Deus, deve-se bendizê-la quando vem livrar um de nós das pesadas cadeias da matéria. Sim, esta vida que se prega constantemente de maneira tão apavorante, existe; mas não tem nada de penoso para as almas que, sobre a Terra, observaram as leis do Senhor. Sim, lá, encontram-se aqueles que se amou sobre a Terra; é uma mãe bem amada, uma terna mãe que vem vos felicitar e vos receber; são amigos que vêm vos ajudar a vos reconhecer, em vossa verdadeira pátria, e que vos mostram todos os encantos da vida verdadeira, da qual os da Terra não são senão as tristes imagens. Perseverai, meus irmãos bem-amados, caminhando no caminho bendito do Espiritismo; que para vós isso não seja uma palavra vã; que as manifestações que recebeis vos ajudem a escalar o rude calvário da vida, afim de que chegados ao cume, possais ir recolher os frutos de vida que vós vos tereis preparado.É o que vos desejo a todos que me escutais e a todos os meus irmãos em Deus. 
Aquele que foi cardeal Wiseman
(Médium senhora Delanne) 

Fonte: Revista Espírita, Julho de 1865, Allan Kardec, Editora Ide, 1ª edição. SP, Brasil 
Imagem: Google


TRAÇO BIOGRÁFICO 

Nicholas Patrick Stephen Wiseman (1802-1865), (Sevilha, 2 de agosto de 1802 - Londres, 15 de fevereiro de 1865) foi o primeiro cardeal residente em Inglaterra desde a Reforma Anglicana de Henrique VIII, sendo o primeiro bispo de Westminster. Foi um dos principais dinamizadores do renascimento docatolicismo na Inglaterra do século XIX. 
Era o filho mais novo de James Wiseman, um comerciante irlândes, com sua segunda esposa, Xaviera também Irlandesa. Os Wiseman eram uma família conservadora, envolvida em casos de administração pública. Dez membros da família Wiseman foram prefeitos. 
Com a morte de seu pai, em 1805,os Wiseman se deslocaram para Waterford Nicholas, o novo membro dos família, ingressou na escola, em 1810 , foi encaminhado para o seminário de Ushaw, em Durham. Em Ushaw, Nicholas resolvera abraçar a vida religiosa, decidindo ser padre, em em 1818 foi escolhido entre 5 jovens estudantes ingleses a ingressar na faculdade inglesa de Roma, que tinha sido fechada e reabriu após 20 anos devido a ocupação francesa. Quando chegou em Roma, teve uma série de audiências, juntamente com os demais estudantes, com o Papa Pio VII, que os incentivou a carreira sacerdotal. Seus 6 anos seguintes foram devotados aos estudos constantes, dura e regularmente, sob a estrita disciplina da faculdade. Alcançou prestígio em ciências naturais, bem como em teologia dogmática, em em julho de 1824, fez seus exames para o doutorado, com sucesso. 
O Papa desejava que o jovem Wiseman fizesse seus sermões na língua inglesa para os ingleses visitantes em Roma, e, em junho de 1828, torna-se reitor da faculdade inglesa de Roma e professor de línguas orientais. Esta posição lhe deu o estatuto de representante oficial dos católicos ingleses em Roma, e lhe trouxe muitos deveres, devotados aos estudos, a leitura, e a pregação. Em 1835, Wiseman foi para a Inglaterra, com intuito de ajudar o país na catequização católica, na esperança fervorosa de ver uma Inglaterra católica. Porém, havia vivido muito pouco lá, e vinha sofrendo pressão por causa das leis penais inglesas, que proibiam os católicos a realizarem cultos públicos, porém isso foi logo abolido pelo ato de emancipação de 1829, mas nesta altura os ingleses já eram em maioria, protestantes, mas encontrou maior aceitação católica em Londres.Wiseman tornou-se Arcebispo Católico de Westminster, em 1850. Escreveu tratados e livros, inclusive um romance, intitulado "Fabíola" , ou "A Igreja das Catacumbas", publicado em 1854, onde trata sobre a perseguição a Igreja e aos seus mártires, sob o olhar de uma jovem e culta nobre romana.A pressão constante nos deveres episcopais e metropolitanos como Arcebispo, foram reduzindo suas forças e sua saúde foi se danificando. Haviam-no indicado, em 1855, para peticionar em Roma, mas logo nomearam um coadjutor, o Reverendo George Errington, Bispo de Plymouth.
O Cardeal Nicholas Wiseman morreu em Londres, em 15 de fevereiro de 1865.
Fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicholas_Wiseman 
Imagem : Google

UM MÉDIUM PINTOR CEGO

9 de dez de 2010

Livro dos médiuns



Médiuns sonâmbulos: os que, em estado de sonambulismo, são assistidos por Espíritos. (Nº 172.)

Médiuns pintores ou desenhistas: os que pintam ou desenham sob a influência dos Espíritos. Falamos dos que obtêm trabalhos sérios, visto não se poder dar esse nome a certos médiuns que Espíritos zombeteiros levam a fazer coisas grotescas, que desabonariam o mais atrasado estudante. Os Espíritos levianos se comprazem em imitar. Na época em que apareceram os notáveis desenhos de Júpiter, surgiu grande número de pretensos médiuns desenhistas, que Espíritos levianos induziram a fazer as coisas mais ridícuas. Um deles, entre outros, querendo eclipsar os desenhos de
Júpiter, ao menos nas dimensões, quando não fosse na qualidade, fez que um médium desenhasse um monumento que ocupava muitas folhas de papel para chegar à altura de dois andares. Muitos outros se divertiram fazendo que  os médiuns pintassem supostos retratos, que eram verdadeiras caricaturas. (Revue Spirite, agosto de 1858.)

Fonte: Aptidão especiais dos médiuns,dos médiuns especiais, livro dos Médiuns, Allan Kardec , FEB

Revista espírita, Março 1864.

