Vídeo de divulgação da História e o Espiritismo

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SR QUICHERAT FALA SOBRE JOANA d'ARC

7 de jan de 2011




Parte 5/11

Comentários do Sr Quicherat

Esta pergunta foi discutida e discutida por um sábio (...) Sr. Quicherat,  
(...) Ele se propôs estabelecê-los sem pretender explicá-los, de maneira que sua crítica, independente de todo sistema preconcebido, se limitou a colocar as premissas as quais não quis mesmo preverás conclusões.
"Está claro, disse ele, que os curiosos quererão ir mais longe, e raciocinar sob uma causa da qual não lhes bastará admirar os efeitos. Teólogos, psicólogos, fisiologistas, não tenho soluções a lhes indicar: que procurem, se o podem, cada um de seu ponto de vista, os elementos de uma apreciação que desafie todo contraditor. A única coisa que me sinto capaz de fazer na direção para onde se exercerá semelhante pesquisa, é de apresentar, sob sua forma mais precisa, as particularidades da vida de Jeanne d'Arc, que parecem sair do círculo das faculdades humanas.”
"A particularidade mais importante, a que domina todas as outras, é o fato da voz que ela ouvia várias vezes por dia, que a interpelava ou lhe respondia, da qual ela distinguia as entonações, com relação, sobretudo a São Miguel, à Santa Catarina e à Santa Margarida”.
Ao mesmo tempo, se manifestava uma viva luz, onde ela percebia o rosto de seus interlocutores: "Eu os vejo de meu corpo, dizia ela aos seus juízes, tão bem quanto vejo a vós mesmos." Sim, ela sustentava, com uma firmeza inquebrantável, que Deus a aconselhava por intermédio dos santos e dos anjos. Um instante, ela se desmentiu, fraquejou diante do medo do suplício; mas ela chorará essa fraqueza e a confessará publicamente; seu último grito nas chamas foi de que suas vozes não a tinham enganado e que suas revelações eram de Deus. É preciso, pois, concluir com o Sr. Quicherat que "sobre esse ponto a crítica mais severa não teve suspeita a levantar contra a sua boa fé." Uma vez constatado o fato, como certos sábios o explicaram?
R= De duas maneiras: ou pela loucura, ou pela simples alucinação.

Que disse disso o Sr. Quicherat?
R= Que ele previa grandes perigos para aqueles que quisessem classificar o fato da Pucelle entre os casos patológicos.

“Mas, acrescenta ele, que a ciência ali encontre ou não sua conta, por isto não será preciso admitir menos as visões, e, como vou fazê-lo ver, estranhas percepções de espírito provenientes dessas visões”. “Quais são as estranhas percepções de espírito”? Foram revelações que permitiram a Jeanne: ora conhecer os mais secretos pensamentos de certas pessoas, ora de perceber objetos fora do alcance de seus sentidos, ora de discernir e de anunciar o futuro.

As três espécies de revelação de Joana d'arc, conforme Sr Quicherat:

"O Sr. Quicherat cita para cada dessas três espécies de revelação "um exemplo assentado sobre bases tão sólidas, que não se pode, diz ele, rejeitá-lo sem rejeitar o próprio fundamento da História."
  •  “Em primeiro lugar, Jeanne revela a Charles VII um segredo conhecido de Deus e dela, único meio que ela teve para forçara fé deste príncipe desconfiado”.

  • “Em seguida, encontrando-se em Tours, ela discerniu que havia, entre Loches e Chinon, na igreja de Santa Catarina de Fierbois, enfiada a certa profundidade perto do altar, uma espada enferrujada e marcada com cinco cruzes”. A espada foi encontrada, e seus acusadores lhe imputaram, mais tarde, de ter sabido por ouvir dizer que a arma estava lá, ou de tê-lo feito ela mesma.

“Sinto”, disse a este propósito o Sr. Quicherat, quanto semelhante interpretação parece forte num tempo como o nosso; quão fracos, ao contrário, são os fragmentos do interrogatório que coloco em oposição; mas, quando se tem o processo inteiro sob os olhos, e que nele se vê de que maneira o acusado põe sua consciência a descoberto, então, é seu testemunho que é forte, e a interpretação dos raciocínios que é fraca.

  • · “Deixo”, enfim, o próprio Sr. Quicherat contar uma das predições de Jeanne d'Arc: “Numa de suas primeiras conversações” com Charles VII, anuncia-lhe que, operando a libertação de Orléans, ela seria ferida, mas sem ser colocada fora do estado de agir; seus dois santos lhe haviam dito, e o acontecimento lhe prova que eles não a tinha enganado.

Ela confessou isto em seu quarto interrogatório. Nisto seríamos reduzidos a esse testemunho, que o ceticismo, sem pôr em dúvida sua boa fé, poderia imputar seu dizer a uma ilusão de memória. Mas o que demonstra que ela predisse, efetivamente, seu ferimento, é que ela a recebeu em sete de maio de 1429, e que, em 12 de abril precedente, um embaixador flamengo, que estava na França, escreveu ao governo de Brabant uma carta onde era reportada não só a profecia, mas a maneira pela qual ela se cumpriria. Jeanne teve o ombro furado por um tiro de balista no assalto do forte Tourelles, e o enviado flamengo havia escrito: Ela deverá ser ferida com um tiro num combate diante de Orléans, mas não morrerá por isto. A passagem de sua carta foi consignada nos registros da Chambre dês comples de Bruxelles.

Fonte:  Revista Espírita, dezembro de 1867, Allan Kardec- FEB/RJ
Imagem: Google

Os OPOSITORES A MEDIUNIDADE DE JOANA d'ARC




Parte 6/11


"Um dos sábios cuja opinião lembrei ainda há pouco, o que fez de Jeanne d'Arc uma alucinada antes que uma louca, não contesta suas predições, e as atribui "a uma espécie de impressionabilidade sensitiva, a uma irradiação da força nervosa cujas leis ainda não são conhecidas."
"Se está bem seguro de que essas leis existem, e que jamais devem ser Conhecidas?

Enquanto elas não o forem, não vale mais confessar francamente sua ignorância do que propor tais explicações?

