28 de dez de 2010
- R. Estou aqui.
O senhor Adrien, médium vidente, que não o vira jamais em sua vida, dele fez o retrato seguinte, achado muito exato pelas pessoas presentes que o conheceram. Rosto comprido; bochechas ocas; testa convexa e enrugada. Nariz um pouco longo e ligeiramente curvado; olhos cinzentos e um pouco à flor da cabeça; boca média, zombeteira; tez um pouco amarela; cabelos grisalhos, e longa barba. Talhe antes grande que pequeno.
Paletó de lã azul, todo ralado e furado; calça negra, gasta e em farrapos; colete de cor clara, lenço de pescoço amarrado em gravata, de uma cor sem nome.
2. Lembrai-vos de vossa última existência terrestre? –
R. Perfeitamente.
3. Que motivo vos levou ao gênero de vida excêntrica que adotastes?
- R. Estava cansado da vida e tive pena dos homens e dos motivos de suas ações.
4. Diz-se que era uma vingança e para humilhar um parente educado; é verdade?
- R. Não só por isso; humilhando esse homem, humilhava muitos outros com isso.
5. Se era uma vingança, ela vos custou caro, porque vos privastes, durante longos anos, de todos os gozos sociais para satisfazê-la. Não acháveis isso um pouco duro? -
6. Havia, ao lado disso, um pensamento filosófico e foi por essa razão que se vos comparou a Diógenes? –
R. Havia alguma relação com a parte menos sadia da filosofia desse homem.
7. Que pensais de Diógenes?
R. Pouca coisa; é um pouco o que penso de mim. Diógenes tinha sobre nós a vantagem de ter feito alguns anos mais cedo o que fiz, e no meio de homens menos civilizados que aqueles no meio dos quais vivi.
8. Há, entretanto, uma diferença entre Diógenes e vós: nele, sua conduta era uma
conseqüência de seu sistema filosófico; ao passo que em vós ela tinha seu princípio na vingança!
R. A vingança em mim conduziu à filosofia.
- R. Sabia que não se tem amigos na Terra; eu o havia experimentado muito, ai de mim!
R. Percorro mundos melhores e me instruo... Ali há muitas boas almas que nos revelam a ciência celeste dos Espíritos.
11. Retornastes, alguma vez, ao Palais-Royal, desde vossa morte?
- R. Que me importa o Palais-Royal!
12. Entre as pessoas que estão aqui, reconheceis as que conhecestes nas vossas
peregrinações ao Palais-Royal?
R. Como não o faria?
13. Reviste-as com prazer?
- R. Com prazer; mesmo com o maior prazer foram boas para mim.
14. Revistes vosso amigo Charles Nodier?
- R. Sim, sobretudo depois de sua morte.
15. Ele está errante ou reencarnado?
- R. Errante como eu.
16. Por que escolhestes o Palais-Royal, o lugar mais freqüentado em Paris, para os vossos passeios; isso não está de acordo com o vosso gosto misantropo?
- R. Lá eu via todo mundo, todas as tardes.
17. Não havia, talvez, um sentimento de orgulho de vossa parte? –
R. Sim, infelizmente; o orgulho teve uma boa parte em minha vida.
18. Sois mais feliz agora?-
R. Oh! sim.
19. Entretanto, vosso gênero de existência não deveu contribuir para o vosso
aperfeiçoamento?
- R. Essa existência terrestre! Mais que pensais, todavia: eu não tinha momentos sombrios, quando reentrei sozinho e abandonado em minha casa? Ali, tive o tempo de amadurecer bem os pensamentos.
20. Se tivesses a escolher uma outra existência, como a escolheríeis?
- R. Não mais sobre vossa Terra; posso esperar melhor hoje.
21. Lembrai-vos de vossa penúltima existência?
R. Sim, e de outras também.
22. Onde tivestes essas existências?
- R. Na Terra e em outros mundos.
R. Na Terra.
24. Podeis no-la fazer conhecer?
- R. Não o posso; era uma existência obscura e oculta.
25. Sem nos revelar essa existência, poderíeis dizer-nos qual relação havia com a que
conhecemos, porque esta deve ser uma conseqüência da outra?
- R. Uma conseqüência, positivamente, mas um complemento: vivi infeliz por vícios e faltas que se modificaram bem antes que viesse a habitar o corpo que conhecestes.
26. Podemos fazer alguma coisa que vos seja útil, ou agradável?
- R. Ai de mim! Pouco; estou bem acima da Terra, hoje.
