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A VIDA DE CLAUDET MONET

20 de fev de 2011


O ESPIRITISMO E A ARTE
Capítulo 9

                            
La Rue Montorgueil, 1878, Claude Monet (França 1849-1926), O/T,
Musée D'Orsay, Paris




Leon Denis no livro “O espiritismo na arte”, faz comentários sobre, a criatura humana reencarnada como  artista, ele faz reflexões de  como se dá  o processo da reencarnação deste espírito , mostrando o objetivo essencial da arte e o papel do espírito que  estagia na senda terrestre como artista.
Ele comenta sobre o estágio de consciencia do espírito perante as leis divinas ,o seu burilamento e  entendimento sobre a arte e as contemplações do belo.
Veja na íntegra os seus comentários logo abaixo :

(...) O objetivo essencial da arte, já dissemos, é a busca e a realização da beleza é, ao mesmo tempo a busca de Deus, uma vez que Deus é a fonte primeira e a realização perfeita da beleza física e moral.(1)
(...)  Quanto mais a inteligência se purifica,  aperfeiçoa-se e se eleva, mais se impregna da idéia do belo. O objetivo essencial da evolução será, portanto, a busca e a conquista da beleza, a fim de realizá-la no ser e em suas obras. Tal é a regra da alma em sua ascensão infinit

a. (2)

(...) Já aí se impõe a necessidade das existências sucessivas como meio de adquirir, através de esforços contínuos e graduais, um sentido mais preciso do bem e do belo. O início é modesto aqui no plano terrestre, a alma prepara-se primeiramente através de tarefas humildes, obscuras, apagadas; e em seguida, pouco a pouco, passando por novas etapas, o espírito adquire a dignidade de artista. Mais além ainda, ele irá se abrir às concepções amplas e profundas que são privilégio dos gênios, e tornar-se-á capaz de realizar a lei suprema da beleza ideal. (3)

(...)  Na Terra nem todos os artistas inspiram-se nesse ideal superior. A maior parte limita-se a imitar o que chamam "a natureza", sem se aperceberem de que esta não é senão um dos aspectos da obra divina. Porém no espaço a arte se reveste, ao mesmo tempo, das mais sutis e mais grandiosas formas, e se ilumina com um reflexo divino. (4)

TRAÇOS BIOGRAFICOS


                                                       Monet

Oscar-Claude Monet (Paris14 de novembro de 1840 — Giverny5 de dezembro de1926) foi um pintor francês e o mais célebre entre os pintores impressionistas.
O termo impressionismo surgiu devido a um dos primeiros quadros de Monet,"Impressão, nascer do sol", quando de uma crítica feita ao quadro pelo pintor e escritor Louis Leroy: "Impressão, nascer do Sol” – eu bem o sabia! Pensava eu, justamente, se estou impressionado é porque há lá uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha." 
 A expressão foi usada originalmente de forma pejorativa, mas Monet e seus colegas adotaram o título, sabendo da revolução que estavam iniciando na pintura.
Seu pai, Claude - Auguste, tinha uma mercearia modesta. Aos cinco anos, sua família mudou-se para Le Havre, na Normandia.
Seu pai desejava que Claude continuasse no comércio da família, mas ele desejava pintar.
Foi a sua tia Marie-Jeanne Lecadre que o apoiou a seguir a carreira artística, pois ela fora também pintora.
Em 1851, Monet entrou para a escola secundária de artes e acabou se tornando conhecido na cidade pelas caricaturas que fazia.
 Nas praias da Normandia, Monet conheceu, por volta de 1856Eugène Boudin, um artista que trabalhava extensivamente com pintura ao ar livre nessas mesmas praias, e que lhe ensinou algumas técnicas ao ar livre.
Em 28 de janeiro de 1857, sua mãe morreu e, aos dezesseis anos, Monet abandonou a escola e foi morar com sua tia Marie-Jeanne Lecadre.
Em 1859, Monet foi para Paris estudar pintura, e foi aí que conheceu a sua primeira mulher, Camille. Monet retratou-a muitas vezes, em quadros onde ela aparecia mais do que uma vez na mesma pintura.
Em 1859, Monet mudou-se para Paris. Frequentava muito o museu do Louvre onde copiava os grandes mestres.
Em 1861, ele foi obrigado a servir no Exército na Argélia. Sua tia Lecadre concordou em conseguir sua dispensa do serviço caso Monet se comprometesse a cursar Artes na universidade. Ele deixou o exército, mas não lhe agradou o tradicionalismo da pintura acadêmica.
Decepcionado com o ensino da pintura acadêmica na Universidade, em 1862 ele foi estudar artes com Charles Gleyer em Paris, onde conheceu Pierre-Auguste RenoirFrédéric Bazille e Alfred Sisley. Juntos desenvolveram a técnica de pintar o efeito das luzes com rápidas pinceladas, o que mais tarde seria conhecido como impressionismo.(5)