Toda hipótese é boa quando se trata de negar a ação da Providência, e a incredulidade a dispensa de todo raciocínio?
Não deveria se dizer que desde a origem dos tempos a imensa maioria dos homens concordou acreditar que existe um Deus pessoal, que depois de ter criado o mundo, o dirige e se manifesta quando lhe apraz por sinais extraordinários?

Se fizesse calar seu orgulho, não ouviriam esse concerto de todas as raças e de todas as gerações?
O que é maravilhoso é que se possa ter uma fé tão robusta em si mesma quando se fala em nome de uma ciência que é a mais incerta e a mais variável de todas, de uma ciência cujos adeptos não cessam de se contradizer, cujos sistemas morrem e nascem como a moda, sem que jamais a experiência haja podido deles arruinar ou assentar, definitivamente, um único.
Eu diria de bom grado a esses doutores em patologia: Se encontrardes enfermidades como as de Jeanne d'Arc, guarde-vos de curá-las; tratai antes que elas se tornem contagiosas.



A mediunidade ou alucinação de Joana Darc pelo comentador Sr Wallon



“Melhor inspirado, o Sr. Wallon, não pretendeu conhecer Jeanne d’Arc, melhor do que ela mesma se conheceu”. Colocado em face dos mais sinceros dos testemunhos, ouviu-o com interesse e concedeu-lhe uma confiança inteira. Essa mistura de bom senso e de elevação, de simplicidade e de grandeza, essa coragem sobre-humana, realçada ainda pelos curtos desfalecimentos da natureza, lhe apareceram não como sintomas de loucura ou de alucinação, mas como sinais brilhantes de heroísmo e de santidade. Lá, e não em outra parte, estava a crítica; de lá vem que, procurando a verdade, encontrou tanta eloquência, e ultrapassou todos aqueles que o tinham antecedido nesse caminho. Ele merece estar colocado na cabeça desses escritores dos quais o Sr. Quicherat disse excelentemente:
"Restituíram Jeanne tão inteira quanto puderam, e quanto mais se prenderam em reproduzir sua originalidade, mais encontraram o segredo de sua grandeza.”
O Sr. Quicherat achará muito natural que eu empreste suas palavras para caracterizar um sucesso para o qual contribuiu mais do que ninguém; porque, se não convencionou escrever ele mesmo a história de Jeanne d'Arc, é doravante impossível empreendê-la sem recorrer aos seus trabalhos. O Sr. Wallon, em particular, deles tirou um imenso proveito, sem ter quase nada a modificar, nem nos textos recolhidos pelo editor, nem em suas conclusões. No entanto, não as aceitou sem controle. É assim que assinala uma omissão involuntária da qual prevaleceu um escritor que pende antes para a alucinação do que para a inspiração de Jeanne d'Arc.

Lê-se, à página216 do Procés (tomo 1°):
  •  Jeanne d'Arc estava em jejum no dia em que ouviu, pela primeira vez, a voz do anjo, mas que ela não tinha jejuado no dia precedente. À página 52, ao contrário, Sr. Quicherat havia impresso: et ipsa Johanna jejun averat die proecedenti. Em suprimento à página 216a negação que falta à página 52, tinham-se dois jejuns consecutivos que pareciam uma causa suficiente de alucinação. O manuscrito não se presta, pois, a essa hipótese.

O Sr. Wallon constatou que a exatidão habitual do Sr.Quicherat achava-se aqui em falta, e que era preciso ler, à página 52,non jejunaverat. "A única divergência um pouco grave que se percebe entre os dois autores é quando eles apreciam os vícios de forma assinalados no processo. O Sr. Quicherat sustenta que Pierre Cauchon era muito hábil para cometer ilegalidades, e o Sr. Wallon o crê muito apaixonado por haver podido disso se defender
Eu não estou no estado de decidir essa questão; faria somente notar que ela tem no fundo pouca importância, uma vez que, de uma parte e de outra, se está de acordo sobre a iniqüidade do julgamento e a inocência da vítima.
"Encontro o Sr. Wallon afirmando como Sr. Quicherat, contrariamente a uma opinião já antiga e que conserva ainda partidários,
  •  Charles VII, uma vez sagrado em Reims, Jeanne d'Arc não tinha ainda cumprido toda a sua missão; porque ela mesma tinha anunciado como devendo, além disso, expulsar os Ingleses. Deixo de propósito de lado a libertação do duque de Orléans, porque é um ponto sobre o qual suas declarações não são tão explícitas.
  •  Mas pelo que concerne à expulsão dos Ingleses, tem-se a própria carta que ela lhe dirigiu no dia 22 de março de 1429:
"Aqui vim da parte de Deus, o rei do céu,corpo por corpo, para vos empurrar fora de toda a França." Jeanne d'Arc


  •  "Ainda aqui, o Sr. Wallon fez boa crítica: ele não divide os testemunhos de Jeanne d'Arc, aceita-os todos e os proclama sinceros, mesmo quando parecem não ser mais proféticos. Eu acrescento que ele o justifica plenamente mostrando que, se ela tinha a missão de expulsar os Ingleses, não tinha prometido de tudo executar por ela mesma, mas que ela começou a obra e lhe predisse o término. O Sr. Wallon sentiu-a bem; não é compreender Jeanne d'Arc senão glorificá-la em seus triunfos para negá-la em sua paixão.
"Nós sobretudo, que conhecemos o desfecho desse drama maravilhoso, nós que sabemos que os Ingleses foram, com efeito, expulsos do reino e a coroa de Reims consolidada na fronte de Charles VII, devemos crer, com o Sr. Wallon, que Deus não cessou jamais de inspirar aquela da qual lhe aprouve consagrar a grandeza pela prova e a santidade pelo martírio." - N. de Wailly.
Aquele de nossos correspondentes de Anvers, que consentiu em nos enviar o artigo acima, acrescentou-lhe a nota adiante proveniente de suas pesquisas pessoais sobre o processo de Jeanne d'Arc:

"Pierre Cauchon, bispo de Beauvais, e um inquisidor chamado Lemaire, assistidos por sessenta assessores, foram os juizes de Jeanne. Seu processo foi instruído segundo as formas misteriosas e bárbaras da Inquisição, que havia jurado sua perda. Ela nele quis se reportar ao julgamento do Papa e do Concilio de Bale, mas o bispo a isto se opôs. Um padre, L’Oyseleur, a engana abusando da confissão, e lhe dá funestos conselhos. Em conseqüência de intrigas de toda sorte, ela foi condenada, em 1431, a ser queimada viva,
"como mentirosa, perniciosa, abusadora do povo, adivinha, blasfemadora de Deus, descrente da fé de Jesus Cristo, vaidosa e idolatra, cruel, dissoluta, invocadora dos diabos, cismática e herética."