1. Evocação
- R. Ah! Venho de longe!
2. Podeis aparecer ao senhor Adrien, nosso médium vidente, tal qual éreis na existência que vos conhecemos?
- R. Sim, e mesmo vir com minha lanterna, se o desejais.
Retrato.
Testa larga e as bossas laterais muito ossudas, nariz delgado e curvado; boca grande e séria; olhos negros e cravados na órbita; olhar penetrante e zombeteiro. Talhe um pouco alongado, magro e enrugado, tez amarela; bigode e barba incultos; cabelos grisalhos e dispersos. Roupagens brancas e muito sujas; os braços nus, assim como as pernas; o corpo magro, ossudo. Más sandálias amarradas às pernas por cordas.
3. Dissestes que vínheis de longe: de qual mundo vindes?
- R. Vós não o conheceis.
4. Teríeis a bondade de responder a algumas perguntas?
- R. Com prazer.
5. A existência que vos conhecemos sob o nome de Diógenes o Cínico, vos foi proveitosa para a vossa felicidade futura?
- R. Muito; errastes em torná-la em zombaria, como fizeram meus contemporâneos; espanto-me mesmo que a história haja pouco esclarecido minha existência, e que a posteridade, pode-se dize-lo, foi injusta a meu respeito.
6. Que bem fizestes, porque vossa existência era bastante pessoal?
- R. Trabalhei por mim, mas pôde-se aprender muito em me vendo.
7. Quais são as qualidades que queríeis encontrar nos homens e que procuráveis com a vossa lanterna?
- R. Da energia.
8. Se tivésseis encontrado, em vosso caminho, o homem que acabamos de evocar, Chaudruc Duelos, encontraríeis nele o homem que procuráveis, porque ele também se abstinha voluntariamente de todo o supérfluo?
- R. Não.
9. Que pensais dele?
- R. Sua alma extraviou-se na Terra; quantos são como ele e não o sabem; ele ao menos o sabia.
10. As qualidades que procuráveis no homem, segundo vós, credes havê-las possuído?
- R. Sem dúvida: eu era meu critério.
R. Sócrates.
12. Qual é o que preferis agora?
- R. Sócrates.
13. E Platão, que dizeis dele?
- R. Muito duro; sua filosofia é muito severa: eu admitia os poetas, e ele não.
14. O que se conta de vossa entrevista com Alexandre é real?
15. Em que a história a mutilou?
- R. Entendo falar de outras conversas que tivemos juntos: credes que veio ver-me para não dizer-me senão uma palavra?
16. A palavra que se lhe imputa, a saber, de que se não fosse Alexandre gostaria de ser Diógenes, é real?
R. Ele disse, talvez, mas não diante de mim. Alexandre era um jovem louco, vão e confiado; eu era, aos seus olhos, um mendigo: como o tirano ousaria se mostrar instruído pelo miserável?
17. Depois de vossa existência em Atenas, reencarnastes sobre a Terra?
18. Poderíeis nos traçar o quadro das qualidades que procurareis no homem, tais como as concebíeis então, e tais como as concebeis agora?
- R. Então. Coragem, audácia, segurança de si mesmo e poder sobre os homens pelo Espírito.
Agora.
Abnegação, doçura, poder sobre os homens pelo coração.
Imagem: Google
Diógenes de Sínope (em grego antigo,: Διογένης ὁ Σινωπεύς; Sínope, 404 ou 412 AC, Corinto, desencarnou em. 323 A.C, em Corinto, também conhecido como Diógenes, o Cínico, foi um filósofo da Grécia Antiga.Os detalhes de sua vida são conhecidos através de anedotas (chreia), especialmente as reunidas por Diógenes Laércio em sua obra Vidas e opiniões de Filósofos Eminentes. Ideias Notaveis : Tornou-se o arquétipo do filosofocinico, sofreu influência de Socrates , Antístenes e cães.
Acabou influenciando com suas idéias os seguinte pensadores : Aristóteles, Crates de Tebas, outros Cínicos, Estoicos, Étienne de La Boétie, Piort Kropotkin, Emma Goldman.