Um de nossos correspondentes de Maine-et-Loire, Sr. doutor C..., nos transmite o fato seguinte:
"Eis um curioso exemplo da faculdade medianímica aplicada ao desenho, e que se manifestou vários anos antes que o Espiritismo fosse conhecido, e mesmo antes das mesas girantes. Há três semanas, estando em Bressuire, eu explicava o Espiritismo e as relações dos homens com o mundo invisível, a um advogado de meus amigos, que não lhe conhecia a primeira palavra; ora, eis o fato que me contou como tendo uma grande relação com o que lhe dizia. Em 1849, disse ele, ia com um amigo visitar a aldeia de Saint- Laurent-sur-Sèvres e seus dois conventos, um de homens e o outro de mulheres. Fomos recebidos da maneira mais cordial pelo Padre Dallain, superior do primeiro, e que tinha também autoridade sobre o segundo. Depois de ter nos levado a passear nos dois conventos, nos disse: "Quero agora, senhores, vos mostrar uma das coisas mais curiosas do convento das senhoras." Fez trazer um álbum onde admiramos, com efeito, aquarelas de uma grande perfeição. Eram flores, paisagens e marinhas. "Estes desenhos, tão bem sucedidos, nos disse, foram feitos por uma de nossas jovens religiosas que é cega." E eis o que ele nos contou de um adorável buquê de rosas das quais um botão era azul: "Há algum tempo, em presença do Sr. marquês de La Rochejaquelein e vários outros visitantes, chamei a religiosa cega e lhe pedi para colocar-se em uma mesa para desenhar alguma coisa. Diluíram-se-lhe as cores, deram-lhe papel, lápis, pincéis, e ela começou imediatamente o buquê que vedes. Durante seu trabalho, colocou-se várias vezes um corpo opaco, seja cartão ou prancheta entre seus olhos e o papel, e o pincel por isso não continuou menos a caminhar com a mesma calma e a mesma regularidade. Sobre a observação de que o buquê era um pouco magro, ela disse: "Pois bem! vou fazer partir um botão da axila deste ramo." Enquanto ela trabalhava nessa retificação, mudou-se o carmim do qual se servia pelo azul; ela não se apercebeu da mudança, e eis porque vedes um botão azul" Os Sr. abade Dallain, acrescenta o narrador, era tão notável pela sua ciência, sua grande inteligência, quanto por sua alta piedade; não encontrei, disse ele, ninguém que me haja inspirado mais de simpatia e de veneração. O fato não prova, em nossa opinião, de maneira evidente, uma ação medianímica. Pela linguagem da jovem cega, é certo que ela via, de outro modo não teria dito: "Vou fazer partir um botão da axila deste ramo." Mas o que não é menos certo, é que ela não via pelos olhos, uma vez que continuava seu trabalho apesar do obstáculo que se lhe colocava à frente. Ela agia com conhecimento de causa, e não maquinalmente como um  médium. Parece, pois, evidente que era dirigida pela segunda vista; via pela visão da alma, abstração feita da visão do corpo; talvez mesmo estava, de maneira permanente,num estado de sonambulismo desperto.
Fenômenos análogos foram muitas vezes observados, mas contentava-se de achá-los surpreendentes. Sua causa não podia ser descoberta, pela razão que, ligando-se essencialmente à alma, seria preciso primeiro reconhecer a existência da alma; mas admitido esse ponto, não bastaria ainda; faltaria o conhecimento das propriedades da alma e o das leis que regem suas relações com a matéria. O Espiritismo, revelando-nos a existência o perispírito, nos fez conhecer, podendo exprimir-se assim, a fisiologia dos Espíritos; por aí nos deu a chave de uma multidão de fenômenos incompreendidos, qualificados, à falta de melhores razões, de sobrenaturais por uns, e pelos outros de  extravagâncias da Natureza. Pode a Natureza ter extravagâncias? Não, porque as extravagâncias são caprichos; ora, a Natureza sendo a obra de Deus, Deus não pode ter caprichos, sem isso nada seria estável no Universo. Se há uma regra sem exceção, seguramente, essa deve ser a que rege as obras do Criador; as exceções seriam a destruição da harmonia universal.
Todos os fenômenos se ligam a uma lei geral, e uma coisa não nos parece extravagante senão porque não a observamos senão de um único ponto, ao passo que considerando se o conjunto, se reconheceria que a irregularidade desse ponto não é senão aparente e depende de nosso ponto de vista limitado.
Isto posto, diremos que o fenômeno do qual se trata não é nem maravilhoso nem excepcional, isso é o que vamos tratar de explicar. No estado atual de nossos conhecimentos, não podemos conceber a alma sem seu envoltório fluídico, perispiritual. O princípio inteligente escapa completamente à nossa análise; não o conhecemos senão por suas manifestações, que se produzem com a ajuda do perispírito; é pelo perispírito que a alma age, percebe e transmite. Liberta do envoltório corpóreo, a alma ou Espírito é ainda um ser complexo. A teoria, de acordo com a experiência nos ensina que a visão da alma, do mesmo modo que todas as outras percepções, é um atributo do ser inteiro; no corpo ela está circunscrita ao órgão da visão; e é preciso o concurso da luz; tudo o que está sobre o trajeto do raio luminoso a intercepta. Não ocorre assim com o Espírito, para o qual não há nem obscuridade nem corpos opacos. A comparação seguinte pode ajudar a compreender essa diferença. O homem, a céu aberto, recebe a luz de todos os lados; mergulhado no fluido luminoso, o horizonte visual se estende todo ao redor. Se está fechado numa caixa na qual não é praticada senão uma pequena abertura, tudo ao redor de si está na obscuridade, salvo o ponto por onde chega o raio luminoso. A visão do Espírito encarnado está neste caso, a do Espírito desencarnado está no primeiro. Esta comparação é justa quanto ao efeito, mas não o é quanto à causa; porque a fonte da luz não é a mesma para o homem e para o Espírito, ou, melhor dizendo, não é a luz que lhe dá a faculdade de ver.
A cega de que se trata via, pois, pela alma e não pelos olhos; eis porque o corpo opaco colocado diante de seu desenho não a dificultava mais do que se diante dos olhos de um vidente fosse colocado um cristal transparente; é também porque ela podia desenhar à noite tão bem quanto de dia.
O fluido perispiritual irradiando tudo ao seu redor, penetrando tudo, levava a imagem, não sobre a retina, mas à sua alma. Nesse estado, a visão abarca tudo? Não; ela pode ser geral ou especial segundo a vontade do Espírito; pode ser limitada ao ponto onde concentra a sua atenção. Mas, então, dir-se-á, por que não percebeu ela a substituição da cor? Pode-se primeiro que a atenção levada sobre o lugar que ela queria colocar a flor a tenha desviado da cor; aliás, é preciso considerar que a visão da alma não se opera pelo mesmo mecanismo que a visão corpórea e que assim há efeitos dos quais não poderíamos nos dar conta; além disso, é preciso notar que nossas cores são produzidas pela refração de nossa luz; ora, as propriedades do perispírito sendo diferentes das de nossos fluidos ambientes, é provável que a refração ali não produziu os mesmos efeitos; que as cores não têm para o Espírito a  mesma causa que para o encarnado; ela podia, pois, pelo pensamento,ver rosa o que nos parecia azul. Sabe-se que o fenômeno da substituição das cores é bastante freqüente na visão comum. O fato principal é o da visão bem constatada sem o concurso dos órgãos da visão. Esse fato como se vê, não implica a ação medianímica, mas não exclui não mais, em certos casos, a assistência de um Espírito estranho. Essa jovem podia, pois, ser ou não ser médium, e que um estudo mais atento teria podido revelar.Uma pessoa cega gozando dessa faculdade seria um sujeito precioso de observação; mas para isso ser-lhe-ia necessário conhecer a fundo a teoria da alma, a do perispírito,e por conseguinte o sonambulismo e o Espiritismo. Nessa época não se conheciam essas coisas; hoje mesmo não é nos meios onde se os considera como diabólicos que se poderia entregar-se a esses estudos. Isso não é não mais naqueles onde se nega a existência da alma que se pode fazê-lo. Um dia virá, sem dúvida, em que se reconhecerá que existe uma física espiritual, como se começa a reconhecer a existência da medicina espiritual.