O Papa Calixte III, em 1456, fez pronunciar, por uma comissão eclesiástica, a reabilitação de Jeanne, e foi declarado, por um decreto solene, que Jeanne foi morta mártir pela defesa de sua religião, de sua pátria e de seu rei. O Papa quis muito canonizá-la, mas sua coragem não foi tão longe.
"Pierre Cauchon morreu subitamente, em 1443, fazendo a barba; ele foi excomungado; seu corpo foi desenterrado e lançado na lixeira.


Fonte: Revista Espírita , dezembro de 1867, Allan Kardec , FEB /RJ
Imagem: Google







Leon Denis e os opositores de JOANA d'ARC

 

Parte 7/11

Amigo Leitor, o médium Leon Denis,  faz alguns comentários sobre os opositores da médiunidade de Joana d'Arc.
Aprecie logo abaixo suas colocações:

Luciano Dudu

Leon Denis :

Outro ponto de vista: ter-se-ia ela enganado?

  • Seu bom senso, sua lucidez de espírito, seu critério firme, os relâmpagos de gênio que lhe iluminam, aqui e ali, a vida, não permitem que em tal se creia. Joana não era uma alucinada!
Certos críticos, entretanto, o acreditaram. A maior parte dos fisiologistas, por exemplo, Pierre Janet, Tr. Ribot, o Doutor Grasset, aos quais convém juntar alguns alienistas, como os Drs. Lélut, Calmeil, etc., não vêem na mediunidade senão uma das formas da histeria ou da neurose. Para eles, os videntes são enfermos e a própria Joana d'Arc não lhes escapa às apreciações sob este critério. Ainda recentemente, o professor Morselli, no seu estudo “Psicologia e Espiritismo”, não considerou os médiuns como espíritos fracos ou desequilibrados?

E' sempre fácil qualificar de quimeras, de alucinações, ou de loucuras os fatos que nos desagradam, ou que não podemos explicar. Nisto, muitos cépticos se consideram pessoas bastante criteriosas, quando não passam de vítimas dos seus preconceitos.
Joana não era neurótica, nem histérica. 
  • Robusta, gozava de saúde perfeita. Era de costumes castos e, ainda que de uma beleza plena de atrativos, sua presença impunha respeito, veneração, mesmo aos soldados que lhe partilham da vida;
  •  O mesmo ocorre com a sua sobriedade: há, sobre esse ponto, numerosos testemunhos, desde o de pessoas que a viram por pouco tempo, como à senhora Colette, até os de homens de seu séquito habitual. Citemos as palavras do pajem, Luís de Contes: “Joana era extremamente sóbria. Muitas vezes, durante um dia inteiro, não comeu mais do que um pedaço de pão. Admirava-me que comesse tão pouco. Quando ficava em casa, só comia duas vezes por dia ;
  •  A rapidez maravilhosa com que a nossa heroína se curava dos próprios ferimentos mostra a sua poderosa vitalidade: alguns instantes, alguns dias de repouso lhe bastam e volta para o campo de batalha. Ferida gravemente, por haver saltado da torre de Beaurevoir, recobra a saúde assim consegue tomar algum alimento;
 Denotarão todos estes fatos uma natureza fraca e neurótica?
E se, das qualidades físicas, passamos às do espírito, a mesma conclusão se impõe. Os numerosos fenômenos de que Joana foi o agente, longe de lhe turbarem a razão, como sucede com os histéricos, parece, ao contrário, terem-na robustecido, a julgar pelas respostas lúcidas, claras, decisivas, inesperadas, que dá aos seus interrogadores de Ruão. A memória se lhe conservou fiel, o juízo são; manteve a plenitude de suas faculdades e foi sempre senhora de si.

  •  Acrescentemos que nunca foi vítima de obsessão, pois que seus Espíritos não intervêm senão em certos momentos e sobretudo quando os chama, ao passo que a obsessão se caracteriza pela presença constante, inevitável, de seres invisíveis. Todas as vozes de Joana tratam da sua grande missão; jamais se ocupam com puerilidades; sempre tem razão de ser o que fazem ouvir, não se contradizem, nem se mostram eivadas das crenças errôneas do tempo, o que teria cabimento, se Joana fosse predisposta a sofrer de alucinações.
 
 Fonte: Joana d'Arc - Leon Denis - FEB /RJ
Imagem : Google

O SUPLÍCIO DE JOANA d'ARC


 

Parte 8/11
Naqueles minutos graves a heroína revê toda a sua vida, curta, mas brilhante.
Evoca a lembrança dos entes que ama, recorda os dias serenos da sua infância em Domremy, o semblante meigo de sua mãe, a fisionomia austera do velho pai e as companheiras de sua meninice, Hauviette e Mengette, seu tio Durand Laxart, que a acompanhou a Vaucouleurs, e, finalmente, os homens dedicados, que lhe fizeram companhia até Chinon. Numa visão rápida, passa em revista as campanhas do Liger, os gloriosos combates de Orleães, de Jargesu, de Patay ; escuta as fanfarras guerreiras e os gritos de alegria da multidão em delírio. Revê, ouve tudo isso na hora derradeira. Quis, por essa forma, num como supremo abraço, dizer o adeus final a todas aquelas coisas, a todos aqueles entes amados. Não tendo nenhum deles diante da vista, concretizou na imagem do Cristo crucificado suas lembranças, suas ternuras. Dirigiu-lhe o adeus que assim dizia à vida, nos extremos anseios de seu coração despedaçado. Os carrascos põem fogo à lenha e turbilhões de fumaça se enovelam no ar. A chama cresce, corre, serpeia por entre as pilhas de madeira. O bispo de Beauvais acerca-se da fogueira e grita-lhe: “Abjura!”
Ao que Joana, já envolvida num circulo de fogo, responde: “Bispo, morro por vossa causa, apelo do vosso julgamento para Deus!” As labaredas rubras, ardentes, sobem, sobem mais e lambem-lhe o corpo virginal; suas roupas fumegam. Ei-la que se torce nas ataduras de ferro. Alguns  minutos depois, em voz estridente, lança à multidão silenciosa, aterrorizada, estas retumbantes palavras: “Sim, minhas vozes vinham do Alto. Minhas vozes não me enganaram. Minhas revelações eram de Deus. Tudo que fiz fi-lo por ordem de Deus!” (172). Suas vestes incendiadas se tornam uma das centelhas da imensa pira. Ecoa um grito sufocado, supremo apelo da mártir de Ruão ao mártir do Gólgota: “Jesus !”

