Vídeo de divulgação da História e o Espiritismo

.

.

Seja bem vindo

Seja bem vindo

Mapa

free counters

Total de visualizações de página

Seguidores

LÉON DENIS - BIOGRAFIA

22 de dez de 2010


 

Filho de pedreiro Joseph Denis (? -?) e da camponesa Anne Lucie Liouville (? -?), Léon Denis (1846-1927) nasceu em Foug, na França.
O inicio de sua vida foi marcada pelas constantes mudanças de cidade que realizava a sua família, pois o pai estava sempre à procura de melhoria no emprego.
Cedo, Lèon Denis começou a trabalhar na Casa Pillet, que comercializava couros. Desta forma, auxiliava seus pais, que viviam sempre com poucos recursos. No trabalho ele demonstrou grande interesse e rapidamente foi promovido. Durante seus afazeres aproveitava para estudar, pois somente tinha cursado o primário.
Aos dezoito anos conheceu O Livro dos Espíritos: “A teoria espírita dissipou minha indiferença e minhas dúvidas”, afirmaria posteriormente Léon Denis. 
 
Um novo mundo então se descortinou para o jovem e, Léon passou a ser interessar pela obra cujo conteúdo coincidia com sua forma de pensar. Consequentemente, fez contato espíritas em Tours, cidade onde morava, O grupo foi um dos primeiros da França e era presidido pelo Dr. Chuvet (?-?) .
Em uma de suas viagens Kardec passou em Tours e lá se uniram e fundaram o Grupo da Rua Du Cygne, do qual Denis se tornou secretário.
Depois em 1.875, ele foi chamado para servir o exercito Frances na guerra contra Alemanha.
Passado este período retornou para Tours e novamente voltou a trabalhar com o grupo que ajudara a fundar. Nesta época se descobriu médium escrevente e depois vidente. 
 
Ficou sabendo que sua companheira espiritual era Joana D’Arc e ambos passaram a desenvolver uma grande afinidade. 
 
Enquanto isto desenvolvia também sua capacidade oratória na Loja Maçônica dos Demófilos, ligada ao rito do Grande Oriente à qual estava vinculado.
Em 1.876, atendendo a um projeto seu, os patrões o autorizam a viajar representando a Casa Pillet. Léon Denis visitou boa parte da Europa e também o norte da África. A grande responsabilidade que demonstrava em todas as atividades que desenvolvia, fê-lo ser requisitado, em 1.878 pelo Dr. Belle (? -?) para o cargo de secretário geral do Circuito de Touraine, órgão vinculado à liga de Ensino, criada por Jean Mace (...).
A esta altura sua saúde já estava afetada pelas longas viagens que fizera principalmente o estômago e a vista.
Começou então a ficar desiludido, ate que recebeu uma mensagem pela via mediúnica de Jerônimo de Praga, em 02 de novembro de 1.882, e com ela o incentivo necessário para continuar sua trajetória. Naquele mesmo ano participou com o Dr. Josset (? -?), Alexandre Delanne e Pierre Gaetan Leymarie de um encontro que resultou na fundação da sociedade dos estudos espíritas.
Aos poucos foi se tornando grande conferencista espírita, esta foi sem dúvida sua grande tarefa e era este o seu principal trabalho, ao qual tinha se referido o Espírito Jerônimo de Praga. Utilizava suas conferências para também propagar o trabalho da Liga de Ensino.
O segundo Congresso Espírita e Espiritualista Internacional, ocorrido em Paris, em 1.889, aconteceu quando o médium conferencista tinha terminado a brochura o Porquê da Vida (1.885). Naquela ocasião, Denis foi nomeado Presidente da Quarta Comissão, que ser relacionava com a propaganda espiritualista. Ao final, ocorreu uma profunda indisposição entre Léon e o Presidente do Congresso, que defendia o Panteísmo. O médium conferencista esteve firme na defesa dos princípios espíritas, discordando daquela crença. Aproveitou para combater as ideias positivistas que estavam encontrando adeptos dentro da Doutrina Espírita.
A partir de 1.890, Denis começou a exercer com maior ênfase sua mediunidade escrevente e foram publicado suas obras, dentre as quais destacamos: Depois da Morte ( 1890), Cristianismo e Espiritismo ( 1898), O além e a sobrevivência do Ser ( 1901), No Invisível ( 1903) e O Problema do Ser, do Destino e da Dor ( 1908). São todas obras esclarecedoras e de uma solidez doutrinaria impecável, particularmente, o Problema do Ser. Ainda podemos relacionar: Joana D’Arc médium (1910) e seu último livro o Gênio Celta e o Mundo Invisível (1927).
Denis continuou suas conferencias por toda a Europa e passou a merecer o título de Apóstolo do Espiritismo não somente divulgando a Doutrina Espírita, mas direcionando corretamente o pensamento daqueles que desvirtuavam os seus conceitos. Na defesa do Espiritismo ele assemelhava-se ao apóstolo Paulo, que nem suas peregrinações saiam a esclarecer consciências.
Em 1900, foi realizado outro Congresso Espiritualista Internacional, desta vez em Paris, Denis foi nomeado Presidente Efetivo. Novamente se encontraram representantes das diversas escolas espiritualistas. Compareceram Victorien Sardou, alem de nomes de projeção internacional como Alfred Russel Wallace e Alexandre Aksakof (...).
Embora sempre estivesse firme em suas posições espíritas, o Apostolo do Espiritismo sempre tolerava o pensamento de outras crenças religiosas, ele apenas não admitia que ideias estranhas fossem incorporadas à Doutrina.
Léon Denis experimentou uma dura tarefa quando teve que expor o que ficou conhecimento como o “Caso Miller”.
Tratava-se do episódio envolvendo Miller (? -?), que apesar ter origem francesa, residia em São Francisco, Estados Unidos. Na cidade onde morava ele era um conhecido fraudador de fenômenos mediúnicos- embora alguns afirmem que ele possuía alguma mediunidade -; por outro lado em Paris, era tido como um médium que propiciava materializações. Suas sessões tinham sido assistidas inclusive por Léon Denis.
Ao perceber a mistificação de que tinha sito vítima, o médium conferencista - escritor, embora enfrentando enormes barreiras pessoais, denunciou Miller, exclusivamente para promover a defesa do Espiritismo. Tal posição criou inúmeros aborrecimentos, visto que muitos de seus colegas de fé criam na autenticidade do médium mistificador.
No Congresso Espírita Universal de 1910, realizado em Bruxelas, participou como delegado da França e do Brasil, que não tinha enviado representante. Posteriormente em 1913, dividiu o cargo de Presidente do Congresso Espírita Internacional, em Genebra.
Sua saúde começou a piorar e ele teve que interromper suas conferências, mesmo assim durante a Primeira Guerra Mundial publicou artigos em defesa de sua Pátria.
Em 1916, ressurgiu reorganizada por Jean Meyer, a Revista Espírita, Denis passou então a colaborar com o periódico, inclusive com a elaboração de artigos, em conjunto com Camille Flamarion.
(...) Jean Meyer e Léon Denis, ainda trabalham em conjunto, reorganizando a União Espírita Francesa –onde Denis ocupou o cargo de Presidente de Honra – e constituíram o Congresso Internacional Espírita, realizado em Paris, em 1925, quando ele ocupou a Presidência, e do qual participou Arthur C. Doyle.
No congresso, o médium diferenciou o rumo da nascente Metapsíquica com os do Espiritismo:
“Tanto quanto os metapsiquistas, amamos a ciência, pelos imensos serviços prestados à humanidade, reconhecemos a necessidade do controle cientifico, porém, discordamos quanto à sua aplicação”. Com tais afirmações ele quis diferenciar a visão materialista que tinham os seguidores da Metapsiquica, da visão espiritual dos espíritas. Naquela época, Denis ocupou também a Presidência de Honra da Federação Espírita Brasileira.
Com a saúde abalada, e já quase completamente cego, desencarnou com pneumonia em 1927…
Os trechos utilizados foram destacados do livro Léon Denis de Gaston Luce.