Carreira Artística

Estuario do Sena




Dois anos após conhecer Bazille, eles foram morar juntos em Honfleur. Em 1865, ajudado por seu pai, Monet e Bazille alugaram um pequeno estúdio em Paris. No mesmo ano, Monet entraria para o Salão oficial de Paris com duas telas: "Estuário do Sena" e "Ponte sobre Hève na Vazante".
No ano seguinte, Monet novamente expôs duas telas no salão de Paris: "Camille" ou "O vestido verde" e "A floresta em Fontainebleu". A tela "O vestido verde" recebeu grandes elogios por parte dos críticos e ganhou um prêmio no salão de Paris. Em "Camille", Monet retratouCamille Doncieux, que se tornaria sua futura mulher. No ano de 1867, Monet tentou inscrever a obra "Mulheres no Jardim" no Salão, que não a aceitou. A tela era tão grande que ele construiu uma vala para poder enterrar a parte inferior e atingir a parte superior da tela ao pintar. No mesmo ano, Monet e Camille teriam seu primeiro filho, Jean.
Em 1868, Monet entrou em dificuldades financeiras, teve um quadro inscrito no Salão de Paris,"Navio deixando o cais de Le Havre", que recebeu uma crítica negativa. Recebeu, no mesmo ano, medalha de prata na Exposição Marítima Internacional de Le Havre pela tela "O molhe de Le Havre".
Em 1870, Camille e Monet se casaram três anos após o nascimento do primeiro filho do casal. No mesmo ano, com o início da guerra franco-prussiana, Monet e sua família se refugiaram em Londres. De volta à França e com o pai já morto, refugiar-se em Le Havre não o atraía mais, por isso Monet mudou-se para Argenteuil, onde passou a receber seus amigos impressionistas (ManetRenoirSisley e outros). Na cidade, o rio Sena e as belas paisagens serviram de inspiração para numerosos quadros de Monet e seus amigos que puderam pintar ao ar livre.
Em 1872 Monet, pintou Impressão, nascer do sol (Impression: Soleil Levant (atualmente no Museu Marmottan de Paris), uma paisagem do Havre, exibida na primeira exposição impressionista de 1874. O quadro deu origem ao nome usado para definir o movimento impressionista.
Em 1878, Monet mudou-se para Paris com a família devido à crise financeira. No mesmo ano, nasceria seu segundo filho, Michel. Em férias com o casal Hoschédé, Monet acabou apaixonando-se pela mulher do Sr. Hoschédé, Alice. Um ano depois, Camille Doncieux morreu de câncer aos trinta e dois anos de idade.
Em 1883, Monet mudou-se para Giverny, na Normandia. Monet trocava correspondência com Alice até a morte de seu marido em 1891. No ano seguinte ele e Alice Hoschédé casaram-se.
Na década após o seu casamento, Monet pintou uma série de imagens da Catedral de Rouen em vários horários e pontos de vista diferentes. Vinte pinturas da catedral foram exibidas na galeria Durand-Ruel em 1895. Ele também fez uma série de pinturas de pilhas de feno.
Em 1899, Monet pintou em Giverny a famosas série de quadros chamadas "Nenúfares". Em sua propriedade em Giverny, Monet tinha um lago e uma pequena ponte japonesa que inspirou a série de nenúfares. Estas obras quando foram expostas fizeram grande sucesso. Era o reconhecimento tardio de um gênio da pintura.
Monet ao pintar Nenúfares se baseou no lago e a ponte japonesa de sua própria casa, no outono, porque era nessa época do ano em que as flores caiam sobre o lago criando uma linda visão na qual Monet resolveu pintar. A técnica de Monet para pintar quadros era bastante peculiar para as pessoas e outros artistas que o viam pintando, mas a técnica de Monet desenvolvida na época por Monet, foi considerada mais tarde como umas das técnicas mais belas do mundo, que é o Impressionismo, que aparenta ser de perto apenas borrões mas ao distanciar a visão, o quadro se forma nitidamente.(6)


Monet teve uma catarata no fim da sua vida. A doença o atacou por causa das muitas horas com seus olhos expostos ao sol, pois gostava de pintar ao ar livre em diferentes horários do dia e em várias épocas do ano, o que foi outra característica do Impressionismo. Durante sua doença Monet não parou de pintar, - usou nessa época de sua vida cores mais fortes como o vermelho-carne , cor tijolo, e outras cores mais fortes.
Em 1911, com o falecimento de Alice e seu problema de visão, Monet perdeu um pouco a vontade de viver e pintar. Sua vontade só seria animada com a amizade de Georges Clémenceau, que lhe escrevia cartas de apoio.
Monet morreu em 1926 e está enterrado no Cemitério da Igreja de Giverny, Eure, na Haute-Normandia.(7)

OBRAS



Eglise de Vétheuil





Entre as muitas obras de Monet, podem destacar-se:


Eglise de Vétheuil
Banhistas na Grenouillière
Coin d' atelier
Femme assise sur un banc
Femme en blanc au jardin
Femmes au jardin
Impression, soleil levant
La Pont Neufcocozon de la sierra
La Seine à Asnières
Les bateaux rouges
Madame Monet en costume japonais
Nenúfares (1904)
Nature morte avec melon
Le Bassin aux Nymphéas
Regata em Argenteuil
Dans La Prairie
(8)


O terraço de s.adresse

Fonte: 1- 4 : Espiritismo na Arte - Leon Denis
          5- 8 : http://pt.wikipedia.org/wiki/Claude_Monet
                  Imagens retiradas do Google






A VIDA DE EUGÉNE DELACROIX

O ESPIRITISMO  E A ARTE

Capítulo 10

A liberdade guiando o povo


Amigo leitor a partir desta postagem sobre pintura, falaremos agora sobre uma nova fase da arte na humanidade.No livro Em torno de Rivail , o mundo em que viveu Allan Kardec, no capitulo de nome: ” Artes plásticas: a potência de uma estética renovadora  os escritores Iole de Freitas e Cleone Augusto dizem:

(1) O Romantismo, o Realismo e o Impressionismo marcaram revoluções estéticas significativas.
Sua força se apresenta nas rupturas e conquistas plásticas expressas nas obras de Delacroix, Daumier, Monet, Degas, Seurat, Cézame, entre outros.
 A fragmentação do espaço pictórico e sua constituição em padrões opostos ao da janela renascentista se constroem na França durante o século XIX.
Ocorre  a tensão entre figura e fundo, e a pulsão das vibrações luminosas e cromáticas do Impressionismo indica a presença de um mundo não mais sólido e homogêneo.
Buscando a espessura do mundo nas pinceladas grossas e autônomas, Cézame estabelece uma outra noção de espaço, onde homem e mundo se integram. A consciência é o fator perceptivo substancial; dá significado ao que o olhar capta. Cézame reconstrói consciencialmente a presença das coisas no espaço. Sendo linguagem plástica, ela se expande , os alcança e comove. Assim como as diversas falas poéticas, constituídas de linha e cor, elaboradas por tais movimentos.