E nada mais se ouviu, além dos estalidos que o crepitar do fogo produz...
Terá Joana sofrido muito?
Ela própria nos assegura que não. “Poderosos fluidos, diz-nos, choviam sobre mim. Por outro lado, minha vontade era tão forte que dominava a dor.”

Está morta a virgem da Lorena...
O Espaço todo se ilumina. Ela se eleva e paira acima da Terra, deixando após si um rastro luminoso. Já não é um ser material, mas um puro Espírito, um ser ideal de pureza e de luz. Os Céus se lhe abriram até ao infinito. Legiões de Espíritos radiosos vêm-lhe ao encontro, ou lhe formam cortejo. E o hino do triunfo, o coro celestial da boa vinda repercute nos espaços siderais: “Salve! salve! Aquela que o martírio coroou! Salve! tu que, pelo sacrifício, conquistaste eterna glória!” Joana entrou no seio de Deus, nesse foco inextinguível de energia, de inteligência e de amor, cujas vibrações animam o Universo inteiro. Muito tempo permaneceu mergulhada nele. Afinal, um dia, saiu de lá mais radiante e mais bela, preparada para missões de outra ordem, das quais adiante falaremos. Deus, em recompensa, lhe deu autoridade sobre suas irmãs do Céu. Concentremo-nos; saudemos a nobre figura de virgem, a jovem de imenso coração, que, tendo salvado a França, pela França morreu antes dos vinte anos. Sua vida resplandece como celeste raio de luz, na temerosa noite da Idade Média.
Com sua fé vigorosa, com sua confiança em Deus, veio trazer aos homens a coragem e a energia necessárias a transpor mil obstáculos; veio trazer à França traída, agonizante, a salvação e o renascimento. Por paga de tanta abnegação heróica, horror! só colheu mágoas, humilhações, perfídias e, como coroamento de sua breve, porém maravilhosa carreira, uma paixão e uma morte tão dolorosa, como iguais só houve as do Cristo.





Fonte : JOANA  d' ARC - LEON DENIS - FEB/RJ
Imagem : Google

LEON DENIS PSICOGRAFA POR JOANA d'ARC



Parte 9/11
Leon Denis em seu livro Joana d'Arc,  relata que psicografou uma mensagem ditada por sua mentora espiritual a própria Joana d’Arc .

Leon Denis diz:

“A prece, então, irrompeu das profundezas de meu ser; depois, evoquei o  Espírito de Joana e logo percebi o amparo e a doçura de sua presença. O ar tremia;tudo à volta de mim parecia iluminar-se; imperceptíveis asas rufiavam na  escuridão; desconhecida melodia, baixada dos espaços, embalava-me os sentidos e me fazia correr o pranto. E o Anjo da França ditou-me palavras que, conforme a sua ordem, reproduzo aqui piedosamente:





Mensagem de Joana

Tua alma se eleva e sente neste instante a proteção que Deus lança sobre ti.
Comigo, que a tua coragem aumente, e, patriota sincera, ames e desejes ser útil a esta França tão querida, que, do Alto, como Protetora, como Mãe, contemplo sempre com felicidade.Não sentes em ti nascerem pensamentos de suave indulgência? Junto de Deus aprendi a perdoar mas, esses pensamentos não devem fazer com que, em mim, nasça à fraqueza, e, divino dom! encontro em meu coração força bastante para procurar esclarecer, às vezes, aqueles que, por orgulho, me querem monopolizar a memória. E quando, cheia de indulgência, peço para eles as luzes do Criador, do Pai, sinto que Deus me diz: Protege, inspira, porém jamais faças fusão com os teus algozes. Os padres, recordando teu devotamento à pátria, não devem pedir senão perdão para aqueles cuja sucessão tomaram. Cristã piedosa e sincera na Terra, sinto no Espaço os mesmos arroubos, o mesmo desejo de oração, mas quero minha memória livre e desprendida de todo cálculo; não dou meu coração, em lembrança, senão aos que em mim não veem mais do que a humilde e devota filha de Deus, amando a todos os que vivem nessa terra de França, aos quais procuro inspirar sentimentos de amor, de retidão e de energia.

Jeanne d’Arc
Fonte: Joana d'Arc - Leon Denis - FEB/ RJ 
Imagem: Google
 

JOANA d'ARC E O FIM DA IDADE MEDIEVAL


Emmanuel no livro a caminho da luz , no capítulo XIX, nos traz sobre o
Fim da Idade Medieval:

Parte 10/11


“Do plano invisível e em todos os tempos, os Espíritos abnegados acompanharam a Humanidade em seus dias de martírio e glorificação lutando sempre pela paz e pelo bem de todas as criaturas.  
Referindo-nos, de escantilhão, à nobre figura de Joana d'Arc, que  cumpriu elevada missão adstrita aos princípios de justiça e de fraternidade na Terra, e às guerras dolorosas que assinalaram o fim da idade medieval, registramos aqui, que, com as conquistas tenebrosas de Gêngis Khan e de Tamerlão e com a queda de Constantinopla, em 1453, que ficou para sempre em poder dos turcos, verificava-se o término da época medieval. Uma nova era despontava para a Humanidade terrestre, com a assistência contínua do Cristo, cujos olhos misericordiosos acompanham a evolução dos homens, lá dos arcanos do Infinito.”.
Fonte: A caminho da luz, Esp. Emmanuel/ F.C. Xavier- pag 170- FEB RJ
Imagem : Google