Fonte:Capitulo 6, terceira parte, os pesquisadores da mediunidade I – múltipla mediunidade, A mediunidade na história humana: surgimento do espiritismo e os pesquisadores da mediunidade I(volume 3), Licurgo S de Lacerda, Araguari MG, Minas Editora.

Imagem: Google 


LÉON DENIS E SUAS OBRAS

21 de dez de 2010



OBRAS DE LÉON DENIS


Depois da Morte

Léon Denis 
Sinopse:
Obra de profundidade na qual temas filosóficos são esmiuçados, em análise competente, como Deus e Universo, a vida imortal, a pluralidade das existências, e outros. Destaque para as religiões antigas e doutrinas secretas, que polarizam a atenção dos homens ressaltando o valor do Espiritismo.



Cristianismo e Espiritismo 

Léon Denis 
Sinopse:
É um livro profundamente atual cuja temática é definida no título. O autor vê no Espiritismo uma perfeita identidade com os precietos do Cristianismo - anulando, de pronto, qualquer pretendida desvinculação das duas mensagens entre si -, porque seus postulados são os de uma única Doutrina. Comenta os desvios do Cristianismo pelas brenhas do dogmatismo e das conveniências sacerdotais e demonstra seu integral retorno à pureza primitiva com o advento do Consolador prometido, que é o Espiritismo. 




além e a sobrevivência do Ser 

Léon Denis
Sinopse:
É um clássico do Espiritismo que nenhum estudioso deve ignorar. A obra comprova a sobrevivência após a morte. Lastreado em famosos cientistas, como Crookes, Lodge, Lombroso e outros, o autor relata casos comprovados de comunicação dos Espíritos, obedecendo aos cânones científicos do método experimental. É leitura apaixonante que demonstra a atualidade da Doutrina Espírita e a segurança da Codificação, apesar do tempo decorrido.



No Invisível ( 1903) 

Léon Denis
Sinopse:
Representa um tratado de espiritualismo experimental, no qual o autor estuda as leis que regem as manifestações do mundo invisível e os fenômenos provenientes de sua natureza. Dedica ainda à mulher páginas de rara beleza, além de abordar as questões que envolvem o poder do pensamento.





O Problema do Ser, do Destino e da Dor ( 1908). 

Léon Denis
Sinopse:
Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Por que sofremos? Essa a formidável problemática do Ser, que Léon Denis vem descerrar-nos com clareza e precisão, fundamentando-se nos princípios da Doutrina Espírita. Divide-se essa obra em três partes e analisa temas como: a evolução do pensamento, a vida no além, provas históricas da reencarnação, a lei dos destinos e outros assuntos palpitantes e atuais.




Gênio Celtico e o Mundo Invisível 

Léon Denis
Sinopse:
Este é o último trabalho de Léon Denis e nele observamos a exaltação do espírito céltico-francês, tão presente em sua personalidade. Considerado como "um livro a não ser editado" - em razão das mensagens de Kardec onde o espírito nacional-francês é por ele exaltado - esta obra tem, para a Doutrina Espírita, um valor histórico e cultural muito grande ao apresentar as relações existentes entre o Espiritismo e o Celtismo e um minucioso estudo sobre os países célticos, a origem dos povos celtas, o Druidismo e uma série de mensagens onde encontramos como signatários, além de Kardec, Jules Michelet e Jeanne de Domremy. 





O ESPIRITISMO E AS FORCAS RADIANTES 
Léon Denis
Sinopse:
" Realmente, o estudo dos fluidos e das forças radiantes leva, necessariamente, às formas invisíveis da vida, pois a elas se relaciona, fortemente. É por aí que a Ciência nova chegará a reconhecer a existência do mundo dos espíritos e que as imensas perspectivas do Além se abrirão diante dela." 






ESPIRITISMO E O CLERO CATOLICO 

Léon Denis 
Sinopse:

Livro escrito por Léon Denis em resposta aos ataques feitos pelo clero católico ao Espiritismo. Usando argumentos procedentes de experiências dos próprios padres e utilizando-se de expressões intelectuais católicas, o Mestre Denis faz, nesta obra, uma de suas mais admiráveis defesas da Doutrina Espírita. Ainda aproveitando argumentos católicos, ele prova que a reencarnação era aceita  normalmente pelos primeiros cristãos. Terminando o seu trabalho, demonstra o aspecto consolador do Espiritismo. 






O ESPIRITISMO NA ARTE

Léon Denis
Sinopse:
Esta obra se desenvolve em dois níveis: retrata o que ocorre na espiritualidade e como a beleza se manifesta através do artista encarnado na Terra. O autor, Léon Denis, escreveu em 1922 uma série de artigos para a Revue Spirite (revista francesaespírita), na qual tratava da questão do belo na arte, arquitetura, pintura, escultura, música, literatura, etc.




O GRANDE ENIGMA 

Léon Denis
Sinopse:
Aborda temas ligados ao Universo e à Natureza, objetivando demonstrar o porquê da existência do homem e a lei do destino. Ressalta que a morte é simplesmente um segundo nascimento: deixamos o mundo pela mesma razão por que nele entramos, segundo a ordem da mesma lei. 