Fonte: Um médium Pintor Cego,Revista Espírita, Março de 1864, Allan Kardec, Editora Ide, 1ª edição. SP, Brasil 
 Imagem: Google                                       

O ABADE LACORDAIRE E AS MESAS GIRANTES

6 de dez de 2010


                                                      Retrato de Henri D Lacordaire.
                                                                                         Pintado por Theodore Chassériau, 1840


Extrato de uma carta do abade Lacordaire à senhora Swetchine, datada de Flavigny,em 29 de junho de 1853, tirada de sua correspondência, publicada em 1865. "Vistes girar e ouvistes falar as mesas ? - Eu desdenhei devê-las girar, como uma coisa muito simples, mas eu as ouvi e fiz falar. Elas me disseram coisas bastante notáveis sobre o passado e sobre o presente. Por extraordinário que isto seja, é para um cristão, que crê nos Espíritos, um fenômeno muito vulgar e muito pobre. Em todos os tempos,houve modos mais ou menos bizarros para comunicar-se com os Espíritos; somente antigamente, fazia-se mistério desses procedimentos, como se fazia mistério da química;a justiça, por execuções terríveis, fazia entrar na sombra essas estranhas práticas. Hoje,graças à liberdade dos cultos e à publicidade universal, o que era um segredo se tornou uma fórmula. Talvez também, por essa divulgação, Deus quer proporcionar o desenvolvimento das forças espirituais ao desenvolvimento das forças materiais, a fim de que o homem não esqueça, em presença das maravilhas da mecânica, que há dois mundos incluídos um no outro: o mundos dos corpos e o mundos dos Espíritos. 
"É provável que esse desenvolvimento paralelo irá crescente até o fim do mundo, o que causará um dia o reino do anticristo, onde severa, de uma parte e de outra, para o bem e o mal, o emprego de armas sobrenaturais, e de prodígios assustadores. Com isto não concluo que o Anticristo esteja próximo, porque as operações das quais somos testemunhas, salvo a publicidade, nada têm de mais extraordinário do que o que se via antigamente. Os pobres incrédulos devem estar bastante inquietos com sua razão; mas têm o recurso de tudo crer para escapar à verdadeira fé, e nisto não faltarão. A profundeza dos julgamentos de Deus!" 
O abade Lacordaire escreveu isto em 1853, quer dizer, quase no início das manifestações, numa época em que esses fenômenos eram muito mais um objeto de curiosidade do que um assunto de meditações sérias. Se bem que então não estivessem constituídos nem em ciência nem em corpo de doutrina, tinha-lhe entrevisto a importância, e longe de considerá-los como uma coisa efêmera, previa-lhe o desenvolvimento no futuro. Sua opinião sobre a existência e a manifestação dos Espíritos é categórica; ora, como ele é geralmente tido, por todo o mundo, como uma das altas inteligências deste século, parece difícil alinhá-lo entre os loucos depois de tê-lo aplaudido como homem de grande senso e de progresso. Pode-se, pois, ter o senso comum e crer nos Espíritos. As mesas falantes são, disse ele, "um fenômeno muito vulgar e muito pobre;" muito pobre, com efeito, quanto ao meio de comunicar com os Espíritos, porque se não se tivessem tido outros, o Espiritismo não teria avançado pouco; então conheciam-se apenas os médiuns escreventes, e não se supunha o que iria sair desse meio em aparência tão pueril. Quanto ao reino do Anticristo, Lacordaire não parece se assustar muito com ele, porque não o vê chegar logo. Para ele essas manifestações são providenciais; elas devem perturbar e confundir os incrédulos; ele admira a profundeza dos julgamentos de Deus; não são, pois, a obra do diabo que deve levar a negar a Deus e a não reconhecer o seu poder. O extrato acima da correspondência de Lacordaire foi lido na Sociedade de Paris, na sessão de 18 de janeiro; nessa mesma sessão, o Sr. Morin, um de seus médiuns habituais, adormeceu espontaneamente sob a ação magnética dos Espíritos; era a terceira vez que esse fenômeno se produzia nele, porque habitualmente não dormia senão pela magnetização comum. Em seu sono falou sobre diferentes assuntos, e de vários Espíritos presentes dos quais nos transmitiu o pensamento. Disse entre outras coisas o que se segue: 
"Um Espírito que todos vós conheceis, e que eu conheço também; um Espírito de grande reputação terrestre, elevado na escala intelectual dos mundos, está aqui. Espírita antes do Espiritismo, eu o vi ensinando a Doutrina, não mais como encarnado, mas como Espírito. Eu o vi pregando com a mesma eloqüência, com o mesmo sentimento de convicção íntima, de quando era vivo, o que, certamente, não teria ousado pregar em púlpito abertamente, mas ao que conduziam seus ensinos. Eu o vi pregar a Doutrina aos seus, à sua família, a todos os seus amigos. Eu o vi enfurecer-se, se bem que no estado espiritual, quando encontrava um cérebro refratário, ou uma resistência obstinada às inspirações que ele soprava; sempre vivo e petulante, querendo fazer penetrar a convicção nas inteligências, como se faz penetrar na rocha viva o cinzel empurrado por um vigoroso golpe de martelo. Mas isto não entrava tão depressa; no entanto a sua eloqüência com isto converteu a mais de um. Este Espírito é o do abade Lacordaire. 
"Ele pede uma coisa, não por Espírito de orgulho, não por um interesse pessoal qualquer, mas um interesse de todos e para o bem da Doutrina: a inserção na Revista, daquilo que escreveu há treze anos. Se eu peço esta inserção, diz ele, é por dois motivos; o primeiro é que mostrareis ao mundo que, como o dissestes, pode-se não ser um tolo e crer nos Espíritos. “O segundo é que a publicação dessa primeira citação fará descobrir em meus escritos outras passagens que vos serão assinaladas, como estando de acordo com os princípios do Espiritismo.” 

Fonte: Revista Espírita, fevereiro de 1867, Allan Kardec, Editora Ide, 1ª edição. SP, Brasil 
 Imagem: Google                                       

Traço Biográfico

LACORDAIRE, Jean-Baptiste-Henri E o padre Lacordaire, do qual se trata na Revue Spirite. Houve um outro, irmão deste, também notável, Jean-Theodore Lacordaire, naturalista, professor e jornalista, nascido em 1801 e desencarnado em 1870. Seguramente se trata do primeiro, nascido em 1802 e desencarnado em 1861. Era dominicano, orador brilhante, discípulo de Lamennais, com quem rompeu em 1834. Foi vigário de Notre-Dame e, apos cinco anos de recolhimento, ele entrou para a ordem dominicana, em 1839. Fez parte da Academia Francesa. Suas obras principais foram conferencias diversas, "Vida de S. Domingos" e "Considerações sobre o sistema filosófico de M. de Lamennais". 