TRAÇOS BIOGRAFICOS

Delacroix

(2) Ferdinand Victor Eugène Delacroix - (Saint-Maurice, 26 de abril de 1798 Paris, 13 de agosto  de 1863) foi um importante pintor francês do Romantismo.
Delacroix é considerado o mais importante representante do romantismo francês. Na sua obra convergem a voluptuosidade de Rubens, o refinamento de Veronese, a expressividade cromática de Turner e o sentimento patético de seu grande amigo Géricault. O pintor, que como poucos soube sublimar os sentimentos por meio da cor, escreveu: "…nem sempre a pintura precisa de um tema". E isso seria de vital importância para a pintura das primeiras vanguardas.
Delacroix nasceu numa família de grande prestigio social , e seu pai virou ministro da república.  Alguns Pesquisadores dizem que seu pai natural teria sido na realidade o príncipe Talleyrand, seu mecenas.
O fato é que Delacroix teve uma educação esmerada, que o transformou num erudito precoce: freqüentou grandes colégios de Paris, teve aulas de música no Conservatório e de pintura na Escola de Belas-Artes.
Também aprendeu aquarela com o professor Soulier e trabalhou no ateliê do pintor Pierre-Narcisse Guérin, onde conheceu Géricault. Visitava quase todos os dias o Louvre, para estudar as obras de Rafael e de Rubens.
(3)  Seu primeiro quadro foi A Barca de Dante  a obra deste escritor italiano foi um dos temas preferidos do romantismo. A tela lembra A Barca da Medusa, de Géricault, para quem o pintor havia posado.
(4)  Algumas pessoas viram no artista um grande talento como o de Rubens e as  semelhanças com o talento de  Michelangelo. Não tão apreciados da mesma maneira: O Massacre de Quios (1822), A Morte de Sardanápalo (1827) e A Tomada de Constantinopla pelos Cruzados (1840), baseadas em temas exóticos e históricos, de composições bem mais caóticas e de uma dramaticidade e simbolismo cromático incompreensíveis para a Academia.
Delacroix se interessou também pelos temas políticos do momento. 
Sentindo-se um pouco culpado pela sua pouca participação nos acontecimentos do país, pintou A Liberdade Guiando o Povo (1830), um quadro que o estado adquiriu e que foi exibido poucas vezes, por ter sido considerado excessivamente panfletário. O certo é que a bandeira francesa tremulando nas mãos de uma liberdade resoluta e destemida, prestes a saltar da tela, impressionou um número não pequeno de espectadores.
Em 1833 Delacroix foi contratado para decorar o palácio do rei em Paris, o Palácio de Luxemburgo e a biblioteca de Saint-Sulpice. Nos seus últimos anos preferiu a solidão de seu ateliê.

OBRAS






O massacre de Quios
A liberdade guiando o povo – Museu do Louvre
A barca de Dante – Museu do Louvre
Mulheres de Argel – Museu do Louvre
A tomada de Constantinopla pelos cruzados  – Museu do Louvre
Batalha de Poltiers- – Museu do Louvre
Trinfo de Baco
Mulher com papagaio – Museu de Belas Artes de Lyon





                                 A tomada de Constantinopla pelos cruzados  



                 The abduciton of Rebeca 1858, Oil on canvas 105 x 81,5 cm
                  Musée du Louver, Paris  

Fonte: 1:     Em torno da vida de Rivail/ 1ª edição-outubro 2004 Editora Lachâtre 
            2 -4: http:// pt.wikipedia.org/wiki/Delacroix 
                     Imagens retiradas do google 


JOANA d’ARC - MÉDIUM

7 de jan de 2011



Amigo Leitor, é com muita satisfação, que iniciamos o ano de 2011, falando sobre um grande espírito que assumiu grandes compromissos perante a Humanidade. Trata-se de Joana d'Arc. Fizemos uma seleção de onze postagens sequencias falando sobre sua vida, sua mediunidade,comentarios de escritores, criticos, falaremos sobre sua reencarnação anterior, e o motivo pelo qual ela escolheu essa reencarnação como martir para resgatar faltas do passado. Utilizaremos material da Revista espírita de dezembro de 1867, do livro Mediunidade dos Santos, do senhor Clovis Tavares , A caminho da luz por Emmanuel , e o livro Joana d'arc por Leon Denis.
Apenas recordando em postagens anteriores sobre a vida de Leon Denis, Licurgo Lacerda, afirma que Joana D'Arc era a mentora espiritual deste grande divulgador da doutrina dos Espiritos.
Espero que aprecie as onze postagens, boa leitura .
Luciano Dudu

Parte 1/11

No livro Mediunidade dos Santos na pagina 91 em diante, o autor Clovis Tavares vem nos dizer sobre a mediunidade de Joana d’Arc:

Santa Joana d’Arc é um caso em que o fenômeno da clariaudiência chega a um ápice. Enfrentando a incredulidade de todos, desde os 13 anos, escutava as vozes de São Miguel, o arcanjo guerreiro, de Santa Catarina e Santa Margarida.
Em três anos e meio, preparou-se para empreender o papel que as vozes lhe reservavam. Por muito tempo Joana ouviu as vozes sem saber que rumo tomar, apenas conhecendo que deveria partir para Orleans, que estava sitiada pelos ingleses e que era fundamental para a libertação da França.
Recebendo, em 1428, a ordem expressa das vozes para seguir para Orleans, como relata Américo Castro, seu biógrafo, ela obedece, ainda que atônita.
Em Santa Catarina de Fierbois , numa capela erguida por Carlos Martel , encontra, guiada pela voz de Santa Catarina, a espada com que lutou Carlos Martel sete séculos antes, expulsando definitivamente os Mouros da França.
Em Chinon, reconheceu o Delfim num salão onde se aglomeravam mais de trezentas pessoas, segundo Américo Castro , “e respondendo sobre sua dúvida secreta, afirmou ser ele realmente o filho de Carlos VI”.
Diz Husslein... “não obstante a mais elementar prudência aconselhava que se pusessem à prova suas solicitações e a Universidade de Poitiers foi à encarregada de fazer o juízo”. Joana se submeteu e impressionou profundamente a corte com a defesa que fez de si mesma e de suas solicitações. Os sábios doutores que a julgaram ficaram convencidos por completo de que se tratava de uma enviada de Deus e aconselharam o Rei que não a repelisse. Esses documentos sumiram misteriosamente quando Joana foi aprisionada pelos Ingleses.
Joana foi instruída pelas vozes, levantou o cerco de Orleans e como relata Husslein: “... cidades e fortalezas começaram a cair em rápida sucessão sob o empunho de suas armas”.
Em Reims, Carlos VII, como lhe predisseram as vozes, foi coroado Rei. A partir desse momento avisaram-lhe as vozes que cairia prisioneira e ela não se surpreendeu quando o fato ocorreu.
Manteve-se firme durante toda a farsa de seu julgamento, que demorou cinco meses, até sua condenação à fogueira. Sustentada pelas vozes até o último instante, Santa Joana d’Arc pronunciou na fogueira sua última palavra – Jesus!


Fonte: Mediunidade dos Santos/ Clovis Tavares, Prefácio de Emmanuel. (Obra póstuma, concluída por Flavio Mussa Tavares). Araras, SP 5ª edição, Ide , 1998.
Imagem : Google


A MEDIUNIDADE DE JOANA d'ARC





A MEDIUNIDADE DE JOANA D'ARC; O QUE ERAM SUAS VOZES; FENÕMENOS ANALOGOS,

ANTIGOS E RECENTES


Parte 2/11

“Fonte abundante de inspiração jorra do mundo invisível por sobre a Humanidade”. Liames estreitos subsistem entre os homens e os desaparecidos. Misteriosos fios ligam todas as almas e, mesmo neste mundo, as mais sensíveis vibram ao ritmo da vida universal. Tal o caso da nossa heroína.
Pode a crítica atacar-lhe a memória: inúteis serão seus esforços. A existência da Virgem da Lorena, como as de todos os grandes predestinados, está burilada no granito eterno da História, nada poderia esmaecer-lhe os traços. E' daquelas que mostram com a evidência máxima, por entre a onda tumultuosa dos eventos, a mão soberana que conduz o mundo.
Para lhe surpreendermos o sentido, para compreendermos a potestade que a dirige, é mister nos elevemos até à lei superior, imanente, que preside ao destino das nações. Mais alto do que as contingências terrenas, acima da confusão dos feitos oriundos das liberdades humanas, precisas são se perceba a ação de uma vontade infalível, que domina as resistências das vontades particulares, dos atos individuais, e sabe rematar a obra que empreende. Em vez de nos perdermos na balbúrdia dos fatos, necessários é lhes apreendamos o conjunto e descubramos o laço oculto que os prende. Aparece então à trama, o encadeamento deles; sua harmonia se desvenda, enquanto que suas contradições se apagam e fundem num vasto plano. “Compreende-se para logo que existem umas energias latentes, invisíveis, que irradia sobre os seres e que, a cada um deixando certa soma de iniciativa, os envolve e arrasta para um mesmo fim.”

(...) Os fenômenos de visão, de audição, de premonição, que pontilham a vida de Joana d'Arc deram lugar às mais diversas interpretações. Entre os historiadores, uns não viram neles mais do que casos de alucinação; outros chegaram a falar de histeria ou neurose. Alguns lhe atribuíram caráter sobrenatural e miraculoso.

(...) No tempo de Joana d'Arc estas coisas não eram compreensíveis. As noções sobre o Universo e sobre a verdadeira natureza do ser permaneciam ainda confusas e, em muitos pontos, incompletas, ou errôneas. Entretanto, marchando.Há séculos, de conquista em conquista, mal grado às suas hesitações e incertezas, o espírito humano já hoje começa a levantar o voo.

  •   Convém primeiramente notar: graças às suas faculdades psíquicas extraordinárias é que ela pôde conquistar rápido ascendente sobre o exército e o povo. Consideravam-na um ser dotado de poderes sobrenaturais. O exército não passava de um agregado de aventureiros, de vagabundos movidos pela gana da pilhagem. Todos os vícios reinavam naquelas tropas sem disciplina e prontas sempre a debandar (...).

(...) Joana soube praticar esse milagre. Acolheram-na a principio como intrigante, como uma dessas mulheres que os exércitos levam na cauda. Mas, sua linguagem inspirada, seus costumes austeros, sua sobriedade e os prodígios que se operaram logo em torno dela, a impuseram bem depressa àquelas imaginações gastas.
O exército e o povo se viam, assim, tentados a encará-la como uma espécie de fada, de feiticeira e lhe davam os nomes dessas formas fantásticas a que atribuem o assombramento das fontes e dos bosques.
O desempenho de sua tarefa não se tornava com isso senão mais difícil. Era lhe preciso fazer-se ao mesmo tempo respeitada e amada como chefe; obrigar, pelo ascendente, aqueles mercenários a verem na sua pessoa uma imagem da França, da pátria que ela queria constituir.