ESPIRITOS E MEDIUNS 

Léon Denis 
Sinopse:
Este livro não possuía uma tradução em língua portuguesa, até que o professor José Jorge fez o presente trabalho. É uma obra destinada a melhor fazer compreender todos os trâmites do Espiritismo experimental e, por consequência, as comunicações mediúnicas dele decorrentes. Médiuns e diretores de grupos espíritas muito se beneficiarão, no exercício da prática mediúnica, seguindo as recomendações, simples e objetivas, do Mestre Denis. 




GIOVANA 

Léon Denis
Sinopse:
Uma obra clássica, de autoria de uns dos mais importantes escritores espíritas de todos os tempos, com enredo emocionante, praticamente desconhecida do público brasileiro e com belíssima apresentação gráfica.






JOANA DARC MEDIUM 

Léon Denis
Sinopse:
A vida dessa extraordinária médium é exposta com minúcias e dados do maior interesse aos que pretendem conhecer sua verdadeira personalidade. Os fatos mediúnicos que a cercaram e que só o Espiritismo explica, como suas visões, premonições, audição de vozes e outros, são analisados como fenômenos comuns que a ignorância e a mentira tacharam de bruxarias. É um livro que exalta a força da fé e restabelece o primado da verdade.






O mundo invisível e a guerra 
Léon Denis
Sinopse:
Léon Denis vivenciava a experiência terrível da guerra de 1914, e uma série de comunicações, recebidas de seus amigos espirituais, o inspiraram a escrever esta obra em que faz uma análise dos horrores da guerra e as suas consequências, mostra a opinião e a atuação dos espíritos sobre os dois aspectos da guerra - o visível e o oculto - e dá profundos esclarecimentos sobre a necessidade de reeducação dos povos para que cada criatura tenha o verdadeiro conhecimento de seus deveres, de suas responsabilidades e do real objetivo da vida, que é o aperfeiçoamento da alma.






O PORQUÊ DA VIDA 

Léon Denis
Sinopse:
Como o título indica, seu autor mostra, com inteligência e explicações lógicas, as razões primordiais da existência física. Focalizando princípios que demonstram o que somos, donde viemos e para onde vamos após a desencarnação. Desenvolve temática do maior interesse, com assuntos variados, fixando a atenção do leitor no rumo dos mais altos objetivos da alma humana.






O PROGRESSO

Léon Denis
Sinopse:
Léon Denis foi um orador brilhante, um excelente conferencista, e tinha por hábito escrever e ler os seus discursos. Esta peculiaridade de seu trabalho permitiu que se conservassem, até nossos dias, muitos de seus escritos. Este é o caso de "O Progresso", um discurso feito pelo Mestre Denis em 1880, no qual, com o seu espírito elevado e liberal, analisa o progresso em variados aspectos como o político, o social, o religioso e dentro da imortalidade. Com a leitura desta obra, verificamos o quanto ainda nos falta apreender, pois as palavras de Léon Denis continuam, hoje, tão atuais como no dia em que ele as proferiu pela primeira vez.

 





SOCIALISMO E ESPIRITISMO 

Léon Denis
Sinopse:
Este livro tem a virtude de reativar o debate em torno do Socialismo e do Espiritismo, permitindo a continuidade de uma palpitante e de rara oportunidade. Léon Denis mostra seu pensamento sobre o Socialismo, doutrina que encontrou na França um grande trabalhador na figura de Jean Jaurés.




TUNIS E A ILHA DA SARDENHA 
Léon Denis
Sinopse:
A Sardenha, situada no Mar Mediterrâneo, foi sucessivamente povoada por fenícios, cartagineses, romanos, árabes, bizantinos, espanhóis, saboianos e italianos. A Norte, é separada da Córsega pelo estreito de Bonifácio; a oriente, o mar Tirreno separa-a da Itália Continental. Nessa obra, Léon Dnis resgata as memórias de sua viagem a este lugar encantador, ocorrida no século XIX. Com peculiar sensibilidade, ele capta os detalhes mais pitorescos da viagem, transportando o leitor para os extremos da vida rude e simples dos moradores da região aos espetáculos de cor e imagem traduzidos pela natureza, além de incuti-lo no conhecimento histórico da Ilha da Sardenha.

KARDEC INTERROGA O ESPÍRITO LAMENNAIS

14 de dez de 2010


Amigo Leitor, extraímos do Livro dos Espíritos e do Evangelho Segundo Espiritismo ,duas comunicações ditada pelo espírito LAMENNAIS.
Ele foi evocado por Allan Kardec em uma reunião mediúnica, e foi interrogado sobre  o assunto : penas impostas e  se devemos expôr uma vida para salvar um malfeitor. Aprecie  a postagem e boa leitura.
Luciano Dudu


Livro dos Espíritos: PARTE 4ª - CAPÍTULO II 
DAS PENAS E GOZOS FUTUROS 

Questão 1009. Assim, as penas impostas jamais o são por toda a eternidade? 
(..) “Aplicai-vos, por todos os meios ao vosso alcance, em combater, em aniquilar a Idéia da eternidade das penas, idéia blasfematória da justiça e da bondade de Deus, gérmen fecundo da incredulidade, do materialismo e da indiferença que invadiram as massas humanas, desde que as inteligências começaram a desenvolver-se. O Espírito, prestes a esclarecer-se, ou mesmo apenas desbastado, logo lhe apreendeu a monstruosa injustiça. Seu razão a repele e, então, raro é que não englobe no mesmo repúdio a pena que a revolta e o Deus a quem a atribui. Daí os males sem conta que hão desabado sobre vós e aos quais vimos trazer remédio. Tanto mais fácil será a tarefa que vos apontamos, quanto é certo que todas as autoridades em quem se apóiam os defensores de tal crença evitaram todas pronunciar-se formalmente a respeito. Nem os concílios, nem os pais Da Igreja resolveram essa grave questão. Muito embora, segundo os Evangelistas e tomadas ao pé da letra às palavras emblemáticas do Cristo, ele tenha ameaçado os culpados com um fogo que se não extingue, com um fogo eterno, absolutamente nada se encontra nas suas palavras capaz de provar que os haja condenado eternamente. “Pobres ovelhas desgarradas aprendei a ver aproximar-se de vós o bom Pastor, que, longe de vos banir para todo o sempre de sua presença, vem pessoalmente ao vosso encontro, para vos reconduzir ao aprisco. Filhos pródigos deixai o vosso voluntário exílio; encaminhai vossos passos para a morada paterna. O Pai vos estende os braços e está sempre pronto a festejar o vosso regresso ao seio da família.” 

Ditado pelo espiríto  LAMENNAIS 





Evangelho Segundo o Espiritismo 
Capítulo XI 
AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO 

Pergunta : Deve-se expor a vida por um malfeitor? 