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/geae/tracos-biograficos.html 

As ordens dos Pregadores nascem em 1215, fundada por Domingos de Gusmão, e foi suprimida em França em 1790, na seqüência da Revolução Francesa. 

O interesse de Lacordaire por esta ordem religiosa explica-se pela própria missão e carisma da Ordem que era o de pregar e ensinar, bem como pelas regras de funcionamento, pois que todas as autoridades internas dos dominicanos se baseiam em estruturas democraticamente eleitas e com mandatos previamente limitados temporalmente. 
Foi a partir de 1836 que Lacordaire assume o projeto de restabelecer a Ordem em França. Com esse objetivo utilizará uma estratégia que se poderá qualificar de "moderna", na medida em que se baseava, sobretudo no apoio da opinião pública, bem como na defesa dos direitos do homem e da liberdade de associação. 
Tendo sido eleito em 1830 para o parlamento francês, proferiu diversos discursos inflamados em defesa da liberdade de expressão e de associação, sempre vestido de frade dominicano, o que provocou fortes reações junto dos seus adversários. Foi também um prolixo escritor e conferencista, destacando-se as suas prédicas na Catedral de Notre Damme de Paris, bem como o seu livro História de São Domingos traduzido em várias línguas, que causou um profundo impacto, levando outras regiões da Europa a encetar movimentos de restauração da Ordem Dominicana onde tinha sido extinta. 
Escolhido para a Academia Francesa, ali apenas proferiu o seu discurso de aceitação, falecendo pouco depois. 

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Dominique_Lacordair

DARWIN E ALFRED RUSSEL WALLACE

28 de nov de 2010



Caro leitor, o assunto abordado nessa postagem é  bastante interessante.
Em pesquisas históricas realizadas pelo escritor Licurgo S. de Lacerda Filho, ele fala sobre a vida de um grande homem Alfred R. Wallace, que foi contemporâneo do celebre Charles Darwin.
A pesquisa demonstra que Alfred, foi responsável para estimular Darwin a publicar sua Teoria da Evolução da Espécie.
Alfred tornou-se espiritualista e acreditava em uma evolução além do que era proposto por Darwin na época.
Aprecie o artigo, boa leitura e reflexão.
LUCIANO DUDU 

Evolução da espécie 


Todo estudante do ensino médio já ouviu referencias à famosa teoria da evolução das espécies, mas quase todos creditam a autoria do estudo, exclusivamente ao cientista inglês Charles Robert Darwin (1.809-1.882). 
A verdade é que Darwin teve seu parceiro na formulação de sua teoria, mais do que isto, teve alguém que o impeliu a publicar suas hipóteses. Este alguém compartilhava das mesmas ideias e conclusões, eles até trocavam correspondência sobre o assunto. Esta pessoa, ao publicar suas ideias no manuscrito On The Tendency of Varieties to Depart Indefinitely fron the Original Type encaminhou-o para Darwin. O cientista, após ler aquele estudo, decidiu também publicar sua teoria, fruto de vinte anos de pesquisa, e o fez sobre o título de On the Origin of Species. 
Este alguém que nos referimos foi o naturalista geógrafo e critico social Alfred Russel Wallace (1823-1913), oriundo do país de Gales. 
Apesar do interesse que desperta a Teoria da Evolução das Espécies e os conceitos sobre a seleção natural, que por vezes quer justificar alguns aspectos da evolução como obra do acaso, onde o mais forte conseguiria sempre sobreviver impondo sobre o mais fraco- teoria que descarta a possibilidade de um planejamento divino para a evolução das formas da vida- o que realmente nos interessa é a questão espiritual, na qual se envolveu Alfred R. Wallace. Tal questão transformou-o de um cético materialista em, um espiritualista convicto. 
Sua porta de entrada para o espiritualismo se deu por meio de experiências com o mesmerismo, em 1844. Em seguida Alfred viajou pelos trópicos durante doze anos, inclusive no Amazonas, realizando seus estudos sobre história natural. Nestas viagens tomou contato com os termos, “mesas girantes” e “ espírito batedor”. 
Quando retornou de sua longa viagem, imbuído de grande espírito cientifico, resolveu estudar aqueles assuntos com mais cuidado. 
Em 1.865, realizou suas primeiras experiências em busca de respostas. Para tanto utilizou a Mediunidade da britânica Mary Marshall (1842-1884). Por meio da médium profissional foram obtidos fenômenos envolvendo levitação de mesas e movimento de objetos sem contato, alguns encontros foram realizados em plena luz do dia. Durante o ano de 1867, a médium obteve manifestações envolvendo o Espírito Jonh King. Continuando à sua trajetória, como pesquisador, Alfred descobriu e acompanhou a educação da mediunidade de Agnes Nichol Guppy (...). 
As reuniões com a médium demoveram definitivamente qualquer desconfiança do estudioso nos acontecimentos de origem espiritual. 
Em uma das reuniões com Agnes, ele recebeu uma comunicação de sua mãe, pelo método das batidas. A desencarnada afirmou que estaria presente em uma fotografia a ser tirada pelo médium fotografo inglês Hudson (? -?). Em nossas pesquisas pudemos apurar que Hudson – atenção, não se trata de Willian Hudson Mumler (...). 
Alfred procurou o médium, escolheu todas as posições para a fotografia e concluiu: 