  • Pelas predições realizadas, pelos acontecimentos verificados, conseguiu inspirar-lhes absoluta confiança. Chegaram quase a divinizá-la. Sua presença era tida como garantia de bom êxito, símbolo da intervenção celeste. Admirando-a, devotando-se-lhe, mais fiéis se lhe tornaram do que o rei e os nobres.
  •  Doutras vezes e com muita frequência, atesta-o a própria Joana, suas vozes a previnem. Em Vaucouleurs, sem jamais o ter visto, vai direito ao senhor de Baudricourt: “Reconheci-o, refere, graças à minha voz. Foi ela que me disse: “Está ali ele”!”.
  •  Conforme as revelações que tivera, Joana lhe prediz a libertação de Orleans, a sagração do rei em Reims e lhe anuncia a derrota dos Franceses na jornada dos Arenques, no instante mesmo em que acabava de verificar-se.
  •  “Em Chinon, levada à presença do rei, não hesitou em descobri-lo entre os trezentos cortesãos no meio dos quais se dissimulara: Quando fui introduzida no aposento do rei, diz, logo o reconheci entre os outros, porque a minha voz mo indicou” (39). Numa entrevista íntima, lembra-lhe ela os termos da prece muda que, sozinho no seu oratório, ele dirigira a Deus. 

  •  Suas vozes lhe comunicam que a espada de Carlos Martel está enterrada na Igreja de Santa Catarina de Fierbois e mostrá-la.
  •  E' ainda a voz que a desperta em Orleans, quando, extenuada de fadiga, se atira no leito, ignorando o ataque à bastilha de Sannt-Loup: “Meu conselho me disse que vá contra os ingleses, exclama de repente. E não me dizíeis que o sangue da França estava sendo derramado.
 Fonte: Revista Espírita , dezembro 1867, Allan Kardec FEB
Imagem: google
 

O MEDIUNATO DE JOANA d'ARC E A INQUISIÇÃO



PROVAS DE SUA MEDIUNIDADE NO INTERROGATORIO DO PROCESSO DA  INQUISIÇÃO


Parte 3/11

“Antes de tudo: são autênticos estes fatos”?
R= Nenhuma dúvida é possível. “Os textos, os depoimentos aí estão copiosos; as cartas, as crônicas abundam”.
A Pedro de Versailles, que a interroga em Poitiers sobre o grau de sua instrução, responde: “Não sei o ABC.”
Muitos o afirmam no processo de reabilitação. Entretanto, realizou maravilhosa obra, como igual mulher alguma jamais empreendeu. Para levá-la a bom termo, porá em jogo aptidões e qualidades raras. Iletrada, confundirá e convencerá os doutores de Poitiers. Por seu gênio militar e pela habilidade dos seus planos, adquirirá pronta influência sobre os chefes do exército e os soldados.
Em Ruão, fará frente a sessenta eruditos, casuístas destros em sutilezas jurídicas e teológicas; frustrar-lhes-á as ciladas e lhes responderá a todas as objeções. Mais de uma vez os deixará embaraçados pelo poder de suas réplicas, rápidas como relâmpagos, penetrantes quais pontas de espadas.

  • Conta-se também uma cena tocante passada na igreja de Compienha (Compiègne). Diz ela, chorando, aos que a cercavam: “Bons amigos e queridos filhos, sabei que me venderam e traíram. Dentro em breve, dar-me-ão a morte. Orai por mim! “ (46).
  • Na prisão, seus guias lhe predizem a libertação de Compienha (47), o que lhe causa grande alegria. Teve também a revelação do seu fim trágico, sob uma forma que ela não compreendeu, mas cujo sentido seus juízes apreenderam: “O que minhas vozes mais me dizem é que serei salva... Acrescentam: Recebe tudo com resignação, não te aflijas por causa do teu martírio. Virás, enfim, para o reino do paraíso“

Como conciliar tão esmagadora superioridade com a falta de instrução? Ah! É que existe outro manancial de ensinamentos que não a ciência da escola! Pela comunhão constante com o mundo invisível, desde a idade de treze anos, quando teve a sua primeira visão, é que Joana alcança as luzes indispensáveis ao desempenho de sua missão espinhosa. 
Fonte: Revista Espírita , dezembro 1867, Allan Kardec
Imagem: Google

JEANNE d'ARC - REVISTA ESPÍRITA




Revista Espírita dezembro de 1867, Allan Kardec


Parte 4/11


JEANNE d'ARC E SEUS COMENTADORES.

Jeanne d'Arc é uma das grandes figuras da França, que se levanta na história como um imenso problema, e, ao mesmo tempo como um protesto vivo contra a incredulidade.

É digno de nota que, neste tempo de ceticismo, foram os adversários mais obstinados do maravilhoso que se esforçaram por exaltar a memória dessa heroína quase lendária; obrigados a folhear nesta vida cheia de mistérios, se vêem constrangidos a reconhecer a existência de fatos que só as leis da matéria não poderiam explicar, porque tirando-se esses fatos, Jean d'Arc não é mais do que uma mulher corajosa, como se as vê sempre.
Provavelmente, não foi sem uma razão de oportunidade que a atenção pública foi chamada sobre este assunto neste momento; foi um meio, como um outro, de abrir o caminho às idéias novas.
Jeanne d'Arc não é nem um problema, nem um mistério para os Espíritas; é um tipo eminente de quase todas as faculdades medianímicas, cujos efeitos, como uma multidão de outros fenômenos, se explica pelos princípios da Doutrina, sem que seja necessário procurar-lhes a causa no sobrenatural. Ela é a brilhante confirmação do Espiritismo, do qual foi um de seus mais eminentes precursores, não por suas informações, mas pelos fatos, tanto quanto por suas virtudes, que denotam nela um Espírito superior. Propomo-nos fazer, a este respeito, um estudo especial, desde que nossos trabalhos no-lo permitam; à espera disto não é inútil conhecer a maneira pela qual suas faculdades são encaradas pelos comentadores. O artigo seguinte foi tirado do Propagateur de Lille, de 17 de agosto de 1867.
"Sem dúvida, nossos leitores recordam que este ano, na festa de aniversário do levante do cerco de Orléans, o Sr. abade Freppel pediu, com uma humilde e generosa audácia, a canonização de nossa Jeanne d'Arc. Lemos hoje na Bibliothèque de l'École dês Chartes um excelente artigo do Sr. Natalis de Wailly, membro da Académie dês Inscriptions, que, a propósito da Jeanne d'Arc de Sr. Wallon, das suas conclusões e as da verdadeira ciência sobre a história sobrenatural daquela que foi, ao mesmo tempo, uma heroína da Igreja e da França.
Os argumentos do Sr. de Wailly são bem feitos para encorajar as esperanças do Sr. abade Freppel e os nossos. - Léon Gautier (Monde)."
“Não há muitos personagens que tenham sido, mais do que Jeanne d’Arc, alvo da contradição dos contemporâneos e da posteridade; no entanto, deles não há cuja vida seja mais simples e melhor conhecida”. “Saída de repente da obscuridade, ela não aparece em cena senão para ali cumprir um papel maravilhoso, que logo atrai a atenção de todos”. É uma jovem, hábil somente para fiar e costurar, que se pretende enviada de Deus para vencer os inimigos da França. No início, ela não tem senão um pequeno número de partidários devotados, que crêem em sua palavra; os hábeis desconfiam e lhe fazem obstáculo: cedem, enfim, e Jeanne d'Arc pode alcançar as vitórias que havia predito. Logo ela arrasta até Reims um rei incrédulo e ingrato, que a trai no momento em que ela se prepara para vencer Paris, que a abandona quando ela cai prisioneira na mão dos Ingleses, que nem tenta mesmo protestar, nem proclamá-la inocente quando ela vai expirar por ele. No dia de sua morte, não foram, pois, somente os inimigos que a declararam apóstata, idolatra, pudica, ou os amigos fiéis que a veneravam como uma santa; havia também os ingratos que a esqueceram, sem falar dos indiferentes que não se incomodaram com ela, e as pessoas hábeis que se gabavam de não ter jamais acreditado em sua missão ou de não ter acreditado senão pela metade.