Item 15. Acha-se em perigo de morte um homem; para o salvar tem um outro que expor a vida. Sabe-se, porém, que aquele é um malfeitor e que, se escapar, poderá cometer novos crimes. Deve, não obstante, o segundo arriscar-se para o salvar? 

Resposta de LAMENNAIS: 

Questão muito grave é esta e que naturalmente se pode apresentar ao espírito. 
Responderei, na conformidade do meu adiantamento moral, pois o de que se trata é de saber se se deve expor a vida, mesmo por um malfeitor. O devotamento é cego; socorre-se um inimigo; deve-se, portanto, socorrer o inimigo da sociedade, a um malfeitor, em suma. Julgais que será somente à morte que, em tal caso, se corre a arrancar o desgraçado? E, talvez, a toda a sua vida passada. Imaginai, com efeito, que, nos rápidos instantes que lhe arrebatam os derradeiros alentos de vida, o homem perdido volve ao seu passado, ou que, antes, este se ergue diante dele. A morte, quiçá, lhe chega cedo demais; a reencarnação poderá vir a ser-lhe terrível. Lançai-vos, então, ó homens; lançai-vos todos vós a quem a ciência espírita esclareceu; lançai-vos, arrancai-o à sua condenação e, talvez, esse homem, que teria morrido a blasfemar, se atirará nos vossos braços. Todavia, não tendes que indagar se o fará, ou não; socorrei-o, porquanto, salvando-o, obedeceis a essa voz do coração, que vos diz: "Podes salvá-lo, salva-o!" – 

Ditador pelo espírito
Lamennais. (Paris, 1862.)


Fonte: Amar ao próximo como a si mesmo, Capitulo XI, item 15 do Evangelho Segundo Espiritismo,Allan Kardec;
            Das Penas e Gozos futuros, Parte 4, capitulo II Questão 1009, do livro dos Espíritos, Allan Kardec .
Imagem : Google.

COMUNICAÇÃO DE LAMENNAIS



             Revista Espírita Julho de 1865, França.

A religião espiritualista é a alma do cristianismo; não é preciso esquecê-lo. No meio do materialismo, do culto protestante e católico, o cardeal Wiseman usou proclamar a alma antes do corpo, o espírito antes da letra. Essas espécies de audácias são raras nos dois cleros, e é um espetáculo desabituado, com efeito, o ato de fé espírita do cardeal Wiseman. Seria estranho, de resto, que um espírito, assim cultivado, tão elevado quanto o do eminente cardeal tivesse visto no Espiritismo uma fé rebelde aos ensinos da mais pura moral do C ristianismo; Não saberíamos aplaudir mais, nós Espíritas, a essa confiança distanciada de todo respeito humano, de todo escrúpulo mundano. Não é um encorajamento a voz de um agonizante tão distinto? Não é um anúncio para o futuro? Uma promessa que com a boa vontade tanto pregada pelo Evangelho não há senão uma verdade contida na prática da caridade e da crença na imortalidade da alma? Outras vozes não menos sagradas proclamam cada dia nossa imortal verdade. É um Hosana sublime que cantam os homens visitados pelo Espírito, hosannah também puro, também entusiasta quanto o das almas visitadas por Jesus. Nós mesmos, almas em sofrimento, não afastamos de nós a lembrança que nos chega, e no purgatório que sofremos, escutamos a voz daqueles que nos fazem ver além. 

ditado por : LAMENNAIS. 

(Méd., Sr. A. Didier.)

Fonte: Revista Espírita, Julho de 1865, Allan Kardec, Editora Ide, 1ª edição. SP, Brasil 
Imagem: Google 






Traço Biográfico 

Felicité Robert de Lamennais 
Expoentes da Codificação 

Material extraído do site: http://www.espiritismogi.com.br/


Nascido em uma família burguesa, em 19 de junho de 1782, em Saint-Malo, na França, foi brilhante escritor, tornando-se uma figura influente e controversa na história da Igreja francesa. Com seu irmão Jean, concebeu a idéia de reviver o Catolicismo Romano como uma chave para a regeneração social. Chegaram a esboçar um programa de reforma em sua obra : Reflexões do estado da Igreja..., no ano de 1808.Cinco anos mais tarde, no auge do conflito entre Napoleão e o Papado, os irmãos produziram uma defesa do Ultramontanismo (Doutrina e política dos católicos franceses que buscavam inspiração na Cúria Romana, defendendo a autoridade absoluta do Papa em matéria de fé e disciplina). Este livro valeu a Lamennais um conflito com o Imperador, ocasionando sua fuga para a Inglaterra, rapidamente, no ano de 1815. Um ano depois, com seus 34 anos de idade, Lamennais retorna a Paris e é ordenado padre. Escritor fluente, político e filósofo, ele se esforçava para combinar a política liberal com o Catolicismo Romano, depois da Revolução Francesa. Por isso, já em 1817 publicou "Ensaios sobre a indiferença em matéria de religião considerada em suas relações com a ordem política e civil", além de uma tradução da "Imitação de Jesus Cristo". O Ensaio lhe valeu fama imediata. Nele, Lamennais argumentava a respeito da necessidade da religião, baseando seus apelos na autoridade da tradição e a razão geral da Humanidade, em vez do individualismo do julgamento privado. Embora advogasse o Ultramontanismo na esfera religiosa, em suas crenças políticas era um liberal que advogava a separação do Estado da Igreja, a liberdade de consciência, educação e imprensa. Depois da revolução de julho, em 1830, Lamennais, junto com Henri Lacordaire (Os expoentes da Codificação XVIII) e Charles de Montalembert, além de um grupo entusiástico de escritores do Catolicismo Romano Liberal, fundou o jornal "L'Avenir". Neste jornal diário, defendia Lamennais os princípios democráticos, a separação da Igreja do Estado, criando embaraços para si tanto com a hierarquia eclesiástica francesa quanto com o governo do rei Luís Felipe. O Papa Gregório XVI desautorizou as opiniões de Lamennais na Encíclica Mirari vos, em agosto de 1831. 
A partir de então, Lamennais passa a atacar o Papado e as monarquias européias, escrevendo o famoso poema "Palavras de um crente", condenado na Encíclica papal Singulari vos, em julho de 1834. O resultado foi a exclusão de Lamennais da Igreja. 
Incansável, ele se devotou à causa do povo, colocando sua caneta a serviço do republicanismo e do socialismo. Escreveu trabalhos como "O Livro do Povo "(1838) , "Os afazeres de Roma" e "Esboço de uma Filosofia". 
Chegou a ser condenado à prisão mas, já em 1848 foi eleito para a Assembléia Nacional, aposentando-se em 1851.Por ocasião de sua morte, em Paris, em 27 de fevereiro de 1854, não desejando se reconciliar com a Igreja, foi sepultado em uma cova de indigente. No Mundo Espiritual, não permaneceu ocioso, eis que em O Livro dos Espíritos, na pergunta de número 1009, se encontra uma mensagem de sua lavra, ilustrando a resposta. Nela, revela os traços da sua fé, concitando as criaturas a aproximar-se do bom pastor e do Pai Criador, combatendo com vigor a crença das penas eternas. Na mensagem que assina em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XI, item 15, ele se revela o ser compassivo, que conclama as criaturas a obedecer a voz do coração, oferecendo, se for necessário, a própria pela vida de um malfeitor. 