“Estive em três sessões, em todas escolhendo o meu próprio lugar”. De cada vez uma segunda figura apareceu no negativo comigo. A primeira era uma figura masculina, com um punhal; a segunda era um corpo inteiro, aparentemente a alguns pés para o lado e para trás de mim, olhando para baixo para mim e sustentando um ramo de flores. Numa terceira sessão, depois de me colocar e depois que a chapa fora colocada na maquina, pedi que a figura viesse para junto de mim. A terceira chapa mostrou uma figura feminina, de pé, junto e em frente a mim, de modo que o panejamento cobriu a parte inferior de meu corpo. Assisti à revelação de todas as chapas e em cada caso a “figura extra”, começou a aparecer no momento em que o revelador era despejado, enquanto o meu retrato só se tornava visível cerva de vinte segundos depois. 
Não reconheci nenhuma das figuras nos negativos, mas no momento em que tirei as provas, ao primeiro relance a terceira chapa mostrou um inconfundível retrato de minha mãe- como era na atitude e na expressão; não aquela semelhança de um retrato feito em vida, mas algo pensativa, uma semelhança ideal- ainda assim, para mim, uma semelhança inconfundível.” 
O cientista passou então a participar de variadas experimentações, o que levou o periódico Fortnightly Review a convida-lo para escrever um artigo sobre o Espiritualismo, em 1874. Ele escreveu uma matéria sob o titulo A Defence of Modern Spiritualism. 
Ainda citaremos algumas vezes o nome de Alfred Russel Wallace, este admirável vencedor de seus próprios paradigmas (...). 
Devido às suas crenças espiritualistas ele enfrentou diferenças com os seus colegas cientistas. “Alfred acreditava em uma dimensão espiritual da mente, por conta disto Darwin teria ficado indignado e escreveu para o companheiro: Espero que o senhor não tenha assassinado de uma vez o meu filho e o seu”. 
Para Darwin, a quem é dado vulgarmente o crédito exclusivo da famosa teoria, as capacidades cognitivas e mentais do homem eram produtos exclusivo da seleção natural. Ele acreditava na evolução dos seres, mas limitava tal a evolução à condição humana. Alfred aceitava a única verdade: a evolução não tem limites carnais, rompe as barreiras do corpo e segue para as possibilidades infinitas. A nobreza de Alfred pode ser percebida em duas ocasiões , quando remeteu seu manuscrito para Darwin, ao invés de fazê-lo diretamente para a comunidade cientifica, e quando, no final de sua encarnação, afirmou que sua maior conquista tinha sido impelir Darwin publicar seus estudos. 



Fonte:Capitulo 7, terceira parte, os pesquisadores da mediunidade I – múltipla mediunidade, A mediunidade na história humana: surgimento do espiritismo e os pesquisadores da mediunidade I(volume 3), Licurgo S de Lacerda, Araguari MG, Minas Editora. 
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A IDENTIDADE HISTÓRICA DE O LIVRO DOS ESPÍRITOS

27 de nov de 2010


Leitor Amigo, eu trouxe em meu blog um artigo para dar continuidade em minhas postagens sobre a história do espiritismo. 
O artigo foi escrito por um grande estudioso da História da Doutrina dos Espíritos, onde ele fala sobre o histórico do livro dos espíritos, publicado na revista Reformador de abril de 2008.Aprecie o artigo e boa leitura. 
Luciano Dudu 


Escrito por: Licurgo Soares de Lacerda Filho 
De que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso? 
Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz que os homens compreendam onde se encontra seus verdadeiros interesses. (...) 
Esta foi à resposta recebida por Kardec, daquele que se tornou a pergunta 799 de O Livro dos Espíritos. 
A preocupação dos Espíritos superiores estava bem fundamentada, pois era o reflexo de uma situação alarmante que dominava todo o mundo civilizado no meado do século XIX. 
Decepcionado com as amarras descabidas, criadas pelos dogmas estabelecidos pela religião oficial, filósofos e pensadores realizavam uma revisão geral no pensamento humano, influenciando cientistas, políticos, artistas, e significativa parcela da população. 
Entretanto, a transformação que se operava, quase sempre, se revestia o radicalismo dos que se frustravam com os efeitos de velhos paradigmas que se rompiam tão tardiamente. 
Assim as ideias materialistas ganhavam força em todas as sociedades, e o homem se aprofundava no egoísmo social. 
Os espíritos superiores conheciam bem o caminho que seguiria a Humanidade caso fosse conduzida unicamente pela motriz das ideias materialistas. Na antiguidade, no inicio do primeiro milênio, o imperador Otávio Augusto transformara a sua capital, Roma na “Cidade do Mármore”, expressão máxima do domínio da matéria, que terminou por prenunciar a derrocada dos valores humanos, levando o mundo a viver a chamada idade das trevas. 
Mil e oitocentos anos depois, o momento histórico suscitava preocupações. Muitas eram as opiniões que surgiram apregoando a supremacia da matéria . Por não compreender a essência da ação e do pensamento divinos, muitos intelectuais optavam por ignorar as opiniões que conduzissem à espiritualização da Humanidade. 
Independente dos benefícios que possam ter sido obtidos com os novos conceitos que revolucionaram o pensamento de então – que algumas vezes, trouxeram inegáveis benefícios sociais, as doutrinas materialistas provocaram muito mais estragos do que melhoramentos para a vida em sociedade. 
Coube a Kardec intermediar a revelação de uma Nova Luz, o roteiro para a libertação moral e intelectual da Humanidade, enfeixado em O livro dos Espíritos. Era a reação espiritual a tantas mensagens materialistas e imediatas que desviavam o homem de seu caminho natural e acabariam por conduzi-lo em meio a pesados fardos sociais, provocando profundas diferenças que resultaram na miséria moral e material. 
Passado cento e cinquenta anos desde a publicação da obra básica do Espiritismo, o roteiro permanece oculto à grande maioria daqueles que buscam explicações para a vida e para ineficaz procura pela felicidade terrena. 
Cabe a nós espíritas tornar amplamente conhecido este Divino Roteiro, não somente compartilhando as verdades ali contidas, mas essencialmente, vivenciando-as. 

Fonte: Licurgo Soares de Lacerda Filho, Revista Reformador ano 126, nº 2.149, abril de 2008, 150 anos de Fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. 
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A MÉDIUM AMÁLIA DOMINGO SOLER

21 de nov de 2010

Em defesa do espiritismo 





Amália Domingo Soler (1835-1909) reencarnou na Andaluzia, região da Espanha, que tinha estado sob o domínio árabe quando da invasão moura à Península Ibérica. 
Os sacrifícios dela exigido quando era criança foram muitos. Antes de nascer ficou órfã de pai, depois teve problemas com a visão logo após o parto, recuperou-se após três meses de vida. Por todas estas dificuldades a sua mãe tornou se uma amiga inseparável. Ao perdê-la, mudou para Madri e lá passou por enormes dificuldades financeiras. Sua vista ficou mais debilitada por conta de esforços com o sérvio de costureira e com a escrita de suas poesias (escrevera seus primeiros versos aos dezoitos anos de idade). Sua procura por reposta que explicassem seu sofrimento a levou a conhecer o periódico espírita El Critério. Iniciava a partir daí a sua missão como divulgadora da Doutrina espírita. Em seguida, uma poesia sua foi incluída na publicação espírita La Revelación. Logo teve o artigo La Fé espiritista publicado pelo El Critério, em 1872. O trabalho funcionou como sua apresentação aos espíritas de Madri que aos poucos a receberam em seus grupos de estudos. Mudou-se para Barcelona em 1876, o convite de um grupo de espíritas daquela cidade conhecido como Circulo La Buena Nueva. Lá ela tornou a apresentar problemas com a visão, ficando quase cega, mas recebeu o amparo de seus confrades e permaneceu a divulgar o Espiritismo. Conheceu Miguel Vives y Vives, falaremos dele no capitulo que recebeu uma mensagem da mãe de Amália. A seguir conheceu o médium Eudaldo Pagés y Comas (? -?), que com ela trabalhou na consecução de sua obra maior Memórias de Padre Germam (Memórias do Padre Germano). O padre mencionado era o seu orientador espiritual, o livro foi publicado em 1880. 
Amália foi chamada para defender o espiritismo contra os ataques efetuados pelo orador católico Vicente de Manterola (? -?), realizada por meio do jornal Gaceta de Cataluña. 
Em 1879, por insistência de seu e protetor material Luis Llach (? -?), presidente do Círculo l Buena Nueva, ela dirigiu o primeiro numero do periódico espírita La Luz Del Porvenir, mas a publicação foi denunciada pelas autoridades eclesiásticas e sua tiragem ficou suspensa por longo período. Neste intervalo ela publicou outro periódico, El Eco De La Verdade, que também foi denunciado, mas terminou por não receber punição. 
Em 1889, o jornal La Luz Del Porvenir, que está sendo novamente publicado, teve de ser encerrado em virtude de questões financeiras. Tal fato não abalou sua vontade e ela continuou escrevendo e remetendo suas obras para o México, Cuba, Itália, Venezuela e Argentina. Como o desencarne de seu amigo e protetor Luis Llach, seguido por Eudaldo Pagés y Comas, que auxiliava em suas obras, ela foi se sentindo esgotada ate o seu desencarne em 29 de abril de 1.909. Deixou uma maravilhosa obra de divulgação espírita que até os dias de hoje sensibiliza corações que estão em busca da verdade espiritual. 