JUDAS ESCARIOTES REENCARNA COMO JOANA d’ARC



Mensagem recebida em 19 de Abril de 1935


Parte 11/11



Silêncio augusto cai sobre a Cidade Santa. A antiga capital da Judéia parece dormir o seu sono de muitos séculos. Além descansa Getsêmani, onde o Divino Mestre chorou numa longa noite de agonia, acolá está o Gólgota sagrado e em cada coisa silenciosa há um traço da Paixão que as épocas guardarão para sempre. E, em meio de todo o cenário, como um veio cristalino de lágrimas, passa o Jordão silencioso, como se as suas águas mudas, buscando o Mar Morto, quisessem esconder das coisas tumultuosas dos homens os segredos insondáveis do Nazareno.
Foi assim, numa destas noites que vi Jerusalém, vivendo a sua eternidade de maldições. Os espíritos podem vibrar em contacto direto com a história. Buscando uma relação íntima com a cidade dos profetas, procurava observar o passado vivo dos Lugares Santos. Parece que as mãos iconoclastas de Tito por ali passaram como executoras de um decreto irrevogável. Por toda a parte ainda persiste um sopro de destruição e desgraça. Legiões de duendes, embuçados nas suas vestimentas antigas, percorrem as ruínas sagradas e no meio das fatalidades que pesam sobre o empório morto dos judeus, não ouvem os homens os gemidos da humanidade invisível.
Nas margens caladas do Jordão, não longe talvez do lugar sagrado, onde Precursor batizou Jesus Cristo, divisei um homem sentado sobre uma pedra. De sua expressão fisionômica irradiava-se uma simpatia cativante.
- Sabe quem é este? – murmurou alguém aos meus ouvidos. – Este é Judas.
- Judas?!...
- Sim. Os espíritos apreciam, às vezes, não obstante o progresso que já alcançaram volver atrás, visitando os sítios onde se engrandeceram ou prevaricaram, sentindo-se momentaneamente transportados aos tempos idos. Então mergulham o pensamento no passado, regressando ao presente, dispostos ao heroísmo necessário do futuro. Judas costuma vir a Terra, nos dias em que se comemora a Paixão de Nosso Senhor, meditando nos seus atos de antanho...
Aquela figura de homem magnetizava-me. Eu não estou ainda livre da curiosidade do repórter, mas entre as minhas maldades de pecador e a perfeição de Judas existia um abismo. O meu atrevimento, porém, e a santa humildade de seu coração, ligaram-se para que eu o atravessasse, procurando ouvi-lo.
-O senhor é, de fato, o ex-filho de Iscariot? – Sim, sou Judas – respondeu aquele homem triste, enxugando uma lágrima nas dobras de sua longa túnica. Como o Jeremias, das Lamentações, contemplo às vezes esta Jerusalém arruinada, meditando no juízo dos homens transitórios...
- É uma verdade tudo quanto reza o Novo Testamento com respeito à sua personalidade na tragédia da condenação de Jesus?
- Em parte... Os escribas que redigiram os evangelhos não atenderam às circunstâncias e às tricas políticas que acima dos meus atos predominaram na nefanda crucificação. Pôncio Pilatos e o tetrarca da Galiléia, além dos seus interesses individuais na questão, tinham ainda a seu cargo salvaguardar os interesses do Estado romano, empenhado em satisfazer as aspirações religiosas dos anciãos judeus. Sempre a mesma história. O Sanedrim desejava o reino do céu pelejando por Jeová, a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra.
Jesus estava entre essas forças antagônicas com a sua pureza imaculada. Ora, eu era um dos apaixonados pelas idéias socialistas do Mestre, porém o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador. Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar e Jesus não obteria nenhuma vitória. Com as suas teorias nunca poderia conquistar as rédeas do poder já que, no seu manto de pobre, se sentia possuído de um santo horror à propriedade. Planejei então uma revolta surda como se projeta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secundário e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e enérgica como a que fez mais tarde Constantino Primeiro, o Grande, depois de vencer Maxêncio às portas de Roma, o que aliás apenas serviu para desvirtuar o Cristianismo. Entregando, pois, o Mestre, a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável e, ralado de remorsos, presumi que o suicídio era a única maneira de me redimir aos seus olhos.
- E chegou a salvar-se pelo arrependimento?
- Não. Não consegui. O remorso é uma força preliminar para os trabalhos reparadores.
Depois da minha morte trágica submergi-me em séculos de sofrimento expiatório da minha falta. Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado. Vítima da felonia e da traição deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV. Desde esse dia, em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentido na fronte o ósculo de perdão da minha própria consciência...
- E está hoje meditando nos dias que se foram... - pensei com tristeza.
- Sim... Estou recapitulando os fatos como se passaram. E agora, irmanado com Ele, que se acha no seu luminoso Reino das Alturas que ainda não é deste mundo, sinto nestas estradas o sinal de seus divinos passos. Vejo-O ainda na Cruz entregando a Deus o seu destino...
Sinto a clamorosa injustiça dos companheiros que O abandonaram inteiramente e me vem uma recordação carinhosa das poucas mulheres que O ampararam no doloroso transe... Em todas as homenagens a Ele prestadas, eu sou sempre a figura repugnante do traidor... Olho complacentemente os que me acusam sem refletir se podem atirar a primeira pedra... Sobre o meu nome pesa a maldição milenária, como sobre estes sítios cheios de miséria e de infortúnio. Pessoalmente, porém, estou saciado de justiça, porque já fui absolvido pela minha consciência no tribunal dos suplícios redentores.
Quanto ao Divino Mestre – continuou Judas com os seus prantos – infinita é a sua misericórdia e não só para comigo, porque se recebi trinta moedas, vendendo-O aos seus algozes, há muitos séculos Ele está sendo criminosamente vendido no mundo a grosso e a retalho, por todos os preços em todos os padrões do ouro amoedado...
- É verdade – concluí – e os novos negociadores do Cristo não se enforcam depois de vendê-lo.
Judas afastou-se tomando a direção do Santo Sepulcro e eu, confundido nas sombras invisíveis para o mundo, vi que no céu brilhavam algumas estrelas sobre as nuvens pardacentas e tristes, enquanto o Jordão rolava na sua quietude como um lençol de águas mortas, procurando um mar morto.