Fonte : http://www.espiritismogi.com.br/biografias/felicite_robert.htm 
Imagem : Google 

COMUNICAÇÃO MEDIUNICA/ CARDEAL WISEMAN

13 de dez de 2010



Amigo Leitor, trouxe em meu blog uma comunicação mediúnica retirada da Revista Espirita, que fora ditada por um espírito que identificou-se como o Cardeal Wiseman. Ele fala sobre a Doutrina dos Espíritos. 
Boa Leitura e reflexão 
Luciano Dudu 
DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS. 
O CARDEAL WISEMAN. 

A Patrie, de 18 de março de 1865, relata o que segue:"O cardeal Wiseman, que acaba de morrer na Inglaterra, acreditava no Espiritismo.É o que prova o fato seguinte, que foi citado pelo Spiritualist magazine."Um bispo lançou a proibição sobre dois membros de sua Igreja, por causa de sua tendência ao Espiritismo. O cardeal levantou essa interdição e permitiu aos dois sacerdotes prosseguirem seus estudos e servirem de médiuns, dizendo-lhes: "Eu mesmo creio firmemente no Espiritismo, e não poderia ser um bom membro da Igreja, se tivesse a menor dúvida a esse respeito."Este artigo foi lido e comentado numa reunião espírita em casa do Sr. Delanne, mas hesitou-se em fazer a evocação do cardeal, quando ele se manifestou espontaneamente pelas duas comunicações seguintes.Vosso desejo de me evocar me trouxe para vós, e estou feliz em vir vos dizer, meus irmãos bem amados, sim, sobre a Terra, eu era Espírita convicto. Vim com essas aspirações que não havia podido desenvolver, mas que era feliz em ver desenvolver por outros. 
Eu era Espírita, porque o Espiritismo é o caminho reto que conduz ao verdadeiro objetivo e à perfeição; eu era Espírita, porque reconhecia no Espiritismo o cumprimento de todas as profecias desde o começo do mundo até nossos dias; eu era Espírita porque essa doutrina é o desenvolvimento da religião, esclarecendo os mistérios e a marcha da Humanidade até Deus, que é a unidade; eu era Espírita, porque compreendi que essa revelação vinha de Deus e que todos os homens sérios deveriam ajudar a sua caminhada, a fim de poder um dia se estenderem mão segura; eu era Espírita, enfim, porque o Espiritismo não lança anátema sobre ninguém, e que, a exemplo do Cristo, nosso divino modelo, estende os braços a todos, sem distinção de classe e de culto. Eis porque eu era Espírita cristão. Ó meus irmãos bem-amados! que graça imensa o Senhor concede aos homens enviando-lhes esta luz divina que lhes abre os olhos e fá-los ver, de maneira irrecusável, que além da túmulo existe bem uma outra vida, e, que em lugar do medo da morte, quando se viveu segundo os desígnios de Deus, deve-se bendizê-la quando vem livrar um de nós das pesadas cadeias da matéria. Sim, esta vida que se prega constantemente de maneira tão apavorante, existe; mas não tem nada de penoso para as almas que, sobre a Terra, observaram as leis do Senhor. Sim, lá, encontram-se aqueles que se amou sobre a Terra; é uma mãe bem amada, uma terna mãe que vem vos felicitar e vos receber; são amigos que vêm vos ajudar a vos reconhecer, em vossa verdadeira pátria, e que vos mostram todos os encantos da vida verdadeira, da qual os da Terra não são senão as tristes imagens. Perseverai, meus irmãos bem-amados, caminhando no caminho bendito do Espiritismo; que para vós isso não seja uma palavra vã; que as manifestações que recebeis vos ajudem a escalar o rude calvário da vida, afim de que chegados ao cume, possais ir recolher os frutos de vida que vós vos tereis preparado.É o que vos desejo a todos que me escutais e a todos os meus irmãos em Deus. 
Aquele que foi cardeal Wiseman
(Médium senhora Delanne) 

Fonte: Revista Espírita, Julho de 1865, Allan Kardec, Editora Ide, 1ª edição. SP, Brasil 
Imagem: Google


TRAÇO BIOGRÁFICO 

Nicholas Patrick Stephen Wiseman (1802-1865), (Sevilha, 2 de agosto de 1802 - Londres, 15 de fevereiro de 1865) foi o primeiro cardeal residente em Inglaterra desde a Reforma Anglicana de Henrique VIII, sendo o primeiro bispo de Westminster. Foi um dos principais dinamizadores do renascimento docatolicismo na Inglaterra do século XIX. 
Era o filho mais novo de James Wiseman, um comerciante irlândes, com sua segunda esposa, Xaviera também Irlandesa. Os Wiseman eram uma família conservadora, envolvida em casos de administração pública. Dez membros da família Wiseman foram prefeitos. 
Com a morte de seu pai, em 1805,os Wiseman se deslocaram para Waterford Nicholas, o novo membro dos família, ingressou na escola, em 1810 , foi encaminhado para o seminário de Ushaw, em Durham. Em Ushaw, Nicholas resolvera abraçar a vida religiosa, decidindo ser padre, em em 1818 foi escolhido entre 5 jovens estudantes ingleses a ingressar na faculdade inglesa de Roma, que tinha sido fechada e reabriu após 20 anos devido a ocupação francesa. Quando chegou em Roma, teve uma série de audiências, juntamente com os demais estudantes, com o Papa Pio VII, que os incentivou a carreira sacerdotal. Seus 6 anos seguintes foram devotados aos estudos constantes, dura e regularmente, sob a estrita disciplina da faculdade. Alcançou prestígio em ciências naturais, bem como em teologia dogmática, em em julho de 1824, fez seus exames para o doutorado, com sucesso. 
O Papa desejava que o jovem Wiseman fizesse seus sermões na língua inglesa para os ingleses visitantes em Roma, e, em junho de 1828, torna-se reitor da faculdade inglesa de Roma e professor de línguas orientais. Esta posição lhe deu o estatuto de representante oficial dos católicos ingleses em Roma, e lhe trouxe muitos deveres, devotados aos estudos, a leitura, e a pregação. Em 1835, Wiseman foi para a Inglaterra, com intuito de ajudar o país na catequização católica, na esperança fervorosa de ver uma Inglaterra católica. Porém, havia vivido muito pouco lá, e vinha sofrendo pressão por causa das leis penais inglesas, que proibiam os católicos a realizarem cultos públicos, porém isso foi logo abolido pelo ato de emancipação de 1829, mas nesta altura os ingleses já eram em maioria, protestantes, mas encontrou maior aceitação católica em Londres.Wiseman tornou-se Arcebispo Católico de Westminster, em 1850. Escreveu tratados e livros, inclusive um romance, intitulado "Fabíola" , ou "A Igreja das Catacumbas", publicado em 1854, onde trata sobre a perseguição a Igreja e aos seus mártires, sob o olhar de uma jovem e culta nobre romana.A pressão constante nos deveres episcopais e metropolitanos como Arcebispo, foram reduzindo suas forças e sua saúde foi se danificando. Haviam-no indicado, em 1855, para peticionar em Roma, mas logo nomearam um coadjutor, o Reverendo George Errington, Bispo de Plymouth.
O Cardeal Nicholas Wiseman morreu em Londres, em 15 de fevereiro de 1865.
Fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicholas_Wiseman 
Imagem : Google