"Todas essas contradições, no meio das quais Jeanne d'Arc teve que viver e morrer, lhe sobreviveram e a acompanharam através dos séculos. Entre o vergonhoso poema de Voltaire e eloqüente história do Sr. Wallon, as opiniões mais diversas se produziram; e se todos concordam hoje em respeitar esta grande memória, pode-se dizer que, sob a admiração comum se escondem ainda profundas divergências. Com efeito, quem lê ou escreve a história de Jeanne d'Arc, vai erguer em face de si um problema que a crítica moderna não gosta de encontrar, mas que lá se impõe como uma necessidade. Este problema é o caráter sobrenatural que se manifesta no conjunto dessa vida extraordinária, e mais especialmente em certos fatos particulares.
"Sim, a questão do milagre se põe, inevitavelmente, na vida de Jeanne d'Arc; ela embaraçou mais de um escritor e provocou freqüentemente estranhas respostas.

O Sr. Wallon pensou, com razão, que o primeiro dever de um historiador de Jeanne d'Arc era de não evitar esta dificuldade: abordá-la de frente, e explicá-la pela intervenção miraculosa de Deus. Tentarei mostrar que esta solução está perfeitamente conforme as regras da crítica histórica.

“As provas metafísicas sobre as quais se pode apoiar a possibilidade do milagre, escapam ou desagradam a certos espíritos; mas a história não tem que fazer essas provas”. Sua missão não é estabelecer teorias; é de constatar os fatos, e registrar todos aqueles que lhe apareçam como certos. Que um fato miraculoso ou inexplicável deva ser verificado com mais atenção, ninguém o contestará; por conseqüência também, o mesmo fato, mais atentamente verificado do que o outro adquire, de alguma sorte, um maior grau de certeza.

Raciocinar de outro modo é violar todas as regras da crítica, e transportar mal a propósito à história os preconceitos da metafísica. Não há argumentação contra a possibilidade de um milagre, que dispensa examinar as provas históricas de um fato miraculoso, e de admiti-las quando são de natureza a produzirem a convicção num homem de bom senso e de boa fé. Ter-se-á mais tarde o direito de procurar para esse fato uma explicação que satisfaça tal ou tal sistema científico; mas, antes de tudo, e a qualquer coisa que chegue a existência do fato deve ser reconhecida, quando repousa sobre provas que satisfazem às regras da crítica histórica.

"Há, sim ou não, fatos desta natureza na história de Jeanne d'Arc?

Descubra na postagem 5/11

Fonte: Revista Espírita- Dezembro de 1867, Allan Kardec

SR QUICHERAT FALA SOBRE JOANA d'ARC




Parte 5/11

Comentários do Sr Quicherat

Esta pergunta foi discutida e discutida por um sábio (...) Sr. Quicherat,  
(...) Ele se propôs estabelecê-los sem pretender explicá-los, de maneira que sua crítica, independente de todo sistema preconcebido, se limitou a colocar as premissas as quais não quis mesmo preverás conclusões.
"Está claro, disse ele, que os curiosos quererão ir mais longe, e raciocinar sob uma causa da qual não lhes bastará admirar os efeitos. Teólogos, psicólogos, fisiologistas, não tenho soluções a lhes indicar: que procurem, se o podem, cada um de seu ponto de vista, os elementos de uma apreciação que desafie todo contraditor. A única coisa que me sinto capaz de fazer na direção para onde se exercerá semelhante pesquisa, é de apresentar, sob sua forma mais precisa, as particularidades da vida de Jeanne d'Arc, que parecem sair do círculo das faculdades humanas.”
"A particularidade mais importante, a que domina todas as outras, é o fato da voz que ela ouvia várias vezes por dia, que a interpelava ou lhe respondia, da qual ela distinguia as entonações, com relação, sobretudo a São Miguel, à Santa Catarina e à Santa Margarida”.
Ao mesmo tempo, se manifestava uma viva luz, onde ela percebia o rosto de seus interlocutores: "Eu os vejo de meu corpo, dizia ela aos seus juízes, tão bem quanto vejo a vós mesmos." Sim, ela sustentava, com uma firmeza inquebrantável, que Deus a aconselhava por intermédio dos santos e dos anjos. Um instante, ela se desmentiu, fraquejou diante do medo do suplício; mas ela chorará essa fraqueza e a confessará publicamente; seu último grito nas chamas foi de que suas vozes não a tinham enganado e que suas revelações eram de Deus. É preciso, pois, concluir com o Sr. Quicherat que "sobre esse ponto a crítica mais severa não teve suspeita a levantar contra a sua boa fé." Uma vez constatado o fato, como certos sábios o explicaram?
R= De duas maneiras: ou pela loucura, ou pela simples alucinação.