Fonte: Extraído do livro Crônicas de além tumulo, por Francisco C. Xavier/ Humberto de Campos
Imagem - Google


FELIZ ANO NOVO !

31 de dez de 2010





Meu Grande Amigo Leitor,

Quero agradecer a você que sempre acessa o nosso blog ," Historia e Espiritismo", que acabou de completar os seus nove meses de existência na rede virtual.
Durante esse ano, tivemos a oportunidade de estudar juntos, um pouco da Doutrina Espírita, Codificada pelo Mestre Lionês Sr. Rivail, mais conhecido como Allan Kardec.
No ano de 2010, abordamos temas espíritas, abrangendo seu aspecto filosófico, científico e histórico. E esperamos que no ano vindouro de 2011, possamos estar juntos novamente angariando mais conhecimentos a respeito do "Consolador Prometido", e com novos temas interessantes.Espero termos contribuído um pouco através do blog para a sua busca de conhecimento Espírita.Que Nosso Senhor Jesus Cristo, possa levar sempre muita Paz, Saúde, Discernimento, Fé, Esperança, Amor e Prosperidade, para vida de cada um de vocês e de seus entes queridos.

São os votos de LUCIANO DUDU e sua equipe de divulgadores do blog.







CARTA DE ANO NOVO


Ano Novo é também oportunidade de aprender, trabalhar e servir. O tempo como paternal amigo, como que se reencarna no corpo do calendário,descerrando-nos horizontes mais claros para necessária ascensão.

Lembra-te de que o ano em retorno, é novo dia a convocar-te para a execução de velhas promessas que ainda não tivestes a coragem de cumprir. 
 
Se tens inimigos faze das horas renascer-te o caminho da reconciliação.
 
Se foste ofendido, perdoa, a fim de que o amor te clareie a estrada para frente.
 
Se descansaste em demasia, volve ao arado de tuas obrigações e planta o bem com destemor para a colheita do porvir.
 
Se a tristeza te requisita esquece-a e procura a alegria serena da consciência tranquila no dever bem cumprido.
 
Ano Novo! Novo Dia!
 
Sorri para os que te feriram e busca harmonia com aqueles que te não entenderam até agora.
 
Recorda que há mais ignorância que maldade em torno de teu destino.
 
Não maldigas nem condenes.
 
Auxilia a acender alguma luz para quem passa ao teu lado, na inquietude da escuridão.
 
Não te desanimes nem te desconsoles.
 
Cultiva o bom ânimo com os que te visitam dominados pelo frio do desencanto ou da indiferença.
 
Não te esqueças de que Jesus jamais se desespera conosco e, como que oculto ao nosso lado, paciente e bondoso, repete-nos de hora a hora: – Ama e auxilia sempre. 
Ajuda aos outros amparando a ti mesmo, porque se o dia volta amanhã, eu estou contigo, esperando pela doce alegria da porta aberta de teu coração.

Emmanuel
Vida e Caminho - Francisco Cândido Xavier
 

COMUNICAÇÃO MEDIUNICA DO PENSADOR DIÓGENES

28 de dez de 2010





Amigo leitor, nós trouxemos na noite de hoje, duas comunicações mediunicas interessantes.Tais comunicações foram extraídas da Revista Espírita . Fato ocorrido nas reuniões mediunicas coordenadas por Allan Kardec, através dos médiuns que ele  assistia nas sessões em Paris.Trata-se da Evocação do espírito Chaudruc e do  pensador Diógenes.Após o diálago de ambos os espíritos  com Allan Kardec, colocamos para sua apreciação um material sobre a vida do Pensador Diógenes.
Boa Leitura e reflexão

Luciano Dudu

Conversas familiares de além túmulo


Primeira Comunicação   
Chaudruc Duelos


1. Evocação.
- R. Estou aqui.

O senhor Adrien, médium vidente, que não o vira jamais em sua vida, dele fez o retrato seguinte, achado muito exato pelas pessoas presentes que o conheceram. Rosto comprido; bochechas ocas; testa convexa e enrugada. Nariz um pouco longo e ligeiramente curvado; olhos cinzentos e um pouco à flor da cabeça; boca média, zombeteira; tez um pouco amarela; cabelos grisalhos, e longa barba. Talhe antes grande que pequeno.
Paletó de lã azul, todo ralado e furado; calça negra, gasta e em farrapos; colete de cor clara, lenço de pescoço amarrado em gravata, de uma cor sem nome.

2. Lembrai-vos de vossa última existência terrestre? –
R. Perfeitamente.

3. Que motivo vos levou ao gênero de vida excêntrica que adotastes?

- R. Estava cansado da vida e tive pena dos homens e dos motivos de suas ações.

4. Diz-se que era uma vingança e para humilhar um parente educado; é verdade?

- R. Não só por isso; humilhando esse homem, humilhava muitos outros com isso.

5. Se era uma vingança, ela vos custou caro, porque vos privastes, durante longos anos, de todos os gozos sociais para satisfazê-la. Não acháveis isso um pouco duro? - 
 R. Eu gozava de um outro modo.

6. Havia, ao lado disso, um pensamento filosófico e foi por essa razão que se vos comparou a Diógenes? –
R. Havia alguma relação com a parte menos sadia da filosofia desse homem.

7. Que pensais de Diógenes?

R. Pouca coisa; é um pouco o que penso de mim. Diógenes tinha sobre nós a vantagem de ter feito alguns anos mais cedo o que fiz, e no meio de homens menos civilizados que aqueles no meio dos quais vivi.

8. Há, entretanto, uma diferença entre Diógenes e vós: nele, sua conduta era uma

conseqüência de seu sistema filosófico; ao passo que em vós ela tinha seu princípio na vingança!
R. A vingança em mim conduziu à filosofia.
 