UM MÉDIUM PINTOR CEGO

9 de dez de 2010

Livro dos médiuns



Médiuns sonâmbulos: os que, em estado de sonambulismo, são assistidos por Espíritos. (Nº 172.)

Médiuns pintores ou desenhistas: os que pintam ou desenham sob a influência dos Espíritos. Falamos dos que obtêm trabalhos sérios, visto não se poder dar esse nome a certos médiuns que Espíritos zombeteiros levam a fazer coisas grotescas, que desabonariam o mais atrasado estudante. Os Espíritos levianos se comprazem em imitar. Na época em que apareceram os notáveis desenhos de Júpiter, surgiu grande número de pretensos médiuns desenhistas, que Espíritos levianos induziram a fazer as coisas mais ridícuas. Um deles, entre outros, querendo eclipsar os desenhos de
Júpiter, ao menos nas dimensões, quando não fosse na qualidade, fez que um médium desenhasse um monumento que ocupava muitas folhas de papel para chegar à altura de dois andares. Muitos outros se divertiram fazendo que  os médiuns pintassem supostos retratos, que eram verdadeiras caricaturas. (Revue Spirite, agosto de 1858.)

Fonte: Aptidão especiais dos médiuns,dos médiuns especiais, livro dos Médiuns, Allan Kardec , FEB

Revista espírita, Março 1864.