Que disse disso o Sr. Quicherat?
R= Que ele previa grandes perigos para aqueles que quisessem classificar o fato da Pucelle entre os casos patológicos.

“Mas, acrescenta ele, que a ciência ali encontre ou não sua conta, por isto não será preciso admitir menos as visões, e, como vou fazê-lo ver, estranhas percepções de espírito provenientes dessas visões”. “Quais são as estranhas percepções de espírito”? Foram revelações que permitiram a Jeanne: ora conhecer os mais secretos pensamentos de certas pessoas, ora de perceber objetos fora do alcance de seus sentidos, ora de discernir e de anunciar o futuro.

As três espécies de revelação de Joana d'arc, conforme Sr Quicherat:

"O Sr. Quicherat cita para cada dessas três espécies de revelação "um exemplo assentado sobre bases tão sólidas, que não se pode, diz ele, rejeitá-lo sem rejeitar o próprio fundamento da História."
  •  “Em primeiro lugar, Jeanne revela a Charles VII um segredo conhecido de Deus e dela, único meio que ela teve para forçara fé deste príncipe desconfiado”.

  • “Em seguida, encontrando-se em Tours, ela discerniu que havia, entre Loches e Chinon, na igreja de Santa Catarina de Fierbois, enfiada a certa profundidade perto do altar, uma espada enferrujada e marcada com cinco cruzes”. A espada foi encontrada, e seus acusadores lhe imputaram, mais tarde, de ter sabido por ouvir dizer que a arma estava lá, ou de tê-lo feito ela mesma.

“Sinto”, disse a este propósito o Sr. Quicherat, quanto semelhante interpretação parece forte num tempo como o nosso; quão fracos, ao contrário, são os fragmentos do interrogatório que coloco em oposição; mas, quando se tem o processo inteiro sob os olhos, e que nele se vê de que maneira o acusado põe sua consciência a descoberto, então, é seu testemunho que é forte, e a interpretação dos raciocínios que é fraca.

  • · “Deixo”, enfim, o próprio Sr. Quicherat contar uma das predições de Jeanne d'Arc: “Numa de suas primeiras conversações” com Charles VII, anuncia-lhe que, operando a libertação de Orléans, ela seria ferida, mas sem ser colocada fora do estado de agir; seus dois santos lhe haviam dito, e o acontecimento lhe prova que eles não a tinha enganado.

Ela confessou isto em seu quarto interrogatório. Nisto seríamos reduzidos a esse testemunho, que o ceticismo, sem pôr em dúvida sua boa fé, poderia imputar seu dizer a uma ilusão de memória. Mas o que demonstra que ela predisse, efetivamente, seu ferimento, é que ela a recebeu em sete de maio de 1429, e que, em 12 de abril precedente, um embaixador flamengo, que estava na França, escreveu ao governo de Brabant uma carta onde era reportada não só a profecia, mas a maneira pela qual ela se cumpriria. Jeanne teve o ombro furado por um tiro de balista no assalto do forte Tourelles, e o enviado flamengo havia escrito: Ela deverá ser ferida com um tiro num combate diante de Orléans, mas não morrerá por isto. A passagem de sua carta foi consignada nos registros da Chambre dês comples de Bruxelles.

Fonte:  Revista Espírita, dezembro de 1867, Allan Kardec- FEB/RJ
Imagem: Google

Os OPOSITORES A MEDIUNIDADE DE JOANA d'ARC




Parte 6/11


"Um dos sábios cuja opinião lembrei ainda há pouco, o que fez de Jeanne d'Arc uma alucinada antes que uma louca, não contesta suas predições, e as atribui "a uma espécie de impressionabilidade sensitiva, a uma irradiação da força nervosa cujas leis ainda não são conhecidas."
"Se está bem seguro de que essas leis existem, e que jamais devem ser Conhecidas?

Enquanto elas não o forem, não vale mais confessar francamente sua ignorância do que propor tais explicações?

Toda hipótese é boa quando se trata de negar a ação da Providência, e a incredulidade a dispensa de todo raciocínio?
Não deveria se dizer que desde a origem dos tempos a imensa maioria dos homens concordou acreditar que existe um Deus pessoal, que depois de ter criado o mundo, o dirige e se manifesta quando lhe apraz por sinais extraordinários?

Se fizesse calar seu orgulho, não ouviriam esse concerto de todas as raças e de todas as gerações?
O que é maravilhoso é que se possa ter uma fé tão robusta em si mesma quando se fala em nome de uma ciência que é a mais incerta e a mais variável de todas, de uma ciência cujos adeptos não cessam de se contradizer, cujos sistemas morrem e nascem como a moda, sem que jamais a experiência haja podido deles arruinar ou assentar, definitivamente, um único.
Eu diria de bom grado a esses doutores em patologia: Se encontrardes enfermidades como as de Jeanne d'Arc, guarde-vos de curá-las; tratai antes que elas se tornem contagiosas.