9. Sofríeis por vos ver assim isolado, e ser um objeto de desprezo e de desgosto; porque vossa educação vos distanciava da sociedade dos mendigos e dos vagabundos, e éreis repelido pelas pessoas bem educadas?
- R. Sabia que não se tem amigos na Terra; eu o havia experimentado muito, ai de mim!
 
10. Quais são as vossas ocupações atuais e onde passais vosso tempo?
R. Percorro mundos melhores e me instruo... Ali há muitas boas almas que nos revelam a ciência celeste dos Espíritos.

11. Retornastes, alguma vez, ao Palais-Royal, desde vossa morte?

- R. Que me importa o Palais-Royal!

12. Entre as pessoas que estão aqui, reconheceis as que conhecestes nas vossas

peregrinações ao Palais-Royal?
R. Como não o faria?

13. Reviste-as com prazer?
- R. Com prazer; mesmo com o maior prazer foram boas para mim.


14. Revistes vosso amigo Charles Nodier?

- R. Sim, sobretudo depois de sua morte.

15. Ele está errante ou reencarnado?

- R. Errante como eu.

16. Por que escolhestes o Palais-Royal, o lugar mais freqüentado em Paris, para os vossos passeios; isso não está de acordo com o vosso gosto misantropo?
- R. Lá eu via todo mundo, todas as tardes.

17. Não havia, talvez, um sentimento de orgulho de vossa parte? –

R. Sim, infelizmente; o orgulho teve uma boa parte em minha vida.

18. Sois mais feliz agora?-

R. Oh! sim.

19. Entretanto, vosso gênero de existência não deveu contribuir para o vosso

aperfeiçoamento?
- R. Essa existência terrestre! Mais que pensais, todavia: eu não tinha momentos sombrios, quando reentrei sozinho e abandonado em minha casa? Ali, tive o tempo de amadurecer bem os pensamentos.

20. Se tivesses a escolher uma outra existência, como a escolheríeis?

- R. Não mais sobre vossa Terra; posso esperar melhor hoje.

21. Lembrai-vos de vossa penúltima existência?

R. Sim, e de outras também.

22. Onde tivestes essas existências?

- R. Na Terra e em outros mundos.
 
23. E a penúltima?
R. Na Terra.

24. Podeis no-la fazer conhecer?

- R. Não o posso; era uma existência obscura e oculta.

25. Sem nos revelar essa existência, poderíeis dizer-nos qual relação havia com a que

conhecemos, porque esta deve ser uma conseqüência da outra?

- R. Uma conseqüência, positivamente, mas um complemento: vivi infeliz por vícios e faltas que se modificaram bem antes que viesse a habitar o corpo que conhecestes.

26. Podemos fazer alguma coisa que vos seja útil, ou agradável?

- R. Ai de mim! Pouco; estou bem acima da Terra, hoje.




Segunda Comunicação

Diógenes.

1. Evocação
- R. Ah! Venho de longe!

2. Podeis aparecer ao senhor Adrien, nosso médium vidente, tal qual éreis na existência que vos conhecemos?

- R. Sim, e mesmo vir com minha lanterna, se o desejais.

Retrato.


Testa larga e as bossas laterais muito ossudas, nariz delgado e curvado; boca grande e séria; olhos negros e cravados na órbita; olhar penetrante e zombeteiro. Talhe um pouco alongado, magro e enrugado, tez amarela; bigode e barba incultos; cabelos grisalhos e dispersos. Roupagens brancas e muito sujas; os braços nus, assim como as pernas; o corpo magro, ossudo. Más sandálias amarradas às pernas por cordas.

3. Dissestes que vínheis de longe: de qual mundo vindes?

- R. Vós não o conheceis.

4. Teríeis a bondade de responder a algumas perguntas?

- R. Com prazer.

5. A existência que vos conhecemos sob o nome de Diógenes o Cínico, vos foi proveitosa para a vossa felicidade futura?

- R. Muito; errastes em torná-la em zombaria, como fizeram meus contemporâneos; espanto-me mesmo que a história haja pouco esclarecido minha existência, e que a posteridade, pode-se dize-lo, foi injusta a meu respeito.

6. Que bem fizestes, porque vossa existência era bastante pessoal?

- R. Trabalhei por mim, mas pôde-se aprender muito em me vendo.

7. Quais são as qualidades que queríeis encontrar nos homens e que procuráveis com a vossa lanterna?

- R. Da energia.

8. Se tivésseis encontrado, em vosso caminho, o homem que acabamos de evocar, Chaudruc Duelos, encontraríeis nele o homem que procuráveis, porque ele também se abstinha voluntariamente de todo o supérfluo?

- R. Não.

9. Que pensais dele?
- R. Sua alma extraviou-se na Terra; quantos são como ele e não o sabem; ele ao menos o sabia.

10. As qualidades que procuráveis no homem, segundo vós, credes havê-las possuído?

- R. Sem dúvida: eu era meu critério.
 
11. Qual é dos filósofos de vosso tempo o que preferis?
R. Sócrates.

12. Qual é o que preferis agora?

- R. Sócrates.

13. E Platão, que dizeis dele?

- R. Muito duro; sua filosofia é muito severa: eu admitia os poetas, e ele não. 





14. O que se conta de vossa entrevista com Alexandre é real?  
- R. Muito real; a história mesma a mutilou.

15. Em que a história a mutilou?
 - R. Entendo falar de outras conversas que tivemos juntos: credes que veio ver-me para não dizer-me senão uma palavra?

16. A palavra que se lhe imputa, a saber, de que se não fosse Alexandre gostaria de ser Diógenes, é real?

R. Ele disse, talvez, mas não diante de mim. Alexandre era um jovem louco, vão e confiado; eu era, aos seus olhos, um mendigo: como o tirano ousaria se mostrar instruído pelo miserável?

17. Depois de vossa existência em Atenas, reencarnastes sobre a Terra?  
R. Não, mas em outros mundos. Atualmente, pertenço a um mundo onde não somos escravos: isso quer dizer que se vos evocassem acordado, não faríeis o que fiz essa noite.