Um de nossos correspondentes de Maine-et-Loire, Sr. doutor C..., nos transmite o fato seguinte:
"Eis um curioso exemplo da faculdade medianímica aplicada ao desenho, e que se manifestou vários anos antes que o Espiritismo fosse conhecido, e mesmo antes das mesas girantes. Há três semanas, estando em Bressuire, eu explicava o Espiritismo e as relações dos homens com o mundo invisível, a um advogado de meus amigos, que não lhe conhecia a primeira palavra; ora, eis o fato que me contou como tendo uma grande relação com o que lhe dizia. Em 1849, disse ele, ia com um amigo visitar a aldeia de Saint- Laurent-sur-Sèvres e seus dois conventos, um de homens e o outro de mulheres. Fomos recebidos da maneira mais cordial pelo Padre Dallain, superior do primeiro, e que tinha também autoridade sobre o segundo. Depois de ter nos levado a passear nos dois conventos, nos disse: "Quero agora, senhores, vos mostrar uma das coisas mais curiosas do convento das senhoras." Fez trazer um álbum onde admiramos, com efeito, aquarelas de uma grande perfeição. Eram flores, paisagens e marinhas. "Estes desenhos, tão bem sucedidos, nos disse, foram feitos por uma de nossas jovens religiosas que é cega." E eis o que ele nos contou de um adorável buquê de rosas das quais um botão era azul: "Há algum tempo, em presença do Sr. marquês de La Rochejaquelein e vários outros visitantes, chamei a religiosa cega e lhe pedi para colocar-se em uma mesa para desenhar alguma coisa. Diluíram-se-lhe as cores, deram-lhe papel, lápis, pincéis, e ela começou imediatamente o buquê que vedes. Durante seu trabalho, colocou-se várias vezes um corpo opaco, seja cartão ou prancheta entre seus olhos e o papel, e o pincel por isso não continuou menos a caminhar com a mesma calma e a mesma regularidade. Sobre a observação de que o buquê era um pouco magro, ela disse: "Pois bem! vou fazer partir um botão da axila deste ramo." Enquanto ela trabalhava nessa retificação, mudou-se o carmim do qual se servia pelo azul; ela não se apercebeu da mudança, e eis porque vedes um botão azul" Os Sr. abade Dallain, acrescenta o narrador, era tão notável pela sua ciência, sua grande inteligência, quanto por sua alta piedade; não encontrei, disse ele, ninguém que me haja inspirado mais de simpatia e de veneração. O fato não prova, em nossa opinião, de maneira evidente, uma ação medianímica. Pela linguagem da jovem cega, é certo que ela via, de outro modo não teria dito: "Vou fazer partir um botão da axila deste ramo." Mas o que não é menos certo, é que ela não via pelos olhos, uma vez que continuava seu trabalho apesar do obstáculo que se lhe colocava à frente. Ela agia com conhecimento de causa, e não maquinalmente como um  médium. Parece, pois, evidente que era dirigida pela segunda vista; via pela visão da alma, abstração feita da visão do corpo; talvez mesmo estava, de maneira permanente,num estado de sonambulismo desperto.
Fenômenos análogos foram muitas vezes observados, mas contentava-se de achá-los surpreendentes. Sua causa não podia ser descoberta, pela razão que, ligando-se essencialmente à alma, seria preciso primeiro reconhecer a existência da alma; mas admitido esse ponto, não bastaria ainda; faltaria o conhecimento das propriedades da alma e o das leis que regem suas relações com a matéria. O Espiritismo, revelando-nos a existência o perispírito, nos fez conhecer, podendo exprimir-se assim, a fisiologia dos Espíritos; por aí nos deu a chave de uma multidão de fenômenos incompreendidos, qualificados, à falta de melhores razões, de sobrenaturais por uns, e pelos outros de  extravagâncias da Natureza. Pode a Natureza ter extravagâncias? Não, porque as extravagâncias são caprichos; ora, a Natureza sendo a obra de Deus, Deus não pode ter caprichos, sem isso nada seria estável no Universo. Se há uma regra sem exceção, seguramente, essa deve ser a que rege as obras do Criador; as exceções seriam a destruição da harmonia universal.
Todos os fenômenos se ligam a uma lei geral, e uma coisa não nos parece extravagante senão porque não a observamos senão de um único ponto, ao passo que considerando se o conjunto, se reconheceria que a irregularidade desse ponto não é senão aparente e depende de nosso ponto de vista limitado.
Isto posto, diremos que o fenômeno do qual se trata não é nem maravilhoso nem excepcional, isso é o que vamos tratar de explicar. No estado atual de nossos conhecimentos, não podemos conceber a alma sem seu envoltório fluídico, perispiritual. O princípio inteligente escapa completamente à nossa análise; não o conhecemos senão por suas manifestações, que se produzem com a ajuda do perispírito; é pelo perispírito que a alma age, percebe e transmite. Liberta do envoltório corpóreo, a alma ou Espírito é ainda um ser complexo. A teoria, de acordo com a experiência nos ensina que a visão da alma, do mesmo modo que todas as outras percepções, é um atributo do ser inteiro; no corpo ela está circunscrita ao órgão da visão; e é preciso o concurso da luz; tudo o que está sobre o trajeto do raio luminoso a intercepta. Não ocorre assim com o Espírito, para o qual não há nem obscuridade nem corpos opacos. A comparação seguinte pode ajudar a compreender essa diferença. O homem, a céu aberto, recebe a luz de todos os lados; mergulhado no fluido luminoso, o horizonte visual se estende todo ao redor. Se está fechado numa caixa na qual não é praticada senão uma pequena abertura, tudo ao redor de si está na obscuridade, salvo o ponto por onde chega o raio luminoso. A visão do Espírito encarnado está neste caso, a do Espírito desencarnado está no primeiro. Esta comparação é justa quanto ao efeito, mas não o é quanto à causa; porque a fonte da luz não é a mesma para o homem e para o Espírito, ou, melhor dizendo, não é a luz que lhe dá a faculdade de ver.
A cega de que se trata via, pois, pela alma e não pelos olhos; eis porque o corpo opaco colocado diante de seu desenho não a dificultava mais do que se diante dos olhos de um vidente fosse colocado um cristal transparente; é também porque ela podia desenhar à noite tão bem quanto de dia.
O fluido perispiritual irradiando tudo ao seu redor, penetrando tudo, levava a imagem, não sobre a retina, mas à sua alma. Nesse estado, a visão abarca tudo? Não; ela pode ser geral ou especial segundo a vontade do Espírito; pode ser limitada ao ponto onde concentra a sua atenção. Mas, então, dir-se-á, por que não percebeu ela a substituição da cor? Pode-se primeiro que a atenção levada sobre o lugar que ela queria colocar a flor a tenha desviado da cor; aliás, é preciso considerar que a visão da alma não se opera pelo mesmo mecanismo que a visão corpórea e que assim há efeitos dos quais não poderíamos nos dar conta; além disso, é preciso notar que nossas cores são produzidas pela refração de nossa luz; ora, as propriedades do perispírito sendo diferentes das de nossos fluidos ambientes, é provável que a refração ali não produziu os mesmos efeitos; que as cores não têm para o Espírito a  mesma causa que para o encarnado; ela podia, pois, pelo pensamento,ver rosa o que nos parecia azul. Sabe-se que o fenômeno da substituição das cores é bastante freqüente na visão comum. O fato principal é o da visão bem constatada sem o concurso dos órgãos da visão. Esse fato como se vê, não implica a ação medianímica, mas não exclui não mais, em certos casos, a assistência de um Espírito estranho. Essa jovem podia, pois, ser ou não ser médium, e que um estudo mais atento teria podido revelar.Uma pessoa cega gozando dessa faculdade seria um sujeito precioso de observação; mas para isso ser-lhe-ia necessário conhecer a fundo a teoria da alma, a do perispírito,e por conseguinte o sonambulismo e o Espiritismo. Nessa época não se conheciam essas coisas; hoje mesmo não é nos meios onde se os considera como diabólicos que se poderia entregar-se a esses estudos. Isso não é não mais naqueles onde se nega a existência da alma que se pode fazê-lo. Um dia virá, sem dúvida, em que se reconhecerá que existe uma física espiritual, como se começa a reconhecer a existência da medicina espiritual.

Fonte: Um médium Pintor Cego,Revista Espírita, Março de 1864, Allan Kardec, Editora Ide, 1ª edição. SP, Brasil 
 Imagem: Google                                       

O ABADE LACORDAIRE E AS MESAS GIRANTES

6 de dez de 2010


                                                      Retrato de Henri D Lacordaire.
                                                                                         Pintado por Theodore Chassériau, 1840