Fonte:Capitulo 17, terceira parte, os pesquisadores da mediunidade I – múltipla mediunidade, A mediunidade na história humana: surgimento do espiritismo e os pesquisadores da mediunidade I(volume 3), Licurgo S de Lacerda, Araguari MG, Minas Editora. 
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Memórias do Padre Germano 
Sinopse 
A Federação Espírita Brasileira (FEB) está relançando Memórias do Padre Germano, um dos mais belos romances psicografados é um clássico da literatura espírita. Ditado à médium espanhola Amália Domingo Soler pelo Espírito do padre que dá título à obra, Memórias do Padre Germano é um livro comovente, que mostra como os sentimentos de justiça e de amor ao próximo, quando elevados ao máximo, podem ajudar as criaturas a refazerem seus caminhos. Padre Germano é um exemplo de amor. Espiritualizado, calejado por experiências que lhe feriram o coração sensível, é um sacerdote diferente, que não gosta de ouvir os fiéis em confissão, pois se da conta da extensão da maldade humana; e, nas suas meditações, questiona em silêncio as razões do celibato e da clausura. Em sua tarefa de pastor de almas, não se recusa a orientar criminosos arrependidos, almas atormentadas pela culpa e jovens apaixonados. Um homem cuja grandeza espiritual o colocou a frente de seu tempo. Sem compactuar com os que buscavam o poder material, sofreu pressões e foi alvo de desconfianças e humilhações. Preferiu administrar a paróquia de uma longínqua e obscura aldeia, onde cuidou dos enfermos, das crianças, dos dóceis e dos rebeldes. Na solidão do campo, foi feliz cultivando a simplicidade dos dias que se passavam entre leituras, reflexões, lembranças do rosto da mulher amada, passeios com suas crianças e a companhia de um cão amigo, Sultão. Cada capítulo do livro narra um episódio da vida desse sacerdote tão diferente. Histórias que, ao se juntarem, revelam a grandeza de uma alma que conduziu outras tantas a Deus. 
Livro tradicional que muitos espíritas não conhecem. Vale a pena, lindo, interessantíssimo. Veja o modo como foi produzido. Amália Domingo Sóler diz, no seu prefácio, que as Memórias do Padre Germano começaram a ser publicada a 29 de abril de 1880 no jornal espírita “A Luz do Porvir”, e só depois foram reunidas em livro. Perseguido por seus superiores hierárquicos, Padre Germano viveu desterrado em obscura aldeia, palco de grande parte das histórias aqui relatadas, onde realizou um trabalho notável que engrandeceria qualquer pessoa que pretenda tornar-se cristã na verdadeira acepção do termo. (PP. 11 a 13) 
O Espírito do Padre Germano valeu-se, para ditar suas memórias, de um médium falante inconsciente, auxiliado por alguém que fosse capaz de registrar, sentir, compreender e apreciar o que ele dissesse. Essa a tarefa que coube a Amália Domingo Sóler, o maior vulto do Espiritismo na Espanha, que trabalhou com o médium e o Padre Germano na redação destas Memórias até 10 de janeiro de 1884. (N.R.: Nesta obra, a partir da pág. 367, foi incluído pela Editora da FEB um apêndice intitulado “Recordações”, ditado pelo Espírito do Padre Germano ao médium Chico Xavier e publicado inicialmente no “Reformador”, em fevereiro e março de 1932.) (P. 12).



Fonte: http://www.skoob.com.br/livro/31484
Fonte:http://somosespiritos.blogspot.com/2008/08/memrias-do-padre-germano.html
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PERDÔO-TE 

Sinopse: 
Madre Teresa de Ávila, que viveu na Espanha - 1515/1582 - é a reencarnação de Madalena, contemporânea de Jesus. È o qu se depreende ao ler-se Perdôo-te, a historia das muitas existências de uma entidade singular que escolheu Amália Soler e Eudaldo Pagés para relata-las.As comunicações aconteceram em Gracia, na Espanha, de 1897 a 1899. Eudaldo ditava Amália transcrevia. Os relatos do espírito antecedem a existência de Madalena, reportando-se a tempos imemoriais em que fez parte de uma civilização que teria existido na Atlântida. Interessante o fato de o espírito comunicante nao usar de forma declarada o nome de Madalaena e nem da revolucionária religiosa Teresa de Cepeda y Ahumada, também chamada de Teresa de Ávila ou Teresa de Jesus. Tereza foi canonizada em 1622, quarenta anos apos sua morte. nominá-la em um livro espírita causaria demasiado impacto há cem anos atrás? E quanto a elucidar que as visões e transes de madre Tereza eram simplesmente manifestações mediúnicas? 
Sabe-se que o poder clerical tinha preponderante influência nas esferas governamentais, quando da concepção desta obra, ao final do século XIX, na Espanha. O espiritismo , então era combatido veementemente. 
Fonte: Perdôo-te: Memórias de um Espírito. Recebida psicofonicamente pelo médium Eudaldo Pagés , romance mediúnico de Amália Domingues y Soller , tradução e adaptação : Aristides Coelho Neto. Brasilia : Linha Gráfica Editora ,5ª edição ,1999. 696 pag. 
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A MÉDIUM EMMA HARDINGE

18 de nov de 2010




A inglesa Emma Hardinge (1823-1889) foi uma destas mulheres que a despeito de tudo e de todos lutou pela causa espiritualista de forma contundente, apesar da oposição machista que vez por outra tinha que enfrentar. Quando ainda era jovem foi levada pela mãe para Nova York, acompanhando uma companhia de teatro.
Até então Emma, cuja família era protestante, tinha grande aversão pelos fenômenos mediúnicos e pelas idéias dos espiritualistas. Na primeira sessão mediúnica que participou em 1856, fugiu correndo horrorizada. Por fim se adaptou e passou a exercer sua mediunidade.