Diógenes de Sínope foi exilado de sua cidade natal e se mudou para Atenas, onde teria se tornado um discípulo de Antístenes, antigo pupilo de Sócrates. Tornou-se um mendigo que habitava as ruas de Atenas, fazendo da pobreza extrema uma virtude; diz-se que teria vivido num grande barril, no lugar de uma casa, e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina, durante o dia, alegando estar procurando por um homem honesto. Eventualmente se estabeleceu em Corinto, onde continuou a buscar o ideal cínico da auto-suficiência: uma vida que fosse natural e não dependesse das luxúrias da civilização. Por acreditar que a virtude era melhor revelada na ação e não na teoria, sua vida consistiu duma campanha incansável para desbancar as instituições e valores sociais do que ele via como uma sociedade corrupta. Segundo a tradição, Diógenes vivia a perambular pelas ruas na mais completa miséria até que um dia foi aprisionado por piratas para, posteriormente, ser vendido como escravo. Um homem com boa educação chamado Xeníades o comprou. Logo ele pôde constatar a inteligência de seu novo escravo e lhe confiou tanto a gerência de seus bens quanto a educação de seus filhos.
Diógenes levou ao extremo os preceitos cínicos de seu mestre Antístenes. Foi o exemplo vivo que perpetuou a indiferença cínica perante os valores da sociedade da qual fazia parte. Desprezava a opinião pública e parece ter vivido em uma pipa ou barril. Reza a lenda que seus únicos bens eram um alforje, um bastão e uma tigela (que simbolizavam o desapego e auto-suficiência perante o mundo), sendo ele conhecido também, talvez pejorativamente como kinos, o cão, pela forma como vivia.
A felicidade - entendida como autodomínio e liberdade - era a verdadeira realização de uma vida. Sua filosofia combatia o prazer, o desejo e a luxúria pois isto impedia a auto-suficiência. A virtude - como em Aristóteles - deveria ser praticada e isto era mais importante que teorias sobre a virtude.
Diógenes é tido como um dos primeiros homens (antecedido por Sócrates com a sua célebre frase "Não sou nem ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo.") a afirmar, "Sou uma criatura do mundo (cosmos), e não de um estado ou uma cidade (polis) particular", manifestando assim um cosmopolitismo relativamente raro em seu tempo.
Diógenes parece ter escrito tragédias ilustrativas da condição humana e também uma República que teria influenciado Zenão de Cítio, fundador do estoicismo. De fato, a influência cínica sobre o estoicismo é bastante saliente.
É famosa, por exemplo, a história de que ele saía em plena luz do dia com uma lanterna acesa procurando por homens verdadeiros (ou seja, homens auto-suficientes e virtuosos).
Igualmente famosa é sua história com Alexandre, o Grande, que, ao encontrá-lo, ter-lhe-ia perguntado o que poderia fazer por ele. Acontece que devido à posição em que se encontrava, Alexandre fazia-lhe sombra. Diógenes, então, olhando para a Alexandre, disse: "Não me tires o que não me podes dar!" (variante: "deixe-me ao meu sol"). Essa resposta impressionou vivamente Alexandre, que, na volta, ouvindo seus oficiais zombarem de Diógenes, disse: "Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes." Outra história ainda é a de que um dia Diógenes foi visto pedindo esmola a uma estátua. Quando lhe perguntaram o motivo de tal conduta ele respondeu "por dois motivos: primeiro é que ela é cega e não me vê, e segundo é que eu me acostumo a não receber algo de alguém e nem depender de alguém.
A temática do cão
Diógenes sentado em seu barril cercado por cães. Pintura de Jean Léon G´rôme de 1860.
Muitas anedotas sobre Diógenes referem-se ao seu comportamento semelhante ao de um cão, e seu elogio as virtudes dos cachorros. Não é sabido se Diógenes se considerava insultado pelo epiteto "canino" e fez dele uma virtude, ou se ele assumiu sozinho a temática do cão para si, Os termos modernos cínico e cinismo derivam da palavra grega kynikos, a forma adjetiva de kynon, que significa cachorro. Diógenes acreditava que os humanos viviam artificialmente e maneira hipócrita e poderiam fazer bem ao estudar o cão. Afinal o cão é capaz de realizar suas funções corporais naturais em público sem constrangimento, um cachorro comerá qualquer coisa, e não fará estardalhaço sobre que lugar dormir. Cachorros vivem o presente sem ansiedade, e não possuem as pretensões da filosofia abstrata. Somando-se ainda a estas virtudes, cachorros aprendem extintivamente quem é amigo e quem é inimigo. Diferente dos humanos que enganam e são enganados uns pelos outros, cães reagem com honestidade frente à verdade.
Fonte :
http://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%B3genes_de_S%C3%ADnope

