Extrato de uma carta do abade Lacordaire à senhora Swetchine, datada de Flavigny,em 29 de junho de 1853, tirada de sua correspondência, publicada em 1865. "Vistes girar e ouvistes falar as mesas ? - Eu desdenhei devê-las girar, como uma coisa muito simples, mas eu as ouvi e fiz falar. Elas me disseram coisas bastante notáveis sobre o passado e sobre o presente. Por extraordinário que isto seja, é para um cristão, que crê nos Espíritos, um fenômeno muito vulgar e muito pobre. Em todos os tempos,houve modos mais ou menos bizarros para comunicar-se com os Espíritos; somente antigamente, fazia-se mistério desses procedimentos, como se fazia mistério da química;a justiça, por execuções terríveis, fazia entrar na sombra essas estranhas práticas. Hoje,graças à liberdade dos cultos e à publicidade universal, o que era um segredo se tornou uma fórmula. Talvez também, por essa divulgação, Deus quer proporcionar o desenvolvimento das forças espirituais ao desenvolvimento das forças materiais, a fim de que o homem não esqueça, em presença das maravilhas da mecânica, que há dois mundos incluídos um no outro: o mundos dos corpos e o mundos dos Espíritos. 
"É provável que esse desenvolvimento paralelo irá crescente até o fim do mundo, o que causará um dia o reino do anticristo, onde severa, de uma parte e de outra, para o bem e o mal, o emprego de armas sobrenaturais, e de prodígios assustadores. Com isto não concluo que o Anticristo esteja próximo, porque as operações das quais somos testemunhas, salvo a publicidade, nada têm de mais extraordinário do que o que se via antigamente. Os pobres incrédulos devem estar bastante inquietos com sua razão; mas têm o recurso de tudo crer para escapar à verdadeira fé, e nisto não faltarão. A profundeza dos julgamentos de Deus!" 
O abade Lacordaire escreveu isto em 1853, quer dizer, quase no início das manifestações, numa época em que esses fenômenos eram muito mais um objeto de curiosidade do que um assunto de meditações sérias. Se bem que então não estivessem constituídos nem em ciência nem em corpo de doutrina, tinha-lhe entrevisto a importância, e longe de considerá-los como uma coisa efêmera, previa-lhe o desenvolvimento no futuro. Sua opinião sobre a existência e a manifestação dos Espíritos é categórica; ora, como ele é geralmente tido, por todo o mundo, como uma das altas inteligências deste século, parece difícil alinhá-lo entre os loucos depois de tê-lo aplaudido como homem de grande senso e de progresso. Pode-se, pois, ter o senso comum e crer nos Espíritos. As mesas falantes são, disse ele, "um fenômeno muito vulgar e muito pobre;" muito pobre, com efeito, quanto ao meio de comunicar com os Espíritos, porque se não se tivessem tido outros, o Espiritismo não teria avançado pouco; então conheciam-se apenas os médiuns escreventes, e não se supunha o que iria sair desse meio em aparência tão pueril. Quanto ao reino do Anticristo, Lacordaire não parece se assustar muito com ele, porque não o vê chegar logo. Para ele essas manifestações são providenciais; elas devem perturbar e confundir os incrédulos; ele admira a profundeza dos julgamentos de Deus; não são, pois, a obra do diabo que deve levar a negar a Deus e a não reconhecer o seu poder. O extrato acima da correspondência de Lacordaire foi lido na Sociedade de Paris, na sessão de 18 de janeiro; nessa mesma sessão, o Sr. Morin, um de seus médiuns habituais, adormeceu espontaneamente sob a ação magnética dos Espíritos; era a terceira vez que esse fenômeno se produzia nele, porque habitualmente não dormia senão pela magnetização comum. Em seu sono falou sobre diferentes assuntos, e de vários Espíritos presentes dos quais nos transmitiu o pensamento. Disse entre outras coisas o que se segue: 
"Um Espírito que todos vós conheceis, e que eu conheço também; um Espírito de grande reputação terrestre, elevado na escala intelectual dos mundos, está aqui. Espírita antes do Espiritismo, eu o vi ensinando a Doutrina, não mais como encarnado, mas como Espírito. Eu o vi pregando com a mesma eloqüência, com o mesmo sentimento de convicção íntima, de quando era vivo, o que, certamente, não teria ousado pregar em púlpito abertamente, mas ao que conduziam seus ensinos. Eu o vi pregar a Doutrina aos seus, à sua família, a todos os seus amigos. Eu o vi enfurecer-se, se bem que no estado espiritual, quando encontrava um cérebro refratário, ou uma resistência obstinada às inspirações que ele soprava; sempre vivo e petulante, querendo fazer penetrar a convicção nas inteligências, como se faz penetrar na rocha viva o cinzel empurrado por um vigoroso golpe de martelo. Mas isto não entrava tão depressa; no entanto a sua eloqüência com isto converteu a mais de um. Este Espírito é o do abade Lacordaire. 
"Ele pede uma coisa, não por Espírito de orgulho, não por um interesse pessoal qualquer, mas um interesse de todos e para o bem da Doutrina: a inserção na Revista, daquilo que escreveu há treze anos. Se eu peço esta inserção, diz ele, é por dois motivos; o primeiro é que mostrareis ao mundo que, como o dissestes, pode-se não ser um tolo e crer nos Espíritos. “O segundo é que a publicação dessa primeira citação fará descobrir em meus escritos outras passagens que vos serão assinaladas, como estando de acordo com os princípios do Espiritismo.” 

Fonte: Revista Espírita, fevereiro de 1867, Allan Kardec, Editora Ide, 1ª edição. SP, Brasil 
 Imagem: Google                                       

Traço Biográfico

LACORDAIRE, Jean-Baptiste-Henri E o padre Lacordaire, do qual se trata na Revue Spirite. Houve um outro, irmão deste, também notável, Jean-Theodore Lacordaire, naturalista, professor e jornalista, nascido em 1801 e desencarnado em 1870. Seguramente se trata do primeiro, nascido em 1802 e desencarnado em 1861. Era dominicano, orador brilhante, discípulo de Lamennais, com quem rompeu em 1834. Foi vigário de Notre-Dame e, apos cinco anos de recolhimento, ele entrou para a ordem dominicana, em 1839. Fez parte da Academia Francesa. Suas obras principais foram conferencias diversas, "Vida de S. Domingos" e "Considerações sobre o sistema filosófico de M. de Lamennais". 

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/geae/tracos-biograficos.html 

As ordens dos Pregadores nascem em 1215, fundada por Domingos de Gusmão, e foi suprimida em França em 1790, na seqüência da Revolução Francesa. 

O interesse de Lacordaire por esta ordem religiosa explica-se pela própria missão e carisma da Ordem que era o de pregar e ensinar, bem como pelas regras de funcionamento, pois que todas as autoridades internas dos dominicanos se baseiam em estruturas democraticamente eleitas e com mandatos previamente limitados temporalmente. 
Foi a partir de 1836 que Lacordaire assume o projeto de restabelecer a Ordem em França. Com esse objetivo utilizará uma estratégia que se poderá qualificar de "moderna", na medida em que se baseava, sobretudo no apoio da opinião pública, bem como na defesa dos direitos do homem e da liberdade de associação. 
Tendo sido eleito em 1830 para o parlamento francês, proferiu diversos discursos inflamados em defesa da liberdade de expressão e de associação, sempre vestido de frade dominicano, o que provocou fortes reações junto dos seus adversários. Foi também um prolixo escritor e conferencista, destacando-se as suas prédicas na Catedral de Notre Damme de Paris, bem como o seu livro História de São Domingos traduzido em várias línguas, que causou um profundo impacto, levando outras regiões da Europa a encetar movimentos de restauração da Ordem Dominicana onde tinha sido extinta. 
Escolhido para a Academia Francesa, ali apenas proferiu o seu discurso de aceitação, falecendo pouco depois. 

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Dominique_Lacordair

Leia com atenção

Leia com atenção

Nota de esclarecimento

As imagens contidas neste blog, são retiradas do banco de imagens da rede web.
Agradeço a todos que compartilham na rede tais imagens e até mesmo textos.
Caso haja algum problema de utilização em meu blog de algum material de sua autoria, entre em contato para que eu proceda a retirada.
Luciano Dudu