Como médium ela protagonizou um dos casos mais bem documentados de sua época, quando em transe afirmou que o Navio Pacific tinha naufragado no Oceano Atlântico e que todos os seus passageiros tinham sido mortos. Por conta desta revelação ela foi perseguida pela empresa proprietária da embarcação. Emma afirmou que suas declarações se baseavam em depoimentos de Espíritos desencarnados na tragédia. Por fim todas suas informações foram confirmadas.
Após o incidente ela seguiu suas atividades mediúnicas viajando por todos os lugares dos Estados Unidos, fazendo propaganda do Espiritualismo Moderno e exercendo seus dons.
Voltou para a Inglaterra em 1856, onde escreveu duas grandes obras de cunho espiritualista, Modern American Spiritualim (Espiritualismo Americano Moderno) e Ninetteenth Century Miracles (Milagres do Século Dezenove).
Referindo-se à médium em sua pesquisa Arthur C. Doyle afirmou:
“(...) A série de casos fenomenais era tão grande que Mrs. Britten contou mais de quinhentos exemplos registrados na imprensa nos primeiros anos, o que representa provavelmente algumas centenas de milhares não registrados (...)”.
Em seu país de origem casou-se, tendo mudado seu nome para Emma Hardinge Brittem. Em seguida lançou o jornal de The Two Worlds (Os dois mundos).
Voltemos aos comentários de Artur C Doyle:
“(...) Algumas notas relativamente a Mrs. Brittem podem adequadamente ser aí introduzidas, de vez que nenhuma história do Espiritismo seria completa sem referência a essa notável senhora, que foi chamada o São Paulo feminino do movimento espírita (...)”.
Futuramente ela viajaria para Austrália e a Nova Zelândia, onde lançou, juntamente com seu esposo também espiritualista, as bases de várias sociedades.

Fonte:Capitulo II, terceira parte, os pesquisadores da mediunidade I – múltipla mediunidade, A mediunidade na história humana: surgimento do espiritismo e os pesquisadores da mediunidade I(volume 3), Licurgo S de Lacerda, Araguari MG, Minas Editora.
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A MEDIUNIDADE NOTÁVEL DE DANIEL DUNGLAS HOMER

17 de nov de 2010


Fiel leitor, trouxemos para nosso estudo, mais um caso notável de mediunidade.
Este caso é contemporâneo a vida de Allan Kardec.
Nós iremos tratar a seguir da vida do médium Mr. Homer.
Allan Kardec se referiu a ele, dentre outras oportunidades, no item 16, do capitulo II (O maravilhoso e sobrenatural), de o livro dos médiuns:
Apreciem a história do médium Mr. Homer.
Boa Leitura.
LUCIANO DUDU



Múltipla mediunidade

Retornemos em nossa cronologia, mais especificamente em 1.833, quando em Currie, lugarejo próximo à cidade de Edimburgo, Escócia, reencarnava Daniel Dunglas Home (1833-1886). Seu pai pertencia à classe operária. Ainda crianças ele foi adotado por uma tia. Quando o menino completou nove anos, ela mudou-se para os Estados Unidos, estabelecendo-se em Connectictu. 
Ainda na adolescência ele teve suas primeiras experiências mediúnicas. Aos dezessete anos, portanto, em 1850 , ocorreram “raps” (batidas) e móveis eram arrastados no ambiente doméstico, sem que conseguissem uma explicação satisfatória. Tal situação levou sua tia, que era presbiteriana, a expulsá-lo alegando que ele tinha trazido o “diabo” para dentro de casa. 
Daniel passou a viver na casa de amigos, sempre mudando. Nos lares em que morou realizava sessões para apresentar suas capacidades mediúnicas. Os historiadores informam que ele jamais cobrou por sessões realizadas embora vivesse de favor. 
Por fim chegou à Nova York e lá foi testado por Judge Robert Hare, pelo juiz Edmonds e o professor David Wells (? -?), lotado em Harvard; os pesquisadores confirmaram sua capacidade de realizar fenômenos mediúnicos, Neste ponto de sua vida, Daniel já realizava cura e levitava, e com o amadurecimento adquirido tinha se tornado uma pessoa simpática e carismática. Com o surgimento de alguns problemas de saúde Daniel procurou ajuda médica e foi diagnosticado tuberculose. Os médicos então sugeriram sua mudança para Inglaterra em busca de profissionais mais preparados para atendê-lo. O médium chegou a Liverpool em abril de 1855. 
Na Inglaterra, apesar de sua precária condição de saúde (o pulmão esquerdo já estava parcialmente comprometido), Daniel encontrou-se de repente no foco das atenções, e, apesar de sua situação financeira limitada, permaneceu fiel à sua consciência. “fui mandado em missão. Essa missão é demonstrar a imortalidade. Nunca recebi dinheiro por isso e jamais o receberei.” 
Por orientação de Mary B. Hayden, a pioneira que levou o espiritualismo moderno dos Estados Unidos para a Inglaterra, sobre a qual nos referimos no capítulo 18, da primeira parte, desta unidade (volume II), Daniel hospedou-se no Cox’s Hotel. O Sr. Cox (? -?) era simpatizante das demonstrações de mediunidade e franqueou seu estabelecimento para as sessões. 
Entre os participantes de uma das primeiras reuniões estava o cientista escocês David Brewster (1781-1868); o advogado, também escocês Henry Peter, conhecido como Lorde Brougham (1.778-1868); o proprietário do imóvel, Sr. Cox e o médium. O cientista depois escreveu uma carta para sua irmã, onde afirmava: 
“Nós quatro sentamo-nos a uma mesa de tamanho retangular, e cuja estrutura nos tinham convidado o examinar. Em pouco tempo a mesa fez esforços e um tremor percorreu os nossos braços; esses movimentos cessavam e recomeçavam ao nosso comando. As mais incontáveis batidas se produziram em várias partes da mesa e esta se ergueu do chão quando não havia mãos sobre ela. Outra mesa maior foi utilizada e produziu os mesmos movimentos (...)” 
“(...) Uma pequena sineta foi posta no chão, sobre o tapete, de boca para baixo; depois de algum tempo ela soou sem que ninguém a tivesse tocado. Acrescenta ele que a sineta veio para ele e se colocou em suas mãos; depois fez o mesmo com Lorde Brougham. E concluiu:” Estas formas as principais experiências. “Não poderíamos explicá-las nem imaginar por que espécie de mecanismo poderiam ter sido produzidas”. 
Depois de sair do hotel, Daniel mudou-se para a casa do rico advogado Jonh S Rymer (? -?), onde foi visitado por Robert Owen, que àquela altura já tinha mudado sua opinião sobre o materialismo. 
Em 1857, Home, depois de passear rapidamente pela Itália, foi para a França. Lá foi convidado por Napoleão III, e com a imperatriz Eugênia, que segurou a mão de um Espírito e nele reconheceu o seu falecido pai materializado, por uma deformidade que ele possuía no dedo. 
Daniel não ficou muito tempo na França, por questões pouco esclarecidas em relação ao seu envolvimento com a nobreza ele teve que sair do país. 
Em seguida foi para a Rússia, tendo sido recebido pelo Czar Alexandre II (1.818-1881), do qual se tornou grande amigo. O Imperador Russo abençoou o casamento de Daniel com Alexandrina de Kroll (? -?). O padrinho de seu casamento foi o novelista Francês Alexandre Dumas – o pai (1802-1870), autor de Os três mosqueteiros. 
Alexandrina contraiu tuberculose de Home e faleceu em 1862. Tempos depois ele se casaria novamente com uma russa de origem nobre, que viria a ser sua biógrafa. 
Novamente Daniel se encontrava em difícil situação financeira. Retornou para os Estados Unidos e tentou a carreira de declamador de textos e poesias, mas, sentindo a pouca possibilidade de sucesso retornou a Inglaterra em 1.866.