18. Poderíeis nos traçar o quadro das qualidades que procurareis no homem, tais como as concebíeis então, e tais como as concebeis agora?

- R. Então. Coragem, audácia, segurança de si mesmo e poder sobre os homens pelo Espírito.

Agora.
Abnegação, doçura, poder sobre os homens pelo coração.

Fonte: Revista Espírita, Janeiro de 1859, Allan Kardec, Editora Ide, 1ª edição. SP, Brasil
Imagem: Google 

 



A VIDA DE DIÓGENES DE SÍNOPE

Diógenes de Sínope (em grego antigo,: Διογένης ὁ Σινωπεύς; Sínope, 404 ou 412 AC, Corinto, desencarnou em. 323 A.C, em Corinto, também conhecido como Diógenes, o Cínico, foi um filósofo da Grécia Antiga.Os detalhes de sua vida são conhecidos através de anedotas (chreia), especialmente as reunidas por Diógenes Laércio em sua obra Vidas e opiniões de Filósofos Eminentes. Ideias Notaveis : Tornou-se o arquétipo do filosofocinico, sofreu influência de Socrates , Antístenes e cães.
Acabou influenciando com suas idéias os seguinte pensadores : Aristóteles, Crates de Tebas, outros Cínicos, Estoicos, Étienne de La Boétie, Piort Kropotkin, Emma Goldman.

Diógenes de Sínope foi exilado de sua cidade natal e se mudou para Atenas, onde teria se tornado um discípulo de Antístenes, antigo pupilo de Sócrates. Tornou-se um mendigo que habitava as ruas de Atenas, fazendo da pobreza extrema uma virtude; diz-se que teria vivido num grande barril, no lugar de uma casa, e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina, durante o dia, alegando estar procurando por um homem honesto. Eventualmente se estabeleceu em Corinto, onde continuou a buscar o ideal cínico da auto-suficiência: uma vida que fosse natural e não dependesse das luxúrias da civilização. Por acreditar que a virtude era melhor revelada na ação e não na teoria, sua vida consistiu duma campanha incansável para desbancar as instituições e valores sociais do que ele via como uma sociedade corrupta. Segundo a tradição, Diógenes vivia a perambular pelas ruas na mais completa miséria até que um dia foi aprisionado por piratas para, posteriormente, ser vendido como escravo. Um homem com boa educação chamado Xeníades o comprou. Logo ele pôde constatar a inteligência de seu novo escravo e lhe confiou tanto a gerência de seus bens quanto a educação de seus filhos.
Diógenes levou ao extremo os preceitos cínicos de seu mestre Antístenes. Foi o exemplo vivo que perpetuou a indiferença cínica perante os valores da sociedade da qual fazia parte. Desprezava a opinião pública e parece ter vivido em uma pipa ou barril. Reza a lenda que seus únicos bens eram um alforje, um bastão e uma tigela (que simbolizavam o desapego e auto-suficiência perante o mundo), sendo ele conhecido também, talvez pejorativamente como kinos, o cão, pela forma como vivia.
A felicidade - entendida como autodomínio e liberdade - era a verdadeira realização de uma vida. Sua filosofia combatia o prazer, o desejo e a luxúria pois isto impedia a auto-suficiência. A virtude - como em Aristóteles - deveria ser praticada e isto era mais importante que teorias sobre a virtude.
Diógenes é tido como um dos primeiros homens (antecedido por Sócrates com a sua célebre frase "Não sou nem ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo.") a afirmar, "Sou uma criatura do mundo (cosmos), e não de um estado ou uma cidade (polis) particular", manifestando assim um cosmopolitismo relativamente raro em seu tempo.
Diógenes parece ter escrito tragédias ilustrativas da condição humana e também uma República que teria influenciado Zenão de Cítio, fundador do estoicismo. De fato, a influência cínica sobre o estoicismo é bastante saliente.
É famosa, por exemplo, a história de que ele saía em plena luz do dia com uma lanterna acesa procurando por homens verdadeiros (ou seja, homens auto-suficientes e virtuosos).

Igualmente famosa é sua história com Alexandre, o Grande, que, ao encontrá-lo, ter-lhe-ia perguntado o que poderia fazer por ele. Acontece que devido à posição em que se encontrava, Alexandre fazia-lhe sombra. Diógenes, então, olhando para a Alexandre, disse: "Não me tires o que não me podes dar!" (variante: "deixe-me ao meu sol"). Essa resposta impressionou vivamente Alexandre, que, na volta, ouvindo seus oficiais zombarem de Diógenes, disse: "Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes." Outra história ainda é a de que um dia Diógenes foi visto pedindo esmola a uma estátua. Quando lhe perguntaram o motivo de tal conduta ele respondeu "por dois motivos: primeiro é que ela é cega e não me vê, e segundo é que eu me acostumo a não receber algo de alguém e nem depender de alguém.



A temática do cão





Diógenes sentado em seu barril cercado por cães. Pintura de Jean Léon G´rôme de 1860.
Muitas anedotas sobre Diógenes referem-se ao seu comportamento semelhante ao de um cão, e seu elogio as virtudes dos cachorros. Não é sabido se Diógenes se considerava insultado pelo epiteto "canino" e fez dele uma virtude, ou se ele assumiu sozinho a temática do cão para si, Os termos modernos cínico e cinismo derivam da palavra grega kynikos, a forma adjetiva de kynon, que significa cachorro. Diógenes acreditava que os humanos viviam artificialmente e maneira hipócrita e poderiam fazer bem ao estudar o cão. Afinal o cão é capaz de realizar suas funções corporais naturais em público sem constrangimento, um cachorro comerá qualquer coisa, e não fará estardalhaço sobre que lugar dormir. Cachorros vivem o presente sem ansiedade, e não possuem as pretensões da filosofia abstrata. Somando-se ainda a estas virtudes, cachorros aprendem extintivamente quem é amigo e quem é inimigo. Diferente dos humanos que enganam e são enganados uns pelos outros, cães reagem com honestidade frente à verdade.



Fonte :
http://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%B3genes_de_S%C3%ADnope 
Imagem: Google

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Luciano Dudu