A mediunidade ou alucinação de Joana Darc pelo comentador Sr Wallon



“Melhor inspirado, o Sr. Wallon, não pretendeu conhecer Jeanne d’Arc, melhor do que ela mesma se conheceu”. Colocado em face dos mais sinceros dos testemunhos, ouviu-o com interesse e concedeu-lhe uma confiança inteira. Essa mistura de bom senso e de elevação, de simplicidade e de grandeza, essa coragem sobre-humana, realçada ainda pelos curtos desfalecimentos da natureza, lhe apareceram não como sintomas de loucura ou de alucinação, mas como sinais brilhantes de heroísmo e de santidade. Lá, e não em outra parte, estava a crítica; de lá vem que, procurando a verdade, encontrou tanta eloquência, e ultrapassou todos aqueles que o tinham antecedido nesse caminho. Ele merece estar colocado na cabeça desses escritores dos quais o Sr. Quicherat disse excelentemente:
"Restituíram Jeanne tão inteira quanto puderam, e quanto mais se prenderam em reproduzir sua originalidade, mais encontraram o segredo de sua grandeza.”
O Sr. Quicherat achará muito natural que eu empreste suas palavras para caracterizar um sucesso para o qual contribuiu mais do que ninguém; porque, se não convencionou escrever ele mesmo a história de Jeanne d'Arc, é doravante impossível empreendê-la sem recorrer aos seus trabalhos. O Sr. Wallon, em particular, deles tirou um imenso proveito, sem ter quase nada a modificar, nem nos textos recolhidos pelo editor, nem em suas conclusões. No entanto, não as aceitou sem controle. É assim que assinala uma omissão involuntária da qual prevaleceu um escritor que pende antes para a alucinação do que para a inspiração de Jeanne d'Arc.

Lê-se, à página216 do Procés (tomo 1°):
  •  Jeanne d'Arc estava em jejum no dia em que ouviu, pela primeira vez, a voz do anjo, mas que ela não tinha jejuado no dia precedente. À página 52, ao contrário, Sr. Quicherat havia impresso: et ipsa Johanna jejun averat die proecedenti. Em suprimento à página 216a negação que falta à página 52, tinham-se dois jejuns consecutivos que pareciam uma causa suficiente de alucinação. O manuscrito não se presta, pois, a essa hipótese.

O Sr. Wallon constatou que a exatidão habitual do Sr.Quicherat achava-se aqui em falta, e que era preciso ler, à página 52,non jejunaverat. "A única divergência um pouco grave que se percebe entre os dois autores é quando eles apreciam os vícios de forma assinalados no processo. O Sr. Quicherat sustenta que Pierre Cauchon era muito hábil para cometer ilegalidades, e o Sr. Wallon o crê muito apaixonado por haver podido disso se defender
Eu não estou no estado de decidir essa questão; faria somente notar que ela tem no fundo pouca importância, uma vez que, de uma parte e de outra, se está de acordo sobre a iniqüidade do julgamento e a inocência da vítima.
"Encontro o Sr. Wallon afirmando como Sr. Quicherat, contrariamente a uma opinião já antiga e que conserva ainda partidários,
  •  Charles VII, uma vez sagrado em Reims, Jeanne d'Arc não tinha ainda cumprido toda a sua missão; porque ela mesma tinha anunciado como devendo, além disso, expulsar os Ingleses. Deixo de propósito de lado a libertação do duque de Orléans, porque é um ponto sobre o qual suas declarações não são tão explícitas.
  •  Mas pelo que concerne à expulsão dos Ingleses, tem-se a própria carta que ela lhe dirigiu no dia 22 de março de 1429:
"Aqui vim da parte de Deus, o rei do céu,corpo por corpo, para vos empurrar fora de toda a França." Jeanne d'Arc


  •  "Ainda aqui, o Sr. Wallon fez boa crítica: ele não divide os testemunhos de Jeanne d'Arc, aceita-os todos e os proclama sinceros, mesmo quando parecem não ser mais proféticos. Eu acrescento que ele o justifica plenamente mostrando que, se ela tinha a missão de expulsar os Ingleses, não tinha prometido de tudo executar por ela mesma, mas que ela começou a obra e lhe predisse o término. O Sr. Wallon sentiu-a bem; não é compreender Jeanne d'Arc senão glorificá-la em seus triunfos para negá-la em sua paixão.
"Nós sobretudo, que conhecemos o desfecho desse drama maravilhoso, nós que sabemos que os Ingleses foram, com efeito, expulsos do reino e a coroa de Reims consolidada na fronte de Charles VII, devemos crer, com o Sr. Wallon, que Deus não cessou jamais de inspirar aquela da qual lhe aprouve consagrar a grandeza pela prova e a santidade pelo martírio." - N. de Wailly.
Aquele de nossos correspondentes de Anvers, que consentiu em nos enviar o artigo acima, acrescentou-lhe a nota adiante proveniente de suas pesquisas pessoais sobre o processo de Jeanne d'Arc:

"Pierre Cauchon, bispo de Beauvais, e um inquisidor chamado Lemaire, assistidos por sessenta assessores, foram os juizes de Jeanne. Seu processo foi instruído segundo as formas misteriosas e bárbaras da Inquisição, que havia jurado sua perda. Ela nele quis se reportar ao julgamento do Papa e do Concilio de Bale, mas o bispo a isto se opôs. Um padre, L’Oyseleur, a engana abusando da confissão, e lhe dá funestos conselhos. Em conseqüência de intrigas de toda sorte, ela foi condenada, em 1431, a ser queimada viva,
"como mentirosa, perniciosa, abusadora do povo, adivinha, blasfemadora de Deus, descrente da fé de Jesus Cristo, vaidosa e idolatra, cruel, dissoluta, invocadora dos diabos, cismática e herética."

O Papa Calixte III, em 1456, fez pronunciar, por uma comissão eclesiástica, a reabilitação de Jeanne, e foi declarado, por um decreto solene, que Jeanne foi morta mártir pela defesa de sua religião, de sua pátria e de seu rei. O Papa quis muito canonizá-la, mas sua coragem não foi tão longe.
"Pierre Cauchon morreu subitamente, em 1443, fazendo a barba; ele foi excomungado; seu corpo foi desenterrado e lançado na lixeira.


Fonte: Revista Espírita , dezembro de 1867, Allan Kardec , FEB /RJ
Imagem: Google







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Luciano Dudu