Deste retorno extraímos registro de Arthur C. Doyle: 
“No mesmo ano Home foi levantado em casa de Mrs. Miller Gibson, em presença de Lorde e Lady Clarence Paget, tendo o Lorde passado as mãos por baixo de Home, a fim de se certificar do fato. Poucos meses mais tarde, Mr. Wasson, advogado de Liverpool com sete outros, assistiram ao mesmo fenômeno. Diz ele:” Mr. Home atravessou a mesa, passando por cima das cabeças das pessoas sentadas em sua volta. “E acrescenta: Alcancei a sua mão a sete pés do solo e dei cinco ou seis passos enquanto ele flutuava no espaço, acima de mim.” E mais à frente: 
“Em 1866 Mr. E Mrs. Hall Lady Dunsany e Mrs. Sênior; na casa de Mr. Hall viram Home, com o rosto transfigurado e brilhante, ergue-se duas vezes até o teto e deixar uma cruz, feita com lápis, na segunda levitação, de modo a assegura às testemunhas que não eram vitimas de sua própria imaginação”. 
Em 1868, na presença do parlamento escocês James Ludovic Lindsay (1847-1913), depois nomeado Lorde Crawford, abaixo tratado como Lorde Lindsay; do jornalista irlandês Windham Thomas Wyndham-Qin (1841- 1926), depois nomeado Lorde Adare; e o capitão irlandês Charles Bradsteet Wynner (1835-1890); o médium realizou sua mais espantosa sessão, que pela importância que assumiu na história da mediunidade, não podermos deixar de extrair a descrição completa dos fatos do livro História do Espiritismo, de Arthur C. Doyle, a narração dos fatos coube ao Lorde Adare: 
“(...) ocorrência de 16 de dezembro daquele ano, quando em Ashley House, em estado de transe, Home flutuou do quarto para a sala de estar, passando pela janela, a setenta pés acima da rua. Depois de chegar à sala, voltou para o quarto com Lorde Adare e, depois que este observou que não compreendia como Home poderia ter passado pela janela, apenas parcialmente levantada, ele me disse que se afastasse um pouco. Então o seu corpo aparentemente rígido e quase na horizontal. Voltou novamente, com os pés para frente. Tal informação dada por Lorde Adare e Lorde Lindslay. Diante de sua publicação, o Dr. Carpenter, que gozada de uma reputação nada invejável por uma perversa oposição a tudo quanto se relacionava com este assunto, escreveu exultante indicando que havia uma terceira testemunha que não tinha sido ouvida, admitindo sem o menor fundamento que o depoimento do Capitão Wynne seria em sentido contrario. Por fim que um simples cético honesto declara que Mr. Home esteve sentado todo o tempo em sua cadeira, afirmação que apenas pode ser tomada como falsa. Então o Capitão Wynne escreveu corroborando os outros depoimentos e acrescentando: Se o senhor não acredita na prova corroborante de três testemunhas insuspeitas, então será o fim de toda a justiça e das cortes da lei.”


Durante sua estadia na Europa, Daniel recebeu visitas de Allan Kardec e Willian Crookes, falaremos sobre ele no capitulo 13 incluído nesta parte.
Allan Kardec se referiu a ele, dentre outras oportunidades, no item 16, do capitulo II (O maravilhoso e sobrenatural), de o livro dos médiuns: 
“(...) ora a suspensão etérea de corpos graves é um fato explicado pela lei espírita; disso formos pessoalmente testemunha ocular, e o Sr Home, assim como outras pessoas do nosso conhecimento, repetiu muitas vezes o fenômeno produzido por São Cupertino. Portanto, esse fenômeno entra na ordem das coisas naturais”. 
O fato é que Daniel colocou a Europa em clima de euforia. Contudo, ele também encontrou adversários, entre eles o poeta inglês Robert Browing (1812-1889), que chegou a expulsá-la de sua casa e anos depois escreveria o poema Mr. Sludge , the médium ( Sr. Lamaçal, o médium),com cerca de duas mil linhas de impropérios conta o médium aqui estudado. Ao que tudo indica o poeta antipatizara com o Daniel. 
Assim como granjeou adversários no meio intelectual, também os fez entre seus colegas médiuns. Home desconfiava de quase todos os médiuns e mediunidades, particularmente daqueles que faziam suas sessões na escuridão completa, esta sua opinião foi incluída em seu ultimo livro Lights and Shadows of Spiritualism (Luzes e sombras do Espiritualismo). O médium certamente desconhecia que as características mediúnicas de alguns colegas seus requeriam a ausência de luz para que fossem realizados os fenômenos. A única médium que partilhou de sua amizade foi Kate Fox, quando já casada com o Sr. Jencken. 
O médium desencarnou aos cinqüenta três anos de idade de tuberculosa. O pedido da viúva, a prefeitura de Edimburgo construiu , em 1888, um memorial em sua honra. 
Os trechos aqui reproduzidos forma extraídos do livro História do Espiritismo, de Arthur C. Doyle. 

Fonte:Capitulo I, terceira parte, os pesquisadores da mediunidade I – múltipla mediunidade, A mediunidade na história humana: surgimento do espiritismo e os pesquisadores da mediunidade I(volume 3), Licurgo S de Lacerda, Araguari MG, Minas Editora.
Imagem: Google 

Leia com atenção

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Luciano Dudu